sexta-feira, 2 de março de 2012

Outras coisas acontecendo...


Devíamos tanto sermos mais distraídos em nossas vidas, rotinas, em nossos planos.

Acredito que para sermos um pouquinho mais felizes, em nossa agenda deveria ter um espacinho para a distração todos os dias. Ao menos um momento para sair da rotina, e sei lá, fazer algo diferente até que a novidade torne-se rotina, e quem sabe até uma marca em nossas vidas.

Claro que não estou dizendo para TODA Terça-Feira, você pegar o carro e dar umas voltas no quarteirão. No entanto, prefiro não excluir também esta possibilidade.

As vezes as pessoas se apegam tanto ao planejado, tanto ao controle, ao depois e depois e depois, mesmo com o depois sendo ainda hoje. Esquecemos do nosso agora.

É impressionante como esquecer do agora é corriqueiro em minha vida. Por exemplo, estou em casa com várias coisinhas para fazer. Quando saio de casa lembro-me de todas elas. Vou pelas ruas em direção ao meu destino, ligo o radio (as vezes não) e quando dou por mim estou perdido, sem saber o que tinha que fazer AGORA. 

Estou com alguns trabalhos para ler, ligo o computador, abro o word, sento na frente dele, abro o e-mail, entro no msn, entro no facebook, mas aquilo que eu estava para fazer, nem sonho mais o que era...

Algumas pessoas tentam desesperadamente lembrar-se das coisas. Acho engraçado aquela expressão "Eu abro a geladeira para pensar". Quem de nós nunca abriu a geladeira para pensar, ou ao menos nunca testemunhou alguma pessoa fazendo isso? É impressionante como buscamos exatamente no lugar mais impossível de encontrar o que precisamos naquele "agora".

Isso pode significar alguma coisa. A rotina está acabando com nossa memória? Não, não é por ai. Sabemos e lembramos depois de algum tempo o que precisávamos fazer, apenas estamos dando um tempo para nos perder.

Pesquisas recentes sobre o ato de bocejar chegaram a uma conclusão de que o bocejo humano é uma forma de resfriar o célebro. O ato de procurar na geladeira (fria) o que jamais iriamos encontrar por alí pode ser também um sinal de que estamos precisando esfriar a cabeça subjetiva... 

Precisamos nos perder mais de vez em quando. Sair de um lugar e procurar outros, não pela novidade, mas apenas para encontrar outra coisa.

Certa vez sai de casa a procura de um restaurante. Andei de carro pelas avenidas mais gastronomicas possíveis e quando dei por mim, estava eu (cerca de 40 minutos depois) desligando o telefone pois havía pedido uma pizza, na pizzaria de sempre, a pizza de sempre com a comphania de sempre...

Não se trata de viver novas e fortes emoções, mas apenas de saber que existem outras possibilidades, que durante nossa existência outras pessoas, coisas, atos, programas, lugares, tudo isso também acontece. Sair um pouco do nosso comodismo, nem que seja para depois retornar à enfadonha rotina.

Abrir a geladeira as vezes e de lá retirar uma água, transformar o que era "falho" em uma oportunidade de algo mais. Sair de casa, conhecer pessoas novas e a partir daí ter mais amigos, ou não, apenas conhecer histórias, lugares pessoas. 

Ainda mais neste momento em que a vida corre a frente do relógio, o agora acaba passando despercebido. Nosso lado humano tenta contornar, seja bocejando, seja indo para a geladeira, seja com atos falhos, ou ainda com sintomas físicos que até podem chegar a doenças cronicas. Poderia sitar inúmeras delas que estão ligadas com o estilo de vida das pessoas, mas não quero hoje falar sobre isso aqui.

Da próxima vez que for abrir a geladeira para pensar, lembre-se, aquilo nem sempre foi um "desvio" do cotidiano, e de fato, PENSE, o que há ali que você pode pegar, consumir, ou apenas saber que está lá para depois. 

Façamos doz desvios de nossas rotas uma oportunidade de abertura para o novo.

Lembre-mo-nos de colocar em nossas agendas ao menos uma vez por dia: 

 *  ABRIR A GELADEIRA

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Minha humanidade ainda me mata...

Aquele humano que habita em mim ainda vai me desgraçar a vida. 

Humano, incontrolável, e muitas vezes impensável, irresistível, irremediável. Este habitante em mim me consome de uma forma inintrrupta. Mas posso dizer uma coisa, com certeza absolukta, ele não sou eu, ou ainda, melhor dizendo, ele é a parte humana de mim que insiste em me envergonhar, em me fazer chorar, em me fazer sentir, em me fazer sonhar.

Se tirássemos nossa humanidade, teríamos talvez total controle sobre nossos atos, nosso organismo funcionaria como o biológico ordena. Hora de excretar, seria hora de excretar, hora de dormir, seria hora de dormir, hora de morrer seria hora de morrer. Uma vida sem nossa humanidade, seria simples, mas ao mesmo tempo extremamente promissora.

Sem o desejo que, ao mesmo tempo que nos impulsiona, nos joga na cara inúmeros motivos pelos quais fracassaremos, seríamos respondentes de nossas necessidades. Precisaríamos de mais dinheiro, mas não haveria ganância, o que nos ajudaria muito para não trabalhar desmedidamente e deixar de lado tantas coisas cotidianas, como um sorriso, um bom dia ou ainda um momento em familia antes de deitar.

Sem nossa humanidade aproveitariamos muito mais coisas da vida, como por exemplo, comeríamos apenas o necessário, não haveriam obesos nem anoréxicos. Não haveriam alcólatras também, nem viciados em drogas, afinal, sabendo e sentido a destruição que tudo isso nos causa, nada mais orgânico do que ficar longe disso tudo. Experimentaríamos, e logo cairíamos fora, eu acredito. O organismo não teria tempo de se acostumar com a substância tornando-se dependente dela.

Sem nossa humanidade, jamais haveria saudade, ou ainda o luto. Perderíamos alguém, e assim como os animais, apenas olharíamos para a carcaça com uma certa indiferença, pois saberíamos com certeza que logo logo seríamos eu e você ali estirado no chão.

Ah, como a vida seria mais simples sem nossa humanidade.

Mas aí eu me pego pensando, que sem nossa humanidade não teríamos a solidariedade. Quem não pudesse trabalhar, não trabalharia, não teria dinheiro e morreria. Seríamos um grande exército de trabalhadores, seríamos na verdade como formigas, ou como os leões, ou como qualquer outro bando de animais. Não esperaríamos ao lado do doente cambaleante, não sofreríamos as dores daquele que partiu, mas que já dava sinais de que não chegaria muito mais longe. 

Sem nossa humanidade, seríamos qualquer outra coisa que se movesse simplesmente em virtude de si mesmo. Isolados do mundo, sem a concepção de narcisismo, afinal, seria apenas um egocentrismo respeitado e muito importante para a sobrevivência do animal. Seríamos o bicho homem.

Volto a dizer, que a minha humanidade ainda me mata, mas a dos meus amigos, sempre, há de me ressucitar.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Pura morte

O amor é fogo quer arde sem se ver, mas como o combustível dos carros de carrida, ele mesmo assim queima e deixa cicatrizes. Sentimos sua presença, seu calor, sua força. Deforma-nos a face original, antes pura, agora marcadas como amados. Uma vez na brasa do amor, para sempre marcados, em busca da chama que arde, que queima, que marca, mas que jamais explode.

Assim como a chama queima a vela, nos deixamos ser amados como a parafina se deixa ser queimada. Quando fogo e calor demais, a parafina se esgota muito antes da noite acabar. O fogo deve queimar na medida em que a parafina da conta de ser queimada.

Aquelas velas enormes nas igrejas, os Círios, queimam o ano inteiro. Na verdade queimam nas celebrações. Deveríamos queimar de amor apenas nos momentos corretos diriam os mais equilibrados. Mas de equilibrados o inferno e os hospícios estão cheios.

Permite que o amor queime em você e marque a todos quem você puder marcar. Um sorriso, um abraço, um perdão, e acima de tudo a compreensão, a misericórida a piedade. São Francisco de Assis diria que não se vive sem amar, sem ser amado. Deixa de ser a vela, a parafina para ser o fogo.

Acho que este é o segredo do amor que purifica, que ama na medida em que o outro suporta ser amado. Não mais parafinas, mas o próprio fogo, o próprio amor. Amar os pobres, as coisas, as criaturas, as crianças aos leprosos, aos odiados, aos que nos odeiam. Ora, o fogo não queima e marca apenas o que se pode queimar. Deixa sua marca também nas paredes mais frias de concreto sólido e intocável. Marcas que permitem a todos saber que o fogo passou por ali.

Mas há dois tipos de chama. A que purifica, queimando as impurezas, e a que destrói.

Poderíamos simplesmente pensar que existe uma hora pra cada coisa, pequeno engano nosso. Na verdade sinto que o fogo que purifica sempre é bom. Mas é visto como destruição para aqueles que não suportam os planos do Amor.

Quando queima-se uma floresta inteira, as vezes podemos imaginar que foi um pecado, uma destruição sem medida, uma total falta de consideração da natureza por ela mesma. Dois anos depois passamos e vemos a vida florescendo, vida nova, ressurgida das cinzas que ao queimar, conseguiu adubar o solo e com a chuva pode fazer germinar as sementes em terra ainda mais fértil que antes.

As sementes que jamais conseguiriam germinariam em uma floresta, pois a humidade, a sombra de arvores maiores e os animais que poderiam comer seus brotos, agora pode crescer e florescer em terreno seguro.

Assim são nossas virtudes. Uma vez que nossa alma é tocada pelo fogo do amor, e tornamo-nos nós mesmos a chama que queima e marca o outro como amados, poderemos ver florescer o novo, a novidade  vida nova em meio às cinzas.

Acredito firmemente que o fogo agora, apenas purifica. Porém também destrói. E assim é o amor, quando queima, arde sem se ver, mas depois de um tempo aparecem as marcas eternas da destruição de uma vida que passou, que foi sem marcas eternas e depois de mais um tempo, as marcas de uma vida eterna, marcas que tranformam a própria alma em fogo que purifique.

Tudo bem, o amor pode arder sem que se veja, mas suas marcas podem ser vistas nos olhos de quem foi muito amado, e hoje tornaram-se amantes, brilham com uma chama que não se apaga.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Sonhar sonhos...

Sonhos são feitos de que?

  • 3 ovos
  • 600 g de farinha de trigo
  • 50 g de fermento de pão (padaria)
  • 400 g de batatas cozidas
  • 1 pitada de sal
  • 1 xícara de chá de leite morno
  • 2 colheres de sopa de manteiga

Embora este blog não seja de culinária, as vezes é bom variar. Não, meus caros leitores, não discutirei uma receita de sonhos com vocês, ao contrário, não acredito que haja receitas para os sonhos que vamos explorar.

Só precisamos ficar atentos para a cobertura. Afinal de contas, sonhos sem a cobertura acabam sendo apenas paozinhos com açúcar em cima.

Mas o que torna os sonhos tão especiais?

Bom, como toda receita, tem um modo de preparo, ou seja, uma técnica, um método correto de misturar os ingredientes e uma quantidade certa de ingredientes. Tem também o segredinho do cozinheiro... 

Acho que poderíamos ficar apenas no segredinho do cozinheiro. 

O que faz uma receita qualquer tornar-se especial, é justamente o segredinho do cozinheiro. 

Para quem já assistiu o filme "Kung-Fu Panda", já deve estar imaginando um pouco do segredo para tornar-se uma pessoa, um dragão guerreiro, ou ainda fazer uma receita especial de macarrão. Duas das coisas que eram almejadas pelo Panda do filme.

Saber como fazer o macarrão do seu pai, assim, entrando de vez no "quadro" restrito dos conhecedores do segredo do macarrão especial e também tornando-se membro efetivo da família, pois ele era (visivelmente) adotado, era um dos seu sonhos. O outro era ter o conhecimento do pergaminho que revelaria de vez seus poderes e o tornaria o verdadeiro e único dragão guerreiro.

Ambos estão ligados com o conhecimento para ser algo, para ser alguém. Ambos estão ligados com o sonho de alguém que busca algo para rechear a sua vidas de emoções, aventura, reconhecimento e acima de tudo felicidade.

Enquanto o corpo é o pãozinho com pitadas de açucar, para ser sonho, é preciso o recheio. É preciso alegria, é preciso esperança, é preciso sentimentos que tragam felicidade, ou no mínimo a realização.

Fico imaginando, entre os vídeos que circulam pela web, uam criança indo comer um sonho tão desesperadamente esperando que naquela mordida, o conteúdo do recheio possa msturar-se com sua boca e trazer a ela a deliciosa sensação esperada. Quando morde no entanto não encontra nada ao não ser a secura daquele pão. 

Um sonho sem o recheio não passa de um pedacinho de pão doce. Não é sonho, é apenas a realidade aparente, sem qualquer conteúdo que o eleve a categoria de sonho.

O importante dos sonhos é justamente o conteúdo que traz consigo, mesmo que imaginariamente. Quando comemos um sonho de doce de leite, de nata, de chocolate, ou de qualquer coisa que seja, não importa o recheio, tem que ser recheado.

Quando sonhamos e buscamos a realização de nossos sonhos, acabamos muitas vezes deixando de lado o recheio, ou ainda o pãozinho, que sem ele, não seria um sonho perfeito. Acabamos nos preocupando muito mais com a forma, com a receita, com o objetivo final, e esquecemos do sabor. 

O sabor que tem cada passo na confecção de uma guloseima, e também da confecção de um sonho, ou na realização de um sonho. Cada dia tem sua paticularidade e acabamos por até desdenhar o hoje em nome do amanhã.

O Panda do filme aprendeu muito bem a desdenhar do hoje para atingir o objetivo do amanhã. Focamos nossas vidas em busca de um sonho e nos esquecemos que o sonho, que a realização dele se dá no agora. Em cada pedacinho de hoje, em cada momento, em cada instante é que o sonho é construído. Depois de pronto, basta aproveitar.

Ao amanha serve o descanso, a paz, a satisfação de um "dever" cumprido. As vezes tenho vontade de matar quem colocou em nós a sensação de "dever" nas nossas realizações. Primeiro porque o sonho, delicioso como é, não deveria ser um dever. Deveria ao contrário, ser compreendido como ele realmente o é, ao menos para mim, uma consequência.

Sonhar, querer, desejar, imaginar, nos ajudam a construir caminhos, rotas, pensarmos métodos, formas de buscar o almejado. Mas precisamos levar em conta que a vida é muito mais que o sonho. O sonho é uma sobremesa, temos que gostar também dos legumes, que a princípio, são sem graça, amargos, sonsos, mas também fazem bem. Acima de tudo nos enriquecem com diferentes sabores, tornando até, porque não, o doces ainda mais doces.

Aprender também que a sobremesa vem depois da refeição. É apenas um bom e delicioso toque final. Aprender que uma boa pratada de salgado, mais do que necessário, pode ser até mesmo muito gostoso, saboroso, delicioso, às vezes melhor até mesmo que a sobremesa.

É difícil, eu sei, o arroz com feijão de cada dia. não é facil reconhecer os sabores deliciosos a cada pratada de mesma coisa. Mas chega um momento que é necessário, afinal, ninguém vive apenas de sonhos. Mas para poder aproveitá-los ainda mais, precisamos aprender na caminhada, que ela também faz parte do banquete da vida.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

GRUPO DE ESTUDOS EM PSICANÁLISE - 2012

GOSTARÍAMOS DE AGRADECER A TODOS OS PARTICIPANTES DO GRUPO DE ESTUDOS EM PSICANÁLISE QUE ESTIVERAM CONSTRUINDO CONOSCO ESTA BELA TRAJETÓRIA DE AULAS, SEMINÁRIOS, ENCONTROS, DISCUSSÕES E ACIMA E TUDO MUITA AMIZADE.

EM 2012 RETORNAREMOS OS TRABALHOS COM MAIS NOVIDADES. A PRINCÍPIO SEGUE O BANNER DE DIVULGAÇÃO.





 

MAIORES INFORMAÇÕES:   http://www.hu.psc.br/curso/extensao/2012/

GRANDE ABRAÇO A TODOS E FELIZ ANO NOVO

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Contemporaneidade, tempo perfeito para a Psicanálise.

Quando o Supérfluo se tornou o necessário, podemos dizer que enfim, entramos verdadeiramente em uma sociedade diferente da modernidade. Chamam este tempo de contemporaneidade, ou ainda, a sociedade líquida, sem vículos, onde acima de tudo o que prevalece é o efêmero.

Mas afinal de contas, o que é que aconteceu que as pessoas deixaram de importar-se com o amanhã?
Será que o consumismo conseguiu deixar uma marca indelével tão arraigada em nossa psique que acabamos de fato entrando na onda, de uma vez por todas, de que tudo que eu quero eu posso conseguir. Seja através da compra, do roubo, ou da troca, é possível satisfazer meus desejos, e ainda por cima, existirá sempre algo que o satisfará.

Isso é que imaginamos quando damos uma olhada na sociedade um pouco que superficialmente. Claro que reconheço os vínculos cada vez mais instáveis. Claro que percebo que o fútil e o efêmero, ou seja, a aparência hoje em dia se sobressai à essência, se sobressai àquilo que está arraigado em nós. Consigo enxergar sem muito sacrificio relações humanas cada vez mais pragamáticas na medida em que conquisto o outro até que eu usurpe dele todo seu valor, sua vida, seu ânimo, até que ele não me sirva mais, como se eu fosse seu centro, seu rei, seu deus, e ele, um mero súdito que está ali na posição de objeto para me servir.

Reconheço que as pessoas cada vez se utilizam de uma máscara pervesa, na qual utilizam do outro como um objeto, até que o outro torne-se dejeto. A partir daí, cada um para seu canto.

Onde está o amor no qual aprendemos a sermos felizes com a alegria estampada no sorriso do outro. Onde estará o ser feliz com o outro, ao invés de puro sacrifício de uma das partes? Onde estará a virtude de ser, de existir para além das máscaras que encobrem os sujeitos na contemporaneidade. 

Pergunto-me por fim, onde estará os sujeitos, os indivíduos, os humanos?

Na clínica, timidamente eles acabam aparecendo.

Homens que buscam desesperadamente alguém pra conversar e pagam um preço altíssimo por isso. Mulheres que encontram-se com homens diferentes todas as noites, mas que ainda esperam em seu íntimo, pelo seu prícipe encantado. Pessoas que buscam encontrar outras pessoas na vida, e o que acabam encontrando de melhor é a figura do analista treinado para isso.
Não é de hoje que se conhecem relatos de casos de homens que buscam prostitutas para conversar. Pode ser na obra "O doce veneno do escorpião" ou na vida real. Pessoas pagam para poderem ser ouvidas, pagam para encontrar-se alguém.

Na análise, embora seja uma experiência paga, e acima de tudo artificial, visto que é criada, a pessoa encontra-se consigo mesma. Percebe-se pessoa, descobre-se alguém, e a partir daí, posso até arriscar, surge um ser humano.

Até então vivendo sem sentido algum, a experiência analítica promove uma escuta de si mesmo, e aos poucos os sentidos vão sendo construídos e reconstruídos. A vida começa a ser vista de forma diferente, na medida em que cada um suporta. As relações começam a ter um gosto especial, podendo até chegar ao limite de, quem sabe, o analisante encontrar um outro alguém fora do consultório.

Os pais, irmãos, irmãs, familiares, deixam de ser apenas membros, e tornam-se pessoas. Os amigos passam a ser importantes e insubstituíveis, não que não possam ser trocados, ou perdidos, mas passam a ganhar o status de únicos, cada um com suas características próprias. 

A maioria das pessoas que entram em análise acabam percebendo que o sonho que viviam, por melhor que seja era muito mais um pesadelo. Acordam bruscamente com as marcas do tempo que passou sem saber direito o que ou quem as deixou ali, mas passam, a partir daquele momento a colorir com as cores que deseja e dar um sentido próprio e querido para cada marca, para cada cicatriz.

Psicanálise em nosso tempo corrido, do efêmero, do vulgar, dos padrões despadronizados onde o que reina é a liquidez dos laços e das relações sociais parece coisa de louco. E talvez até seja.
Posso assegurar no entanto que os normais muitas vezes invejam os loucos. Basta recorrermos à alguns nomes como Rembrandt, Monet, Da Vinci, João Paulo II, Gandhi, Jesus Cristo, Sidharta Gautama (o primeiro Buda), entre tantos outros que foram considerados loucos.

Todos estes e muitos outros tem uma coisa em comum, eles tinham laços profundos consigo mesmos, com os outros, e também buscavam a paz. Cada um de sua forma encontrou na sua vida a paz que almejava. Mesmo que para todo o resto do mundo aquilo fosse dor, sofrimento, angústia, loucura. Para eles, era justamente o que buscavam.

A análise hoje permite este espaço, este tempo, em que as pessoas dedicam a si mesmas para encontrarem-se no turbilhão tempestuoso que é a vida. E posso garatir a todos, a tempestade muitas vezes continua, mas chega um momento que ela não assusta mais.

Arrisco a dizer que a psicanálise nunca foi tão necessária quanto é hoje em dia. Poder ter um momento para si mesmo, onde o outro ali na frente não aponta ninguém além de você mesmo pode parecer coisa de louco, talvez até seja, mas é o primeiro passo para um vínculo mais profundo consigo mesmo, e depois com os outros. 
Como as pessoas poderiam ter um vínculo profundo se não conhecem a quem estão para vincular-se? Não se casa alguém, ou fica-se sócio com alguém que não conhecemos. Assim somos todos nós. Estamos casados em um corpo com alguém estranho a nós mesmos. Até peço desculpas pela franqueza, mas é impossível se ter paz com quem não se conhece, é impossível ter paz consigo mesmo se não nos conhecermos ao menos um pouco.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Fujo da beleza interior do senso comum.

Muitas pessoas dizem que o importante na vida é encontrar alguém com beleza interior, porque esta, nunca se acabará.

Tenho minhas dúvidas.

Depois de algum tempo em análise, fui percebendo que a beleza interior para uns é o pesadelo para outros. Fujo dela, como o diabo da cruz.

Busco ao contrário, uma certa insatisfação interior, solidão, medo, desamparo. Alguém que já tenha se dado conta, ao menos um pouquinho que a existência um dia acaba.

Gosto das pessoas que têm em seu interior cicatrizes de derrotas, e não daquelas que colecionam inúmeros troféus de conquistas, vitórias e ainda por cima hasteiam seu estandarte por onde quer que passem, como se o coração das pessoas fossem um terreno a ser conquistado.

Gosto de pessoas que passam desapercebidas e que ao invés daquela saudade insuportável de "pombinhos apaixonados" deixem no ar um sentimento de que a conversa foi uma delícia, e a esperança de em breve retornar a se ver.

Prefiro muito mais olhar nos olhos das pessoas e descobrir ali dentro o mistério de alguém que existe de fato, e não alguém que apenas espelha seu próprio ser. Existir para mim vai muito mais além, vai desde ter a noção de que o mundo existia antes de minha existência, até a noção de que ele continuará existindo sem minha presença. Sim, existir significa talvez fazer falta ao outro, porém, uma falta suportável e que ainda por cima, poderá ser preenchida de outras formas, como comendo chocolates, ou com outros amigos, outras pessoas, uma cervejinha no bar.

Não quero desvendar os segredos e mistérios dos olhares das pessoas por quem sou cativado. Ao contrário, busco apenas contemplá-los. Mesmo que eu as vezes pergunte milhares de porques no intuito de tentar compreender aquele ser a minha frente, basta-me uma resposta como: "porque eu gosto disso assim", ou ainda, "porque sim" ou "porque não".

Chega um momento de nossas vidas que a beleza interior deixa de ser igual a beleza exterior. Por exemplo, uma face serena, linda, bela, e que demonstre muita paz, pode esconder um interior tempestuoso, como um animal indomesticável que luta buscando por liberdade. Como é bela a tempestade, pena que cause muitos estragos, mas todos eles, sem excessão, são reparados com o perdão.

As vezes me engano com as pessoas. Sim, não sou Deus, que conhece tudo e a todos.

Deixei de lado a esperança com a humanidade para adotar uma posição mais passiva frente às pessoas. Desta vez, não espero outra coisa ao não ser isto: a surpresa.

Este ano que se passou conheci a verdadeira beleza interior, ou ao menos a beleza que mais considero ultimamente que é a capacidade de ser surpreendido. 

Para ser surpreendido no entanto é necessário ser belo por dento também. Faz-se necessário deixar-se ser surpreendido, limpar o campo da vida e da história e nada esperar do outro. Qualquer coisa que o outro faça acaba nos surpreendendo.

Talvez seja este o desdém com relação à vida que permite com que ela se torne cada vez mais apaixonante e cheia de surpresas. Não esperar nada dela, como se ela nem sequer existisse. Aos poucos a própria vida vai se revelando a você, assim como as pessoas de beleza interior. Aos poucos vamos nos surpreendendo e descobrindo que ainda sim, é possível a surpresa da vida, esta sim, é a maior das belezas interiores que podemos encontrar.
Que em 2012 possamos ficar sempre surpresos com a vida que pulsa no olhar dos outros e principalmente também, em nosso prórpio olhar.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Angústia, da morte para a vida.

Entre um momento infinito, em que o relógio marca a diferença entre dois segundos, parece que se passa uma vida inteira frente a nossos olhos. A sensação de desamparo, de falta de sentido, de falta de apoio, de que ninguém e nem nada pode retirar nossa alma, nossa mente, nosso corpo, do sofrimento psíquico angustiante que a certeza da morte traz. 

Muitos foram os relatos de Hematidrose, o mais conhecido, o que ocorreu com Jesus Cristo. Hematidrose significa suar sangue.

Bom, claro que pouquíssimas pessoas em sua existência irão chegar a este ponto, porém existe algo que ocorre em nossa existência. Em algum momento de nossas vidas parece que nossos sonhos vão se desmorando, as coisas deixam de se encaixar, uma doença, uma perda de alguém querido, um momento mais complicado em nossas vidas, bom, de qualquer forma, em algum momento muitos de nós irão passar pelo que a psicanálise conhece como angústia.

Freud fez um tratado diferenciando a Angústia do Medo, da Fobia, do Pânico. Hoje a psiquiatria traz outro nome, dando ênfase no sintoma e não na constiuição do fenômeno.

Na bibliografia médica mais atual, os quadros de angústia são conhecidos como Transtorno de Ansiedade Generalizada. A mente não para de mentir para nós, e por mais verdades que ela diga, continuamos tentando nos enganar com o que acreditávamos, e não com o que a mente traz como novidade.

Para quem não passou por este estado conscientemente (Lacan em "Complexos Familiares" diz que todos passamos por isso no nascimento) podemos comparar a situação da angústia como uma pessoa que está nadando na praia. De repente, sem mais nem menos, a pessoa perde o chão, não alcança mais a areia sobre seus pés e aos poucos se percebe sendo arrastada pela correnteza. As ondas batem cada vez mais fortes, por mais que se tente nadar não se consegue sequer subir a tona para respirar. A respiração a cada onda que passa, deixa de ser controlada pela pessoa, ao contrário, a sensação é de que o mar tomou posse de toda nossa liberdade, nos restando apenas o medo, o pânico, a certeza de que dependemos na verdade de algo além de nossas forças, além de nossa capacidade, até mesmo para respirar. 

Lutar contra a maré nos cansa cada vez mais, até que vamos como que desistindo de lutar, mas mesmo assim, isso não quer dizer que desistimos da vida. No meio do mar, sem tocar o chão, sem amparo algum, sem nada, absolutamente nada para que pudessmos nos agarrar e assim conseguir respirar, apenas nos entragmos às ondas, clamando misericórdia e que a morte chegue o mais rápido possível. Mais uma vez, clamar pela morte não significa desistir e tentar suicídio, significa apenas que não estamos mais conseguindo fazer absolutamente nada por vontade própria e que de alguma forma, outra coisa tomou conta de nós, a certeza da morte.

Pode parecer assustador esta descrição comparativa do que é uma sensação de angústia, acreditem, é muito pior, pois tudo isso parece acontecer a cada segundo, a cada respiração, a cada batida de coração. É como se estivéssemos em em constante estado de Pânico, em constante estado de alerta, e quando passamos pelos exames clínicos, bateria de exames de sangue, dosagem de lítio, entre muitos outros exames, não se encontra nada de errado no corpo. O corpo está na verdade possuído, verdadeiramente por alguma coisa, mas não necessariamente uma coisa ruim, embora o sentimento seja este.

No começo do texto disse que era uma tentativa de nossa mente dizer-nos algumas verdades, por exemplo, que por mais que tentemos ser magros, belos, jovens, honestos, trabalhadores, a vida pode acabar num segundo e que nós não temos TODO o controle. A sensação é que o único controle TALVEZ seria o do momento da morte, de findar o sofrimento.

A Angústia descrita por Freud e por Lacan diz de uma outra coisa que não da morte e do desejo pela morte, ou da tentativa de suicídio. Diz, ao contrário da vida, do desejo pela vida, por uma nova vida, diferente da que a pessoa está levando e que, de alguma forma, o homem velho tem que perecer. É como se em determinado momento, a existência dissesse:

- Pronto, já viveu como você achou que deveria, agora, está na hora de ser você, de ser feliz.

O processo entre o "achar ser o que se deve ser" e o "ser" de fato o que se é, é complicado, doloroso, leva tempo, mas depois de toda tempestade vem a calmaria, e porque não pensar em paz?

Quem está vivendo este estado, não quer ser feliz, não quer nada além de paz, de fim, de uma outra coisa que não o sofrimento. Acreditem, só quem passou por isso sabe que qualquer coisa, até mesmo a aniquilação total é melhor que continuar assim.

Aniquilação, é esta a sensação que se tem. Parece que nossa cabeça vai derreter, o corpo não responde mais às nossas vontades. Ir ao cinema, a um velório, a um circo, trabalho, férias, tudo passa a ser mais e mais do mesmo. As coisas perdem verdadeiramente o sentido que tinham até então. A pessoa perde o gosto por aquilo que antes era-lhe extremamente prazeiroso. A comida para de alimentar e passa a ser apenas algo entrando pela boca e deixando uma marca ruim ali no estômago, uma sensação de nutrição, de algum prazer que outrora existia, passou a ser a sensaçao de adiar o inevitável, apenas isso.

O amparo e o apoio dos familiares neste processo, principalmente a busca por um psicólogo / psicanalista de confiança é de suma importância. A família deve estar lá presente e suportar o sem sentido do desanimo, do cansaço, das falas desconexas. O analista vai estar lá para ouvir estas falas e aos poucos permitir a emergência daquele outro que quer nascer, que está já pronto para a vida e que não consegue mais esperar as mentirar que criamos para responder ao social.

Aos poucos como um parto, o trabalho analítico vai permitindo que o sujeito do desejo possa emergir e com isso, uma postura ética frente a seus desejos, seus atos, suas vontades. A pessoa em análise vai descobrindo e remotando sua história, dando novos sentidos, na verdade recobrando o sentido original que as coisas tinha, e deixando os sentidos criados até então de lado.

A análise permite às pessoas a encontrarem-se com tudo aquilo que antes lhes eram "boas" e que agora passaram a ser sinônimos de mal-estar. A análise permite ao sujeito ter esta oportunidade de surgir e de aparecer em um ambiente fictício (como diria Lacan), em uma experiência fabricada e não natural, pois não é uma experiência que a vida permite acontecer naturalmente. Não dizemos de um ambiente controlado, mas dizemos de uma regularidade que o horário, o tempo, o custo, o analista e o local, permitem que a pessoa tenha um espaço para aos poucos ir se reorganizando em sua vida e ali dentro, olhar para todo o caos, para todo o "non-sense" e simplesmente apreciar,  admirar e até mesmo sorrir frente a tudo isso, mas desta vez, em paz.

A análise permite que a angústia que antes era vista como pânico frente a morte, transforme-se em desejo irremediável pela vida.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Não se fabricam mais escrivaninhas.


Estou terminando de montar a Clínica. Já tenho poltronas, tapetes, quadros, um armário, um vaso de plantas, as paredes estão pintadas, ventilador de teto... Falta a escrivaninha.

Fui atrás da escrivaninha, na verdade estou atrás dela desde o dia 5 de novembro, quando decidi que ia abrir a clínica. 

Depois de muito caminhar cheguei a constatação de que além dos móveis de madeira, não se fazem mais escrivaninhas. Estranho, muito estranho. 

Gosto de ler livros, estudar, rabiscar o que escrevo e depois reescrever do lado no papel. Gosto de ter um espaço para minha bagunça de livros e mais luvros abertos, mesmo que eu nem utilize deles. Acho que é meu TOC. Ter coisas demais e apenas deixar ali para criar um clima de intelectualidade e um ar de "nossa como sou estudioso". Mesmo que lá no fundo saiba que estou lendo mais uma vez um texto do Freud, ou que ainda nem terminei o primeiro capítulo da maioria dos livros que se encontram por ali.

Tudo bem, mas o importante é que não se fazem mais escrivaninhas. Hoje nas lojas você encontra os mais diversos tipos de Rack para computadores. Tem em varaias cores, em varios tamanhos, com suporte para impressora, com espaço para teclados, para mouse, para até mesmo (pasmem) alguns livros. É a tecnologia meus amigos.

Quero uma escrivaninha. Não uso computador, apenas meu notebook. Meu paciente estes dias me chamou de palyboyzinho, só porqeu ando de avião. Mas não me considero um playboy porque tenho um notebook, ao contrário, me considero ultrapassado daquele tipo de quem usa escrivaninhas.

Procurei, procurei, procurei, e nada da escrivaninha. Fui nas casas bahia, moveis brasilia, magazine luiza, e em muitos outros lugares. A única que achei foi sem gavetas, olhando melhor para aquela coisa na cor rosa e com espelho, me veio o insight. Não era escrivaninha, era muito mais um penteadeira. A mulher tadinha, novinha, nos seus 18/19 anos, acho que nem sabe o que era uma escrivaninha, não era culpa dela.

Na verdade eu tinha uma escrivaninha quando era pequeno, mas não usava. Ia estudar na frente da tv, no sofá da sala, no chão do meu quarto. Mas agora, com o notebook, e o consultório quase sem clientes, achei que seria um lugar interessante para trabalhar. Quero minha escrivaninha.

No rack, mal cabe o notebook. E quando cabe, não cabem os livros abertos, não cabe muita coisa. Cada coisa tem seu lugar, não posso colocar o que quero onde quero. Já na escrivaninha não, é diferente. Os livros estarão fechados, em cima dela, com o note fachado, alguns papéis nas gavetas, grampeador, cadernos, canetas. Uma coisa de escritório, sem a formalidade de um escritório. Quero uma escrivaninha e logo... 

Em uma loja quando cheguei e perguntei da escrivaninha ouvi então o cara dizer:

- Não se fabrica mais, só que temos um rack aqui muito melhor, cabe tudo que você quiser.

Não quero tudo, quero apenas uma escrivaninha, com meus livros, cadernos, e meu notebook.

Semana que vem vou aos móveis usados. Talvez, já que não se fabriquem mais, eu encontre alguma fabricada faz um tempinho...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Agradecimentos, novas possibilidades, até breve e outras coisas mais...

Quero aqui agradecer a todos os usuários do Blog pela presença, carinho e comentários. Chegou o momento de minha vida que é necessário ir para outros lados, outros desafios, outros caminhos.

Este fim de ano está realmente MUITO corrido. 

Organizando a Clínica para começar os atendimentos no ano que vem, quase sempre paro para pensar no que escrever para o blog.

Acho que estou vivendo uma ressaca de escrever pré-mestrado.

Dizem que a vida é outra nesta fase. Dizem que uma vez no mestrado não há vida alguma, há, no entanto um texto, livros, poeiras, e o único sinal de vida que podemos encontrar nestes momentos é a alergia aos ácaros que insistem em estar presentes.

Bom, ano que vem, como sempre, é um novo ano, mais uma vez um ano novo. Só que diferente dos outros, estarei no mestrado na UEM. Minha vida estará bipartida entre Maringá e Londrina. Meu coração, no entanto, estará onde minha noiva estiver.

Por favor, não pensem que irei desativar o Blog. Isto nem de longe, nem de inconsciente, e muito menos de pertinho tem passado por minha cabeça. Ao contrério, irei manter isso aqui sem culpa alguma. Virou um prazer escrever aqui. Não penso mais o blog como divulgação do meu trabalho, ou como propaganda, ou como ferramenta para ganhar dinheiro (ganhei 50 centavos em 3 anos de blog rsrsrsrs). Isto aqui virou uma parte de mim.

Gosto de escrever desde criancinha. Quando não podia escrever, ditava e minha mãe escrevia por mim. As vezes ainda me lembro de tudo aquilo, e fico pensando, será que não posso ditar minha tese e ela escrever? Acho que não.

É hora de assumir as consequencias de minhas atitudes, de meus desejos, e acima de tudo, de minha vida. Querida mamãe, querido papai, obrigado por me trazerem até aqui. Depois de algum tempo na terapia, um grande abraço a quem me atendeu, compreendeu, e acima de tudo, fez com que eu me estranhasse e assim, entrasse em contato com minhas entranhas psíquicas e descobrisse um mundo de possibilidades a minha frente.

Algumas possibilidades no entanto ficarão para sempre em potencia. Não ganharei na loteria tao cedo, afinal não jogo. Não serei jogador famoso de futebol, afinal também não jogo. Não serei um homem pássaro, pois não tenho asas. Nunca vou conseguir voar como os pássaros, nunca poderei ir morar embaixo do mar, nunca, nunca, não, não... O processo de castração que a gente passa na análise pode parecer ridículo para quem esta fora, mas é muito sofrido perceber que sou humano e que minhas possibilidades enquanto ser humano são ridiculamentes pequenas, limitadas, mas acima de tudo muito, muito, muito interessantes.

Uma das possibilidades é o mestrado, o atendimento clínico, família, casamento, família ainda maior, depois quem sabe, ser professor. As possibilidades do humano pela primeira vez começam a me atrair, justo no momento em que minhas possibilidades imaginárias infantis começaram a ceder.

A vida meus amigos não se reiventa, porém ela NOS reinventa a cada momento.

Neste momento de reiventar-me, de bancar minha existencia diante de meus desejos, quero deixar um grande abraço a todos que me acolheram, que entraram no blog e que me deram força até agora. Porém mais um pedido, gostaria de continuar contando com cada um de vocês, afinal de conta, enquanto houver vida, há possibilidades, e quero que nestas diversas possibilidades que a condição humana nos proporciona, vocês continuem comigo, para sempre, ou até quando o tempo nos permitir.

Um grande abraço a todos, peço paciencia a quem lia com frequencia o blog e não encontra mais textos tão "meus" quanto antigamente, mas como já havia dito anteriormente, o blog está de cara nova. Muito menos meu e muito mais nosso. 

Até breve.

 
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