terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Mais de Jorge Forbes: "A diferença que se é"

O artigo publicado pelo Psicanalista Jorge Forbes na revista Psiquê (Ano V nº 60) está repleto de dados sobre a solidão e os problemas decorrentes do sucesso.

"Nós sofremos no sucesso, no exito, no destaque porquê aí ficamos sós. O fracasso é solidário, mas a vitória é solitária." Forbes, J.

Pensar todo o artigo como um complemento de uma cena que me recordei do personagem House conversando com um gênio irá esclarecer um pouco as coisas.

House chega a seu paciente que tomava medicamentos com alcool para se "ignorantificar" e ficar "feliz" com sua esposa ediz algo parecido com isso que o Forbes escreveu. Mais ou menos como:

Ser gênio é solitário porque somos diferentes e ninguém nos completa, ninguém nos compreende e não temos com quem dividir nossa sapiencia...

Ele não falou exatamante isso, mas acredito que seja exatamente isso (imagino eu) que ele queria dizer. Ou ainda, talvez pudesse simplesmente dizer:

Cara você é gênio como eu, sozinho, em casa estudando, sem vida nenhuma, aí encontra uma mulher e resolve mudar por que não aguentava mais a solidão.

A solidão é como um produto da diferença. Seja esta diferença tanto no sucesso quanto no fracasso. Forbes colocou em seu artigo que o sucesso é solitário mas também o fracasso o é tão ou ainda mais solitário quanto seu oposto.

Uma pessoa de sucesso pode ter sucesso em quase tudo. Nunca o sucesso atingirá TODA a vida da pessoa. Pelo menos não o sucesso completo, alguma coisa sempre faltará colocando a pessoa no seu devido lugar de faltante, de incompleto.

Penso em um ser humano que embora tendo muitas virtudes também tenha seus pecados. O Pe Fábio de Melo diz em uma de suas canções algo muito lindo, poético, "Os defeitos de hoje são o anúncio das virtudes que hão de vir.".

Lembro-me doos discursos de tantos e tantos santos que sempre enfatizaram que a santidade não é a perfeição mas uma constante vigilância pela busca dela. Um reconhecimento de si mesmo por completo, um "enxergar toda a cena em que se encontra" como disse-me a Sandra (um grande beijo a minha supervisora). ter sucesso é apenas observar a genialidade de uma característica, de um detalhe da pessoa como um todo.

Acho que muitos que conseguem ter "sucesso" acabam esquecendo-se dos demais, que não conseguiram, se vendo diferentes, e aí é que mora a solidão na diferença que se imagina, que se pensa ser. Não que o sucesso seja realmente solitário, mas vai depender de como é imaginado e em momento posterior experimentado.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Bem vindos

São muito bem vindos nossos dois novos membros no Blog.

Ana Sesarino, Osvaldo Mello e Luiz Gonzaga Ferraz, nós três ficamos muito felizes com vossa visita e adesão ao pequeno espaço que estamos tentando desenvolver aqui.

Aos mais antigos (7 pessoas, amigos (as)) continuem sempre por aqui e comentem.

Queria lembré-los que este espaço embora moderado é também de vocês, se quiserem postar alguma coisa no Blog fiquem a vontade, é só enviarem um comentário que respondo com a publicação.

Um siper abraço a todos

Marco C. Leite

Tristeza ou medo - A história que mudou.

Fui viajar. Visitei minha antiga cidade maravilhosa, meu antigo refúgio, meu antigo Éden. Lá não sou amigo do rei, na verdade eu me achava o próprio rei. Como toda criança na praia com seus familiares e amigos queridos. Meus avós eram donos de uma exelente sorveteria, uma sorveteria na praia, era o palácio que qualquer criança desejava ter.

Embora tivessem dezenas de sabores, meu sabor era sempre o mesmo, o bom e velho chocolate. Até que conheci o de uva e aí foi o de uva. O chocolate era apenas na falta do de uva, um dia enjoei do delicioso sorvete de chocolate e resolvi me arriscar ainda mais.

Esperimentei o sorvete de crocante, meio estranho com coisinhas duras no meio. Coloquei uma corbetura de caramelo e pronto, estava ali como rei que era, brincando de alquimista e ainda por cima encontrei a fórmula de Midas. O que era estranho ficou delicioso. Claro que havendo o sorvete de uva esse era o manjar dos deuses, melhor que qualquer alquimía huamana.

A história de meus gostos e desejos mudou, assim como a história daquela cidade. Que pena!

Havia lá na cidade um costão mal assombrado, voltando da guerra contra o paraguay, em uma tempestade um navio naufragou naquele costão que até então recebia o nome de costão dos naufragos. Recebia, passado, assim como meu gosto pelo sorvete de chocolate.

O passado passou, depois de dois anos sem visitar a cidade, muita coisa aconteceu. A placa. que eu jurava que havia por ali, que contava a história e homenageava os naufragos deu lugar a outra que sequer dizia sobre o fato. Foi-se embora a história que atormentava as criancinhas e as impedia de pular no meio das pedras. Foi-se embora o símbolo do nauufrágio, foi-se embora mais uma parte de minha história.

O encanto do lugar parece que deu lugar a um certo desencanto, o chocolate perdeu o gosto do chocolate. A praia não é a mesma, tudo mudou. As praças, as pedras, a areia, até mesmo os prédios e hoteis. As pessoas também mudaram, passeam sem dar bom dia, vão dormir sem dar boa noite.

O meu paraiso virou somente o sorvete de crocante, de alguma forma a calda que antes eu podia colocar ali na sem gracisse do sorvete e da praia acabou.

Aos poucos a história muda, não se fala mais dos naufragos, não se fala mais que as pedras são assombradas, não se fala mais que a noite o homem do chapéu irá aparecer. Silêncio diante da perda de tudo o que muito significou para mim e que hoje fica na minha história. Pena que só ficou na minha.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Indo pra praia - Próximo Post só semana que vem...

Eu estava tentado a comentar sobre o texto do Forbes aqui no espaço do Blog ainda esta semana.

Estava, no passado.

Ontem tive o privilégio de assistir um filme que me fez deixar o desejo ao passado para compartilhar um bom filme que vale a pena assistir.

O filme Chama-se "Não me abandone jamais".

Link para o trailler: http://cinema.uol.com.br/ultnot/multi/2010/10/19/04029B3860DCC983C6.jhtm?trailer-do-filme-nao-me-abandone-jamais-04029B3860DCC983C6

Vale a pena cada minuto.

Em especial na parte que diz que ser humano ou qualquer outra coisa é na verdade sentir que ao final da existencia parece que não houve tempo suficiente para fazer tudo o que queríamos... Na verdade é mais ou menos isso, confiram até o fim que verão uma ótima atuação e ainda por cima uma excelente carga de detalhes super significantes que dão sempre uma idéia nostalgica de que humano é :

"Rir, chorar, sentir, amar, perdoar, odiar, tentar, falhar, conseguir, conquistar, viver, morrer e no fim, ter a certeza que de que talvez por um momento a frágil e fulgaz existência de si mesmo tenha valido a pena."

Semana que vem podemos conversar mais.

Abraços a todos.

Marco Leite

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Um ponto a mais aos Lacanianos:

"REFLEXÃO:
Massa Cinzenta

Em Londres, poesquisadores descobriram que a região responsável pela autoconsciencia fica logo atrás dos olhos. Esta parte parece ser mais desenvolvida nas pessoas que têm uma capacidade maior de introspecção e de reflexão sobre suas próprias ações. Os cientistas da Universidade College examinaram 32 pessoas saudáveis, avaliando o grau de confiança em suas respostas a determinadas questões e concluíram que o volume de massa conzenta na parte anterior do lóbulo frontal do cérebro é um importante indicador da capacidade de reflexão da pessoa sobre si mesma. Esta região esta relacionada a diversas funções cognitivas superiores, como as da linguagem, da memória de trabalho e do raciocínio."

Este texto foi extraído da Revista Psiquê na sua edição de aniversário, Ano V nº 60.

Pontos a Lacan que descreve que o sujeito só passa a ser humano na medida em que ele adentraria na linguagem. Lacan faz um trabalho impressionante no aspecto da linguagem como definidora dos seres humanos. Estou tentado a crer que realmente este é ponto central que enfim traria um ponto final (parece redundante) à questão referente ao que difere os seres humanos dos animais.

Podemos desde a biologia (polegares opositores) até mesmo às diferentes religiões (alma e espírito) encontrar pontos que podem ser de certa forma filosóficos ou ainda científicos quanto ao que nos difere dos outros animais.

Lacan pega o caminho mais curto. A nossa linguagem, que é a genese da cultura, é aquilo que temos de tão especial. Não que os outros não tenham certa forma de linguagem, mas é especificamente a linguagem humana e não a canina ou a das abelhas que nos insere na cultura humana.

Podemos então a partir do artigo supracitado pensar (talvez ainda não podemos concluir) que aos poucos com a introdução da linguagem a pessoa irá se contituindo de acordo com o que os outros dizem que ela é. A partir da cultura (dada pela linguagem) ela irá passar pelo processo de identificação e com isso quanto maior o nível cultural maior seria então a sua própriocepção.

Muito interesante a edição de aniversário da Psiquê. Os responsáveis estão mais uma vez de parabéns.

Próximo Post ainda nesta semana provavelmente estarei abordando um texto na mesma edição escrito pelo Psicanalista Jorge Forbes sobre " A DIFERENÇA que se é".

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Ano Novo

Mais um ano se passou.

Há cerca de uns três dias atrás fui entrevistado por uma emissora local sobre o que eu achava que faltava para termos um mundo melhor.

É legal pensar sobre isso. Pensei com o repórter em algumas possibilidades, por exemplo, na possibilidade da esperança. A esperança é espera e isso meus caros, temos quase pós doc. Como brasileiros e como pessoas somos PHD em esperar.

Esperamos nas filas, esperamos notícias, esperamos para nascer, esperamos por um mundo melhor. A esperança já está meio que implícita em nós.

Pensei em desejar então a paz. Não precisei pensar muito para refutar meu meu desejo. A paz é muito mais um estado, um sentimento de não perturbação que é conquistado com muito suor, muita luta, muita atividade. Quase me faz lembrar a aposentadoria de algumas pessoas que depois de muito tempo embora aposentados continuam trabalhando mas em outras coisas. Escrevem um livro, cuidam da casa, fazem um ou outro curso que sempre sonharam. A paz é fruto de uma vida de atitudes e que no fim serve para um gozo maior da vida que resta.

Acho que a palavra que nos deveria marcar para este ano novo (ao menos para mim) seja a palavra caridade. Não estou pensando aqui na forma de dar aos mais pobres o que tenho sobrando. Estou pensando na palavra caridade com o sentido mais bíblico. O sentido da palavra caridade aos católicos é um sentido bem simples: Dar ao outro o que não se tem.

É muito simples este conceito de dar o que não se tem. O verbo ter nos remete à atitude de possuir algo, coisa que é contraditória ao cristianismo primitivo. Ter é diferente de ser, pois quem tem precisa possuir algo externo para uma "completude", possuir no entanto não garante ser aquilo que possui, mas garante apenas que aquilo que possui passa a fazer parte do todo que é o possuidor.

O cristianismo podemos dizer que é a liberdade em atitudes, a caridade é justamente reconhecer-se como não possuidor, mas como apenas um administrador que goza do que o patrão lhe permite gozar e não possuir. Isso traz uma responsabilidade maior, mas também um desprendimento visto que o patrão no caso do cristianismo é Bom.

Explico enfim a caridade.

Caridade no sentido de não possuir nada e ter atitudes frente às pessoas que necessitam de minha pessoa para administrar os bens da vida.

Caridade em um sorriso, em um abraço, em meus trabalhos, em meus estudos, em minhas relações. Pensando sempre que se eu não possuo nada, posso distribuir estes bens a quem me interessar sem necessariamente me desfazer do que realmente é meu. 

"Deus é caridade".

Neste ano que começa sejamos mais como Deus, façamos o que o menino Deus fez, passemos aos outros a esperança de que podem contar conosco e a paz de poder encontrar em nós um porto seguro.

FELIZ 2011

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Presentes... Afinal é Natal


Já ganhei meus presentes de Natal.

Ganhei aquilo que pedi, nem tudo o que queria, nem tudo o que eu julgava precisar. Vou sobreviver eu acho.

Não ganhei o que meu coração pedia, e isso nunca mais ganhar.

Não ganhei o que minha saudade queria, e isso meus amigos, nunca vai chegar.

Coitado do Papai Noel, tão limitado neste Natal. Tão querido por muitos mas especialmente amanha ele passará por minha vida como se não houvesse existido.

Pedi uma mochila para as pescarias, uma carteira, dinheiro, sandálias, óculos escuros, aparelhos celulares. Ah meu bom Deus, pedi tudo o que me podia ser dado e nem tudo foi entregue. 

Ou o bom velinho passou pelo rio e alguém roubou o que era meu, ou não fui um bom menino este ano, um bom cristão.

Acho que quero escolher a segunda opção, afinal de contas, o texto é meu e escrevo como eu quiser...

Mas minha vida, não é só minha. Na verdade queria uma mochila pra carregar mais coisas em minhas aventuras pela vida. Quero um coração maior, mais largo para caber mais pessoas porque este ano descobri a alegria de amar. A alegria de amar os amigos, ve-los partirem e depois reencontrar, preciso de uma mochila maior para guardar as lembranças, os pedaços de tempos para não me esquecer.

Pedi uma carteira nova pois agora quero ser pessoa diferente, quero ser profissional e enquanto não chega minha carteira do CRP vou atuando nos estágios, na vida, carteirando com meu RG de pessoa humana. Ganhei uma carteira menorzinha, mais apertadinha, cabendo poucas coisas, que bom! Carteira grande se guarda muita coisa inútil quando devíamos guardar apenas a identidade e em local de facil acesso para que todos pudessem nos reconhecer.

Dinheiro para pagar as contas, esse não tem outro sentido ao não ser o único que poderia ter. Quero dinheiro, não pelo poder, nem para comprar amigos ou favores. Quero dinheiro porque sem ele não se consegue fazer muita coisa hoje em dia que vá além de ser feliz, amar e ser amado, ajudar, entre outras coisas que fazemos sem necessariamente a posse deste papel de metal.

Sandalias para caminhar mais confortavelmente pela minha vida que tem se revelado um mar de rosas. Não tinha idéia de quantos espinhos existem em cada uma dessas rosas. Quando vem as ondas então, meu Deus do céu, socorro, saio todo arranhado mas com um perfume inconfundível de quem venceu mais uma luta.

Óculos escuros para chorar quieto, em meu canto, dentro de mim, pois o que queria não pude ganhar, não mereci talvez, ou o bom velinho esqueceu. Óculos escuros para enxergar um pouco melhor o caminho muito iluminado pela luz da alegria e que desfaz muitas das sombras que eu já havia me acostumado. Óculos escuros para chorar por saber que alguns desejos nem mesmo o bom velinho pode realizar.

Saudade

Ficou a saudade em mais um dia que passou.
É impressionante descobrir por sua ausência e na saudade deixada,
O quanto de importante vocês sempre foram para mim
Quanto vos amei, quanto vos amo e o quanto amar-vos-ei até meu fim.

É impressionante lembrar e chorar
Muito mais me assusta quando lembro e não choro
Muito mais me dói por culpa quando ao lembrar de coisas boas
Em minha boca entre lágrimas acaba por surgir um leve sorriso

Ah meu Deus, essa tal de saudade ainda me mata de vez
Hoje tem me matado aos pouquinhos
Silencia-me devagarinho

Ah meu Deus, toda essa saudade ainda acaba comigo
Foi-se o tempo da alegria, da família, da unidade
Sobrou-me o tempo do pranto, do increto e da saudade

Sem comentários...

Por alguma razão o Blog ficou silencioso. Primeiro os leitores, depois o silencioso passou a ser eu. Não deixei de escrever, somente não o fiz aqui meus amigos, sem leitores (é o que aparentava) um blog não tem razão de existir. Pelo menos não para mim.

Não quero este blog para apenas escrever, sem ninguém para ler, comentar, criticar ou debater. Não quero este blog chaveado como um canto escuro de desabafo, como um cólo que segura o pranto abafado de quem chora sem querer que ninguém veja.

Este Blog só é nosso se o comentário vosso também aparecer. Caso contrário, como vinha acontecendo, fica uma coisa minha e de coisas minhas meus amigos e leitores, já estou farto.

Quero é coisas dos outros, quero novidades dos outros, notícias, lembranças, presenças. Quero outros que preencham estes pensamentos como em minha cabeça. Sabem como aqueles pensamentos que se sobressaem simultâneos dentro da gente? Como uma idéia que se revolta e fica aquele turbilhão gostoso de mil vontades, de mil palavras de silêncio com carinha de quem quer e vai aprontar? Essa carinha a que gostaria que tivesse nosso espaço.

Para pensar e falar o que normalmente não se fala. Seja pela distância, pela ausência ou pelo simples fato de nunca ter pensado em falar.

Então continuando a petição, simplesmente peço que comentem pois com comentários sei que não há apenas uma idéia, mas há também outros pensantes fazendo o vuco vuco gostoso do movimento de pensar.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Olhares

"Os olhos são a janela da alma"

Acho interessante começar com este ditado. Em um dos tópicos anteriores havoa falado sobre o toque, o primeiro contato que temos com os outros.

Quando nascemos somos primeiramente como diz Freud "Um ego corporal" ou seja, somos todo toque, somente corpo. Somente a posteriori conseguimos enxergar, ouvir e compreender o que vemos e ouvimos.

Tanto o contato tátil quanto o sonoro desperta nos bebês uma reação clássica, eles viram o rosto e buscam contato visual com o que está ocorrendo.

O olhar é como que uma reação ao que está ocorrendo ao nosso redor. A única coisa que não pode ser mentida, não pode ser disfarçada, por mais que se tente há no olhar do humano algo de biológico que nossa mente até pode controlar, mas controlando este dispositivo engana-se aos outros e também a si mesmo.

É pelo olhar que se reconhecem pessoa boas e pessoas ruins, é pelo olhar ou pela falta dele que temos de certa forma uma primeira impressão sobre a pessoa.

Certa vez em uma viagem conheci um rapaz de origem árabe que me disse que jamais esquecia do nome das pessoas, perguntei como ele conseguia e ele me disse que havia aprendido com seu pai uma técnica infalível, ele apenas olhava nos olhos das pessoas e sabia quem era quem. "É pelo olhar que reconheço alguém pois por mais diferente que a pessoa esteja ainda sim terá algo de único que é a impressão que me causou." disse-me o rapaz.

Achei aquilo tudo muito estranho, duvidei pois sabia que uma primeira impressão é sempre uma primeira impressão, nada mais. Havia apenas pego carona com ele, era namorado de uma amiga minha do trabalho, fui embora e não nos vimos durante uns 20 dias.

Quando eu estava na rua indo ao shopping parou um carro e o motorista me chamou. Era ele, o Hassan perguntando se eu não era o Marco amigo da Sonia. Sim, era eu, e eu não tinha a mínima idéia de quem era ele.

Aí ele me disse que nunca esquecia um olhar, lembrei-me quem era e fui embora de carona.

Realmente caros leitores, a imagem de um olhar diz mais que muitas palavras. Lacan diz que as pessoas são muito além daquilo que comumente as define. Dejours irá falar sobre um ser humano que é sempre devir, sempre indefinível, sem um amago, uma essência primeira.

Concordo com Lacan, somos muito mais do que as pessoas nos definem, mas também, não podemos nos esquecer deste impacto que é nosso olhar. É como se fossemos na verdade apenas esta impressão que toca o outro, sem definição e que está além de uma ou outra característica. Somos aquilo que transmitimos com nosso olhar.

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Grants For Single Moms