segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Carta-Convite - Seminário com Dr. Aurélio Souza em Londrina.



Meus caros,

Escrevo para agradecer a todos pelo apoio na divulgação e, em especial, àqueles que já se inscreveram e confirmaram suas presenças no evento Sobre os nomes-do-Pai com o psicanalista Aurélio de Souza nos próximos dias 11 e 12 de novembro aqui em Londrina.

Aos que ainda não realizaram a inscrição, reitero o convite e solicito que, na medida do possível, antecipem a realização das mesmas (por e-mail e depósito em conta) para que possamos ser pontuais no início do trabalho e para facilitar a confecção antecipada dos certificados.

De qualquer forma, se a opção for pela inscrição no local, peço a gentileza de chegarem mais cedo.

Mais uma vez, solicito que repassem a mensagem aos seus contatos, compartilhando a divulgação.
Certamente teremos um momento de trabalho muito agradável e enriquecedor, até breve!

Atenciosamente,
Zeila Facci Torezan
Psicanalista - Londrina
(43) 3322-2866
www.realinguagem.blogspot.com.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

ELISABETH ROUDINESCO: NEUROCIÊNCIAS E PSICANÁLISE

Seguindo no mesmo sentido do Post sobre as "Terapias: Dos Medicamentos à Cura". Esta sequência com dois vídeos nos mostra com certa simplicade o pensamento de Elisabeth Roudinesco. Uma das grandes cientistas de nossa época, além, é claro de ser também historiadora e grande psicanalista.

Com certeza vale a pena dar uma olhada em cada um destes dois vídeos, pois muito mais que uma separação entre um corpo e uma psiquê, ou ainda, entre o que é do corpo e o que é da alma, deveríamos pensar sempre em uma conjugação entre corpo e alma que funcionam juntos e é por isso que ao pensar o ser humano, devemos ter em mente sempre a condição de um tratamento tanto do corpo quanto da alma (Psiquê em grego, ou "mente" em português) .



PRIMEIRA PARTE: 

 


SEGUNDA PARTE:
 

Terapias: Dos Medicamentos à Cura (Parte Final)

Primeiramente gostaria de dizer que esta Terceira e Última parte do texto pode ser considerada como independente, embora a leitura das outras duas partes seja um adendo importante a este texto.



Bom, no primeiro texto foi apresentado um pouco dos efeitos dos medicamentos sobre determinada pessoa, onde uma pessoa toma um remédio e ele faz ou não o efeito esperado, mas também existe o efeito placebo que contribui tanto para a cura quanto para o não funcionamento do mesmo.

Na segunda parte desta trilogia, pudemos ver um pouco do sujeito que toma o medicamento. Somos constituídos para além de um físico, para além de uma superfície corporal que necessita de um ou outro medicamento, e que, busca a cura de seu mal-estar independentemente de seu corpo. Como são os casos apresentados da criança que com certeza seria muito melhor (certeza para nós) e mais seguro viver sem a necessidade da bolsa, e também do Tiba, que afirmava que a "pira" estava em abrir um buraco em sua pele.

O que buscam as pessoas que independentemente da ordem física, podem estar psiquicamente saudáveis ou não?

Vamos explorar o luto para vermos se temos alguma resposta.

Bom, primeiro, precisamos compreender o luto como a perda do objeto amado. Ainda mais profundo, podemos compreender o luto como "a perda do amor da pessoa amada". 

Edvard Munch "A mãe morta e a criança"

Freud escreve em "O Mal-estar na Civilização" que nunca o ser humano está tão desamparado quando coloca o sentido de sua vida no amor. O amor foge ao controle do ser humano pois é indiferente às nossas atitudes conscientes. Um dia se ama, e outro dia pode simplesmente perceber-se não amando mais e perder aquilo que foi tão importante até então. A vida foi contruída de sonhos com a pessoa amada, foi uma construção imaginária de comphania, carinho, alegrias, sucessos, amizade, cumplicidade, ou seja, uma vida de muiuto amor e dedicação para com este outro.

Perceber a instabilidade e a fragilidade das relações humanas, levam as pessoas a uma situação de tomada de decisão. Claro meus amigos, tudo isto é um processo muito mais inconsciente do que se possa imaginar. Inconsciente, porém capaz de consciência.

As pessoas vão e vem como as ondas na maré.
Seja por qual motivo for, viagem, morte, mudança, trabalho, brigas, desentendimentos, mas elas se vão, isso é certo. E como ficamos nós com esta certeza de que nosso objeto de amor está pendurado na verdade pelo destino? Saber do destino (salvo quem crê que é possível) é impossível. Podemos planejar, repensar nossas vidas, fazer cronogramas, agendar encontros, mas no fundo sabemos que tudo isto não passa de mera tentativa de contornar o acaso, de dar uma volta sobre o abismo que é a alma do outro e o grande mistério que é a vida e a morte.

Bauman em seu livro "Amor Líquido" diz das relações artificiais que as pessoas estão tendo ultimamente. Podemos pensar nossa sociedade contemporânea como uma sociedade das relações pragmáticas como diria o filósofo Di Matteo. As pessoas se unem pelo que elas podem se dar em troca, não pelo mistério que são, mas pelo que conheço delas. Se as pessoas me surpreendem fazendo o que eu não gostaria de saber, a abandono pois aquele ou aquela não serve para o que planejei para minha vida, para o que eu esperava de um amigo, amiga, pai, mãe, etc. 

Poderíamos até pensar em uma sociedade do consumo e do descarte. Consumo o outro como meu objeto, como um brinquedo, até extrair dele, ou dela tudo o que eu puder, depois apenas descarto porque já integrei em mim aquilo que mais queria do outro, já sou tão bom quanto ele ou ela, e já consigo viver independentemente. Vou para outra loja de pessoas e compro com minha comphania, minhas piadas, meu dinheiro, minha presença, meu charme, meu sexo, outra pessoa. Compro com aquilo que eu puder pagar, até mesmo com o dinheiro.

Vemos também uma sociedade de controle. Um controle absurdo onde poderíamos dizer em qualquer lugar que formos, assim como o livro de minha querida professora Sonia Mansano : "Sorria, você está sendo controlado". A vida virou um Big Brother onde vídeos de tempestades, desastres, sequestros, explosões, nascimentos, aniversários, entre outros podem ser imediatamente vinculados a qualquer rede social e todos se apropriam dos fatos.

Vivemos sem controle, sem segurança alguma, vivemos em busca de um norte, de um amparo de um socorro. Os filhos vivem tentando agradar seus pais, os pais, tentando agradar seus filhos, um medo terrível de ser um mau menino, ou serem pais ruins. Até em nosa própria família a imagem de "eu" que se construiu é de altíssima dependência de alguém que sabidamente um dia irá falhar, irá faltar, irá ser desprezado, irá morrer. A idéia então que podemos ter é a de pessoas cada vez mais se preparando para gerir-se independente do outro. Porém esta independência tem um preço altíssimo que se paga, a solidão.

A solidão não é apenas ficar sozinho, mas é ver-se e reconhecer-se no espelho, reconhecer aquele que está a sua frente no espelho e ver que aquele ali também vai falhar, vai sofrer, vai faltar, e um dia também vai morrer. Pânico? Sim, para os mentalmente saudáveis sim. Pânico, loucura, doenças físicas e mentais na busca de um eixo, de algo que possa me dar um amparo, uma segurança de que aquele ser a minha frente tem condições de suportar a vida, a existência, com todas as suas características, com todas as suas faltas.

Na existência humana, a falta é a grande marca da vida. Falta controle, faltam regras, faltam amigos, faltam amparos, falta segurança, falta estabilidade, falta ar, faltam idéias, falta emprego, falta dinheiro, falta mãe, falta pai, falta tempo, falta vida.

Como no Filme "Não me abandone jamais" a definição dada para ser humano é basicamente essa: "Falta tempo para viver tudo aquilo que queríamos viver".
Buscar então em um padrão de comportamentos, dando idéia de uma segurança para estas faltas, nos levam a um mundo ainda pior. Medicar-se quanto à falta de ar com bombinhas para asma, não tira o sujeito da posição de alguém sufocado pela própria vida e pelo pânico que desencadeia de tempos em tempos a asma. Claro que a medicação age no corpo, socorrendo o doente no momento de crise asmática. Falta mãe, falta pai, faltam pessoas, o que não faltam são medicamentos para dar continuidade a uma situação que, de tão insuportável, faz-se necessário utilizar estimulantes para que a vida passe a ter alguma "graça". Falta consolo no luto, na dor da perda, na angústia frente a morte, mas não faltam antidepressivos para fazer com que a pessoa levante da cama e, ao invés de pensar sobre suas dores e o que se foi, continue a tocar a vida.

Bom, claro que os medicamentos ajudam, mas existe outra coisa também possível. 

No meio disso tudo uma mudança faz-se necessário. Muito mais do que tomar medicamentos e fazer uma terapia com psicólogo, psicanalista, ou quem quer que seja para ter um apoio. O ideal seria o contrário. O efeito do medicamento de analgesiar o indivíduo frente às intempéries da existência, e às dores e dificuldades da vida pode ser justamente o que precisa ser retirado.

Ao invés de uma posição passiva frente a vida, tomando medicamentos para continuar engolindo sapos, a terapia vem em forma de modificar toda a posição de um sujeito que começa a se dar conta de que só os remédios, por incrível que pareça não estão dando conta do recado. Ao contrário, ainda sim algo mais urge, como uma necessidade, como algo que pulsa internamente e que não para de dizer: "Olha, do jeito que está não vai dar mais". Justamente quem diz isso é aquele que está a nossa frente no espelho e que marca nossa vida nos trazendo sempre problemas, dificuldades, repetindo situações embaraçosas.

E a nós, cabe a escolha, continuar na escola clássica de tomar medicamentos, cada vez um a mais, sempre indo e vindo nos postos, em médicos diversos, e sempre rezando a Deus para a descoberta de um medicamento suficientemente bom para resolver tudo isso, ou podemos dar voz àquele frente ao espelho, que não pode falar, mas que nos mostra um duplo em nós que no final das contas só quer nos ajudar.

Dar voz ao espelho é em outras palavras, recorrer a um especialista (Psicólogo, Psicanalista, Psiquiatra - Alguém que nos ouça) que faça esta função, a função de falar sobre você por suas próprias palavras, a função de um analista que te mostra não aquilo que você quis mostrar, mas aquilo que você até então não foi capaz de enxergar em si mesmo. Pode ter certeza, para existir, para sobreviver, para viver de verdade, de algum modo é necessário você. É este você que deve ser encontrado, e não o que você tem enxergado até antão.




sábado, 29 de outubro de 2011

Terapias: Dos Medicamentos à Cura (Parte II)

Continuando o Post Anterior, especialmente neste post, alguns casos encontrados no COTIDIANO (CLIQUE AQUI SE AINDA NÃO LEU A PRIMEIRA PARTE):

Bom, então partimos do pressuposto de que por trás do padecimento de um corpo, existe alguém. Este alguém é quem procura o tratamento, quem acolhe (ou não) a terapia medicamentosa. É exatamente quando falamos de um alguém que os medicamentos tendem a sair de cena. 

O Conceito de sujeito, de pessoa, está um pouco para além do corpo físico. Precisamos no entanto repensar alguns transtornos e distúrbios para compreender melhor esta parte. Mas continuemos com as explanações.

Primeiro gostaria de apresentar alguns casos nem tão comuns assim.

Podemos encontrar na bibliografia médica alguns transtornos onde depois de um acidente, ou algum problema fisiológico, uma doença, ou outra eventualidade, alguns pacientes deixam de reconhecer partes de seu corpo. Bom, até aí tudo bem, mas por outro lado, aqui no HU de Londrina, houve um caso um pouco mais interessante. Uma criança que havia nascido com uma deficiência no intestino cresceu com uma bolsa de colostomia até aproximadamente seus 3 anos. Sua vida era muito mais hospitalar do que fora dele, e no entanto era muito saudável fisica e psiquicamente, com um único problema de uma anomalia congênita mas que seria operado depois de um tempo para a correção.

O que se sucedeu no entanto foi surpreendente.

Após a criança ser notificada pelos médicos que a bolsa seria retirada e enfim a criança não precisaria mais andar com aquilo tudo, o desespero tomou conta da criança. O serviço de psicologia foi acionado e o que partilha-se do caso foi que simplesmente a criança sentia que aquele ato de retirada da bolsa era na verdade como uma amputação de um membro dela.

Bom, uma coisa é não reconhcer-se frente ao seu próprio corpo, ou ainda não reconhecer-se no espelho e ter uma sensação de estranhamento. Freud relata em sua obra um momento em que isso aconteceu com ele. Estava no trem e ao ver um senhor na janela, deu lugar para o senhor passar, quando ele percebeu que estava frente a um espelho. Este estranhamento momentâneo de si mesmo, ou de partes de si, podemos dizer que acontece com determinada frequência, mas integrar coisas exógenas (de fora) e perceber como parte de sí aí a coisa complica um pouco.

Muito mais do que prolongamentos nervosos, como explica a medicina nos casos de dores fantasmas dos membros amputados, este caso da criança evidenciava alguma coisa a mais do que simplesmente uma imagem representada no cérebro. Algumas pessoas devem estar achando que não foi assim tão complicado explicar para a criança, acreditem, quando me relataram o ocorrido, a psicóloga que atendeu a criança dizia que a expressão da criança era de pânico e passava uma idéia de um desespero e um luto como se ela mesma fosse morrer.

Bom, agora que os casos já foram devidamente explicitados (por ser um blog aguardo maiores perguntas depois, rs) posso continuar.

Não temos simplesmente uma imagem "cerebral" de nosso corpo. Ao contrário, temos antes, uma imagem mental que representa nosso corpo, mas que não é ele. Em 1923, Freud escreveu sobre o "Eu" em "O Ego e o Id" dizendo que basicamente o eu é uma superfície corporal, ou seja, está representado enquanto um corpo em nossa psique. No entanto nossa psíque não é apenas corporal, muito menos nosso eu. Existem outras "partes" em nossa psíque que também influenciam este "eu" e por consequência, este corpo imaginado.


No texto sobre o estádio do espelho, Lacan diz de uma criança que ainda não tem a plena capacidade motora, ao se ver no espelho, presentificado pelo outro, cria um corpo integrado em sua psiquê, mas que ainda não pode controlar. É mais ou menos como ter uma perna, mas vê-la mover-se sozinha, como uma parte alheia a sua própria vontade e no fundo saber que ela pertence a você. O Infans (termo que designa a criança que ainda não aderiu à linguagem), na realidade ainda não da conta de si, mas sabe que aquilo tudo lhe pertence. Começa então um jogo de desenvolvimento motor e psíquico para capacitar-se fisicamente para controlar os movimentos e membros do corpo.

Bom, podemos compreender então que anteriormente ao controle do corpo foi necessário a criação de uma imagem mental, ou ainda, para falarmos mais corretamente, uma representação mental deste corpo que está presente.

Agora, voltando ao assunto do post anterior, sobre a medicação, até que ponto os medicamentos influem nesta "representação mental"? Muito simples, até o ponto em que os medicamentos representam para nós uma cura, ou no mínimo um alívio do sofrimento.

Lembro-me de meu pai dizendo que quando foi operar o dedinho do pé, ficou totalmente imobilizado, mas sentiu a dor de toda a operação. Fiquei em pânico quando entrei na sala de cirurgia para uma operação que eu precisava fazer. Fiquei imaginando toda a cirurgia, a dor, e tudo mais, foi quando de repente acordei e me dei conta de que já estava no quarto novamente, operado e que por mais que eu tentasse me lembrar, só lembrava do enfermeiro me dando um comprimidinho e eu rindo dizendo que compridos não funcionavam comigo.

Opa, mas aí parece que estou fugindo do "efeito mental" do medicamento. Não é por aí minha gente, estou dizendo que o efeito do medicamento tem dois fatores, o fator real, e o fator psíquico. O problema surge quando o fator psíquico impede o funcionamento deste fator real. E isso acontece muitas e muitas vezes. Mas o contrário também pode ser verdadeiro. O fator psíquico pode determinar a validade de uma medicação que até então mostrara-se inócua. Como é o caso dos testes com placebos onde algumas pessoas tem até as reações adversas tomando o comprimido de farinha.

De alguma forma temos um corpo representado psíquicamente que irá também ser tratado quando tomamos uma medicação. Em Londrina tive a oportunidade de conversar com um portador do vírus de HIV que adquiriu a imunodeficiência através do compartilhamento de seringas. Hoje ele se diz um homem feliz, com mais de 20 anos sendo portador do vírus e com mais de 10 anos manifestando a síndrome (AIDS). Quando perguntei a ele mais sobre a relação das picadas (Heroína que utilizava) com os exames de sangue que ele fazia regularmente fui surpreendido com seu dizer:

 - "O que eu gostava mesmo, era da agulha fazendo um buraco na minha pele, sentir a picada mesmo, isso era muito melhor que a viagem porque a viagem tinha suas consequências depois, mas a picada da agulha eu continuo tendo até hoje". (Tiba*)

São dizeres como estes que nos remetem às perguntas de como este cara consegue ter prazer com uma agulha em seu braço, e ainda por cima ser feliz como portador de uma doença como o HIV???

Continua...


  • Para esclarecer: o Tiba é um ex usúario de Drogas Injetáveis que permitiu a divulgação de sua história. Ele mesmo quem a divulga em seu trabalho no Núcleo de Redução de Danos de Londrina.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Terapias: dos Medicamentos à Cura (Primeira Parte)

Retirado do Blog: http://psicologiadospsicologos.blogspot.com/


Recentemente algumas pesquisas vem apontando que os medicamentos tem um efeito, placebo, sobre nosso organismo que está alheio à eficácia real do medicamento no combate aos sintomas e à doença organica.

Nos últimos dias tenho publicado no Blog algumas entrevistas e matérias interessantes sobre a cultura da medicalização. Por um tempo, no entanto, venho publicando posts contra a medicalização excessiva de uma maneira geral. Desde um post sobre o TDAH, onde faço um link com o Dr. Jerusalinsky sobre o diagnóstico dos transtornos atualmente em evidência, trago aos leitores do blog uma outra perspectiva, a de que talvez exista uma outra possibilidade além daquela alardeada pelo mundo a fora.

Por muitas vezes entrei em assuntos polêmicos sobre a ciência, seus frutos (medicamentos) e a importância exagerada que eles tem na área da saúde mental. Mas hoje gostaria de extrapolar um pouco esta particularidade da saúde mental e partir para caminhos ainda não pisados por aqui.

Existe em nosso meio pessoas que tomam medicamentos para alergias incuráveis. Existe pessoas em nosso meio que utilizam a famosa "bombinha" para asma, bronquite, e outras doenças pulmonares crônicas. Existe pessoas em nosso meio que vira e meche estão com alguma infecção e precisam de antibióticos para sanar as infecções. Existe também um amplo espectro de pessoas com problemas de pressão alta, tomam medicamentos religiosamente todos os dias para não perder o controle da pressão. 

Bom, longe de dizer que estas doenças são "psicossomáticas", embora algumas manifestações possam ser, existe um fator real de um sintoma que se manifesta, um fenômeno real de uma infecção, de uma asma, de uma alergía respiratória, de uma alergía de pele, de uma pressão alta, e por que não colocarmos aqui também a dor da fibromialgia, as enxaquecas, as cólicas renais, entre tantas outras doenças psicossomáticas que dependem de medicação para a manutenção de um nível da dor, ou do sofrimento, em que seja possível ainda um mínimo de bem estar? Todas estas doenças embora diferentes em suas manifestações, incluindo muitas outras não citadas, tem um componente que a medicação seguramente deixa de lado. 

Quem toma os medicamentos? 

A resposta só poderia ser uma e única: VOCÊ.

Claro que é necessário, e quero deixar isso bem claro, a medicalização em muitos casos, mas dificilmente o médico irá olhar para sua história de vida e enxergar alguém por trás deste movimento de idas e vindas a lugares e mais lugares em busca de um alívio do sofrimento do corpo.

Escapa dos testes e pesquisas, em minha opinião, o principal componente do corpo, o próprio sujeito. A própria pessoa que com dois remédios idênticos, por exemplo os similares, um da resultado e o outro não chega nem a fazer "cosquinha", como costumo dizer. 

Bom, há um componente por aí que por algum motivo atrapalha ao medicamento de realizar seu efeito esperado. Inúmeras pesquisas (após Freud) tem apontado que a eficácia do tratamento medicamentoso dependente inclusive de uma boa relação do médico com o paciente. Um médico que não conversa, não explica, não dá atenção ao paciente seguramente verá seu paciente retornar ao consultório, ou ainda, ao pronto socorro. Um médico, ou qualquer curandeiro que não investe algum tempo para amparar aquele sofre, poderá curar as enfermidades, mas o sofrimento do doente, seguramente, não vai passar. 

Em alguns consultórios é normal a fala do médico de que, quando não encontra nada de errado com um paciente "poliqueixoso" (para utilizar o jargão da medicina) depois de um extenso check-up, eles dão uma receita de ansiolítico, ou antidepressivo, o que costuma resolver estes problemas.

Não foi feito no entanto nenhum diagnóstico PSI no paciente para saber se era ou não depressão. A medicação foi dada, o paciente sai do consultório "amparado" porque encontraram o problema e agora pode ir tranquilo porque aquilo tudo irá passar. 

No entanto, assim como na suposta depressão não houve um diagnóstico psi, apenas uma suspeita baseada nos sintomas, nos fenômenos apresentados pelas pessoas que procuraram o serviço, nas recorrentes alergias, nas recorrentes enxaquecas, nas recorrentes cólicas renais, nas recorrentes infecções, aí também poderiam ter pensado que por detrás de um corpo existe alguém que recorre aos serviços tradicionais para uma "cura", ou melhor dizendo, para um amparo frente aos dessabores da vida.

É sabido também, além da relação médico-paciente, que muitas pessoas que sofrem de determinadas enfermidades repetidamente, ao iniciarem o tratamento com psicotrópicos tem uma "abstinência" de doenças. Aparece na história da pessoa uma lacuna na repetição de sintomas e fenômenos que antes o fazia buscar outros tipos de tratamento, por exemplo, além dos Halpáticos (medicamentos tradicionais) a homeopatia, chás, terapias corporais, entre muitos outros que auxiliam na redução do sintoma. (Em novembro na PUC-PR estarei discutindo o assunto na VI Jornada de Saúde Mental e Psicanálise).

Existe então um paciente que ao ser "analgesiado" (ficou feio, mas não encontrei outra forma, visto que anestesiado tem a ver com anestesia, com o não seentir, e analgesia tem a ver com "retirar" a dor) pelo psicotrópico tem uma outra vida, diferente do que era antes, com caixas e mais caixas de medicamentos, o único que permanece consigo é o psicotrópico, que acaba ganhando propriedade para ser utilizado nas mais diversas situações.

Vamos pensar um pouco. Em uma situação de sofrimento intenso para a pessoa, o corpo reage. A pessoa sofre e o corpo padece. Durante todo o post algumas pessoas já devem ter percebido a ligação com o famoso ditado "Mente Sã, Corpo São". Sim caros leitores é bem por aí mesmo. Em uma situação em que há um sofrimento psíquico o corpo padece tanto quando o psíquico. Impressionante ver que pessoas com diabetes, transplantados, pacientes renais crônicos que precisam de diálise, portadores da AIDS (já manifestando a síndrome) costumam ter outra vida depois que encontram amparo seja no tratamento, seja na família, seja na relação médico-paciente, mas acima de tudo quando enfrenatm cara  a cara a possibilidade da morte iminente e reestruturam sua relação consigo mesmo. Outra vida porque são outras pessoas.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Antidepressivos: Um pouco sobre a terapia medicamentosa...

MATÉRIA PUBLICADA NO JORNAL GAZETA DO POVO - PR.

Antidepressivos trazem mais prejuízos do que benefícios, dizem médicos:

Estudo mostra que só 25% dos benefícios do tratamento se deve às drogas; 50% se deve ao efeito placebo. Entre os efeitos colaterais está a disfunção sexual.




Recentemente, a médica Marcia Angell (Confira aqui um trecho da entrevista à autora) publicou um artigo no "The New York Review of Books" sobre a crise da psiquiatria e a ineficácia dos antidepressivos que fez muitos pacientes pararem imediatamente de tomar medicamentos deste tipo. O artigo pôs em dúvida a eficácia dos antidepressivos nos tratamentos convencionais. Segundo a médica, o índice de resposta dos pacientes a antidepressivos é pouquíssimo superior ao de placebos. E, além de poucos benefícios terapêuticos, há graves efeitos colaterais. Cerca de 70% das pessoas que tomam antidepressivos, por exemplo, têm disfunção sexual. E, em alguns casos, mesmo quando param de tomar as pílulas, a disfunção continua.

A teoria do desequilíbrio químico como uma causa da depressão é uma hipótese que não está comprovada, mas os médicos prescrevem medicamentos, principalmente por causa do "rolo compressor da promoção farmacêutica". É o que diz o psiquiatra Daniel Carlat. E não é surpreendente que haja um furor de mídia nos EUA em torno dos medicamentos. Cerca de 10% dos americanos com mais de seis anos de idade tomam antidepressivos. No Reino Unido, as prescrições para as drogas subiram 43% nos últimos quatro anos e chegaram a 23 milhões de receitas por ano.

O professor Irving Kirsch, diretor associado do programa de estudos de placebos da Harvard Medical School e autor de um livro intitulado "As novas drogas do imperador: explodindo o mito antidepressivo", explica a teoria do desequilíbrio químico. Segundo esta teoria, não há serotonina, norepinefrina ou dopamina em níveis suficientes nas sinapses do cérebro de pessoas deprimidas. Mas isto não se ajusta aos dados de pesquisas clínicas, uma vez que reduzir os níveis de serotonina em pacientes saudáveis não tem impacto sobre o humor que eles apresentam. Por isto, há quem acredite que a teria está equivocada.

"Esta teoria do desequilíbrio químico é um mito", diz ele. A idéia de que os antidepressivos podem curar a depressão de forma química é simplesmente errada.

A meta-análise de 38 estudos clínicos - sendo que 40% dos quais tinham sido retirados da linha de de publicação porque as empresas farmacêuticas não gostaram dos resultados - que envolveram mais de 3.000 pacientes com depressão mostra que apenas 25% dos benefícios do tratamento antidepressivo foi devido às drogas e que 50% foi simplesmente efeito placebo.

"Em outras palavras, o efeito placebo foi duas vezes maior que o efeito de drogas, embora a resposta ao placebo tenha sido menor nos pacientes severamente deprimidos. Placebos são extraordinariamente poderosos e podem ser 'tão fortes quanto medicamentos potentes'. A resposta ao placebo é específica: a morfina placebo alivia a dor, antidepressivos placebo aliviam a depressão", diz Irving Kirsch. "É uma questão de expectativa e condicionamento: se você espera se sentir melhor, você se sente melhor, mesmo se tiver efeitos colaterais negativos, pois os efeitos colaterais convencem as pessoas de que elas tomaram uma droga poderosa".

Segundo o médico, a psicoterapia aumenta o efeito placebo e é significativamente mais eficaz que a medicação para todos os níveis de depressão. "Antidepressivos só devem ser utilizados como último recurso e apenas para os mais severamente deprimidos", avalia Kirsch.

Nem todos concordam. Ian Anderson, professor de psiquiatria da Universidade de Manchester, acredita que os antidepressivos são úteis no tratamento de depressão e vai debater com Kirsch em uma conferência na Turquia no próximo mês. Ele diz que corremos o risco de "jogar fora o bebé junto com a água do banho".

"Isto ocorre quando dizemos que os antidepressivos são lixo. Os antidepressivos são parte da caixa de ferramentas de um médico, embora, provavelmente, sejam mais úteis para os pacientes mais deprimidos. Há pessoas que não respondem a terapias da fala. E neste caso não há escolha", comenta Anderson.
O professor Allan Young, presidente de psiquiatria da Imperial College London, concorda. "A depressão é uma doença de classificação ampla. Há vários tipos de depressão, e cada tipo responde de forma diferente", diz Young. "É claro que cérebro e corpo são indissociáveis e os efeitos placebo são maiores nos pacientes que sofrem da doença com menos severidade.

Mas Kirsch levanta outro ponto: "Para tornar as coisas mais complicadas, há o 'efeito nocebo': se você espera se sentir mal quando você sair antidepressivos, você vai sentir-se mal, porque nós tendemos a notar pequenas mudanças aleatórias negativas e interpretá-las como prova de que estamos, na verdade, piorando".

Ele cita o exemplo de uma paciente chamada Lucy, que tinha tendências suicidas. Ela tomou antidepressivos por fora por 10 anos. Ela costumava dizer o seguinte: "A droga deu-me de volta a mim mesma, era como um raio de luz que brilha através da névoa". Mas os efeitos colaterais eram náuseas e a perda da libido, e isto a levou a abandonar o medicamento. Ela também descreveu o que sentia sem o medicamento: "Era como um relógio. Sentia uma contração muscular na parte de trás da minha mente. E vivia com medo da depressão voltar. A única coisa que me manteve viva foi saber que as pílulas estavam lá e que a qualquer momento poderia recorrer a elas".

Para Judy, um outro antidepressivo funcionou bem. "O primeiro que me foi dado produziu em mim enorme ansiedade, como uma viagem ruim, e fez-me terrivelmente ciente de todas as minhas terminações nervosas. Mas a segundo fez efeito desde o primeiro dia. Quando tomava de manhã, eu sabia que ficaria com a química equilibrada. Era como um interruptor sendo ligado: sentia uma corrida fabulosa na direção da alegria".

Ela parou de tomar o medicamento depois de seis meses. E meses depois, ela se sentia fraca, mas não deprimida. "Eu me sinto a depressão como uma pedra no meu plexo solar. E não era mais assim Então, eu ainda pensei que seria agradável ter aquele atalho para a felicidade. E tomei o segundo antidepressivo. Não teve efeito algum porque eu não estava realmente deprimida. E, para mim, a teoria do placebo não faz sentido".

Daniel Carlat, psiquiatra em Boston e autor de "Unhinged: The Trouble with Psychiatry (Revelações de um doutor sobre uma Profissão em Crise) - diz que a prescrição de antidepressivo é um caso de "hit-and-miss". "Infelizmente, sabemos um bocado menos sobre o que estamos fazendo do que você imagina. Quando eu me vejo usando expressões como 'desequilíbrio químico' e 'deficiência de serotonina', geralmente é porque estou tentando convencer um paciente relutante em tomar medicação. Usar essas palavras faz com que a doença parece mais biológica. A maioria dos leigos não percebe como interessa pouco saber sobre a base de doença mental".

Carlat não está tão convicto quanto Kirsch sobre o efeito placebo. Os pacientes que aparecem em seu gabinete são diferentes daqueles recrutados para ensaios clínicos porque as empresas farmacêuticas, desesperadas para fazer os seus produtos superarem um placebo, são muito seletivas sobre quem escolherem.

"Você tem que ter depressão "pura", imaculada por uso de álcool, problemas de ansiedade, transtorno bipolar, pensamentos suicidas, depressão leve ou a longo prazo e isto exclui a maioria dos pacientes)", diz Carlat.

No entanto, como diz Marcia Angell, autora de "A verdade sobre as companhias farmacêuticas: como elas nos enganam e o que fazer sobre isso", é verdade que a indústria faz muita propaganda enganosa, mas os medicamentos antidepressivos ainda são uma alternativa quando nada mais funciona.

Uma coisa é clara: o cérebro permanece misterioso. Como Carlat diz: "Sem dúvida, existem causas neurobiológicas e genéticas para todos os transtornos mentais, mas eles ainda estão além da nossa compreensão. Tudo o que realmente sabemos é que a depressão existe e, por vezes, as drogas parecem funcionar, mesmo que seja efeito placebo".

Para antidepressivos, os médicos têm uma diretriz básica, que todos concordam: nunca pare de tomar antidepressivos sem o discutir com seu médico, porque a interrupção abrupta de medicamentos pode causar sintomas de abstinência, tanto física como mental.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Colóquio Filosofia e Psicanálise - PUC-PR


COLÓQUIO FILOSOFIA E PSICANÁLISE
“A ÉTICA DA LEI E A ÉTICA DO CUIDADO”

LOCAL
PUC-PR – Campus Prado Velho
Rua Imaculada Conceição, 1155
Sala B -21 e B-27 (Bloco Humanas - Amarelo)
26 E 27 DE Outubro de 2011
Inscrição – gratuita no local

POGRAMAÇÃO

Dia 26.10 - Quarta-Feira

16:00    Nohemi Ibañez Brown
Instituição: Escola Brasileira de Psicanálise
Título:
O Sujeito do direito e o sujeito da psicanálise: articulações a partir de Agamben e Lacan.
Resumo:
A afirmação de Lacan de que o sujeito se introduz a partir do direito, no sentido do sujeito de pleno direito, não deixa de ser paradoxal quando pensado no campo político. Por um lado, considera o sujeito do direito e a noção de responsabilidade, mas por outro, resulta que a igualdade de direitos tampona a sujetividade e a singularidade. Agambem na sua reflexão sobre os direitos do homem nos permite reflexionar sobre esse paradoxo na contemporaneidade.

17:00   Célia Ferreira Carta Winter
Instituição: PUC-PR

18:00   Francis Juliana Fontana
Instituição: PUC - PR
Título:
Há algo de novo nas psicoses: uma perspectiva Freudiano-Lacaniana
Resumo:
A proposta do presente trabalho é abordar a questão das psicoses em uma perspectiva Freudiano-Lacaiana, analisando as contribuições destes autores, na atualidade, considerando que no primeiro autor ocorre a formalização de uma teoria, e no segundo,a possibilidade de uma abordagem clínica. Da teoria á uma prática. Entretando, abordar a questão da psicose, mais pricisamente, do manejo na clínica das psicoses, implica necessariamente em retomar o conceito de transferência, em como este mecanismo se manifesta no psicótico. Pois falar de uma clínica da psicose implica em falar da transferência, e se existe transferência na psicose, existe uma relação com o saber.

19:00   Nancy Grega de Oliveira Carneiro
Instituição: PUC-PR
Título:
Lógicas Coletivas
Resumo:
A minha questão se estrutura em torno do enunciado de Lacan em seu texto “Alocução sobre as psicoses da criança”: como fazer para que massas humanas fadadas ao mesmo espaço, não apenas geográfico, mas também, ocasionalmente, familiar,se mantenham separadas? E diante do enfraquecimento de qualquer ação coletiva acrescento: ou juntas? Como conjugar os deslocamentos e mutações dos modos de laço social - que se estabelecem via Nome do pai em que oao menos um faz supor a exceção e garante a consistência ao grupo e a formação de pequenos grupos como um dos efeitos que se estabelece, em tempos do Outro que não existe, na lógica do não todo em que a pluralização dos nomes do pai e a inconsistência dos discursos exigem um tratamento do caso a caso.

20:00   Jorge Sesarino
Instituição: Faculdades Dom Bosco
Título:
Da ética da psicanálise.
Resumo:
A psicanálise é a arte da língua que cada um se apropria conforme o saber que descobre em si mesmo: há pensamentos inconscientes.
É a ciência da subjetividade e do reconhecimento de que a força constante da pulsão é incompatível com a ordem biológica, posto que a sexualidade é, em princípio, polimorfa (pode encontrar satisfação com qualquer objeto e de qualquer modo), enquanto que a reprodução, impõe um objeto a priori para o sujeito.
É á ética que possibilita reconhecer que não é biológica uma exigência que não indica em si mesma os caminhos e os objetos da satisfação pulsional.
É a ética do desejo, como essência da experiência humana que dá ao sujeito a possibilidade de fazer novas escolhas de objeto.
A ética da psicanálise compreende a lei (da interdição do incesto) e o desejo (como um bem a ser dito e alcançado): “Agiste de acordo com o teu desejo?”.
Diferente das éticas sociais e dos cuidados, que foracluem o sujeito, a ética da psicanálise é a ética do bem dizer, do  dizer o bem do sujeito, sujeito evanescente e desejante, presente no sintoma bem dito e no fantasma.
A ética da psicanálise é possibilidade da travessia do fantasma, resultando na cura, por acréscimo, enquanto remissão de sintomas.

Dia 27.10 - Quinta-Feira

8:00     Victor Campos Silva
Instituição: PUC - PR
Título:
A Grande Saúde: Uma “Grande” Terapia em F. Nietzsche
Resumo:
Esta pesquisa tem por objetivo principal a análise das possibilidades de se falar de uma terapia em Nietzsche. Uma tentativa de compreender as relações pelas quais o “médico da cultura” se dispõe a atuar sobre uma cultura e ou sobre “si mesmo”. Neste mesmo ensejo, almejamos compreender as correlações e problemas oriundos da categorização de “tipos” humanos nos escritos do filósofo, ademais, aqueles caracterizados por uma “Grande Saúde”.

9:00     Antonio Edmilson Paschoal
Instituição: PUC - PR

10:00   Zeljko Loparic
Instituição: PUC –PR | UNICAMP
Título:
A ética da lei e a ética do cuidado
Resumo:
As seções do presente trabalho serão divididas em dois grupos. Nas do primeiro grupo, será esboçada a concepção da ética da psicanálise tradicional (Freud, Lacan), com o objetivo de mostrar 1) que se trata de uma ­ética da lei, inicialmente, da lei paterna da proibição do incesto e, posteriormente, da lei moral no sentido de imperativo categórico de Kant, 2) que as duas variantes da ética da lei se originam direta ou indiretamente (por sublimação) da situação edípica triangular e 3) que a lei é imposta seja pela coerção externa (repressão) exercida pelo pai, e posteriormente introjetada como coerção do super-ego, seja pela ordem social. Na segunda parte, farei ver que, na psicanálise winnicottiana, 1) a ética é vista como ética do cuidado em dois sentidos: como cuidado materno e paterno para com a constituição dos bebês humanos como existentes, a manutenção e enriquecimento da estrutura do existir, e como cuidado ou responsabilidade pessoal para com os resultados do uso excitado, mas ainda não sexual, da mãe, 2) a primeira forma de moralidade se origina da estrutura da natureza humana e a segunda surge a fase do concernimento, no relacionamento ainda dual com a mãe, portanto, antes fase edípica, e 3) nas fases mais avançadas do amadurecimento, a eticidade inicial do concernimento se articula em várias capacidades de contribuir para a vida social, não redutíveis nem à legislação paterna nem à puramente racional (Kant). Terminarei mostrando a crítica de Winnicott à concepção da ética desenvolvida pela psicanálise tradicional.

11:00   Eder Soares Santos
Instituição: Universidade Estadual de Londrina - PR
Título:
Fenomenologia do cuidado em Heidegger e Winnicott
Resumo:
O objetivo desta palestra é mostrar, por um lado, o desenvolvimento e consolidação do conceito de cuidado (Sorge) na primeira fase do pensamento de Heidegger, e, por outro lado, investigar até que ponto o conceito de cuidado presente na obra de Winnicott se aproxima da concepção que Heidegger apresenta em sua primeira fase de pensamento, bem como mostrar até que ponto as conceituações de Winnicott sobre o cuidado trazem novas perspectivas para se pensar uma fenomenologia do cuidado.

14:00   Jefferson Paraná de Sousa
Instituição: PUC-PR
Título:
A Castração: Uma Interpretação
Resumo:
A afirmação de Lacan - que a castração nada mais é do que o momento da interpretação da castração - é a guia deste trabalho que pretende pensar o sujeito da psicanálise como constituído a partir de uma falta. Para isso serão relacionados os conceitos de castração, gozo, desejo, angústia e objeto ‘a’ a partir da experiência analítica.

15:00   Munira Gattardello De Rocha
Instituição: PUC-PR
Título:
“A pergunta pela coisa como caminho para a pergunta pelo homem" 
Resumo:
Heidegger finaliza seu curso do semestre de inverno de 1935/36, intitulado "Problemas fundamentais da Metafísica" e editado posteriormente sob o título "A pergunta pela coisa", afirmando que a pergunta "O que é uma coisa?" é, também, a pergunta "Quem é o homem?". A partir disso, o texto buscará demonstrar o caminho traçado por Heidegger que o permite chegar à tal afirmação. Para tanto, temos como base, além da obra já referenciada, o texto "A coisa" (1949) e alguns trechos de "Introdução à Filosofia" (1928/1929). Apesar de serem obras de épocas diferentes, os textos são complementares e abordam temas essenciais para a questão aqui apresentada.

16:00   Francisco Verardi Bocca
Instituição: PUC-PR
Título:
“A superação do solipsismos como condição para o reconhecimento do outro".
Resumo:
Pensar na constituição da subjetividade, apesar de todas as possibilidades, pressupõe inicialmente o reconhecimento de um eu, o que inclui desde sempre, o posterior reconhecimento de coisas exteriores a ele, de modo que se possa sustentar uma relação sujeito e objeto, interioridade e exterioridade, subjetividade e objetividade, por fim, representação e realidade. No entanto, uma retomada ainda que rápida de certas problematizações dos sentidos e de seus conteúdos como a que nos deixaram alguns dos filósofos modernos, e aqui nos referimos aos céticos e solipsistas, pode de alguma forma, criar dificuldades ao argumento inicial. Portanto, é da superação do solipsismo, seja do ponto de vista filosófico, seja do ponto de vista da constituição subjetiva do bebê que depende o reconhecimento do outro e de uma relação ética com ele.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Dra Marcia Angell e o "excesso de prescrições na área da psiquiatria".

CLÁUDIA COLLUCCI
DE WASHINGTON

Primeira mulher a ocupar o cargo de editora-chefe no bicentenário "New England Journal of Medicine", a médica Marcia Angell já foi considerada pela revista "Time" uma das 25 personalidades mais influentes nos EUA.
Desde 2004, Angell, 72, é conhecida como a mulher que tirou o sossego da indústria farmacêutica e de muitos médicos e pesquisadores que trabalham na área.
Naquele ano, ela publicou a explosiva obra "A Verdade sobre os Laboratórios Farmacêuticos", que desnuda o mercado de medicamentos.
Usando da experiência de duas décadas de trabalho no "NEJM", ela conta, por exemplo, como os laboratórios se afastaram de sua missão original de descobrir e fabricar remédios úteis para se transformar em gigantescas máquinas de marketing.
Professora do Departamento de Medicina Social da Universidade Harvard, Angell é autora de vários artigos e livros que questionam a ética na prática e na pesquisa clínica. Tornou-se também uma crítica ferrenha do sistema de saúde americano.
Tem se dedicado a escrever artigos alertando sobre o excesso de prescrição de drogas antipsicóticas, especialmente entre crianças. "Estamos dando veneno para as pessoas mais vulneráveis da sociedade", diz ela.
Mãe de duas filhas e avó de gêmeos de oito meses, ela diz que recebe muitos convites para vir ao Brasil, mas se vê obrigada a recusá-los. "Não suporto a ideia de passar horas e horas dentro de um avião." A seguir, trechos da entrevista exclusiva que ela concedeu à Folha.


 

Folha - Houve alguma mudança no cenário dos conflitos de interesses entre médicos e indústria farmacêutica desde a publicação do seu livro?
Marcia Angell - Não. Os fatos continuam os mesmos. Talvez as pessoas estejam mais atentas. Há mais discussão, reportagens, livros, artigos acadêmicos sobre esses conflitos, então eles parecem estar mais sutis do que eram no passado. Mas é claro que as companhias farmacêuticas sempre encontram uma forma de manter o lucro.

E os pacientes? Algumas pesquisas mostram eles parecem não se importar muito com essas questões.
Em geral, os pacientes confiam cegamente nos seus médicos. Eles não querem ver esses problemas.
Além disso, as pessoas sempre acreditam que os medicamentos sejam muito mais eficazes do que eles realmente são. Até porque somente estudos positivos são projetados e publicados.
A mídia, os pacientes e mesmo muitos médicos acreditam no que esses estudos publicam. As pessoas creem que as drogas sejam mágicas. Para todas as doenças, para toda infelicidade, existe uma droga. A pessoa vai ao médico e o médico diz: "Você precisa perder peso, fazer mais exercícios". E a pessoa diz: "Eu prefiro o remédio".
E os médicos andam tão ocupados, as consultas são tão rápidas, que ele faz a prescrição. Os pacientes acham o médico sério, confiável, quando ele faz isso.
Pacientes têm de ser educados para o fato de que não existem soluções mágicas para os seus problemas. Drogas têm efeitos colaterais que, muitas vezes, são piores do que o problema de base.

A sra. tem escrito artigos sobre o excesso de prescrições na área da psiquiatria. Essa seria hoje uma das especialidades médicas mais conflituosas?
Penso que sim. Há hoje um evidente abuso na prescrição de drogas psiquiátricas, especialmente para crianças.
Crianças que têm problemas de comportamento ou problemas familiares vão até o médico e saem de lá com diagnóstico de transtorno bipolar, ou TDAH [transtorno de déficit de atenção e hiperatividade]. E é claro que tem o dedo da indústria estimulando os médicos a fazer mais e mais diagnósticos.
Às vezes, a criança chega a usar quatro, seis drogas diferentes porque uma dá muitos efeitos colaterais, a outra não reduz os sintomas e outras as deixam ainda mais doentes.
Drogas antipsicóticas estão claramente associadas ao diabetes e à síndrome metabólica. Estamos dando veneno para as pessoas mais vulneráveis da sociedade.
Pessoas que acham que isso não é assim tão terrível sempre argumentam comigo que essas crianças, em geral, chegaram a um estado tão ruim que algo precisa ser feito. Mas isso não é argumento.

Hoje, fala-se muito em medicina personalizada. Na oncologia, há uma aposta de que drogas desenvolvidas para grupos específicos de pacientes serão uma arma eficaz no combate ao câncer. A sra. acredita nessa possibilidade?
Para mim, isso é só propaganda. Não faz o menor sentido uma companhia farmacêutica desenvolver uma droga para um pequeno número de pessoas. E que sistema de saúde aguentaria pagar preços tão altos?

Algumas escolas de medicina nos EUA começaram a cortar subsídios da indústria farmacêutica e de equipamentos na educação médica continuada. No Brasil, essa dependência é ainda muito forte. É preciso eliminar por completo esse vínculo ou há uma chance de conciliar esses interesses?
Deve ser completamente eliminado. Professores pagam para fazer cursos de educação continuada, advogados fazem o mesmo, por que os médicos não podem? A diferença é que você não precisa ir a um resort no Havaí para ter educação médica continuada. É preciso pensar em modelos de capacitação mais modestos. E, com a internet, todos os países, mesmo os pobres ou em desenvolvimento, podem fazer isso. A educação médica não pode ser financiada por quem tem interesse comercial no conteúdo dessa educação.

Entrevista retirada da FOLHA online...  "Estamos dando veneno para nossas crianças".

Grande abraço a todos os frequentadores do Blog...


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

FECHADO PARA REFORMAS:

Nada é fechado realmente para reparos...

Freud descobriu isso quando atendia seus pacientes e lhes pedia abstinência de qualquer tipo de decisão, ou qualquer movimento de mudança, porque tudo deveria ser exaustivamente levado para analise e somente depois do processo dar-se por completo, após 6 meses a 3 anos, é que a pessoa poderia enfim, tomar uma decisão segura de que estava fazendo o que era "certo".

Bom, a vida se passa e podemos dizer que eram quase 3 anos "parados" em terapia?

Não, muito pelo contrário, são nesses momentos em que a gente mais tende a fazer coisas, a querer mudar, a resistir a outras mudanças que achamos essenciais. Achamos, isso deve ficar bem claro.

Quando vamos reparar qualquer coisa que seja, normalmente devemos cavuvar na obra até encontrar o problema, ou ainda a viga mestra. Mas ao contrário do dizer neste título de post, nada se fecha para reformas, a gente se abre a novidades.

São outros públicos quem vem nos visitar, na reforma, entra pedreiro, marceneiro, carregadores, ajudantes, umas duas ou tres pessoas a mais, carteiros, engenheiros. Até mesmo restauradores, arquitetos, encanadores.

Bom, acho que deu pra ter uma idéia, entra coisa nova.

Todos vão cavucando, escavando, retirando o excesso, limpando, organizando, fazendo a maior bagunça. A única coisa que "estorva" é a porta. Bendita porta que está ali, escancarada desde as 7 da manha até as 7 da noite. Todos passam, olham, observam, dão seus palpites, a porta só se fecha a noite, tranca-se a porta pois a noite pertence às criaturas das trevas. Sempre tem um bebum que passa por ali e acha que a obra é banheiro.

No outro dia lá estamos nós de novo, reformando e a vida acontecendo a milhão por hora do lado de fora da reforma.

Se pensamos em outras coisas, como um aparelho eletrônico por exemplo, é a mesma coisa. A rotina de um toca cd´s quando vai para o concerto é totalmente alterada. Nada de por na tomada (algumas pessoas nem lembram que a tomada existe) e apertar um botão pro disco rodar. Ali no concerto tomada só na hora que estiver pra sair. O aparelho é aberto, é explorado é descoberto, é revisado, é minuciosamente analisado. Mas de forma alguma se fecha o aparelho enquanto não estiver funcionando perfeitamente bem.

Fechado para reformas é na verdade uma forma de dizer "olha agora não, estou dando um tempo pra mim". Um pensamento egoísta eu acho. Deveríamos aprender mais com as coisas, abrirmos nossas portas e esquecermos um pouco das "auto-ajudas" que prometem todas as respostas a partir de si mesmo. 

Mesmo quando estamos em análise em um consultório e o analista repete apenas nossas palavras, estas palavras vieram de alguém, vieram de fora, em um momento que estavamos abertos ao outro, em um momento em que o outro conseguiu tocar em nossas profundezas e fez uma marca, uma importante marca em nós.

Sim, falamos o que ouvimos dos outros, porque justamente neste momento da reforma de si mesmo vamos nos encasular como a lagarta e depois surgir como borboleta?

Por acaso Freud quase deixou escapar que antes de virar casulo, a lagarta tinha muito o que comer, comia muitas plantas, antes de virar borboleta, depois sim se enclausurava. As vezes achamos que isolar-se do mundo, ou das idéias e conceitos que os outros tem de nós mesmos, é a melhor saída para crescer. 

Não somos insetos.

Somos pessoas e como tais, acredito muito em Freud, Lacan, Jesus Cristo, Winnicott, Gandhi, e tantos outros que sempre disseram a mesma coisa com palavras diferentes: A palavra tem poder.

Se estamos em reforma, vamos nos abrir ao novo, seja esta novidade boa ou ruim, esperemos e vejamos os frutos disso tudo. O andar da carroça acaba ajeitando todas as abóboras, as boas ou as ruins. De nada adianta querer colocar somente as boas por cima, as ruins irão uma hora ceder, serão esmagadas e vão sujar as boas que até então estavam perfeitas.

Abrir-se para reforma é colocar tudo a vista, como fazemos em análise, sem a pretenção de tirar isso ou aquilo, mas perceber que tudo aquilo foi colocado ali por algum motivo e que simplesmente, talvez agora, possa ser diferente.

Coragem, pode ser diferente sim, mas não feche as portas para uma reforma, ao contrário, abra-as para o novo, e você irá perceber que a novidade não é tão nova assim. Aposto que no fim da mudança aparecerá uma obra de arte junto com a sensação de estranheza e também de familiriadade, porque afinal de contas, isso tudo foi reformado, mas a viga mestra, continou em seu lugar.


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Serei na verdade o que sempre fui, e não o que queria ter sido

"Não sabia que era precisamente esse fracasso que me levaria ao lugar que desejava. As correntes do rio profundo foram mais generosas que o meu remar contra elas. Não cheguei aonde planejei ir. Cheguei, sem querer, aonde meu coração queria chegar, sem que eu o soubesse." [Rubem Alves]
Deveríamos ter sempre em mente que algo dentro de nós pulsa, algo em nós vive e quer ser visto, olhado, tocado, ouvido, e até mesmo falado. Algo, não, melhor ainda, alguém. 

Deveríamos sempre levar em conta que talvez, aquelas fábulas que dizem que somos muito mais do que imaginamos sejam verdade, que podemos muito mais quando queremos algo, que somos diferente quando estamos felizes, quando estamos tristes, ou simplesmente, quando somos.

Deveríamos repensar não nossas atitudes, muito menos os porques, deveríamos apenas repensar sobre o que foi feito, que eu imaginava conseguir o que queria, e que, por algum motivo não senti no final, o prazer esperado no início.

Deveríamos lembrar que na verdade o mais gosotoso talvez tenha sido imaginar, sonhar, criar em pensamento toda uma expectativa que, de fato, nunca se realizou, mas que foi bom, por alguns momentos.

Deveríamos nos compreender melhor, e descobrir que dentro de nós, alguém quer continuar sonhando, como uma criança, e tem medo de chegar ao fim e descobrir que não era tudo aquilo. Tem medo de ouvir "eu avisei" e depois disso nunca mais tentar de novo.

Deveríamos deixar falar aquele que está em nós e devido às regras da vida acaba se calando, sendo recalcado e tendo que retornar apenas em sonhos, em atos falhos, ou em sintomas. 

Deveríamos ver que o sintoma é talvez a procrastinação mais bela do momento, do agora. Talvez muitas pessoas reclamem, e de fato deveriam, pois o sintoma atrapalha suas vidas. As dores impedem o trabalho, as mentiras encobrem verdades que deveriam ser ditas, as traições contra os entes queridos, seja por palavras, pensamentos, imaginações ou até em atos, fazem as pessoas sofrerem, fazem-nas se esconderem, por vezes, fazem as pessoas desaparecerem e até mesmo, um dia, morrerem.

Morre-se muito de desgosto, de tristeza, de medo, pânico, pavor, mas poucos são os que morrem de alegria, de prazer, de gozo. Morre-se de inveja, de dor, de cansaço, de trabalhar, mas poucos conseguem morrer de sorrir, de tanto gargalhar, de tanto viver.
Deveríamos morrer é de tanto viver e não por falta de vida, ou de alegria, ou de planos, ou de sonhos, ou por ideais mais nobres do que a própria pessoa, chegando ao ponto, como podemos observar nos mártires e em Cristo, de entregar-se com amor ao flagelo, apenas porque os que amamos continuamos a amar e os que nos amam, continuam a nos amar.

Morre-se de medo de ficar sem amor, morre-se em busca de um amor, mas pouquíssimos são os que morrem por amor. 

Talvez seja isso que o mestre nos ensina em Romeu e Julieta. Qual fim queremos para nossa história?

No meio do ódio mortal entre duas famílias e inúmeras gerações, mata-se exatamente quem ama. E não mata-se para que acabe o mal estar e as brigas, não, de forma alguma. Os amados se suicidam. Morrem por amor.

Uma experiência única é a de permitir a este outro em nós falar. Aos poucos vamos descobrir que o outro não está la dentro, como o Alien que Zizek coloca, sendo um sujeito do inconsciente, aos poucos, bem devagarinho, vamos percebendo que quem está lá dentro somos nós mesmos.

Falso Self, diria Winnicott.

Objeto do Outro, diria Lacan.

Alienação de si mesmo, diriam tantos outros.
Na verdade acredito que é simplesmente medo. Porque no fundo, temos medo do que nós podemos fazer com nossas vidas. No fundo temos medo daquele desejo de morte, que é o mesmo de Romeu e Julieta, dos mártires, de Cristo, e por que não, de toda a humanidade. Temos medo é de morrer de tanto viver, de tanto amar, de tanto rir e com isso contradizer o senso criado de que a morte é ruim.

Temos medo de desejar o fim, não porque nos falta, mas porque se percebe completo e se acabasse exatamente hoje, seríamos felizes, morreríamos como muitos santos, completos em sua falta, mas tranquilos, por que não dizer, satisfeitos com sua vida, com suas verdades.

Algumas pessoas devem estar pensando, mas como isso de santo aqui em um blog de psicanálise e saúde mental?

É simples meus caros. A Igreja Primitiva, longe de renegar os aspectos da natureza humana, colocava sempre o homem com seus próprios desejos. Mostrava os caminhos e permitia as pessoas que seguissem seus caminhos. Não existia uma repressão moral ou ética, mas uma compreensão baseada no amor. Está aí a história do filho pródigo, depois de se tornar alguém (objeto do outro) volta para casa para ser filho do pai. O que era em essência. 

Imagino depois de muitos anos este moço feliz, com sua família, desfrutando de sua própria terra e tendo uma atitude totalmente diferente do que ele havia imaginado em sua juventude. Cercado de amigos verdadeiros, com riquezas pelo seu trabalho e esforço. Com riquezas maiores ainda que seria sua família e seus entes queridos.

É, as vezes precisamos deixar este outro trabalhar em nós... lembrando que este outro, é na verdade você mesmo...

 
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