sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Presentes... Afinal é Natal


Já ganhei meus presentes de Natal.

Ganhei aquilo que pedi, nem tudo o que queria, nem tudo o que eu julgava precisar. Vou sobreviver eu acho.

Não ganhei o que meu coração pedia, e isso nunca mais ganhar.

Não ganhei o que minha saudade queria, e isso meus amigos, nunca vai chegar.

Coitado do Papai Noel, tão limitado neste Natal. Tão querido por muitos mas especialmente amanha ele passará por minha vida como se não houvesse existido.

Pedi uma mochila para as pescarias, uma carteira, dinheiro, sandálias, óculos escuros, aparelhos celulares. Ah meu bom Deus, pedi tudo o que me podia ser dado e nem tudo foi entregue. 

Ou o bom velinho passou pelo rio e alguém roubou o que era meu, ou não fui um bom menino este ano, um bom cristão.

Acho que quero escolher a segunda opção, afinal de contas, o texto é meu e escrevo como eu quiser...

Mas minha vida, não é só minha. Na verdade queria uma mochila pra carregar mais coisas em minhas aventuras pela vida. Quero um coração maior, mais largo para caber mais pessoas porque este ano descobri a alegria de amar. A alegria de amar os amigos, ve-los partirem e depois reencontrar, preciso de uma mochila maior para guardar as lembranças, os pedaços de tempos para não me esquecer.

Pedi uma carteira nova pois agora quero ser pessoa diferente, quero ser profissional e enquanto não chega minha carteira do CRP vou atuando nos estágios, na vida, carteirando com meu RG de pessoa humana. Ganhei uma carteira menorzinha, mais apertadinha, cabendo poucas coisas, que bom! Carteira grande se guarda muita coisa inútil quando devíamos guardar apenas a identidade e em local de facil acesso para que todos pudessem nos reconhecer.

Dinheiro para pagar as contas, esse não tem outro sentido ao não ser o único que poderia ter. Quero dinheiro, não pelo poder, nem para comprar amigos ou favores. Quero dinheiro porque sem ele não se consegue fazer muita coisa hoje em dia que vá além de ser feliz, amar e ser amado, ajudar, entre outras coisas que fazemos sem necessariamente a posse deste papel de metal.

Sandalias para caminhar mais confortavelmente pela minha vida que tem se revelado um mar de rosas. Não tinha idéia de quantos espinhos existem em cada uma dessas rosas. Quando vem as ondas então, meu Deus do céu, socorro, saio todo arranhado mas com um perfume inconfundível de quem venceu mais uma luta.

Óculos escuros para chorar quieto, em meu canto, dentro de mim, pois o que queria não pude ganhar, não mereci talvez, ou o bom velinho esqueceu. Óculos escuros para enxergar um pouco melhor o caminho muito iluminado pela luz da alegria e que desfaz muitas das sombras que eu já havia me acostumado. Óculos escuros para chorar por saber que alguns desejos nem mesmo o bom velinho pode realizar.

Saudade

Ficou a saudade em mais um dia que passou.
É impressionante descobrir por sua ausência e na saudade deixada,
O quanto de importante vocês sempre foram para mim
Quanto vos amei, quanto vos amo e o quanto amar-vos-ei até meu fim.

É impressionante lembrar e chorar
Muito mais me assusta quando lembro e não choro
Muito mais me dói por culpa quando ao lembrar de coisas boas
Em minha boca entre lágrimas acaba por surgir um leve sorriso

Ah meu Deus, essa tal de saudade ainda me mata de vez
Hoje tem me matado aos pouquinhos
Silencia-me devagarinho

Ah meu Deus, toda essa saudade ainda acaba comigo
Foi-se o tempo da alegria, da família, da unidade
Sobrou-me o tempo do pranto, do increto e da saudade

Sem comentários...

Por alguma razão o Blog ficou silencioso. Primeiro os leitores, depois o silencioso passou a ser eu. Não deixei de escrever, somente não o fiz aqui meus amigos, sem leitores (é o que aparentava) um blog não tem razão de existir. Pelo menos não para mim.

Não quero este blog para apenas escrever, sem ninguém para ler, comentar, criticar ou debater. Não quero este blog chaveado como um canto escuro de desabafo, como um cólo que segura o pranto abafado de quem chora sem querer que ninguém veja.

Este Blog só é nosso se o comentário vosso também aparecer. Caso contrário, como vinha acontecendo, fica uma coisa minha e de coisas minhas meus amigos e leitores, já estou farto.

Quero é coisas dos outros, quero novidades dos outros, notícias, lembranças, presenças. Quero outros que preencham estes pensamentos como em minha cabeça. Sabem como aqueles pensamentos que se sobressaem simultâneos dentro da gente? Como uma idéia que se revolta e fica aquele turbilhão gostoso de mil vontades, de mil palavras de silêncio com carinha de quem quer e vai aprontar? Essa carinha a que gostaria que tivesse nosso espaço.

Para pensar e falar o que normalmente não se fala. Seja pela distância, pela ausência ou pelo simples fato de nunca ter pensado em falar.

Então continuando a petição, simplesmente peço que comentem pois com comentários sei que não há apenas uma idéia, mas há também outros pensantes fazendo o vuco vuco gostoso do movimento de pensar.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Olhares

"Os olhos são a janela da alma"

Acho interessante começar com este ditado. Em um dos tópicos anteriores havoa falado sobre o toque, o primeiro contato que temos com os outros.

Quando nascemos somos primeiramente como diz Freud "Um ego corporal" ou seja, somos todo toque, somente corpo. Somente a posteriori conseguimos enxergar, ouvir e compreender o que vemos e ouvimos.

Tanto o contato tátil quanto o sonoro desperta nos bebês uma reação clássica, eles viram o rosto e buscam contato visual com o que está ocorrendo.

O olhar é como que uma reação ao que está ocorrendo ao nosso redor. A única coisa que não pode ser mentida, não pode ser disfarçada, por mais que se tente há no olhar do humano algo de biológico que nossa mente até pode controlar, mas controlando este dispositivo engana-se aos outros e também a si mesmo.

É pelo olhar que se reconhecem pessoa boas e pessoas ruins, é pelo olhar ou pela falta dele que temos de certa forma uma primeira impressão sobre a pessoa.

Certa vez em uma viagem conheci um rapaz de origem árabe que me disse que jamais esquecia do nome das pessoas, perguntei como ele conseguia e ele me disse que havia aprendido com seu pai uma técnica infalível, ele apenas olhava nos olhos das pessoas e sabia quem era quem. "É pelo olhar que reconheço alguém pois por mais diferente que a pessoa esteja ainda sim terá algo de único que é a impressão que me causou." disse-me o rapaz.

Achei aquilo tudo muito estranho, duvidei pois sabia que uma primeira impressão é sempre uma primeira impressão, nada mais. Havia apenas pego carona com ele, era namorado de uma amiga minha do trabalho, fui embora e não nos vimos durante uns 20 dias.

Quando eu estava na rua indo ao shopping parou um carro e o motorista me chamou. Era ele, o Hassan perguntando se eu não era o Marco amigo da Sonia. Sim, era eu, e eu não tinha a mínima idéia de quem era ele.

Aí ele me disse que nunca esquecia um olhar, lembrei-me quem era e fui embora de carona.

Realmente caros leitores, a imagem de um olhar diz mais que muitas palavras. Lacan diz que as pessoas são muito além daquilo que comumente as define. Dejours irá falar sobre um ser humano que é sempre devir, sempre indefinível, sem um amago, uma essência primeira.

Concordo com Lacan, somos muito mais do que as pessoas nos definem, mas também, não podemos nos esquecer deste impacto que é nosso olhar. É como se fossemos na verdade apenas esta impressão que toca o outro, sem definição e que está além de uma ou outra característica. Somos aquilo que transmitimos com nosso olhar.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Tocando o vazio

Tocar o vazio é sentir os pés descalsos sem nennhum chão para se apoiarem. É como tocar em Deus.

O sentimento de vazio que temos em nós, muitas vezes aparente e que de certa forma logo logo se expira quando encontramos outros afazeres, é o que nos permite justamente buscar outros afazeres, buscar um sentido, contruir um rumo para nossa vida.

Tocar com os pés o vazio é de arrepiar, é como se houvesse algo ali, mas sem compreender o que é, sem a possibilidade de sentir outra coisa que não a ausencia de chão, de terra, de piso e mesmo assim não cair. É vertiginoso, é assustador.

Como aqueles poços que se encontram com o vazio e enfim percebem o que são e através disso constróem para o que desejam servir, para o que desejam existir, assim pode ser o vazio em nossas vidas.

Como vazio, digo aquilo que não tem sentido, que não pode ser sentido simplesmente porque não conhecemos a forma, não vemos, não sonhamos, não conseguimos imaginar. Podemos citar como exemplos a morte, ou a própria vida. 

O resultado deste toque é muitas vezes o desamparo profundo, a angústia de ver-se nada, de ver-se impotente e incapaz, de perceber-se humano, finito, passageiro. É exatamente aqui que podemos dar um primeiro passo a nossa existência e existirmos como sujeito, como alguém e não como simples pessoas, simples seguidores e realizadores dos desejos dos outros.

Tocar o vazio é experimentar a angústia do nada e do nada tirar a vida, a capacidade da diferença, a capacidade humana de enfim existir.

Se você vive este momento de dor, medo, desespero, tenha calma, logo logo você descobrirá que a vida vale a pena pelo que nóa fazemos dela, e não pelo que ela realemente é. 

E o que é a vida? 

A vida é este nada que se segue após um nada anterior, é o cotidiano que só pode ser atravessado pela capacidade humana de fazer com o nada alguma coisa.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Cotidiano: toques.

Hoje gostaria de refletir um pouco sobre os toques que recebemos em nosso dia a dia. Sejam estes toques em um bom dia da pessoa amada, ou no elevador lotado na hora de ir trabalhar, ou ainda dentro do ônibus com todo mundo tocando todo mundo, exceto o motorista, até o cobrador é sutilmente tocado quando recebe o dinheiro ou devolve o trocado.

São sempre toques, estes toques ás vezes são acompanhados de olhares, sorrisos discretos ou feições ranzinzas, ainda sim, eles sempre são o ponto de partida para uma reação.

Reagir a um outro, uma outra pessoa que se enconstou, ou que foi encostada por mim. O toque é sinal de que  não estou só no mundo, de que há vida fora de meu mundinho.

Tocar e ser tocado é por princípio o que nos ajuda a manter contato. Bem no início de nossas vidas somos todo toque, todo contato na barriga de nossas mães. O bebê após nascer as vezes não quer leite, não quer ser trocado, não quer a voz, quer apenas o aconchego de um toque, aquele toque de que está acostumado, o toque da mãe, so pai, dos avós...

Tamanha a importância do ser tocado que pessoas que não se tocam se tornam mais fechadas, com maior propensão a doenças de pele. A pele é o maior orgão do corpo humano, deve ser estimulado da forma como convém, com o toque.

Um beijo, um abraço, um carinho, um toque, além de ser bom, segundo muitas pesquisas, também ativam nossas defesas orgânicas, melhoram nosso humor e nos faz mais felizes.

A partir do toque surge a atenção a algo que está acontecendo ou que aconteceu, a partir daí utilizamos outros sentidos como o olhar...

Continua semana que vem.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Smooth Jazz on SKY.fm

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O NADA: construir a partir do vazio

O que podemos fazer diante do sentimento do vazio?

Há alguns anos atrás quando eu dava catequese havia um texto que era mais ou menos assim:

Em um deserto existiam 3 poços que conversavam entre sí. Dois deles cheios de água se aproveitavam da situação e diziam que eram muito mais importantes, afinal, as pessoas sempre recorriam a eles para buscar água. Eram os dois poços que sempre conversavam, que batiam um papo sobre as pessoas que vinham visitar e serviam alegremente às pessoas que deles se aproximavam.

O terceiro poço, sempre vazio, dele a única coisa que os outros dois ouviam era um som assutador quando o vento batia em sua boca. As pessoas passavam longe dele com medo de cairem dentro e as crianças jogavam pedras tentando identificar pelo som da pedra a profundidade do poço. 

Um dia um dos dois poços acordou e descobriu que estavam ficando vazios, os dois logo se alarmaram e ficavam o tempo todo suplicando a Deus que os preenchesse novamente com a chuva, como iriram ficar sem a água, quem viria ver-lhes, pra que serviria um poço sem água, pra que iriam existir, porque estava aconetcendo tudo aquilo, seriam abandonados se ficassem completamente vazios. Depois de muito tempo e não aguentando mais a angústia dos outros dois poços aquele que estava vazio resolveu falar. 

De dentro dele saiu um som como do vento que vinha lá do fundo, algo sinistro, sombrio para os dois que viviam cheios. Ele falou em um tom sério mais amistoso. Calma meus amigos, afinal de contas vocês continuarão a serem poços mesmo sem água.

Dentro do vazio, do ser imprestável ao outro, do ser inútil à necessidade de quem nos procura, do nada da existência humana continuaremos sendo pessoas se não nos pedermos com as qualidades que de nós se vai com o tempo.

Em nossa vida nos identificamos com aquilo que servimos, com o que pretendemos ser, mas somente no vazio, no nada conseguimos nos reconhecer quem somos de verdade, conseguimos compreender nossa profundidade, nossas dimensões e limites.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Cotidiano X Rotina X Tédio

As três palavras se encontram em nossa mente, e quase sempre tem um sentido parecido, o do tédio, o da imutabilidade, o sentido de que será assim e pronto.

Meus caros leitores, o Tédio, é uma palavra que expressa um sentimento diante de um momento em que vivemos. A rotina até pode ser tediosa, mas o cotidiano jamais o será. A rotina vem da palavra Rota. Estabelecer uma rotina não é para qualquer um em nossa sociedade, afinal, quem tem uma rota a seguir é porque tem um objetivo para alcançar. Quem faz a rota somos nós, quem estabelece nossa rotina e a forma como enxergamos todo o caminho para chegar lá somos nós mesmos.

Cotidiano já é outra coisa. Muito fácil de ser confundido com a rotina, parece que o cotidiano é o dia a dia, um após o outro, uma sequência de sóis e luas e nada mais. Dá a impressão de estar estático, parado no tempo, ou melhor, para além do tempo.

O filme nacional "Amarelo Manga" traz uma mostra do cotidiano, da rotina de algumas pessoas e do tédio que é para alguns a vida como ela é. Mas também mostra que dentro do cotidiano existem muitos fatores que são incontroláveis e são exatamente estes fatores que fazem valer a pena viver o dia a dia.

A filósofa Arendt (1985 p.5) irá escrever uma definição sobre estes eventos que irrompem no cotidiano como fenômenos que interrompem a rotina e dão um novo sentido, uma nova rota, ou ainda um novo destino, uma nova escolha para as pessoas.

Pensar o cotidiano como um mecanismo imutável, tedioso, sempre mais do mesmo, pode simplesmente ser um estado de espírito, afinal de contas, não existe um por do sol igual ao outro, um sorriso igual ao outro, muito menos um dia igual ao outro. Mesmo que estejamos fazendo sempre a mesma coisa.

Ref: Arendt, H. Da Violência. Brasília: UnB, 1985

domingo, 14 de novembro de 2010

REATIVANDO O BLOG.

Olá pessoal, o Blog será reativado, férias servem pra isso mesmo, para ler, pensar, escrever e quem sabe, até mesmo trabalhar...

Espero que aproveitem ainda mais do que antes.

Abraços.

Marco Leite

 
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