quarta-feira, 18 de maio de 2011

Escolhas - A dor de um passo a mais.

Cada passo que damos é uma escolha, um fim de um passo dado anteriormente e o início de outro que ainda virá. Cada passo tem a dor de milhares de células que morrem, desfalecem, capilares que explodem e implodem  gerando micro-hemorragias para que o movimento continue.

O preço pago já está imbutido na conta, o saldo do caminhar é o de sair daquele lugar, mudar de posição, ir para frente ou para traz, ter liberdade. A liberdade de movimentar-se tem um preço biologicamente já bem calculado, salvo quando as patologias orgânicas ou psíquicas interferem e colocam o preço muito acima do que pode ser pago, este movimento de um simples caminhar chega a ser até mesmo considerado natural, simples, cotidiano.

Assim também é o movimento que deveríamos ter em nossas vidas. Sempre permitindo-nos estar frente a frente com as possibilidades infinitas do ser. Deveríamos poder renunciar as mortes de pedaços de nós mesmos a cada escolha para sermos diferentes, nem mais felizes, mas também não mais tristes. Simplesmente diferentes e nessa diferença simplesmente ser.

As mudanças em nossas vidas são tão naturais, que podemos até dizer, que assim como no caminhar, no gesto do passo dado, não ficamos pensando e enlutados por cada célula que morre, por cada movimento que ao ser escolhido deixa a infinita possibilidade para trás, assim também deveríamos pensar nossas vidas. Não ficamos calculando passo a passo como mover nossos braços para pegar um objeto, e que ao pegar determinado objeto outros acabam sendo deixados de lado. Os bebês vivem muito isso em suas realidade quando querem tudo, pegam e pegam e pegam, até estarem cobertos e mesmo assim ainda querem, mas não podem ter, falta bebê para tantas coisas.


Por alguma razão a gente cresce e esquece de que falta "eu" para tantas escolhas, e que de certa forma, escolher entre uma e outra coisa é renucnciar a uma possibilidade diferente de ser, de existir, de compor-se. 
A dor não deveria ser do luto das escolhas perdidas, mas da dificuldade em manter esta escolha, da dificuldade que cada escolha nos traz, dificuldade esta que nos deixa duas opções: desistir ou lutar.


Assim como  bebê troca facilmente um brinquedo querido e menor por um novo e bem maior, mesmo sem conseguir (ainda) manipula-lo como deseja, aquele objeto que despertou sua atenção torna-se um desafio, e não importa o quanto tempo demore até que chegue o dia para ele usufruir de seu objeto de desejo tal como ele imaginou, ele irá ficar lá, tentando com o que tem, fazendo o que pode.

Um adolescente não se aguenta de ansiedade para completar 18 anos, tirar carteira, dirigir o carro, até que pode, e quando pode suas vontades são outras, muda de desejo porque aquilo ele já pode, já tem, pode partir novamente para as infinitas possibilidades e ainda mais que lhe foi possível pela conquista do direito de dirigir. O bebê depois que cresce pode ter até mais brinquedos (que eram gigantes) e manipulá-los todos com mestria, pode mais, e de alguma forma se nada impedir poderá possuir não só brinquedos, mas também livros, pilhas, até que um momento poderá até mesmo construir seus próprios brinquedos. 

Nossas escolhas também são como brinquedos, não podemos ficar pensando no que foi deixado para trás, mas pensar que depois de um passo dado, o passo que ficou para trás sempre nos deu uma passo a menos para chegar aos nossos objetivos. Acho que o pensamento deveria ser sempre de que ao invés de escolher algo para ser aquilo, de forma cristalizada e sem maiores opções, talvez, devessemos sempre escolher algo que me permita continuar escolhendo, que me permita construir meus brinquedos.

Na verdade nós somos nosso próprio brinquedo e contruir-se é o passo de cada dia, é a escolha que muitas vezes dói, mas que nem sempre se sente...

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Formação em psicanálise - Londrina-Pr

A formação em psicanálise é demasiada estranha.

Diferente das outras áreas onde surge um alguém com o saber e outros perguntando sobre lguma coisa referente ao sabe proclamado, neste fim de semana durante o grupo de estudos pudemos ter uma idéia da diferença entre o saber psicanalítico e os outros saberes.

Quase no final do dia eis que surge uma pergunta onde mobilizou algumas pessoas. Em meio a uma pergunta surgem respostas dos membros, respostas que não dizem de uma certeza, mas de uma forma como cada compreende aquele ponto da teoria. O professor Daniel sabidamente sentou-se na sua cadeira e foi ouvindo e vendo até onde aquela discussão caminhava, até onde os presentes estavam conseguindo chegar e acompanhar depois de todo um dia de aula.

Esta ferramenta que em outras áreas acaba levando os participantes a uma exaustão e criando de certa forma alguém além do professor com o suposto saber para responder a demanda criada em forma de pergunta, de alguma forma não ocorre entre um grupo de estudos em psicanálise.

Ao contrário da exaustão, em cada forma de compreender a teoria surgiam novas idéias, e também novas perguntas, uns auxiliando o outro a tentar chegar a um consenso no qual não é o de acreditar naquilo que o outro fala, mas apenas de compreender como o outro está pensando. Lembrando sempre que há no campo do outro um grande Outro (termo lacaniano que descreve uma sociedade assim como a mão invisível de Marx) que muitas vezes comum a todos ali do grupo, nem sempre diz sobre a mesma coisa da mesma forma. O consenso está no respeito entre um e outro e de alguma forma, aquele que sabe mais acabou sendo um dos que menos precisou falar pois quem compreendia um pouco ficou com o pouco que compreendia, quem compreendia muito ficou com o muito que sabia, quem não entendeu nada saiu de lá com a sensação de era algo diferente, uma forma diferente de estudos que está entre o debate, a aula, a exposição e acima de tudo a  percepção de que não é necessário entender tudo o que era falado porque afinal de contas estavamos todos aprendendo.

Lembrando que as inscrições ainda estão abertas tanto para o grupo de estudos quanto para os encontros temáticos. Qualquer dúvida podem perguntar...

Página de acesso para o GRUPO DE ESTUDOS EM PSICANÁLISE - http://mclmarco.blogspot.com/2011/03/grupo-de-estudos-em-psicanalise-uel.html

Página de acesso para os ENCONTROS TEMÁTICOS EM PSICANÁLISE - http://mclmarco.blogspot.com/2011/03/blog-post.html

Abraços e boa semana.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Afrodite

 
Do Livro - "Afrodite: contos, receitas e outros afrodisíacos." (Isabel Allende editora: Bertrandbrasil)
" É necessário anunciar agora, e peito aberto e antes que o leitor continue perdendo seu tempo com estas páginas, que o único afrodisíaco verdadeiramente infalível é o amor. Nada consegue deter a paixão acesa ed duas pessoas apaixonadas. Neste caso, não importam os achaques da existência, o furor dos anos, o envelhecimento físico ou a mesquinhez de oportunidades; os amantes dão um jeito e se amarem porque, por definição, esse é seu destino. Mas o amor, como a sorte, chega quando não é chamado, instala-nos na confusão e se desmancha como neblina quando tentamos retê-lo.

Do ponto de vista estimulante é, portanto, luxo de uns nquando afortunados, mas inatingível para os que não foram atingidos por seu dardo."

Parei depois destas palavras porque de resto não concordo, mas que é um livro muito interessante e com receitas ótimas de caldos, grelhados, massas, molhos, temperos e também as bebidas para acompanhar cada refeição, isso temos que concordar.

Recomendadíssimo, é um livro daqueles que chegam e deixam um gostinho de delícia, seja pelos contos, pelas receitas, e também pela informação histórica dos sabores que ele traz.

Para comprar o Livro clique aqui - Livraria Saraiva

Um grande abraço.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Real X Imaginário - 2


Real X Imaginário, está aí uma dupla que se organiza de tal forma que se tentarmos rever em nossa história, em nossas memórias, a diferença entre o que passou e o que foi criação psíquica, acabamos perdendo de vista a magia dos processos psíquicos.


De certa forma há um embricamento entre a realidade objetiva e a subjetiva. Por exemplo, o que aconteceu em determinda situação X e o que eu senti daquela situação, ambas são uma realidade, uma única realidade construída como ação (acontecimento) e reação (sentimentos) e uma outra realidade contruída imaginariamente, psíquicamente como fruto deste "arco-reflexo".

O problema é que há um cruzamento em que o que imagino da situação as vezes é um fator desencadeante de sensações (respostas) muito maior do que a realidade de fato. Neste jogo psíquico, podemos de certa forma, lembrar-mos de um acontecimento e sentir novamente as sensações mesmo tendo passado muito tempo depois do ocorrido.

Freud em seu texto "o inconsciente" irá descrever sobre uma caractérística do inconsciente humano exatamente pontuando que para o insconsciente não existe um antes e nem depois, não existe distância e muito menos oposição de idéias como existe na consciência humana. Bom, o texto sobre o inconsciente freudiano traz uma explicação muito interessante que podemos pegar como base para este processo de diferenciação entre realidade e imaginação.

Enquanto trabalhamos com o inconsciente não há uma diferença entre a realidade objetiva dos fatos e o que foi construído subjetivamente. Pelo contrário, tanto uma como a outra são de certa forma a mesma coisa, são representadas inconscientemente como reais. Isso faz toda diferença na compreensão das diferenças entre realidade e imaginação.

Imaginação só pode ser considerada como tal a partir do momento em que há um dado de realidade que organize este "imaginário", como por exemplo, imagino uma relação com alguém mas que na realidade sei que ela não existe. Conscientemente sei que um conto de fadas onde "viveram felizes para sempre" não é possível, sei que haverá discussões, desencontros, mal-estares, mas que talvez de certo, mesmo que não seja sempre bom, pode sim ser, de alguma forma, feliz para sempre.

O dado de real desta imaginação é a busca de um desejo infantil (feliz para sempre) se dá a partir do momento em que exista alguém para que eu me relacione, este alguém é a parte real, a relação que se contrói a partir daí será imaginada, esperada, sentida, mas nem sempre será, e também não precisa ser sempre, real. 

Perceba que até mesmo o dado real é na verdade composto pelo imaginário, porém é o desejo da busca que podemos chamar de real. Só poderemos também chamar de real se ele se realiza de fato, por exemplo o desejo de buscar só pode ser um dado real se a pessoa realmente busca, mesmo que nunca encontre, de alguma forma fica continuamente buscando. Podemos pensar então que se formos fazer uma "limpeza" de conceitos o que seria real seria do plano do corpo, seria o movimento, mesmo porque até mesmo as sensações perceptivas, como nos casos de panico e ansiedade generalizada, podem ser imaginadas e não um dado real que pode ser mensurado objetivamente. 

Em uma análise mais aprofundada temos então uma mesma coisa. A realidade e a fantasia, a imaginação estão inconscientemente ligadas de tal forma que não há uma separação, pelo contrário, não importa se o que você lembra é de fato o que aconteceu, o que acontece é que o que é lembrado (mesmo que imaginado e não real) faz de alguma forma deiferença em sua forma de compreender o fato. Mesmo que outras pessoas digam que não foi assim ou assado, o que é sentido continua sendo o mesmo, continua sendo aquilo que foi sentido (mesmo que imaginariamente ligado) naquele momento. 

Aí temos então o segredo de trabalhar com os sentimentos seja no presente ou através da fala do passado, ambos referem-se a um mesmo sentimento que é desencadeado por fatos distintos, mas que inconscientemente representam a mesma coisa, estão ligados a uma mesma memória seja esta memória real ou imaginada, ela é na verdade a mesma e única coisa, apenas aparece em momentos distintos, com fatos distintos.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Bom dia, só porque começou.

Hoje acordei e já coloquei um som para animar: IndieRock na Sky fm.

É super interessante e legal até acordar querendo ir trabalhar. Talvez sejam as boas notícias, talvez seja o friozinho que me desperta lembranças do inverno (ou seria inferno) norte americano e todo o trabalho pesado. Lavar o chão, limpar banheiros, Sair pra fora para respirar e congelar as remelas de tão frio que está...  É, talvez não seja isso.

O que posso dizer é que hoje parece que é dia de trabalhar, tem cara de dia de trabalhar.

Entrar aqui no Blog e postar isso aqui pra vocês, o que normalmente eu nem consideraria um post, mas sabem de uma coisa, é exatamente nestes momentos em que não damos muito valor para as coisas que somos realmente felizes. Quando esquecemos de dar ou tirar, quando apenas aproveitamos o que esta ali.

Uma vez meu avô me disse que eu falava demais e que para falar era preciso ter conteúdo. Bom, eu não queria ter conteúdo queria apenas ser escutado. É gente, quando a gente muito quer as coisas realmente tendem a nos decepcionar. Não porque exista uma lei, ou um cosmos conspirando para nosso favor ou contra nós. É porcausa de uma "maldita" expectativa que depositamos no não sabido, no esperado, no futuro, no outro.

O não sabido é divertido especialmente porque é não sabido, porque é possibilidade, porque é devir. Se colocamos nossas expectativas (quase sempre fazemos isso) deixa de ter outras possibilidades de ser bom, de ser gostoso, de nos fazer feliz e acabamos trancados dentro de um quadrado em que tentamos imprimir nossas cores dentro da parede.

Hoje é mais um bom dia porque não estou com expectativas nenhuma. Sei o que tenho que fazer, mas de alguma forma sei que farei tudo isso com muito prazer, simplesmente porque não estou esperando algum resultado do dia de hoje. Pela noite irei fazer o balanço e provavelmente deixarei algumas coisas de lado, algumas discussões, algumas alegrias, muitos sorrisos, reencontros, mas sabem, o dia sempre termina igual, com eu tentando dormir.

Já o começo do dia que eu não tenho muito controle sobre ele. É minha gente, o futuro a gente sabe o que vai dar, o que não podemos prever é como estaremos nos sentindo, mas a rotina estará lá. Só acaba o dia quando adormecermos. Quanto ao começo do dia de hoje, só posso dizer uma coisa:

Levantei e vou trabalhar.

Quero deixar meu abraço a todos os novos visitantes e usuários do espaço Psicotidiano, lembrando sempre que embora não tenha ainda muitos textos de leitores isso é porque ninguém nunca enviou para mim e pediu para publicar...

Se quiserem publicar algum texto basta enviar.

Abraços a todos e tenham uma ótima terça-feira.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Medicalização:



Longe de escrever um texto de descobertas e hipóteses, como Freud fez em "Além do princípio de prazer", queria apenas deixar minhas impressões tanto de estudos feitos para projeto de mestrado, quanto de reuniões do GEPPPI e também do Grupo de estudos em Psicanálise aqui de Londrina. Ou seja, estou colocando um ponto de vista embasado em minha pequena trajetória de estdudos sobre esse tema.

Muitos psicanalistas e psicológos que estudam a sociedade contemporânea apontam para uma maquinação em que o discurso científico (não é a ciência em si, mas a forma como ela é compreendida e falada pelas pessoas) tornou-se, ou está para se tornar, uma verdade absoluta. A verdade de que enfim, ou de que logo logo, a ciência poderá dar conta de tudo. Lerbun, em seu livro "Um mundo sem limites" coloca que o discurso científico hoje está como que buscando tornar-se o discurso do senso comum, ou seja, a ciência e seu diuscurso acessível a todos os homens. Com este pensamento de Lebrun, a ciência portando a bandeira de que pode tudo, estaria no centro do discurso de todos os homens e mulheres da contemporaneidade.
Mas o que seria este tudo?

Tudo que possa ter relação com o humano. Desde as necessidades mais básicas como a tecnologia que provê novas formas de locomoção e de utilizar o fogo para o cozimento dos alimentos, até mesmo ao que concerne ao plano subjetivo, com as medicações anti-depressivas, ansiolíticas, entre outros.

Claro que não sou contra o uso de tais ferramentas científicas, mesmo porque não gosto de carne crua e o arroz fica simplesmente impossível de comer. Muito menos sou contra à utilização da medicação nos casos necessários. O que acontece é que muitas pessoas pensam que há uma sociedade que simplesmente recorre aos medicamentos de forma "erronea" quando na verdade a coisa é um pouco mais profunda do que parece.

Vamos aos fatos.

Há poucos séculos atrás, o responsável por conter o mal da sociedade era a igreja em seus representantes diretos, os padres, bispos e religiosos. Hoje em dia temos a impressão de que com o avanço científico, a ciência pode tudo, inclusive aliviar-nos de qualquer mal, de qualquer problema, basta que disponibilizemos as ferramentas que ela oferece. Sim, estou dizendo que trocamos um pelo outro. Trocamos um discurso voltado ao sobrenatural, que muitas vezes resolvia sim os problemas de quem os procuravam (mesmo que hoje possamos compreender como errado, era o que se tinha como solução e como tecnologia do momento) para um discurso voltado ao natural, onde a natureza é como uma equação matemática que deve ser descoberta e com isso pode-se modificar e utilizá-la da forma como for necessária para obter os devidos resultados esperados.

Os medicamentos sã a prova desta nova forma de pensar. Tudo que contém nos medicmantos são encontrados na natureza, de uma forma ou de outra, mesmo aqueles que são composições químicas de alto grau de complexidade, os elementos que formam estas composições podem ser retirados da natureza com os metódo próprio para esta função.

Confia-se então em um discurso em que quando o homem por si mesmo não dá mais "conta do recado" ele recorre ao que a ciência pode lhe dar. Antes recorria-se com muito maior frequência aos rituais religiosos, hoje, voltamo-nos aos rituais científicos, por assim dizer. Claro que isto se dá devido a uma maior eficácia deste sobre o primeiro na maioria dos casos. Como ritual podemos pensar na pessoa que vai ao médico e depois recebe a ordem de tomar dois comprimidos por dia por uma semana. Na hora marcada, lá está ela cumprindo, algumas mais e outras menos, obsessivamente este ritual no qual irá funcionar.

Mas e quando ele falha? Parte-se para o discurso de que o medicamento deverá ser trocado, pensa-se em outro e depois em outro, e depois em outro. Até que uma hora ou cura-se ou volta-se para o mais primitivo, ou seja o ponto anterior à ciência que é a religião. Não estou dizendo de forma alguma aqui que uma é melhor do que a outra, só estou dizendo como ocorre na maioria das vezes quando a doença, ou o problema vai um pouco além das ferramentas que a ciência pode oferecer. São realmente poucas as pessoas que a partir da fragilidade científica dedicam-se a uma forma científica de elaborar outra ferramenta, como os pais de Lorenço no filme "O óleo de Lorenço".

Hoje há um movimento quase que frenético pela busca de medicamentos, ou seja, das ferramentas científicas disponíveis para a cura, o tratamento, ou a solução dos problemas que o homem por si só não consegue resolver.

A ciência e seus frutos passam a ser este Outro, que capaz de tudo para o bem do humano, torna-se muito mais do que ela é e deveria ser, torna-se um outro capaz de prover, sustentar e ainda por cima retirar o ser humano daquilo que lhe é mais íntimo e precioso, ou seja, retira o ser humano dele mesmo, de sua vida, de sua história.

Como exempplo eu poderia citar inúmeros artistas que utilizam um comprimido para dormir, outro para acordar, um para comer e outro para ir ao banheiro, outro para parar de comer, um para ir trabalhar e outro para acalmar-se pois trabalhar demais faz mal, mas também tem o remédio que possibilita este trabalhador ficar "sozinho", mesmo porque ficar só é angustiante, aí temos um remédio para atenuar a angústia, etc.

Diante da solidão e do desespero, da falta de sentido real que é a vida, recorre-se a um outro, o que antes era uma pessoa, mas que agora aparece sem rosto, seja numa receita médica, seja na televisão, seja na internet, para que o humano amenize o sofrimento do viver. Amenizar tudo bem, mas estamos chegando a um limite em que as pessoas acabam com este sofrimento e de alguma forma, depois de tornarem-se "não sofredores" percebem que suas vidas não são vidas, ao contrário, passaram de humanos para serem máquinas, viva a evolução...

sábado, 7 de maio de 2011

Assoar o nariz, café e sexo são os principais motivos de derrame...

Gente, coloquei aqui este "artigo" que vi no UOL noticias...  - http://noticias.uol.com.br/bbc/2011/05/06/cafe-sexo-e-assoar-o-nariz-sao-principais-gatilhos-de-derrames-sugere-estudo.jhtm



Café, sexo e assoar o nariz podem aumentar o risco de se sofrer um derrame, segundo uma pesquisa feita na Holanda.

O estudo feito com 250 pacientes identificou oito fatores de risco que estariam ligados a sangramentos no cérebro.

Todos eles aumentam a pressão arterial que podem provocar ruptura dos vasos sanguíneos, de acordo com pesquisa, publicada na revista especializada britânica Stroke.
O sangramento pode acontecer quando um vaso sanguíneo enfraquecido, conhecido como um aneurisma cerebral, estoura. Isso pode resultar em danos cerebrais ou morte.

Os pesquisadores do University Medical Center, em Utrecht, acompanharam 250 pacientes durante três anos para identificar o que provoca derrames.

Todos os fatores citados na pesquisa aumentam a pressão arterial capaz de resultar em ruptura dos vasos sanguíneos, de acordo como estudo.

Segundo a Stroke Association, uma entidade assistencial britânica voltada para o tratamento de acidente vascular cerebral (AVCs), serão necessárias mais pesquisas para verificar se os fatores citados podem de fato provocar derrames.

Apenas no Reino Unido, mais de 150 mil pessoas sofrem de um AVC por ano, dos quais quase 29 mil se devem a sangramentos no cérebro.

O estudo revelou ainda que café foi o responsável por 10,6% dos casos em que o aneurisma rompeu. Exercícios vigorosos e assoar o nariz foram os "gatilhos" de derrames respectivamente em 7,9% e 5,4% dos casos. Fazer sexo e fazer esforço para defecar responderam por 4,3% e 3,6%.

De acordo com a neurologista Monique Vlak, autora do estudo, 'todos esses fatores induzem a um súbito aumento da pressão sanguínea, o que parece ser uma causa possível para a ruptura do aneurisma''.

A pesquisa mostra ainda que uma em cada 50 pessoas têm um aneurisma cerebral, mas somente algumas poucas sofrem um derrame.

O estudo só se debruçou sobre elementos que causam a ruptura. A alta pressão sanguínea enfraquece os vasos sanguíneos e isso pode ser provocado por se estar acima do peso, pelo fumo e por falta de exercícios fisicos.

Sharlim Ahmed, pequisador da Stroke Assocation, afirmou que ''um súbito aumento da pressão sanguínea pode aumentar a possiblidade de ruptura de um aneurisma. Mas é muito difícil determinar se os fatores identificados nesses estudo estão definitivamente relacionados com um derrame ou se seriam apenas coincidências''.

''É preciso realizar diversos outros estudos para aferir se cada um desses fatores identificados pode fazer com que um aneurisma se rompa'', comentou Ahmed.

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Nota do blogueiro aqui:

 Bom gente, eu acho que vou voltar a tomar meus antialérgicos ... quanto ao sexo e ao café... calma lá, uma coisa de cada vez, rsrsrsrs... 

Abraços e muito obrigado pelas visitas e carinho de todos...

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Humanização...

A única forma de humanizar o outro é ser humano e permitir o mesmo do outro. Não é todavia desejar que o o outro seja humano como você é ou deseja que ele seja, mas dar a possibilidade dele encontrar sua própria forma de existir, e com isso o sentido para sua vida.

Humanização fica atravessada pela falta de sentido, ou ainda, pelos in;umeros sentidos que a palavra humano pode agregar. Um sentido mais genérico deveria ser repensado para que pudessemos sempre trabalhar com a mesma perspectiva e também com uma busca de resultados mais satisfatórios. Eu gostaria de pegar primeiramente um conceito de Freud que fala que o ser humano deve ser capaz de amar e trabalhar.

Bom, amor e trabalho, as duas grandes (talvez maiores) fantasias que dão sentidos à vida do ser humano, que possibilitam a humanidade a se construir como tal. Mas qual tipo de amor e qual tipo de trabalho?

Ficamos novamente em um impasse.

Vamos pelo lado do amor que foi dividido em três pelos antigos gregos:

Ágape - amor de Deus pelos homens
Filos - amor entre irmãos, entre pessoas, um certo tipo de amor cristão, de cuidado, de carinho, de compaixão.
Eros - o amor em forma de pulsão, algo que pulsa e permite o desejo pelo outro na forma de tesão, na forma de uma busca pelo prazer através do outro.

Bom, mas mesmo com essas divisões podemos dizer que esses amores existem desde sempre, rodeando a vida das pessoas. Se cremos em Deus e no evangelho (sentido de Boa notícia anunciada por Cristo), cremos também que Deus ama indistintamente a todos. Ao pensarmos sobre a condição de amor Filos, podemos imaginar que sem o amor de um outro nos é impossível a existência. É sempre necessário alguém em nossas vidas para cumprir um papel de amante, e com isso nos mostrar o que de fato é amar. Ficamos aqui parados e atravancados no amor Eros, o amor erótico. Bom...

Não consigo imaginar uma vida em que a pessoa não tenha tesão pela vida. Depressão, está aí o sentido (muito resumido) da depressão, a falta de tesão pela vida, pelas coisas, pelos outros.

Bom, estes três tipos de amores são componentes do coração do homem, então podemos pensar que todos nós já somos humanos? Talvez sim, mas eu prefiro a negativa frente a esta pergunta. 

Humano não basta ser, estar ou sequer pertencer a um grupo distinto de "animais superiores" é necessário aderir ao que é esperado por esta criatura.O que é esperado justamente pela comunidade humana, pelo grupo humano, é que a criatura que deseje ser humana responda como mais um deste grupo.

Os problemas continuam aumentando e até aqui parece que não há uma forma de ser humano. Pensando que cada grupo, cada comunidade, cada família, tem sua própria forma de existir, de ter e dar sentido a vida, então o que é esperado por um ou outro grupo pode ser extremamente oposto e nem por isso a pessoa deixaria de ser humano.

É humano se qualquer grupo acolhe (ama) e passa suas fantasias para o outro na forma de desejo. Pois bem, esta passagem é feita através da linguagem, seja ela falada, escrita, ou gestual. Há em nossa sociedade brasileira um grupo de pessoas que estão dizendo que a linguagem natural dos surdos é a linguagem de sinais, se pensamos em que surdos seriam um subgrupo humano, este pensamento até agora vem a favor desta idéia, afinal o grupo de surdos acolhe o outro surdo o introduzindo na sua cultura, no seu grupo através da linguagem, isso o pode ser dado se houver desejo para que o membro entre no grupo (amor ao outro).

O amor então está intrinseco em todos os grupos, seja o amor próprio gerando grupos maiores para autopreservação, seja o amor aos integrantes do grupo especificamente para sobrevivência do grupo, ou seja o amor cristão que independe do outro, mas parte do princípio de ser amante frente ao outro por uma característica especial, ser filhos de um mesmo pai.

Humanizar seria então possibilitar ao infans (termo lacaniano que designa o neném que ainda não aprendeu a linguagem) a entrada em um grupo específico, o humano, através do amor. O que só pode ser feito se há algúem que ama primeiro.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Desistir para ser diferente, para existir de verdade.

Ás vezes em nossas vidas faz-se necessário um movimento contrário ao da existência, contrário ao da insistência para que a vida continue tendo seu doce sabor. Ás vezes preicsamos chegar na beira do precipício, sentir o vento que vem lá do fundo, abrir os braços e ali naquela pontinha gritar (não pulem, rsrsrs).

Des-existir, desistir dos planos, do que se tem sido até então, desistir para uma nova possibilidade real de ser. As crianças fantasiam sempre novas possibilidades quando brincam de faz conta, os adultos de alguma forma perdem esta capacidade de compreender que existem outras possibilidades, mesmo que apenas ensaiadas em forma de pensamentos, de sonhos.

Acho que Winnicot estava certo quando disse que os adultos também deveriam brincar mais. Uma piada, uma boa conversa animada, uma cervaja com os amigos, uma brincadeira de cócegas com a pessoa amada, tudo isso podemos dizer que é brincar. E quando brincamos pouco, sonhamos, nos sonhos somos aquilo que éramos enquanto criança, ora heróis valentes e destemidos, ora criancinhas choronas e assutadas fugindo de um mosntro que tenta sempre nos destruir.

Para as crianças ensaiar possibilidades é mais do que necessário, é belo, é puro, é a própria criatividade entrando em cena e com ela um mundo novo se abre. Para os adultos é difícil, os ensaios tem consequências reais, uma palavra não tão bem dita pode acabar com o dia, com a semana, com o mês, com uma relação, com uma amizade, com uma vida inteira. Os ensaios quando adultos não são brincadeiras, são ensaios reais de possibilidades reais onde o que se busca é a maior certeza de que o que será feito dará certo.

Ao final de uma jornada nos Estados Unidos, após 3 meses de trabalho me percebo sem nada, absolutamente nada para fazer ao não ser curtir minhas escolhas. Paro de escolher, escolher dá um trabalhão, e sou levado pelos meus amigos ao encontro de um outro Marco, um outro eu. Muito mais divertido, muito mais descolado, que não se preocupa se vai ou não comer, ou beber, ou se divertir, afinal de contas eu estava com meus amigos. Deixava a escolha e os planos para eles. Uma das únicas vezes que escolhi deu tudo errado, fomos parar em uma festa chata, que até que no final ficou meio engraçada. Outra vez pedi uma pizza, eu falei ao telefone e aquele monte de inglês me enganou como sempre acontecia. Por telefone não percebo o jeito da massa, o que vem na cobertura, muito menos sei o nome dos ingredientes, a pizza chegou e estava horrível, culpa minha, mas eu havia avisado antes.

Parei de ensaiar possibilidades de existir naquele estrangeiro e permiti que meus amigos fizessem as escolhas por mim (amizade de 2 meses inteiros, banheira suja de sorvetes, cuecas e meias molhadas na cama do feijão, ligações de madrugada para o quarto ao lado, entre outras coisas). As escolhas sempre eram certeiras, mesmo que tinha que ser aquelas de sair de casa num frio de 2º celsius (até menor) com um leve chuvisco para andar quase 1km para comer um sanduíche. Sim, essas escolhas malucas nos mostram como é divertido ser livre, como é bom não ter outro motivo na vida ao não ser o de viver.

A gente quando cresce perde muito tempo, muitas chances, apenas olhando para as possibilidades, calculando estatiscamente qual a maior probabilidade de dar certo na vida, e com isso, perde a graça da vida, a graça do inusitado, do estar em um lugar hoje e simplesmente aproveitar, simplesmente ser feliz.

É meus amigos, as crianças é que estão certas. Se estão em um avião se imaginam em um navio, se estão no navio se imaginam no avião. É loucura achar que isso é aproveitar o aqui e o agora, justamente parece-nos o contrário, mas não é, e sabe o porque?

As crianças não se prendem ao que é de fato, elas vivem o que elas querem viver aonde quer que estejam e isso faz toda a diferença. Viver o momento não quer dizer que você deva aproveitar o máximo de algo que está ali, afinal, o que está ali está ali e pronto. É aproveitar o máximo com o que você pode fazer estando ali. Eu estando em outro país conversava com as pessoas como se fosse americano, eles não sabiam que eu não era americano até abrir a boca, mas quando eu desembestava a falar, pouco me importava o que eles compreendiam o que importava é que eu estava ali, falando inglês, como uma criancinha que estando de castigo começa a desenhar na parede e, sem perceber, já está brincando lá fora mesmo que seja de mentirinha.

Desistir de si mesmo é um pouco disso tudo, deixar de viver tão centrado em si mesmo e começar a viver pensando o que eu posso fazer com isso que sou eu. Outras possibilidades, outras formas de ser, tentativas, erros, fracassos, mas tudo sempre somando com um punhado de aprendizados e de novas formas de se reconhecer, de existir.

Acho que essa experiência de, nem que seja apenas por um momento, desistir de si mesmo, deixar de querer tanto e ser levado pelo querer de um outro querido por nós, abre-nos uma outra possibilidade de ser, uma forma diferente de não precisar ser muito o que éramos antes, mas de ser um movimento, de um ser em movimento. Claro que da medo, mas o que é o medo senão a possibilidade de gostar e ter que mudar para melhor? Essas experiências não são de fato "imutantes", mas também, não mudam a pessoa da noite para o dia, muito menos você irá se transformar naquilo que mais temia.

Experimentar uma outra possibilidade real de existir é de alguma maneira a melhor ( e talvez única ) forma de vencer o tédio, de viver de verdade e não ficar preso em uma vida da qual há muito já se arrepende mesmo antes mesmo de ter começado.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Menores infratores:

Fragmento de Experiência em três meses de Projeto Leonardo Murialdo em Londrina - Pr.

Três meses de Leonardo Murialdo.

Não poderia ser diferente, em três meses não necessariamente é possível experimentar uma nova realidade por completo, mas é possível ter uma idéia do que se passa, do que acontece nos diferentes âmbitos de uma instituição, neste caso, do Projeto Murialdo em Londrina.

O projeto Murialdo, ou Murialdi, ou ainda Mu-Mu como dizem alguns meninos, tem o objetivo de receber e atender os adolescentes que cometeram algum tipo de ato infracional. Com trabalhos distintos, e de certa forma que se complementam, os técnicos conseguem realizar o que é pretendido pelo serviço, a saber, o acompanhamento, aconselhamento e reintrodução dos menores na sociedade. Reintroduz-se não porque eles deixam as drogas, ou a criminalidade, de fato, poucos são os que conseguem “mudar de vida” durante o tempo que passam cumprindo medida, mas porque, de alguma forma, eles entram em contato com outras possibilidades de existirem, ficando a escolha pelo crime, pelas drogas, pela “vida loca” como uma outra possibilidade, e não mais a única possível para existir.

Pensar e falar em mudanças não é fácil. Nas clínicas psicológicas, onde a mudança é buscada desesperadamente pelos que procuram o serviço de psicoterapia, já temos a experiência, de fato, que as mudanças demoram, que as pessoas não conseguem mudar por decreto, mas que é necessário todo um comprometimento da pessoa para que isso ocorra. Dentro do serviço prestado pelos técnicos do Murialdo é esperado uma mudança dramática na forma de se comportar, de viver, de experimentar o mundo, mas o tempo dado e os recursos são poucos. 

Então como pode ser afirmado que o projeto muda algo?

Através do afeto, do cuidado, representado pelo discurso dos técnicos, pelas visitas domiciliares, pelos atendimentos individuais, e até mesmo dentro dos grupos, ou seja, através de uma nova forma de vínculo onde os adolescentes começam a serem vistos como pessoas, como seres humanos, independente do dinheiro, da droga, da posição que ocupam no tráfico ou no crime.

Esta nova forma de vínculo estabelecido com um outro mostra-lhes uma nova oportunidade de ser e de se construir como pessoa dentro da sociedade. Pode-se verificar isso através da fala de alguns deles:

 - “As pessoas sabem que eu sou do crime, pelo meu jeito de andar, pelo meu jeito de falar, isso faz com que eles ajam diferente.” V. 15 anos reincidente no crime.

- “Entro no ônibus e tenho vergonha, parece que todos estão olhando para mim e sabem o que eu fazia.” F. 16 anos, ex-traficante.

- “Duvido que você nunca usou nada, nunca fumou uma “madeira”, nada, nada mesmo?” I. 18 anos, reincidente no crime.

O encontro com alguém diferente, e com pessoas que oferecem novas possibilidades, como cursos, trabalho, estudos, e um acolhimento para ouvir levam eles a uma reflexão de tal nível que acabam por colocarem os próprios técnicos como protegidos pelos usuários do serviço.

Quando ocorreu um roubo dentro do Murialdo, os adolescentes se movimentaram e V. disse que com certeza todos já sabiam quem era e que esta pessoa iria ter problemas. I.  ainda se exaltou e disse que o “moleque é muito burro porque roubou coisa que era de todo mundo”. Os adolescentes atendidos acabam vinculando-se à instituição e apropriando-se dela de uma forma muito positiva. Alguns até conseguem transpor os muros da instituição e compreender que as outras pessoas, assim como eles, também tem o direito de possuir objetos e que, assim como seus pais (os que tem pais) trabalharam e sofreram para conseguir conquistar a mercadoria, as outras pessoas também passaram pelas mesmas dificuldades, o que gera neles um certo respeito ao outro.

O trabalho mais eficaz que pude observar com eles é quando tentávamos oferecer a eles idéias diferentes para se pensar em outras possibilidades. Parece que quando eles chegam há todo um discurso pronto, cristalizado, é isso que tem que ser e pronto. Quando começamos a oferecer novas oportunidades, embora nem todos consigam, ou queiram, aproveitar, eles acatam com certo respeito e alguns até mesmo conseguem sair totalmente do crime.

L. 17anos, esposa de um adolescente que foi atendido no Murialdo há algum tempo disse que seu marido havia saído totalmente do crime, que era possível, mas que bastava querer. L. disse também que quando ela começou a namorar ele ela foi bem taxativa a respeito de que se ele quisesse ficar com ela, ele deveria trabalhar sério para sustentar a família. Seu marido então conseguiu um emprego com ajuda do Murialdo e eles deixaram o tráfico para traz, sendo ainda respeitados na comunidade onde vivem.

São poucos os casos assim, onde há verdadeiramente uma mudança de vida, uma re-integração na sociedade e uma quebra com a criminalidade, porém, eles existem. F. 16anos depois de ser detida e enviada para Curitiba para cumprir medida de internação, foi acolhida pela tia e largou o tráfico, busca agora largar totalmente o uso das drogas, mas já trabalha, voltou a estudar e acima de tudo, construiu um novo vínculo com sua família que “Antes eu não ligava para família, agora eu gosto muito de estar perto deles, agora eu sinto que eles são importantes para mim.”

As mudanças que podem ser verificadas com os adolescentes são principalmente diante dos vínculos que são, ou restaurados, ou criados com outras pessoas. Uma forma de sentirem-se importantes para alguém diferentemente do passado, do que fizeram, ou do que ainda fazem.

 
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