segunda-feira, 6 de junho de 2011

Culpa, o pior castigo.

Muitas vezes a gente pensa que um castigo deve ser proporcional ao dolo, ou seja, um castigo deve ser tão sofrido quanto foi o ferimento causado pelo autor do pecado. Não acredito nisso, pelo contrário, por maior que sejam os castigos imputados externnamente, o pior deles sempre será aquele em nós mesmo, a culpa, mãe da vergonha e precursora da virtude.

Se pensarmos em uma árvore genealógica para a culpa, poderíamos colocar ela como a mãe da vergonha, mas ao mesmo tempo, alguém que traz consigo a virtude que foi danificada pelo ato, pelo dolo, pelo pecado.

Não é brincadeira quando dizemos que a culpa pode acabar, destruir com a vida de uma pessoa. A culpa é natural, nos leva a pensarmos que somos normais, temos uma organização psíquica neurótica, um funcionamento neurótico (penso aqui no termo psicanalítico e não no patológico do senso comum) que nos permite tentar uma reparação, que nos permite e nos move para buscar algo além do que foi feito e construir algo novo, na qual possa ser pago o que foi feito e nos tranforme de devedores a credores.

A escola psicanálitica explica que a culpa funciona em nós como uma dique, como um estanque às nossas intenções mais primitivas, mas nem sempre ela vem primeiro do que o ato em si. Quando crianças sentimos a culpa imaginariamente, fantasmaticamente, pela destruição das coisas que tanto amamos. Seja por morder a mãe, o pai, ou quebrar nossos brinquedos, acabamos aprendendo que algumas de nossas atitudes nos privam daquilo que buscamos ter eternamente, a presença deste outro tão importante para nós, em última análise, seu amor.

A culpa sentida pelo afastamento do outro, pela perda "imaginária" do amor do outro, nos é sentida na carne quando crianças. É muito fácil verificar como isto funciona, é só vermos uma mãe, um pai, ou uma outra pessoa importante para a criança dizer a ela, "não faz isso que mamãe não gosta", "não faz isso que papai vai embora"...

A criança para de fazer "o mau" e ao menor sinal de ausência (pode ser verificado nas crianças de até 5 anos, ou até maiores esta fala) elas sentem-se culpadas e expressam-se da forma mais pura esta culpa dizendo que "papai foi embora porque eu não quiz escovar os dentes..." por exemplo.

É interessante ver o quanto nos dói perder as pessoas queridas e amadas e que a culpa depois torna-se uma barreira, para que cultivemos em nós pensamentos e sentimentos, além é claro das atitudes, sempre positivas. 

Podemos então pensar que nem sempre é por causa da culpa, mas também é a vergonha. Bom, só sente vergonha quem reconhece que foi o responsável pelo ato, ou de alguma forma, que reconhece-se como o culpado do praticado.

No texto do Freud "Totem e Tabu" temos uma descrição sobre a culpa como organizadora da sociedade humana. O texto parte de um pressuposto muito mais antropológico, dialogando com Levi-strauss sem deixar de lado o darwinismo característico de muitos escritos de Freud.

É na culpa, como castigo auto infligido, que surge a nossa sociedade.

E a vergonha?

Diante da culpa o primeiro sentimento que se segue é a vergonha, ao menos costuma ser. Enquanto a culpa é algo mais primitivo, que muitas vezes demora a aparecer, como nas depressões tradicionais, como no luto por exemplo, a vergonha aparece como um sinal, um sinal de que fiz algo e alguém viu, mais especificamente alguém que não deveria ter visto.

A vergonha leva-nos a nos esconder tanto de quem não deveria ter visto (como Adão e Eva no paraíso) como, tentar esconder o que foi que aconteceu. As vezes escondemos tão bem, que o acontecido fica recalcado, reprimido, inconscientemente e somente com uma análise profunda conseguimos nos libertar do peso da vergonha e da culpa adjacente.

A vergonha aparece e neste movimento de esconde-esconde, nossas energias ficam mobilizadas para um ideal de auto preservação que nos levam a morte. Como uma bola de neve, as coisas vão sendo encobertas e chega um momento que toda nossa vida acaba girando em torno de uma mentira, descobrimos então que não podemos ser nós mesmos, ou senão algo de muito ruim pode acontecer. Ao menos esta é a sensação.

O problema é que o "algo ruim" é na verdade o reconhecimento da culpa. Este responsabilizar-se pelo ocorrido é o primeiro passo para a uma mudança efetiva e então, de acordo com esta atitude, não apenas o receonhecimento da culpa, mas também de muitos sentimentos ruins que estão atrelados a ela. É como abrir a caixa de pandora onde primeiro saem as pestes, as guerras, os sentimentos mais podres da humanidade que habitam em nós, o desespero, o desamparo, o medo e até mesmo a morte, para que depois de tudo, a esperança possa surgir triunfante como a última coisa que da ao homem a chance de viver e ser feliz.

Seja no mito grego da caixa de pandora, ou no cristianismo com o reconhecimento de sermos pecadores, ou ainda na psicanálise com a consciência da culpa, tudo isso na verdade quer dizer apenas uma coisa. 

Um pouco mais além existe a esperaça, um pouco mais ao fundo é possível uma mudança, depois de sentida a culpa ela não é rechassada, mas assim que é aceita, ela nos traz a possibilidade de nova vida, de partir de um princípio de seres culpados, para um outro fim que não o de culpados.

A culpa é a sentença de morte de alguém, mas reconhecê-la é o início da ressureição, porque simplesmente a partir dela podemos pensar em uma reparação do que foi danificado, uma reparação não de um objeto externo, mas de nós mesmos que fomos destruídos pela vergonha.

Saímos então da morte da vergonha, para a vida de culpados, mas uma vida em que, de alguma forma, sentimo-nos aptos a pagar a pena em que nós mesmos fomos os juízes. Em outras palavras, este pagamento nada mais é do que permitir a virtude florescer.

E como sabemos, as virtudes são o que de mais sublime podemos fazer, podemos ser. Sem nunca deixarmos de lado a lembrança da culpa, mas indo além, indo em direção a uma forma diferente de existir que coexista com a culpa, porque de alguma forma ela sempre estará lá, nos lembrando de nossas fraquezas, mas ao mesmo tempo nos mostrando que é exatamente ali, naquele esterco onde pode florescer o jardim mais belo e perfumado, onde pode haver o encontro consigo mesmo, onde pode existir o encontro com Deus.


quarta-feira, 1 de junho de 2011

Entra e fica um pouco mais...

No coração temos sempre que guardar um lugar para as visitas. 

Existem vários tipos de visitas que podemos de alguma forma "catalogar".







Visita de estranhos:

Aquele tipo de visita que temos no trabalho, no ônibus, no elevador. Com um garçom, com um pedinte, com uma criança, com alguém que não conhecemos, mas que de alguma forma passa por nós. Um sorriso, um bom dia, um olá, um trocadinho, um doce, um beijo, um aperto de mão, essas coisas da cordialidade costumam dar conta destes visitantes.

Neste caso, não temos muita expectativa, as vezes nenhuma, e costumamos nos surpreender com um sorriso, um olhar mais doce, ou até mesmo lágrimas. São o que mais me surpreendem pela espontaneidade, pela transitoriedade do momento, do contato.

Visita de pessoas queridas:

Esta visita é muito importante para nós. Não temos muito o que dizer a estas pessoas, mas parece que em nosso coração de alguma forma guardamos um sofazinho especial. Um jeito de ser um pouco diferente, onde do sofá estas pessoas conseguem ver partes da casa e ter acesso à cozinha, à varanda, à piscina (porque não?). Conseguem passar um tempo maior conosco e ficamos com a impressão de que sempre que passam deixam queremos que retornem em breve. 

Seja por discussões mal resolvidas, por brigas que não acabam, ou ainda e principalmente porque assim como nós os queremos bem, eles também nos colocam no sofazinho especial.

Não importa muito, falarmos de nós para estas pessoas, queremos na verdade é saber delas. Descobrir que estão bem, felizes, e saudáveis nos fazem com que fiquemos bem, tranqüilos. 

Este tipo de visita costuma demorar o tempo necessário, as pessoas costumam incomodar-se um pouco com a presença um do outro e logo logo se despedem, na esperança de aquele seja apenas mais um de muitos outros no futuro.

É na verdade a ausência que faz com que a presença seja sentida, e especialmente essas pessoas sempre demarcar qual lugar em nossas vidas elas ocupam. Deixam nossa existência mais leve, mais interessante e também muitas vezes, dão um outro sentido, nos possibilitando uma forma diferente de olhar as coisas, pessoas e tudo o que nos acontece. 

São presenças importantes de tempos em tempos, fazem falta no dia a dia e sempre que possível costumamos dar alô, seja por e-mail, telefone ou uma visitinha inesperada.

Agora vamos falar sério.

Visita dos que amamos e nos amam:

Se eu pudesse resumir em poucas palavras estas visitas, resumiria como casa da vovó.

Pelo menos para mim, não tem lugar melhor.

É de uma forma simples e sem muita importância que essas pessoas passam em nossos corações até, muitas vezes, desapercebidos. São nossos familiares, nossos amores, nossos melhores e mais queridos amigos. Passam desapercebidos porque sempre estão por perto, não nos deixam em paz, trazem movimento em nossas vidas e nos ajudam sempre a construir nossa rotina.

São essas pessoas que dão um significado em nossas vidas e custam em permitir que nós mesmos damos nosso significado. É impossível dizer que isso é bom, mas é exatamente o sentido que eles dão para nossa vida que nos faz viver e um dia, nos permite ao menos uma vez repensar nossos valores, nosso ser, nosso próprio sentido.

São essas pessoas que costumamos dizer, entra aqui e fica um pouco mais.

São essas pessoas que quando partem sofremos desesperadamente, mesmo sabendo que com elas não existe um adeus. Mesmo compreendendo no coração e na razão, que sempre, onde quer que estivermos eles estarão lá, em nós e conosco, seja com corpo e alma, seja apenas com a alma, seja com as orações, mas sempre presentes.

São essas pessoas que queremos partilhar as boas e também as nem tão boas notícias da vida.

Com estas pessoas as surpresas não são tão comuns, na verdade são raras. Sabemos sua forma de sorrir, de chorar, de lamentar, de agradecer, de desculpar, sabemos mais um menos sua forma de ser. E é gostoso que seja assim. É gostoso não porque é fácil, nem porque é cômodo, mas é justamente porque assim como na casa da vovó, é o único lugar que temos como referência e que não importa aonde formos e por onde passamos, com essas pessoas sempre encontraremos um quarto com a cama arrumada para repousar.





segunda-feira, 30 de maio de 2011

O futuro que nos pertence...

Ter um desejo e mantê-lo, mas até quando?

Até quando um desejo é prazeroso e nos mantém em um reto caminho para que ao final nós enfim conseguimos conquistá-lo?

Até que ponto nossas atitudes, no presente, realmente irão nos garantir com alguma segurança um futuro no qual iremos gozar de nossa árdua labuta diária?

Qual é o método de segurança, cientificamente falando, que nos permita ter alguma segurança de que o que fazemos hoje realmente está sendo contado e no fim, validará nossos esforços com o prêmio almejado?

Essas perguntas permeiam nosso cotidiano de uma forma até que absurda. São tão fortes nos nossos afazeres diários, no nosso cotidiano, que se não estão em evidência, ao menos aparecem em alguns momentos de lapsos, quando as defesas caem, e no mercado, compramos dois pacotes de macarrão, um para hoje e outro para amanhã.

Nada me garante que estarei vivo amanha, como diz a Sagrada Escritura, mas não quero partir para este extremo. Quero antes de tudo deixar claro uma e tão somente única coisa. A única "coisa" que me garante algo é justamente a inexistência de garantias.

É na inexistência de garantias de um futuro que estudo, que trabalho, que me alimento um pouquinho mais e acabo engordando. Sempre engordamos pois nunca sabemos quando irá faltar. Este pensamento, mesmo que inconsciente, move nossa vida de alguma forma como uma marionete é movida. Compro um, dois livros, até três, pois preciso engordar as idéias, vai que um dia me falte. Compro duas lasanhas de caixinha, uma de cada sabor, vai que amanha me falte para comer.Vou na oficina arrumar o carro, limpa aqui, limpa ali, troca isso, aquilo, dá uma olhdinha ali também, nunca sei quando vou precisar/poder voltar.

Uma hora falta comida, outra hora falta informação, falta maiores explicações, nunca estarei 100% garantido, 100% sabido, 100% compreendido, sempre faltará alguma coisa, sempre haverá um espcinho para ser tamponado por alguma coisa. Sempre faltará, nunca completo, nunca finito, nunca satisfeito, nunca garantido.

Movemo-nos na construção de um futuro, baseando nosso presente em uma falta. Este movimento do desejo, da busca por uma completude, por uma suficiência é interessante e até que de certa forma muito necessário, porém existe um outro caminho.

Escrevo isso, caros leitores, como uma carta para mim, para você, para quem precisar sair um pouco da rotina do falta-me por isso busco, por isso faço, por isso e em função disso vivo.

Apresento um outro caminho, o caminho monástico das pedras.

Uma inversão radical, mas possível na forma como me compreendo e como desejo viver. Um ideal, e por isso mesmo uma constante busca, compreendendo que, como escrito anteriormete, só busco porque me falta esta forma de ser, esta forna de viver.

Vivo, por isso falta-me, por isso busco, por isso desejo.

Vivo, por isso faço de minha falta um desejo de caminhar. Não caminho porque me falta algo, ao contrário, me falta, por isso caminho.

Reconhecer que falta-me ser, que falta-me existir um pouco mais, que falta-me tentar outra vez, reconhecer em meu cotidiano, no presente que faço isso não em nome de um futuro, mas em nome de uma falta que busco com as minhas condições, não tamponar, mas de alguma forma suportá-la faz toda a diferença.

Suportar a falta, o buraco vazio, o sem sentido do sentido da vida, e com isso elaborar uma nova e radical forma de viver.

Parece simples tudo isso, mas não é.


Nos mosteiros beneditinos há uma forma serena de levar a vida. Não porque é fácil, mas porque lhes falta sempre alguma coisa, e nestas faltas há um movimento, não para conseguir algo, mas para reconhecê-la e aceitá-la com todo amor. A falta de Deus e esta falta eles buscam não completá-la com outras coisas, e nem com o próprio Deus, pois Ele está em outro plano, como no labirinto, em que a proximidade de seu fim ultimo e desejo, é na verdade o reconhecimento de um longo caminho ainda a percorrer.


Reconhecer a falta e poder estar em paz com ela, pois ela não é preenchida com coisas, e muitas vezes, muito menos com sentimentos, com afetos, é de uma falta real, falta de sentido, vazio.

Reconhecer que entre eu e meu desejo mais profundo, o de um futuro no qual eu esteja seguro na verdade não é um futuro possível, a segurança de ter nosso objeto de desejo só nos deixa em duas posições, a primeira como eu desejo e corro atrás para satifazer-me com o que posso. A segunda é a forma de vida mais filosoficamente ligada ao monges, aos cristãos primitivos. Existe uma falta, que eu não posso suprir, existem coisas outras que eu não posso dar conta, e aceitá-las é, de uma forma ou de outra, apenas viver o luto de uma ideologia em que eu poderia de certa forma ter tudo, de ser tudo, de ser todo.

Passo então de construidor de um futuro "enlatado" em meu desejo e correndo muitos riscos de frustrações desnecessárias para um luto de uma idéia, de uma forma de vida, de mim mesmo como alguém que quer construir algo em torno de uma falta, de um desejo, para uma outra pessoa, uma outra posição.

Esta nova posição me permite ver a falta, senti-la, e de alguma forma, construir não sobre ela, mas de um jeito independente dela. Ser faltante e compreender isso, mas não dar valor ao que falta, que por sinal é "invalorável" mas apenas ser um faltante a mais, e construir ao lado da falta, até mesmo com a falta uma nova vida.

E por acaso não é isso que fazemos quando nos damos conta que não temo dinheiro para pagar um Iate ou um Jatinho particular?


sexta-feira, 27 de maio de 2011

Ser ou não ser (TEORIA) - Eis a Questão (prática)

Continuação do post anterior - Ser ou não ser (teoria):

Recebemos então um nome ao nascer e com este nome todo um desejo de pessoas que nos geraram, ou ainda, que nos deram este nome.

É muito interessante saber da onde veio o nome de cada pessoa. Acho que ainda mais interessante é descobrir as lendas e mitos que explicam o porque, a história de nossos pais terem colocado este nome na gente. É no mínimo muito engraçado.

Alguns casais por exemplo, escolhem o nome muito antes de seus filhos sequer aparecerem enquanto zigoto. Antes mesmo de qualquer vontade de engravidar, o casal já vai escolhendo o nome dos filhos. Mesmo que os filhos demores mais de 10 anos para poderem existir. ´

O nome das pessoas ainda remete ao seu passado, mas também ao que é esperado dele para o futuro. Colocamos no nome um desejo e, a partir deste desejo, esperamos que tudo se realize. Como nos casos em que o casal escolhe o nome de Felipe porque lembra um amigo muito engraçado, ou espera que a criança seja sapeca.

A coisa do nome realmente me intriga e intriga muito. Na falta de um objeto real e da permissão para que aquela pessoa possa se desenvolver como sujeito, antes mesmo de qualquer indício de existência já existe um nome, já existe um desejo. Isso na teoria lacaniana chamamos de desejo materno, função materna, que é o desejo pela existência de um não existente ainda. Isto é extremamente importante para o início, para o desenvolvimento de cada pessoa, mas pode ficar complicado...

Responder sempre ao desejo do outro, ser exatamente sempre aquilo que esperam de você é destruidor da existência humana. Arrisco-me até mesmo a comparar esta total devoção e entrega ao que o outro quer de mim à inexistência de um sujeito, de alguém, de um ser.

Muitas pessoas reclamam que são isso ou aquilo, mas nada fazem para mudar. Ficam sempre na mesma posição, como se seu nome atingisse tal grau de identificação com as coisas que a pessoa representa, que poderíamos dizer que o nome de determinada pessoa virou até mesmo adjetivo, qualidade.

Perde-se justamente a dimensão do sujeito, da pessoa, para ser apenas aquilo que a pessoa é, e não tudo aquilo que ela também pode ser.

De alguma maneira a posição adotada pela pessoa em relação ao seu nome (aquilo que a representa) pode ser boa ou ruim. Podemos criar super heróis, como o Batman, que seu nome torna-se muito além da pessoa que ele é, assim como o homem torta (personagem do homer simpson) onde o herói acaba tornando-se alguém outro, o nome não pode ser identificado com ninguém. Mas temos também o lado dos vilões, como em Harry Potter em que o nome não pode nem ser pronunciado.

A questão real é que, ligado ao nome, existe toda uma história, todo um jogo de relações já estabelecidas e que não desaparecem simplesmente porque fulano mudou, ou porque fulano morreu. Justamente assim como as transformações pessoais demoram, levam tempo, não são fáceis, assim também são as mudanças que devem ocorrer diante dos outros. Algumas coisas mudam, outras não, até que um belo dia, depois de muito penar, muitos mal-estares e novas percepções, as pessoas percebem que algo mudou, está diferente e começam a verem uma nova pessoa para além do nome.

Na prática, "ser" está muito mais ligado com o outro do que consigo mesmo. O ser construído através do desejo do outro pode se concretizar, eliminando todo o sujeito (como na paixão), assim como pode abrir novas perspectivas de relações, de existência (como é o caso do amor). O que importa na verdade acaba sendo que entre o ser e o não ser ocorre um movimento, como que um vai e volta, como uma relação dialética e que, caso a pessoa esteja presa no ser, será aquilo, cristalizada, morta para sempre no desejo dela, ou de outra pessoa.

É apenas no não ser que se dá o movimento de ser algo a mais, de poder ser diferente do que se é, mesmo que seja parodoxal este pensamento, é apenas ainda não sendo o que tanto busco, que tenho o prazer de buscar, a possibilidade dde um dia ser o que tanto quero. Uma vez que se é, se é e pronto, mas devemos sempre lembrar que existem outras possibilidades de ser, existe sempre um algo a mais que nos movimenta para frente.

E então? Quem, ou o que, você quer ser? Não importa, simplesmente seja, exista, viva!!!

terça-feira, 24 de maio de 2011

Ser ou não ser (TEORIA):

"To be or not to be" em Hamlet do mestre Shakspeare.


As pessoas buscam tantas coisas nessa vida que acabam se perdendo dentro de si mesmas. As vezes buscamos explicações, buscamos razões, buscamos tanta coisa que nos indique quem somos nós que acabamos deixando de lado nossa definição mais trivial e também aquilo que mais fala sobre quem sou eu. Nosso próprio nome.


Nosso nome não diz muito da gente, mas diz sobre quem sou eu. Diz que há alguém que existe para um outro e que neste existir para alguém espera-se algo dele, tanto de quem existe, quanto do outro que me permite existir.

É interessante ver como dizer o nome de alguém pode mudar toda a história de um objeto, animal, ou mesmo e principalmente, de uma pessoa. É interessante saber que as pessoas que mais marcam nossas vidas são aquelas que de uma forma ou de outra, jamais esqueceremos seus nomes. Podemos esquecer quem são, o que fizeram, ou ainda nem sequer lembrar da voz, da fisionomia, ou do porque que ela foi um dia importante, mas seu nome, é muito mais díficil de ser esquecido.

Lembro-me do nome de duas professoras que tive. Uma delas pegava muito no meu pé e eu a odiava. Era professora de português e como eu odiava aquela mulher que todo dia brigava comigo porque eu não fazia a tarefa. Final do ano lembrei-me de estar feliz porque ganhei uma estrelinha por uma "redação" que eu havia escrito. E hoje meus amigos, só lembro-me do nome dela, Patrícia.

Seu nome me remete a uma parte de minha história. Claro que o nome não quer dizer que seja ela, mas por alguma razão o nome dela condensa todo o ser que ela foi pra mim naquele momento.

É o nome que procuramos desesperadamente lembrar quando encontramos alguém na rua.

Quando alguém não lembra nosso nome, ficamos sentidos, parece que não significamos nada, ou que fizemos muito pouco na vida do outro. É sempre ao nome que estão ligados uma série de sentimentos bons e ou ruins que guardamos. Alguns dizem "Não quero nem ouvir o nome de fulano".

É esta parte de nós, parte falada, que nos define enquanto pedaço de história na vida do outro, enquanto alguém que é, que existe e que também ocupa um espaço, mais ou menos bem difinido, na linha do tempo.

É legal pensarmos o nome como uma continuidade genética. Passada de pai para filho, diferente do DNA este é visível. É o nome que nos identifica com uma causa, por exemplo quando estamos em um grupo e damos um nome ao grupo, muitas vezes nos identificamos tanto com a causa que aquele grupo passa a ser nosso sobrenome. Assim era feito na idade média com Dom Luíz de Bragança, por exemplo, ele é o Luiz que veio de bragança, pronto, tá aí o nome definindo quem é e da onde veio, e o que faz (dono de bragança).

Mas o nome é só um conjunto de letras que produz um som ao ser enunciado.

"O significante (nome) é apenas o som da palavra esvaziado de sentido, como uma palavra estrangeira desconhecida ou o nome próprio que, embora designe, nada significa. Se não se conhece ninguém que responda por aquele nome próprio..." (Quinet, A. "A descoberta do inconsciente")

É isso mesmo, assim como os nomes nos designam, nos colam a uma representação gráfica e também a uma representação de um som, eles nada significam, nada falam de quem o possui, ao não ser que quem o possui chama-se fulano ou beltrano.

O nome pode falar, pode representar, mas acima de tudo diz de alguma coisa, de alguém, mas sempre ligado a minha história, ao que eu compreendo por aquele significante, por aquele nome.

Isso faz uma diferença danada quando quando pensamos sobre a identificação e a dificuldade das pessoas serem de forma diferente, de mudarem, de serem alguma outra coisa diferente daquilo em que estão acostumadas a ser.

Aguardem para o prosseguimento deste texto: Ser ou não ser (Prática).

sábado, 21 de maio de 2011

A banda mais bonita da cidade:



Gente, um ótimo fim de semana a todos... Fiquem com esta banda maravilhosa, um som muito gostoso de ouvir e uma qualidade na produção do vídeo, na criatividade e no entrosamento que eu ainda não havia visto por aqui...

Abraços, fiquem com Deus e Lembrem-se que depois de Domingo sempre chega a Segunda-Feira, rs.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Sobrou muita coisa depois de perder...


É gente, os sonhos são assim mesmo, a gente os têm e depois dá um trabalho danado para des-sonhá-los...




Estava fazendo o balanço e comecei a riscar uma por uma minhas vontades. Toma nota e vai riscando: 

Óculos de sol ferrari ou da rayban 
Barquinho para pescar com motor
viagem ao paraguay
filmadora hd da sony
pedir a namorada em casamento
comprar um carro
comprar coisas novas
comprar novos livros
viagem no fim do ano
viagem no começo do ano
pagar contas
ver apartamento para morar
voltar para terapia

Bom gente, tem muito mais coisas que não conseguirei mais tão cedo, mas tudo bem, pelo menos por enquanto. Agora eu estava percebendo neste movimento de riscar sonhos que todos eles se resumem a uma única coisa: Dinheiro.

As pessoas ao lerem este post podem estar pensando: "mas como assim? Eu não achava ele tão materialista como esse cara deste post riscado." É que percebi que o que foi riscado, os sonhos que me foram postergados, não era O sonho real. Este continua imutável, idealizado para um futuro incerto do qual talvez eu nem me de conta de sua inexistência. 

De fato, o que restou foi a essência de uma possibilidade que estava guardada por trás de todos estes bens de consumo. O sonho de passar no mestrado e continuar minha vida acadêmica escondia por trás um certo orgulho, mas também uma paixão, um tesão (não tão recalcado assim) de estudar mais e mais, de poder ganhar dinheiro com os estudos ao invés de apenas gastar, e também, lá no fundo, de ser uma pessoa melhor.

Vejam que parece que está intimamente associado o mestrado com todas essas condições que eu coloquei ali em cima. Mas por favor, não caiam no mesmo engano que eu. 

Não tem nada a ver isso tudo com passar ou não no mestrado, o que tem a ver, e ainda por cima porque eu quis que assim fosse, é simplesmente que eu colei estes meus ideais pessoais a um outro ideal social: o título acadêmico. 

Não é fácil reconhecer que errei. Não é fácil olhar-se no espelho e pensar que este lambari estava caminhando perigosamente no meio de tubarões. É que tubarões não comem lambaris, mas a arrogância do lambari, assim que fosse a um rio menor e encontrasse piranhas, iria passar pensando que é tubarão, não sobraria nada de mim.

É minha gente, não foi um erro tentar, mas pensando bem, foi erro achar que eu estava pronto para este desafio, este tão grande sonho que ficou para depois. Adiado indefinidamente, mas para um momento no qual eu de conta ao menos de mim mesmo.

É impressionante saber que mesmo com análise, amigos, espelhos em nossas casas, ainda colocamo-nos em um lugar que não diz de nós mesmos no hoje. Parece-me que quando se trata de sonhos, não saímos ainda do "estagio do espelho" como diria Lacan. Olhamos para o espelho e já nos vemos inteiros, nos percebemos dentro do sonho, mesmo sem ser aquilo tudo ainda.

Quebrar o espelho e ver-se em cacos, em pedaços, ver-se faltante, ver-se real, é aterrorizante para alguns. Para mim já foi muito mais do que é hoje. Afinal de contas, se me falta é porque ainda tenho muito para conquistar, muito para crescer, muitas coisas para fazer. E como gosto desta posição de não todo, de faltante de buscante (esse termo é meu hein gente, rsrsrsrs). 

Resumo da ópera, ao contrário do que algumas pessoas podem estar pensando, não estou triste, passei na prova, no mais difícil, mas não posso dizer que estou feliz por ter sido desclassificado, apenas estou olhando para o chão, revendo os pedaços que quero que fiquem e tentando de alguma forma reconstruir com os cacos um lindo mural, sem separar sonhos de realidade, mas montar dessa vez da forma como eu quiser, da forma como eu me vejo, ou ainda, como eu gostaria de ser.

Fazer arte, nos dois sentidos, porque afinal de contas o sonho não acabou e o artista de minha própria história e vida, com a ajuda de Deus, sou eu...

Daniel Toledo e o Homem Espelho

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Eventos em Psicanálise.


É com grande alegria que convidamos a todos os interessados no estudo da Psicanálise para participar dos “Encontros Temáticos em Psicanálise e Grupo de Estudos em Psicanálise de Londrina”.



Nossos encontros têm como objetivo apresentar os elementos fundamentais da possibilidade de um percurso analítico como experiência subjetiva. Diante do mal-estar do sujeito (inibições, sintomas, angústias) a experiência analítica se constitui como um percurso que vai da implicação subjetiva à des-subjetivação. Isso significa localizar o nosso mal-estar, no seio das nossas fantasias, do imaginário da nossa vida, da posição que ocupamos como sujeitos, das nossas relações simbólicas e do real que, como o estranho, habita no mais íntimo e não cessa de insistir não se inscrevendo. Certamente, estaremos tratando de uma teoria do sujeito e de elementos clínicos.


O estudo se apoiará em elementos teórico-práticos tornando utilizável a linguagem freudiana-lacaniana. Serão utilizados como referência textos de Freud e Lacan, mas também da tradição filosófica, dos debates da filosofia contemporânea (ou seja, do que hoje se discute entre os principais grupos de pesquisa em filosofia e psicanálise), do cinema e da televisão.

Ministrante: Prof. Dr. Daniel Omar Perez – Filósofo/Psicanalista/PUC/Curitiba
Coordenadora: Sandra Regina Turke – Psicóloga/HU/UEL
Estamos esperando por vocês!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Escolhas - A dor de um passo a mais.

Cada passo que damos é uma escolha, um fim de um passo dado anteriormente e o início de outro que ainda virá. Cada passo tem a dor de milhares de células que morrem, desfalecem, capilares que explodem e implodem  gerando micro-hemorragias para que o movimento continue.

O preço pago já está imbutido na conta, o saldo do caminhar é o de sair daquele lugar, mudar de posição, ir para frente ou para traz, ter liberdade. A liberdade de movimentar-se tem um preço biologicamente já bem calculado, salvo quando as patologias orgânicas ou psíquicas interferem e colocam o preço muito acima do que pode ser pago, este movimento de um simples caminhar chega a ser até mesmo considerado natural, simples, cotidiano.

Assim também é o movimento que deveríamos ter em nossas vidas. Sempre permitindo-nos estar frente a frente com as possibilidades infinitas do ser. Deveríamos poder renunciar as mortes de pedaços de nós mesmos a cada escolha para sermos diferentes, nem mais felizes, mas também não mais tristes. Simplesmente diferentes e nessa diferença simplesmente ser.

As mudanças em nossas vidas são tão naturais, que podemos até dizer, que assim como no caminhar, no gesto do passo dado, não ficamos pensando e enlutados por cada célula que morre, por cada movimento que ao ser escolhido deixa a infinita possibilidade para trás, assim também deveríamos pensar nossas vidas. Não ficamos calculando passo a passo como mover nossos braços para pegar um objeto, e que ao pegar determinado objeto outros acabam sendo deixados de lado. Os bebês vivem muito isso em suas realidade quando querem tudo, pegam e pegam e pegam, até estarem cobertos e mesmo assim ainda querem, mas não podem ter, falta bebê para tantas coisas.


Por alguma razão a gente cresce e esquece de que falta "eu" para tantas escolhas, e que de certa forma, escolher entre uma e outra coisa é renucnciar a uma possibilidade diferente de ser, de existir, de compor-se. 
A dor não deveria ser do luto das escolhas perdidas, mas da dificuldade em manter esta escolha, da dificuldade que cada escolha nos traz, dificuldade esta que nos deixa duas opções: desistir ou lutar.


Assim como  bebê troca facilmente um brinquedo querido e menor por um novo e bem maior, mesmo sem conseguir (ainda) manipula-lo como deseja, aquele objeto que despertou sua atenção torna-se um desafio, e não importa o quanto tempo demore até que chegue o dia para ele usufruir de seu objeto de desejo tal como ele imaginou, ele irá ficar lá, tentando com o que tem, fazendo o que pode.

Um adolescente não se aguenta de ansiedade para completar 18 anos, tirar carteira, dirigir o carro, até que pode, e quando pode suas vontades são outras, muda de desejo porque aquilo ele já pode, já tem, pode partir novamente para as infinitas possibilidades e ainda mais que lhe foi possível pela conquista do direito de dirigir. O bebê depois que cresce pode ter até mais brinquedos (que eram gigantes) e manipulá-los todos com mestria, pode mais, e de alguma forma se nada impedir poderá possuir não só brinquedos, mas também livros, pilhas, até que um momento poderá até mesmo construir seus próprios brinquedos. 

Nossas escolhas também são como brinquedos, não podemos ficar pensando no que foi deixado para trás, mas pensar que depois de um passo dado, o passo que ficou para trás sempre nos deu uma passo a menos para chegar aos nossos objetivos. Acho que o pensamento deveria ser sempre de que ao invés de escolher algo para ser aquilo, de forma cristalizada e sem maiores opções, talvez, devessemos sempre escolher algo que me permita continuar escolhendo, que me permita construir meus brinquedos.

Na verdade nós somos nosso próprio brinquedo e contruir-se é o passo de cada dia, é a escolha que muitas vezes dói, mas que nem sempre se sente...

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Formação em psicanálise - Londrina-Pr

A formação em psicanálise é demasiada estranha.

Diferente das outras áreas onde surge um alguém com o saber e outros perguntando sobre lguma coisa referente ao sabe proclamado, neste fim de semana durante o grupo de estudos pudemos ter uma idéia da diferença entre o saber psicanalítico e os outros saberes.

Quase no final do dia eis que surge uma pergunta onde mobilizou algumas pessoas. Em meio a uma pergunta surgem respostas dos membros, respostas que não dizem de uma certeza, mas de uma forma como cada compreende aquele ponto da teoria. O professor Daniel sabidamente sentou-se na sua cadeira e foi ouvindo e vendo até onde aquela discussão caminhava, até onde os presentes estavam conseguindo chegar e acompanhar depois de todo um dia de aula.

Esta ferramenta que em outras áreas acaba levando os participantes a uma exaustão e criando de certa forma alguém além do professor com o suposto saber para responder a demanda criada em forma de pergunta, de alguma forma não ocorre entre um grupo de estudos em psicanálise.

Ao contrário da exaustão, em cada forma de compreender a teoria surgiam novas idéias, e também novas perguntas, uns auxiliando o outro a tentar chegar a um consenso no qual não é o de acreditar naquilo que o outro fala, mas apenas de compreender como o outro está pensando. Lembrando sempre que há no campo do outro um grande Outro (termo lacaniano que descreve uma sociedade assim como a mão invisível de Marx) que muitas vezes comum a todos ali do grupo, nem sempre diz sobre a mesma coisa da mesma forma. O consenso está no respeito entre um e outro e de alguma forma, aquele que sabe mais acabou sendo um dos que menos precisou falar pois quem compreendia um pouco ficou com o pouco que compreendia, quem compreendia muito ficou com o muito que sabia, quem não entendeu nada saiu de lá com a sensação de era algo diferente, uma forma diferente de estudos que está entre o debate, a aula, a exposição e acima de tudo a  percepção de que não é necessário entender tudo o que era falado porque afinal de contas estavamos todos aprendendo.

Lembrando que as inscrições ainda estão abertas tanto para o grupo de estudos quanto para os encontros temáticos. Qualquer dúvida podem perguntar...

Página de acesso para o GRUPO DE ESTUDOS EM PSICANÁLISE - http://mclmarco.blogspot.com/2011/03/grupo-de-estudos-em-psicanalise-uel.html

Página de acesso para os ENCONTROS TEMÁTICOS EM PSICANÁLISE - http://mclmarco.blogspot.com/2011/03/blog-post.html

Abraços e boa semana.

 
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