sábado, 24 de setembro de 2011

Resumo: A importância da clínica psicanalítica no atendimento a adolescentes"

Pablo Picasso - Mulher ao Espelho

Segue abaixo um resumo da apresentação feita no Simpósio Winnicott Londrina:

A Clínica Psicanalítica teve muitas mudanças com o passar dos tempos, porém, a condição que permaneceu imutável para uma análise foi o vínculo de confiança entre analista e paciente. O setting proposto por Freud foi readequado para atender às demandas de cada paciente e também de cada período histórico. Antes era uma exigência "sine qua nom" atender o paciente deitado no divã sem que os olhares pudessem se cruzar. Hoje, dependendo do paciente, o olhar deve estar presente, dando um sentimento de segurança e amparo onde o paciente sinta-se acolhido para falar. A partir de Winnicott, a relação estabelecida na clínica psicanalítica passa a ser de proporcionar um ambiente facilitador, nos moldes da primeira relação mãe-bebê, para o cliente. Podemos pensar que a relação estabelecida na clínica pode ser um protótipo, um simulacro, de todas as outras relações que se seguirão, e que, quando é suficientemente boa, traz uma relação de confiança que permanece na adolescência e na vida adulta. Tais relações criam um diálogo e uma escuta do outro que passa a ser seu fundamento; mas quando não é adequada pode trazer alguns sofrimentos psíquicos. Pensando sobre a adolescência, esta fase pode ser vista como um indicador de mudança de setting. O presente trabalho traz uma perspectiva clínica de uma paciente de 15 anos que não conseguia falar com as pessoas, que não tinha um lugar para falar, que não tinha quem a escutasse. O atendimento para ela passou a ser o ambiente facilitador para que ela pudesse, pela primeira vez, experimentar falar de si e assim ser vista.

Bom, este foi o resumo que foi para o congresso, porém na apresentação, claro que abordei muito mais coisas e também outros autores...
O que a clínica psicanalítica pode oferecer de diferente das outras conversas cotidianas? Porque se faz necessário hoje o atendimento clínico com adolescentes? O que a clínica pode trazer de positivo para essas pessoas que buscam a análise?

Estas perguntas me levaram a escrever o resumo e apresentar o trabalho relacionado a um dos projetos de pesquisa que estou participando atualmente. 

Diferente (ou ao menso pensamos que seja diferente em uma primeira análise) do atendimento com adultos, o adolescente não é ainda um ser humano formado, concreto, com uma identidade, ou ainda, uma noção de si mesmo, que abarque boa parte do "eu".

Somente neste parágrafo acima poderíamos ter problemas teóricos com as mais diferentes vertentes dentro da própria psicanálise. Por exemplo, Winnicott irá dizer de um processo de desenvolvimento que o adolescente está bem no auge, antes de se tornar um adulto, portanto, ainda não tem uma identidade estabelecida. Lacan irá trabalhar com uma estrutura psíquica que já esta muito bem formatada, pois aqui já se sabe como o sujeito reage à castração, em outras palavras, como é a relação do sujeito com a Lei. Há também uma terceira teoria, a da esquizoanálise que trabalha um sujeito sempre em "devir", que não necessariamente terá uma identidade fixa, muito menos uma estruturação fixa.

Mas o que quero trabalhar é de uma outra coisa. Seja adolescente ou adulto, ou ainda uma criança que começa a ter uma relação consigo mesma e com os outros, todos estes estão presos em processos de identificações com os outros. Não quero dizer aqui apenas de uma identificação que aliene a pessoa dela mesma. Como por exemplo os adolescentes com os grupos que participam, ou as crianças que são alienadas de si mesmas e "apenas" conseguem corresponder ao desejo dos pais. Vou tentar ir por outra via, a via da clínica psicanalítica.

O conceito de identidade deve estar ligado com uma identificação a alguém. Uma pessoa que se identifica como trabalhador, como estudante, como marido, como mulher, como filho, na realidade apenas consegue se identificar em uma relação com um outro. Compreendo este outro, muito mais que alguém, muito mais que uma pessoa, como alguma coisa que diga sobre o sujeito, por exemplo, uma pessoa que tem muito dinheiro pode identificar-se como rica sem precisar de pessoas pobres para que possa identificar-se com esta posição que acaba ocupando. Outro então deixa de ser uma pessoa, um sujeito, e passa ter valor de objeto.

Identidade passa a ser um conceito de identificação objetal baseado na relação que uma pessoa tem com este objeto.

A experiência clínica mostra então, em uma última análise, que o conceito de identidade na verdade mora na relação de uma pessoa consigo mesma. O objeto último de comparação nunca é outro que não o próprio sujeito.

A adolescência é marcada então por alguém que não tem outras formas de relação consigo mesma, que não aquelas que lhe foram apresentadas até então. Podemos pensar que não há uma identidade no adolescente porque ele ainda não estabeleceu uma relação consigo mesmo que seja própria dele.

Vou tentar deixar mais claro.

Uma criança está sempre respondendo ao desejo dos pais. Ainda que sua resposta seja "inadequada", ou seja, mesmo que ela faça o que ela quer, corre o risco de ouvir de seus pais "não faz isso que mamãe fica triste", "não faz aquilo porque papai não gosta". Há aqui um sujeito na posição de objeto de um outro que vem de fora.

Os adultos tem a capacidade de serem diferentes. Conseguem manifestar o desejo por alguma coisa e fazer o que desejam, realizar seus sonhos, eles, diferentemente das crianças tem em suas mãos, tem em si mesmos a chave para realizar o que querem. As crianças ainda dependem dos pais para que possam executar alguma coisa.

Para que um adulto faça um bolo, basta trabalhar, ter dinheiro, ir no mercado, comprar os ingredientes e fazer o bolo. A criança depende que um adulto faça tudo isso por ela.

Mas e o adolescente?

O adolescente está entre uma coisa e outra.

Ainda não sabe de suas possibilidades porque até então fazim tudo por ele, inclusive desejavam, falavam, nomeavam tudo em sua vida. Mas de alguma forma eles encontram nos grupos um simulacro onde podem realizar o que pela primeira vez parecia impossível até então, serem uma outra pessoa que não filhos pertecentes a tal pai ou tal mãe.

Aí entra a importância da clínica psicanalítica. Independete de estruturação psíquica, conceito de identidade ou identificação, dentro da relação entre analista e analisante, nasce uma possibilidade de nascimento e desenvolvimento de um sujeito diferente, mas dessa vez mediado por ninguém mais, ninguém menos que o próprio (algumas pessoas pensariam que a palavra aqui seria analista, mas não) analisante. Ou seja, na clínica psicanalítica o adolescente tem a oportunidade de aprender sobre si, entrando em contato consigo mesmo. 

No caso clínico que apresentei no Simpósio, depois que o rapaz me falou de seu irmão, seu pai, sua mãe, e mais ainda de quase todas as relações que ele teve em sua vida. Eu apenas pontuei que embora ele falasse de muitas pessoas, parecia-me que ele na verdade estava falando dele mesmo. Claro que para os analistas isto é óbvio, mas o impressionante foi a resposta que tive "É que tem muito deles em mim". Aí perguntei depois de um momento de silêncio:

- E quem é você?

A resposta a esta pergunta marca a diferença entre a criança, o adulto e o adolescente. Enquanto um é o filho(a) de seus pais, o adulto é alguém, o adolescente simplesmente não sabe nada de si mesmo.

Acho que poderíamos pensar diferente também. O Adulto sabe sobre si mas tem algumas lacunas, algumas dúvidas, uma impressão de ser algo mais do que é (um saber que não se sabe) e busca no analista que este lhe mostre, lhe aponte o que sabe sobre o analisante. A criança por outro lado tem a certeza do que é, mesmo que não seja absolutamente nada além de criança, mesmo que não seja nada além de seu nome, ela sabe e pronto. Sabe também, a criança, que para ela o ser não é tão importante quanto o que ela será. Já o adolescente mora na etapa do deixar de ser criança, deixar o "será" de lado para ser de fato aquilo que ele aspira para ele mesmo. Neste momento cria-se o conflito de interesses entre o desejo dos pais, e o próprio desejo. O conflito entre o desejo dos outros para ele e o perigo de bancar seu próprio desejo até as últimas consequências. O conflito na verdade entre deixar de ser para quem até então ele era filho, para se tornar alguém para ele mesmo, um sujeito, um adulto.

Em uma última observação a clínica psicanalítica possibilita uma trajetória, através da fala, onde o adolescente se engaja dele mesmo, se descobre, se analisa e aos poucos vai escolhendo como e o que ele quer ser. Não é o trabalho de associação livre, mas o de escutar e devolver ao adolescente as suas própias palavras, como em um jogo, uma brincadeira de palavras, onde o que o analista devolve é a palavra do próprio adolescente, mas dessa vez com o peso de um outro, de alguém de fora, que nesta etapa da vida ainda é muito importante e tem grande relevância. A clínica psicanalítica, em última análise, é a mesma com adultos e adolescentes, ambos brincam com as palavras, ambos descobrem-se no discurso de alguém que ocupa um lugar de "suposto saber". Tanto adultos quanto adolescentes, através do trabalho analítico entram, enfim, em contato com alguém dentro deles mesmos, e porque não dizer de outra forma: ambos entram em contato com quem eles são de verdade e descobrem que idenpendente de quem são, sempre haverá outras possibilidades de ser.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Conversando com um taxista no Alabama, ele me disse em alto e bom tom "O dinheiro é meu e eu faço o que eu quero com ele. Tenho família para sustentar, filhos que quando precisam de médicos eu mesmo pago, eu mesmo levo, não vejo necessidade de dar mais dinheiro ao governo para algo no qual eu não serei beneficiado".

Ele estava muito enfurecido com relação à criação de um imposto para a saúde nos Estados Unidos. Ele havia nascido na Lousiana e começou a trabalhar de taxista naquele estado. Passou sua vida inteira como motorista de táxi, vivendo "independente" do governo até quando se acidentou no trabalho. Uma das políticas que aquela companhia de taxi tinha é que uma vez que o motorista fosse acidentado, ele deveria pagar pelos danos físicos ou materiais e depois seria restituído se houvesse prova de que ele não era o culpado. Foi obrigado a mudar-se para o Alabama pois não pagou à companhia de táxi o que devia para eles.

Com um ar de uma "quase arrogância" me dizia que não havia sido culpado, acima de tudo, não tinha dinheiro para arcar com as despesas todas, desde a conta no hospital (ficou 1 semana internado até poder ir para casa). Dizia com um tom de voz ambargada que foi como se tivesse perdido tudo naquele acidente, nunca havia guardado dinheiro antes, mas a lição serviu pelo menos para uma coisa boa, conheceu sua mulher naqueles momentos de dor e angústia. Ela era recém formada em Nursing (um tipo de enfermagem com um trabalho muito mais operacional do que costumamos ter no Brasil). Eles se conheceram quando teve de ir para o Alabama, ficar na casa de um irmão seu e ela trabalhou cuidando dele. 

Nunca mais pode retornar para Lousiana. Havia contas a serem pagas por lá e a "máfia dos taxistas" não iria permitir que ele retornasse sem antes quitar sua dívida hospitalar.

Fiquei intrigado e perguntei a ele se por acaso um imposto não seria muito útil naquele momento de desamparo, pois afinal de contas, as contas médicas seriam quitadas, e ele poderia continuar trabalhando sem sofrer toda a violência de perseguição e ter seu nome sujo no estado. Disse-me que não, pois se alguém tivesse pago ele jamais teria conhecido sua mulher.

Longe de pensar nas políticas públicas dos Estados Unidos, logo me veio à cabeça que nós realmente deixamos o todo para vivermos no particular em inúmeras ocasiões.

Será que o amor fez ele superar tudo o que ele passou? Provavelmente não, mas o ajudou, o deu forças para continuar mesmo quando em outras ocasiões seria necessário a ajuda do governo, a ajuda de alguém.

Quando entramos no terreno do amor, saímos do coletivo e entramos no território do individual, do indivíduo, da posse, do ciúmes. Foi somente devido à oportunidade de sentir-se desamparado e ter de ir para outro lugar que ele pode conhecer a mulher de sua vida. 

Arrisco-me a dizer com todas as letras que o amor procede ao desamparo. Seja o desamparo do governo, seja o desamparo físico, seja o desamparo emocional.

O que faz Hugo Chávez com seu povo ao não ser, representar, colocar-se no papel de uma grande mãe que fornece aos seus filhos (súditos leais) o que eles precisam e o que eles reinvidicam? A população ama seu líder com uma plenitude avassaladora (não digo todos, mas uma grande maioria que cai no conto do vigário).

Nos Estados Unidos a população não precisava mais de uma mãe. Queria caminhar com suas próprias pernas, queria escolher a quem amar. E foi o que fez aquele taxista quando me disse bem assim:

"The USA Government is´t my mom, neither my dad, is just my government. Obama should think about it before give something to someone who don´t want it. The people should have the opportunity to chose"
É pois isso que acontece nos regimes totalitários, o povo não tem a opção de escolher. É isso que ocorre nas relaões amorosas devoradoras, uma vez escolhido o governante (amante) a entrega deve ser total.

Mas é justamente o contrário que ocorre no amor "maduro" (se é que existe isso). A pessoa escolhe o amado, e ama, fica com o amado na posição de amante e não de entregue, mas de entregar-se a cada dia mais e mais.

Saímos do conto de fadas de um amor de felizes para sempre, uma única escolha, um único beijo, um único fim. Saímos da posição pré edípica onde há um só objeto (a grande mãe) para entrar na posição de um amor responsável, onde não há um fim, e por ventura, talvez, nem houve um começo, apenas um dia se percebeu assim. Um amor "maduro" onde os atos importam, onde as escolhas podem ser diferentes sem necessariamente acabar com o outro, engolir o outro, amar menos o outro.

A escolha passa a ser a cada momento e desde a manhã até a noite nos sonhos, é possível continuar amando, exercendo a atividade de amar. Muito diferente da posição de poder falar:

"já sou amado, agora não preciso mais amar".



segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Apostar na consciência para uma vida melhor?

Auto-conhecimento realmente faz uma diferença efetiva na hora de pensarmos em qualidade de vida?

Nem sempre.

Muitas pessoas procuram testes, livros, terapias ou ainda inúmeros outros métodos para alcançar um auto-conhecimento, um conhecimento sobre si mesmo.

Algumas pessoas consegum depois de um tempo descobrir como funcionam, o que realmente gostam, o que realmente sentem e pensam. Isso é de fato muito produtivo no plano da consciência. Quando pensamos em um ser humano "ideal" que faz realmente apenas o que gosta e o que quer e ainda por cima consegue viver bem consigo mesmo, com suas escolhas, sucessos, decisões e também fracassos, acho que apenas o auto-conhecimento é suficiente e até mesmo muito salutar.

Este tipo de ser humano "ideal" e "feliz" nunca conheci. 

Há porém outro tipo de ser humano. É como se habitasse alguém dentro da gente, um outro eu, ou ainda como diria São Paulo, alguém que me leva a "fazer o mal, quando quero fazer o bem". Há uma parte em nós que não deve ser deixada de lado, a parte que nos faz sofrer com nossas escolhas, mesmo que elas estejam corretas. A parte que nos leva a pensar e repensar coisas simples da vida, como aceitar ou não um outro emprego, ir viajar para a praia ou outro lugar, ficar em casa no fim de semana ou ir ao cinema, coisas simples, do cotidiano, mas que geram algum desconforto, algum mal-estar.

Podemos pensar na radicalidade do pensamento de São Paulo e dizer de uma parte em nós pecaminosa, "degradada" e que nos leva a praticar o mal e até mesmo nos orgulhar de fazer algo que não queríamos de fato fazer.

Porém podemos pensar em outra coisa.

Freud contribui muito com o auto-connecimento dizendo que há uma parte em nós que não sabemos, não compreendemos e acima de tudo, não podemos pensar esta parte. É o inconsciente.

O inconsciente que nos move a realizar várias coisas que nunca imaginamos sermos capazes de fazer. Sejam elas boas ou ruins, ao contrário de nossa consciência que se move pela vontade pautada em certo/errado, pautada em uma moral constuída e que passa a ser constituinte de uma pessoa, o inconsciente se move na razão do desejo, pura e simplesmente buscando a sua satisfação.

É como se realmente houvesse um outro dsentro de nós que pulsa, que busca uma satisfação para além do que é certo ou errado, do que é prazeiroso ou desprazeroso a nível de consciência. Alguém dentro de nós que não pensa em puro ou impuro, mas que busca apenas aquilo que ele sabe fazer, que é satisfazer-se independente de como, ou com o que.

Não podemos pensar esta parte nossa, este "inconsciente" (não sabido) como algo mal, ou ruim. Na verdade o incosciente é bom por natureza, afinal de contas ele é apenas natureza. Seria como (mas não é somente isso) nossa parte corpórea com os buracos de nosso corpo que pulsam, buscando uma satisfação.

Sejam o alimento que passa pela boca, uma chupeta, uma mamadeira, um dedo, uma goma de mascar, uma bala, um cigarro, uma cerveja, ou até mesmo falar. Tudo isso satisfaz, o que chamamos em psicanálise, a pulsão oral. Podems extrapolar para várias outrras coisas mas o mais importante de saber é que a satisfação está relacionada não com aquilo que é ingerido, mas com o movimento da mucosa, da boca, bo buraco que é tamponado, mesmo que parcialmente e por pouco tempo.

Devido a esta característica do inconsciente de satisfazer-se com qualquer coisa, temos então uma infinita possibilidade para os seres humanos de dar um destino a esta energia, que nos move em busca de satisfação.

Aí é que mora o maior de todos os problemas.

Diferentemente dos animais, saber o que sacia a fome deixa de ser saber o nome de uma comida, de um prato, de uma refeição, mas passa a ser algo totalmente distinto do que realmente nosso organismo precisa. Os animais quando precisam de ferro, ou outros minerais, acabam comendo terra, ou grama. Nós vamos direto no sorvete, ou na macarronada. Nosso corpo muitas vezes padece justamente porque nossa "vontade" vai absolutamente contra tudo aquilo que ele necessita. Comemos demais, andamos demais, falamos demais, comemos de menos, comemos de mais e não andamos quase nada, os resultados quase sempre são muito prejudiciais ao nosso "bem estar".

Entramos em conflito quanto a uma coisa que realmente precisamos (como tomar uma injeção) e aquilo que queremos, que desejamos. Este é o ser humano "não-ideal", mas real.

Embora conheça sobre sí, mesmo assim ainda se pega de surpresa realizando coisas que nunca tinha imaginado fazer, ainda sim, consegue se surprender com pequenos prazeres, como olhar uma bela paisagem, ou ainda ver a mesma paisagem e de repente se admirar de algo que sempre foi tão comum. Ainda sim temos em nós alguém que não conhecemos e talvez conhecer este alguém só nos possa revelar uma única coisa: somos muito mais do que podemos sonhar em saber. 

No fundo, sabemos que somos o que por tanto tempo não nos sabemos, somos muito mais do que nossa consciência pode imaginar. Em outras palavras, "criados à imagem e semelhança de Deus", somos na verdade, inimagináveis, somos humanos.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Sobre os nomes-do-Pai
por: Aurélio Souza


"A leitura que Lacan realizou de Freud abriu diferentes caminhos para a psicanálise. Num primeiro momento, quando esteve próximo ao estruturalismo desenvolveu a tese de que o “inconsciente se estruturava como uma linguagem”. Mais tarde, ao conceber a estrutura da linguagem a partir de uma função do Real, apresentou para a psicanálise a topologia da cadeia borromeana, que enriquecida pela fonologia se tornava um envelope sonoro capaz de produzir seus efeitos sobre o sujeito, antes mesmo que o vivente que passaria a sustentá-lo tivesse nascido; ou ainda, antes mesmo que ele tivesse sido engendrado. A estrutura da cadeia borromeana modificou os fundamentos da análise a partir do momento que Lacan pôde enunciar que o “inconsciente se inventa”. Quanto ao analista em sua prática, não só deve considerar um avanço em relação ao Tempo, onde o Momento de Concluir interfere no Tempo de Compreender e determinava o Instante de Ver, como deve procurar intervir com tolerância e prudência para que o analisante sob a função sujeito possa se servir dos nomes-do-Pai para se desembaraçar de seu sintoma. O analisante deve se fazer um artífice, deve fibrar diferentes “sementes do real” que passam a afetá-lo para que possa se-fazer-ser por suas obras, por seus adornos, por seus amores, deve se fazer um nome para que possa se distanciar desse gozo devastador que lhe é prometido por um Outro, que nem mesmo existe. Assim, o sujeito ao se-fazer-ser sai da apatia e da sonolência de um gozo do corpo que o deixa sempre preguiçoso e inserido na cena social sob a ilusão de uma normalidade. Uma condição que vem ser auxiliada na contemporaneidade pelos neurolépticos, ansiolíticos e antidepressivos, ou mesmo dessa acomodação produzida pela oferta maciça de gadjets, do consumo de drogas e, ainda, de um auxílio que pode ser dado pela magia e pelas religiões. A análise não se propõe a curar o sujeito de seu sintoma e de seu sofrimento, mas de retificá-lo, de recolocá-lo numa posição em que possa se proteger contra os efeitos do Real, possibilitando-o encontrar outra forma de se rehystoricizar, colocando limites no Real que causa seu sofrimento. Essa é a proposição de colocar a psicanálise como uma estética, diferente da erótica elaborada por Freud. Temas que deveremos discutir juntos."
O Psicanalista Aurélio Souza estará em Londrina e realizará um Seminário para a discussão do tema: "Os nomes-do-Pai:

Maiores Informações: mclmarco@hotmail.com

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O que é melhor?

Quem pode dizer o que é melhor ou pior?

Ser "normal" ou ser louco?

Ser neurótico ou psicótico?

Perverso ou melancólico?

Ser branco ou amarelo, azul, preto, bege??

Sol ou chuva?

Noite ou dia?

O que é melhor e o que é pior dentre as doenças mentais?

Doenças mentais?

Elas não existem.

De um tempo pra cá parei de escutar algumas pessoas que tem se agarrado firmemente a um padrão organizador e descritivo de sintomas. Para mim, a vida começou a um grande sintoma. A própria pessoa é um sintoma de várias doenças, a maior delas, sua própria existência.

Sintomas, do grgo Sin = Pedaços e Tomo = Junção. Ou seja, a junção dos pedaços, dos pedaços de uma vida, de uma existência, de uma tentaiva de ser.

A wikipédia traz muitas coisas inmteressantes sobre esta palavra, mas faltava uma coisa. 
Sempre falta, sempre, nunca, as vezes...

No quebra cabeças da vida a gente tem que se organizar de alguma forma. A GENTE e não um psicólogo, terapeuta, médico, adivinho, ou qualquer outra pessoa. Claro que eles podem nos ajudar, mas jamais terão poder supremo para tirar ou colocar peças, cores, ou formas em nossa fôrma de ser.

Não acredito mais em uma doença mental, afinal de contas, quando penso em uma estrutura, em uma organização, não posso sequer me atraver que aquilo ali está errado. Minha amiga Renata me disse várias vezes quando eu estava trabalhando com Penas Altenativas:

- Marco as pessoas são aquilo de melhor que elas conseguem ser.

Essa frase, quase uma oração, me pegava sempre de surpresa. Naquele momento não pude compreender, eu estava cego. Não um cego que se conforma com sua cegueira e procura outras formas de ver, eu estava cego e tantando enxergar. Acho que me encontrava naquela palavra de Cristo quando ele dizia que as pessoas que ouviam não podiam escutar, as que enxergavam não podiam ver...

Hoje já me vejo perdido em uma outra situação. Enfim descobri que sou cego, não posso colocar meu dedo na ferida do outro e depois de cutucar apenas com um sorriso garantir que aquilo tudo irá passar. Não posso, não porque não possa de fato falar, mas porque minha potência se limita a ser humano.

Ser humano e de alguma forma desfrutar da vida assim como eu consigo, da melhor forma possível.

Acho que isso faz uma diferença danada na hora de pensar as questões referentes a constituição dos sujeitos na contemporaneidade. A impressão que temos é que as pessoas estão perdidas e não sabem que estão perdidas. Não porque eu sei que estão perdidas, mas porque procuram em vão coisas que nunca irão encontrar. Buscam por entre caminhos que muitas vezes não levam a lugar nenhum. 

Acho que tudo isso é apenas impressão. As pessoas hoje em dia sabem muito bem o caminho que estão trilhando, o que buscam e o que não vão encontrar. Apenas escolhem a impressão de poderem enxergar quando estão na verdade cegos. Apenas se cobrem com ideais e idéias, sonhos, fantasias, sabem sim, mas preferem não saber.

Algumas pessoas devem estar ligando esta parte do texto com o "saber não sabido" de Freud, ou em outras palavras, um saber que a pessoa insiste em não saber. 

Cegos guiando cegos.

A análise não é e nunca foi uma tentativa de curar os olhos para que deixem de ser cegos. Ao contrário, permitem às pessoas se dar conta de sua cegueira. Nunca ensina a pessoa a tatear, ou tenta treinar a contagem de passos e a memorização. ao contrário disso, apenas permite que a pessoa possa escolher e aprender, da forma como melhor lhe apraz, sua própria forma de caminhar, de sentir, de ver o mundo.

A análise apenas nos lembra que somos muito mais do que enxergamos, e que mesmo de frente ao espelho, há uma costas que não somos capazes de enxergar.

No final das contas, nos damos conta que somos todos retirantes, como no quadro de Portinari. Somos todos iguais, a caminho, buscando um retiro, um descanso, até quem sabe, de nós mesmos.

Buscar o que não se pode ver no espelho é isso, sair um pouco do padrão, da ordem que foi estabelecida por um outro que está ali na minha frente e que por acaso é a minha imagem, sou eu mesmo. É encontrar um refúgio de si mesmo e por um segundo ser feliz.


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Reuniões Clínicas: Às Quartas-Feiras na Uel - Aberto a TODOS

O Departamento de Psicologia e Psicanálise promove: 


 Às Quartas-Feiras na Uel  -  Reuniões Clínicas.

O Departamento de Psicologia e Psicanálise promove um ciclo de palestras, ao longo do ano de 2011, direcionado ao estudante e profissional de psicologia e área afins interessado em discutir temas atuais sob a perspectiva psicanalítica. Contaremos com a participação de Professores do Departamento e Profissionais convidados.

PALESTRANTE: Valdemir Leonarde
TEMA: Um mundo sem limites. O mal estar na contemporaneidade e a sua consequência na clínica Psicanalítica.
DIA: 31/08/2011
HORÁRIO:19:00 às 21:00
LOCAL:Sala 201 (Piniquinho)
Evento gratuito e aberto a todos os interessados em Psicanálise

Escrever é bem diferente de falar.

A escrita é como uma carta a alguém, muitas vezes por mais emocionados que estejamos as lágrimas escorrem, mas de alguma forma conseguimos escrever aquilo que nos incomoda, nos machuca, nos ajuda, nos forma.

Falar é muito diferente. A gente sente o nó na garganta, a gente sente que as lágrimas, o calar, o rubor, o corpo, pode dizer muito mais do que a própria vocalização do som. É algo muito interessante, e ao mesmo tempo muito doído a experiência de não poder, de não conseguir falar.

Este ano na clínica tive experiências interessantes, desde sintomas como pânico, desamparo, solidão, paranóia, até início de depressão e ainda por cima em minha própria vida o maior de todos os sintomas, a culpa e a vergonha que impedem que a palavra seja dita. Diferente dos outros sintomas, a culpa barra a fala, caminha com a vergonha e impede que seja dito, que seja colocado para fora e que a pessoa consiga explorar o fato de outra forma. Já os outros sintomas, como a depressão, o pânico, a paranóia, ou qualquer outro sintoma, se fala do sintoma sem problema algum (na maioria dos casos), e aos poucos vai se chegando ao ponto do problema, retirando na medida em que a pessoa e o analista conseguem aguentar, no tempo certo que a relação estabelece, o sintoma, a queixa até que se chega na raiz da dificuldade.

É de suma importância o trabalho na clínica, pois lá é onde as pessoas se achegam, e quando se sentem acolhidas, ultimamente tenho ouvido delas: "quero um lugar que eu possa falar, preciso de alguém que me escute". 

Que lugar é este, e quem é este alguém?

Seria muito fácil se pudéssemos todos escrever nossa história, nosso "contos de fadas" particular, ou nas palavras de Freud, nosso "mito individual". Acho que encontraríamos best sellers de qualquer pessoa que resolvesse por no papel sua história, sua vida, seu passado, seus sonhos e anseios.

Mas quando começamos a escrever, as lágrimas correm, as dores nos trucidam, mas aos poucos vai passando e aquela história parece voltar a ser monótona, parece que vai se re-encaixando no tédio rotineiro do cotidiano. Aos poucos conforme o sentimento vai se esvanecendo, a escrita vai perdendo o sentido, e vai cessando também a letra colocada no papel. Assim, sem necessariamente ter um ponto final.
Quando falamos, no entanto, a história é outra. 

Alguém está lá escutando, mesmo que não seja necessário este alguém ajudar, acima de tudo está ouvindo e de alguma forma somos forçados a ter um começo, um meio e um fim. Não podemos simplesmente deixar de perder a fala, conforme o sentimento que impulsionou o primeiro som acabe cessando. Temos que continuar, e é exatamente isso que vai fazer a diferença depois. O analista de certa forma é este ouvinte que ocupa o lugar de alguém que ouve, e se está ali ouvindo, o analisante tem que falar.

Alguém para escutar é alguém que está disposto a "ler" esta vida falada e que nos move a continuar falando. Alguém que se coloca naquele lugar de leitor, de analista própriamente dito, e que pontue, marque e grife, cada frase, cada palavra, cada sentença, até mesmo o silêncio que sentencia não o final, mas alguma coisa outra que ou não pode ser falado ainda, pois o enredo não está preparado, ou porque perdeu o sentido de ser dito.

No papel como escrevemos o silêncio? Como colocamos a angústia nas letras?

Isso é trabalho para os poetas, mas na clínica, todos esperimentamos um pouco este momento de poetas de nossa própria vida.

Este lugar de falantes, onde encontramos alguém que esteja disposto a nos ouvir e acima de tudo, a nos fazer ouvir a nós mesmos. A importância de alguém que escute e nos traga de volta o que falamos, no sentido de nos levar ao incomodo e à realidade daquelas palavras, pode ser entendida também como um exercício ético, um exercício de ter que se haver com a própria palavra dita, o que ultimamente está muito em baixa na sociedade contemporanea.

O segredo do analista é conseguir, de algum jeito, fazer com que o cliente, paciente, analisante, pessoa, passe a ouvir-se e a se implicar com aquilo que fala. Passe a dizer de si, para se dizer, para se construir e reconstuir aos poucos, a cada palavra, mas também a cada hiato da voz que a experiência da escrita não pode dar. 

Entre um parágrafo e outro há uma lacuna, mas não necessariamente um silêncio. Na escrita damos ponto final e passamos para outra coisa, ou alguma coisa que se ligue ainda que de alguma forma, ao que foi escrito anteriormente.

As idéias para para serem escritas já estão de certa forma organizadas, mas para falar não precisa de organização alguma, é nesta não ordem que trabalha-se com a construção do sujeito. A pessoa vai se identificando com algumas palavras, algumas letras, e até mesmo com certos sons, que significam algo para ela. Esta significação toda a leva a se identificar consigo mesma, perceber-se uma pessoa que carrega desde a mais tenra idade os mesmos desejos, sonhos, e medos. Em suma, percebe-se que até então é a mesma pessoa, a mesma "criança habitando um envólucro grande" como disse uma vez Di Loretto.

É acima de tudo do lugar de falante que as pessoas tem buscado ocupar na clínica. Ao menos meus pacientes aos poucos vão percebendo (isso quando não digo diretamente) que não sou eu quem dou as respostas, mas apenas os instigo a relembrá-las porque de alguma maneira, elas estão perdidas, desorganizadas e em algum lugar que eles não puderam encontrar até então.

A diferença é que quando escrevemos no papel, as palavras já estão tudo muito bem organizadas, mas não temos as respostas que o momento de silêncio, que a angústia do não conseguir, não poder falar, pode propiciar.


terça-feira, 23 de agosto de 2011

Justo eu que pensava guardar tantas coisas.

Justo eu que achava que tinha tanta coisa...

Uma vara de pesca, uma mochila com coisas de pesca...

Um colchão...

Uma toalha...

Livros e mais livros. Quem ve pensa que sou intelectual, ou no mínimo um grande leitor de alguma coisa...

Duas malas de roupas...

Pronto...

Justo eu que achava que tinha tanta coisa, acabei percebendo que na verdade muito pouco era realmente meu. 

O quarto, insisto em demorar para limpá-lo, parece que a cada roupa retirada do guarda roupa guardava uma história, um momento naquela casa. A casa de muitos lutos, muitas lutas, um retorno a um antigo sonho se concretizou ali. Mas também perdas inesquecíveis e irreparáveis ocorreram neste lugar.

Impressiono-me cada dia mais ao saber que cada coisa tem um outra história. Além da história real vista e contada, tem também a invisível, a sentida, a história que cada um tem no mais profundo de seu ser. 

O relógio que trouxe dos Estados Unidos apareceu na gaveta, ao lado de um outro que ganhara de presente de uma ex-namorada. Um sem pilha, outro sem pilha e sem pulseiras. Ambos sem pulso algum para serem utilizados, entretanto, guardados.

Um pedaço de uma pulseira de um outro relógio apareceu. Junto com papéis de orações, de cartas e um sentimento de Deus que não imaginava ainda possuir. Um sentimento de mais profunda saudade de um tempo que tanto tive problemas, mas de alguma forma fui feliz. 

Um chinelo de meu avô que conquistei depois de seu enterro. Uma lupa que era dele. Uma bandana que havia comprado com meu irmão em uma boate (Bali-Hai). Uma camisa do corinthians que era dele e sempre quis fazer um quadro. Faz 6 anos já, e ainda é apenas uma camisa. 

Documentos, e mais documentos. Certidão de nascimento com certidão de óbito.

É isso a mudança. 

Um óbito, um luto, mas também uma novidade, um nascimento para algo além da imaginação.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

E o bom de novos caminhos, de novidades, da vida cotidiana que se transforma com cada novidade, com cada nascer do sol, a cada manhã, é aquele friozinho na barriga. Uma sensação de novas possibilidades se abre, como uma porta que ao ser aberta aponta para o infinito horizonte.

Onde antes eu me sentava, me sentia a vontade, hoje já não é bem assim, já não me sinto bem na mesma posição que ocupava antigamente, essa é a verdade. Se eu respondesse um questionário de Ansiedade e depressividade com certeza eu estaria ali classificado como Bi-Polar.

Sim, na maioria dos dias tenho acordado mais triste que antes. Não porque estou deprimido, ou ainda porque estou triste. É que o fim de meus dias tem sido muito felizes. Chegar em casa com a sensação de dever cumprido, com o prazer do trabalho, com o sorriso nos lábios que denunciam o sucesso do dia que passou, isso não tem preço.

Poderiam me classificar como Bi-Polar de ciclo ultra rápido. Acordo triste, meio que de luto pela vida que se foi na noite de ontem, e aos poucos, com o passar das horas, dos encontros e desencontros, dos sorrisos, abraços e beijos, das ligações, leituras e um mundaréu de coisas que acontecem muito além de minha agenda, acabo ficando feliz imaginando que este dia que está passando foi muito melhor que o excelente dia que tive ontem.
Acordo com uma sensação triste de ter deixado o dia anterior, e com um friozinho na barriga porque não tenho nem idéia do que me espera.

Claro que tenho uma rotina, uma agenda, um caminho.

Segunda feira - estagio na parte da manhã, estudos a tarde.
Terça feira - Supervisão de manhã, atendimentos clínicos a tarde. Uma vez por mes grupo de estudos.
Quarta feira - estagio pela manhã novamente. Na parte da tarde vou resolver coisas minhas. A noite faço analise.
Quinta-feira- estagio de manhã. Na parte da tarde fico "livre" para o outro estágio.
Sexta feira- Ah a sexta feira. Igual a segunda feira... rsrsrsrs... Com excessão de que algumas delas eu tenho grupo de estudos...
Chegou enfim o sabado. Em um deles tenho grupo, que continua o trabalho da Sexta -Feira. Em outro tenho o cartel deste grupo. Muito desejo, muito estudo, muita alegria e felicidade nestes sábados.

Domingo. Ah, Domingo é dia do Senhor, é Domingo né gente.

Tudo bem, minha rotina, descrita, meu dia a dia.

Não, não está nada bem. Ao contrário, não sei nada dos dias que surgem um após o outro. A gente tenta se iludir fazendo um calendário e ageitando-se em um pedaço de papel. Não é bem assim que a vida funciona, pelo contrário, assim a gente funciona. A vida não tem nada a ver com isso.

A vida não tem nada a ver mesmo. Ela não tem olhos para olhar e ver nossa agenda, não tem mãos para nos colocar onde quer que ela queira que estejamos. Não tem boca para falar o que quer da gente, e nem ouvidos para escutar nossos planos futuros, nossos planos para o hoje.

A vida é outra coisa, não é como a gente é. A gente "tenta" se adaptar a esse negócio chamado vida, mas por alguma razão ela escapa, ela foge. 
Enquanto a gente vive do presente, a vida é o que está dentro da caixa, é o próprio presente imprevisível que aparece quando abrimos a porta e enchergamos que existe muito mais além da porta de nossa casa, além do horizonte, além da nossa própria vida.


Quero arriscar-me a dizer que a Vida é Viva. Viva a Vida.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Seminário com o psicanalista Aurélio Souza: Sobre os nomes-do-Pai

Seminário: 

  "Sobre os nomes-do-Pai"

Aurélio Souza - espaço Moebius Salvador






O psiquiatra e psicanalista Aurélio Souza (CREMEB 2195), membro fundador do Espaço Moebius – Salvador, estará em Londrina abordando a pluralização do nome-do-Pai na teoria lacaniana. O tema será apresentado de forma introdutória em uma conferência no dia 11/11/2011. No dia seguinte, Aurélio Souza propõe, a partir do Seminário XXI de Jacques Lacan, o desdobramento desta temática em sua articulação à cadeia borromeana.

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Grants For Single Moms