sábado, 17 de outubro de 2009

Olimpíadas??? Será mesmo?

Oras, penso eu na minha gigante ignorancia. Olimpiadas? será mesmo?

Não duvido que será um evento surreal, não duvido que haverá ladroagem, não duvido que haverá caixas 2,3,4...171. Duvido sim que será uma Olimpiada. Duvido que as coisas mudem alguma coisa, duvido e espero o tempo me provar o contrario, que isto gerará riqeuzas ao povo brasileiro. A riqueza virá do povo de fora, e voltara para fora como veio (basta saber quem são os donos das redes de super mercados, hoteis e restaurantes de luxo).
Penso que da mesma forma como se gasta para as olímpiadas será gasto depois o dobro, ou o triplo para desfaze-la na mente dos brasileiros. Viva o Lula, que trouxe as olimpiadas para o Brasil, e viva o Lula que sacou que não estara no governo do País em 2016. Agora o Viva a Realidade, a realidade que os superfaturamentos irão trazer, a realidade das pessoas empregadas temporariamente, a realidade da sensação de que talvez se gastassemos o dinheiro faraônioco em financiar os bons alunos e bons atletas de nosso país poderíamos ganhar mais medalhas e trazer o ouro pra cá.

Mas não, seremos novamente o país garimpado pelos estrangeiros. Estrangeiros que chamaremos de hermanos, de companheiros, de amigos. Estrangeiros que estranhamente não compreendem o que é Brasil. Por mais que vivam aqui jamais irão compreender nosso "day by day" ou ainda nosso "brazilian way of life".

Aposto que as praias de Floripa, os parques de Curitiba, os museus de joinville, a grande oktoberfest em blumenau ou ainda o belíssimo festival de gramado atrairiam muito verdinhas ao nosso belo Brasil com o investimento correto.

Até aqui em Londrina no nosso FILO, se houvesse mesmo um incentivo (nada tão astronomico, se bem que merecia), poderíamos fazer do Brasil uma grande cidade olímpica.

Mas o que estou pensando, Viva o Lula que já está transpondo o rio são francisco, que já está retirando a casa de quem o elegeu, que já está dando bolsa familia ao invés do prometido emprego. Viva o Lula que faz com que o povo brasileiro seja mais solidário nesta crise mundial e mande dinheiro (sim, mandamos dinheiro nosso pois pagamos os impostos) para financiar compra de caças para proteger um investimento ainda nãop comprovado (pré-sal). Viva aos caça níqueis e aos bingos que já são comprovadamente esquema de mafia para lavagem de dinheiro e que logo logo será aprovado. Viva a distribuição de Pílulas do dia seguinte nos postos de saude, viva também a hemorragia e aos médicos que se viram depois para tentar salvar as crianças que usam disso pois pensam que o sexo é um brinquedo. Viva o Brasil senhor Lula, Viva.

Não me venham com o discurso de vosso presidente falando e chorando sobre isso ou aquilo, quero comemorar hoje, afinal só temos hoje vissto que os milhoes gastos para a propaganda do "pró alccol" estão sendo substituídos por bilhoes para propagandear a queima de mais gasolina (em tempo ainda, nosso presidente disse dia desses que deveríamos começar a produzir carros a diesel). Viva a petrobras que vende para o brasileiro um produto de péssima qualidade com um preço de gasolina de fórmula 1.

Viva a Fantasia, viva a fanta, viva a asia, viva a minha asía.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Mais de Jorge Forbes

Zero na Prova (Aprender com a resposta errada)

Artigo de Jorge Forbes publicado no jornal O ESTADO DE S.PAULO, caderno ALIÁS - DOMINGO, 1 DE MARÇO DE 2009



O sigilo quebrado não deve nos desesperar – se os exames são imprescindíveis na organização social, as falhas também são.

O descontrole ocupou as primeiras páginas dos jornais, nessa semana.
Para começar, milhões de estudantes brasileiros e seus pais sofreram, e continuam a sofrer um verdadeiro inferno, em decorrência do roubo da prova do ENEM.
Nos Estados Unidos, David Letterman, o homem das cartas, famoso apresentador de televisão, foi mais um que expôs a variedade de suas carícias ao olhar público, constrangido por um chantagista - repugnante como todos o são - que o ameaçava de publicar suas incursões secretas se não lhe fosse paga uma alta quantia em dinheiro.
O Hotmail, por sua vez, sugeriu que as senhas de seus usuários fossem trocadas devido a inúmeras terem sido descobertas e publicadas.
A conclusão é fácil: não há segurança possível, se por segurança for entendido o direito de cada um manter indevassados os aspectos de sua vida. Não há barreira ao conhecimento, atualmente, que não possa ser quebrada. Estamos em uma loteria, quem for sorteado poderá ter fatos da sua vida expostos. O progresso dos sistemas de controle parece andar sempre um passo atrás dos sistemas opostos, os de sua quebra. Às vezes, como no caso do ENEM, nem se tratou de vazamento sofisticado: a cena repetida à exaustão nos telejornais, do funcionário escondendo o exame dentro da cueca, mostra a força devastadora e humilhante do prosaico, apesar dos múltiplos olhares eletrônicos.
Além disso, como não pensar que em todos os ENEMs deve ter havido alguma escapada de informação, da mesma forma que na maioria das provas vestibulares? Quem pode se apresentar como o arauto do controle total? Sabemos o que esperar dos burocratas de plantão, nesses casos. Após uma série de mútuas acusações chatíssimas e ad nauseam, que ocupam tempo precioso dos debates televisivos, aparece alguém com a solução esperada e óbvia: um sistema mais aperfeiçoado de controle, nesse caso, um cofre mais bem fechado.
Pensam que foram hackers especializados os que quebraram as senhas do Hotmail. Não necessariamente. Para a alegria da moçada, o mercado oferece uma série de gadgets tecnológicos capazes de realizarem pequenos roubos internéticos, a começar, é claro, pelos arquivos do seu colégio, com o objetivo de melhorar as sua notas e as de seus amigos, no clique do ratinho, digo, do mouse. Se antigamente as crianças ficavam contentes em descobrir alguns segredos de seus pais, por ser uma forma de escapar ao jugo da autoridade vivida como aplastrante, imaginem o que sentem ao invadir uma escola, ou, em sonhos, um banco.
Do ponto de vista psicanalítico, temos três tipos de intimidade: imaginária, simbólica e real. A imaginária e a simbólica têm em comum o fato de poderem ser representadas: uma, na imagem e outra, na palavra. O mais interessante para os dias de hoje é a terceira, a intimidade real, por exatamente não poder ser representada. Ela diz respeito a um sentimento silencioso que habita cada pessoa, que, embora não possa ser expresso de nenhuma maneira, nem por palavras, nem por imagens, só podendo ser aludida poeticamente, orienta os atos fundamentais da vida de cada um. Imagens podem ser roubadas, palavras podem ser copiadas, mas a intimidade real não, ela é indevassável exatamente por não ser passível de representação. Um exemplo sensível seria imaginar que você pode ter a fotografia do Roberto Carlos, que você pode saber muita coisa da vida dele, no entanto, se encontrá-lo, você vai ver que não o conhece. O mesmo se pode dizer da atriz que tem seu corpo nu estampado em uma revista masculina; isso não a faz mais conhecida sua, e, ao encontrá-la, nada lhe permitirá uma conversa de alcova.
Temos, em decorrência, duas políticas possíveis para tratar o descontrole: imaginar que ele é fruto de imperícia, ou que é estrutural da espécie humana. Ser adepto do primeiro caso incorre nas tendências paranóicas atuais de controlar sempre mais e melhor. Não é impossível que cuecas venham a ser proibidas em certas repartições. Concordar com a segunda hipótese, a da falha estrutural na constituição humana, nos conduz a buscar uma nova política que inclua o erro, sem por isso diminuir o acerto.
Isso não quer dizer que deveríamos defender uma liberalidade desregrada, claro que não. O que quer dizer é que não devemos nos desesperar frente a exemplos como o da quebra do sigilo do exame do ENEM, e muito menos se confortar com o lamurioso e obsoleto – “Só no Brasil, mesmo”. Exames são imprescindíveis na organização social, suas falhas, paradoxalmente, também. O governo pode criar o exame para controlar os exames dos colégios; duro será criar agora o exame do próprio exame que controla os outros exames. Os adeptos da Lógica, aí reconhecerão um exemplo do famoso paradoxo de Russell. De saber se equilibrar na difícil gangorra do conflito perene do homem com a civilização, depende a boa política.
O que tudo isso tem a ver com as Olimpíadas no Brasil, também notícia maior da semana? Tem o seguinte: há os que acham um absurdo as Olimpíadas aqui devido à premência de problemas sociais que se beneficiariam da verba destinada ao esporte. Para esses, a melhoria social se dá linear e progressivamente, conforme uma hierarquia de valores por eles estabelecida. Nesse caso, as Olimpíadas estariam nos últimos lugares das prioridades. Já outros, a maioria - pelo observado nesses dias - se dá conta que o desenvolvimento social se dá descompassadamente, por saltos: um lugar avança mais, influencia outro que por sua vez muda, e assim por diante, tal qual uma epidemia.
O ENEM, mal ou bem, será realizado; Lettermans, mal ou bem, voltarão para casa; as senhas da internet, mal ou bem, serão secretas; cada um ficará bem, se souber se apoiar preferencialmente em sua intimidade real, deixando as outras duas aos leões; e o Brasil realizará as Olimpíadas.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Trauma

"A partir de 1920, o trauma passa a ser entendido como conseqüência do rompimento do escudo defensivo pelo excesso de excitações que põem em risco a dominância do princípio de prazer e a estruturação do aparelho psíquico." (Batista, A. Fernanda)

Como de costume, ao post anterior se segue um outro com a explicação.

O que narrei no post anterior foi uma situação onde eu não tinha nenhum referencial para agir. Embora eu tivesse sim toda uma estrutura psíquica organzada e com uma boa base teórica apropriada para vivenciar e atuar sobre aquele acontecimento, por que é que não consegui fazer?

Embora a explicação por si mesma seja realmente simples, a experiencia disso nos levanta muitas questões. Por exemplo, se aquela era minha função, e eu estava prepara para tudo o que aconteceu, quer dizer então que eu fiquei traumatizado?

A resposta é simples. Sim.

No entanto, não quer dizer que aquele momento em si foi traumático, mas foram outros momentos que eu passei na minha vida na qual aquele novo momento me fez relembrar, reviver, re experimentar os outros momentos não elaborados pela minha psiquê.

Explico melhor:

Freud descreve um caso que nos levará a compreender com mais facilidade. O caso katarina (ou o caso da menina da montanha, como queiram) nos traz justamente um aspecto fundamental para a compreensão da definição de Trauma feita por Freud.

A garota havia sido abusada em sua infancia pelo seu pai, porém sem saber o que acontecia, ou seja, sem ter nenhuma representação psíquica outra que desce um sentido sexual para as investidas de seu pai, acabou ficando por isso mesmo.

Ocorre que, algum tempo depois, Catarina flagra seu pai fazendo a mesma coisa com sua prima. Como neste momento do flagra Catarina já estava ciente do que estava acontecendo pois estava já bem mais velha, ela então fica "traumatizada" com o que aconteceu. Segue-se ao trauma da visão de seu pai com a prima alguns sintomas descritos como histéricos.

Podemos dizer então que a situação em si mesmo não tem muito o que "traumatizar", porém a representação simbólica que se liga ao real e que afeta o sujeito acaba por fazendo uma série de sintomas que ao aparecer denominamos de situação traumática.

Perceba bem caro leitor, não é um acontecimento apenas que nos leva ao trauma, mas a significação dos acontecimentos passados. Mais um exemplo: é como se a pessoa tomasse enfim consciencia das grandes besteiras que fez durante sua vida e agora com um diagnóstico de Cancer de pulmao (sem ainda os sintomas do cancer), a pessoa acaba entrando em depressão profunda, não que esta seja uma condição do cancer, mas pelo contrario, é uma condição dela mesma de lidar com tudo aquilo que ela viveu.

Ocorre uma re-significação dos atos desta pesssoa, ocorre que no momento que lhe é dado o diagnóstico de câncer poderia ser falado que o cancer dela é simples, ou que ainda este diagnóstico estava errado pois foi feito outros... enfim. Não importa as palavras ditas, mas o que as palavras afetam nas pessoas. Este afeto da palavra podemos dizer ainda de outra forma, em que representações estas palavras se ligam.

Para mim, aquele momento de perda de alguém me lembrava de minhas histórias de perda. Quando perdi parentes queridos minha vontade era de ficar na companhia dos parentes que me restaram, sem dizer nada, apenas estar na companhia deles. Foi o que aconteceu, no momento em que percebi o choro e tudo aquilo me afetou, voltei para traz e pensei, farei o que eu gostaria que fizessem para mim. Fui presente.

domingo, 11 de outubro de 2009

Grito, Lágrimas e Morte

Estava eu e meu colega de estágio um dia desses no HU, quando ouvimos um grito. Aquele grito simbolizava algo aterrorisador. Tentei sair da enfermaria em vão. Alguém lá dentro precisava do serviço que eu por um acaso oferecia. Mas naquele momento, em que as pessoas mais precisariam de todo meu conhecimento e experiencia (muito pequeno é verdade, mas mesmo assim o conhecimento específico na área da psicologia, era eu o embaixador).

Quanto tempo se preparando para este momento, quanto tempo se preparando para realmente poder fazer alguma. Foram 9 meses de espera até aquele momento. Justamente naquele momento eu não podia fazer pois embora quisesse não desejava ver aquilo tudo outra vez.

Explico melhor.

A diferença entre desejo e querer acho que já discorri sobre isso em outros posts aqui no blog. mas basicamente o desejo é para onde meus pés me levam e a vontade é aquilo que posso de certa forma não fazer.

"Aquilo tudo outra vez", aquele grito de medo, de desespero, de morte. Estava tudo aquilo marcado pela minha história de vida. Alguém aqui já passou pelo momento onde uma pessoa morre e deve ser comunicado aos familiares?

Há um grito de terror, ou um silencio onde o grito se manifestará nas lágrimas. De certa forma tudo aquilo tinha que sair para fora.

O que quero aqui deixar claro hoje, é que as vezes, em situações traumáticas (de acordo com Freud o trauma é um conjunto de acontecimentos que a mente humana não pode elaborar, são acontecimentos repentinos e que trazem consigo como que um carregamento de elementos outros que se unem naquele momento traumatico), só nos resta gritar.

Fiquei ali imóvel ouvindo alguns familiares gritando pela voz, e alguns outros gritando pelas lágrimas que corriam de forma compulsiva.

Ambos sentiam uma dor que não inexprimivel, e se não pode ser exprimível, o que fazia eu lá? O que podia eu com todo o conhecimento teórico fazer ali com aquelas pessoas? Tinha cerca de 8 familiares ali se abraçando e chorando e eu, meu parceiro de estagio e uma outra mulher que trabalhava no HU.

Ser PRESENTE, isso é o que eu deveria fazer. Não ficar oferecendo nada a eles, mas simplesmente estar ali a disposição. Estar encostado na parede como quem participa do momento. Me apresentei para uma mulher que estava ali e pela primeira vez compreendi a diferença de SER PRESENTE e ESTAR PRESENTE.

Naquele momento eu era presente a eles todos eles. Ela começou a conversar comigo sobre outra mulher, e aos poucos começou a chorar, dei um abraço nela, eles já estavam de saída e então me coloquei novamente a disposição.

Estar presente é estar ali simplesmente como ouvinte, como alguém. Ser presente é você estar ali também, mas como pessoa, como sujeito que mesmo sem nada a oferecer se oferece ao outro com amor, como um presente que pode ser util para alguma coisa.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Nova Des- Ordem social?

Ando lendo os jornais e para minha surpresa não sei realmente a quem apoiar. Ou apoiamos Zelaya, ou ao grupo que retirou ele do poder. Ou apoiamos o povo, ou ao grupo que está protegendo o povo. Apoiaremos os ditadores armados ou o golpista sensacionalista expulso por tentar ficar mais tempo no poder?

É estranho pois se fosse aqui no Brasil e o Lula quisesse ficar mais tempo o que aconteceria?

Não sei. Sinceramente não tenho uma resposta política, moral ou no mínimo racional para tudo isso. Ambos tentam realizar a manutenção ddo poder de acordo com suas idéias, com suas vontades, e acabam colocando o povo em segundo, terceiro, último plano.

Aqui em Londrina quando derrubamos o prefeito Belinati foi justamente por que ele deu uma festa para o povo, teria contratado até mesmo a xuxa para vir fazer um show na inauguração do PAI (Pronto Atendimento Infantil). Alguns políticos se organizaram para tira-lo da prefeitura com o slogan "pés vermelhos, mãos limpas" (pés vermelhos pois é o simbolo da terra roxa do N do PR.), em contrapartida o povo adotou o slogan "ele rouba mas faz".

Fiquei do lado dos mãos limpas na época. Ganhamos, derrubamos o prefeito, descobrimos um esquema de corrupção enorme que levou Belinati para a cadeia, e algum tempo depois nossas mãos continuam limpas.

A cidade está abandonada, o ex-prefeito tentou mais 2 eleições sem sucesso. Porém agora, o povo está de saco cheio das mãos limpas. Mãos que não trabalham, que nem se quer abrem a porta de seus gabinetes, que não limpam os ouvidos para os mais fracos.

Temos supostamente um prefeito que era intermediário, porém continua sem fazer nada e o pior com um aconchavo político violento e violentador dos ricos e principalmente dos pobres.

A realidade disso tudo meus amigos é que não importa, na política o mal (pelo menos aqui em Londrina) sempre vence os de bem.

No andar da carruagem a ordem é a mesma, não há ordem alguma, é sempre o mesmo grupo no poder. No banco central brasileiro o presidente LULA não modificou nada do que o FHC deixou, nos projetos sociais o LULA aumentou os benefícios que o FHC já dava para o povo, com um agravante, não é mais necessário apenas estudar para as crianças receberem a bolsa. O povão continua povão, o poder continua com o povão que dá seu poder a pessoas que o utilizam para retirar a chance que eles tinham de se mobilizar a favor de si mesmos.

Os que fazem algo para todos são sempre os mesmos. Ongs, Igrejas, Professores, e normalmente os que não são pagos por fazer nada disso.

E se me perguntarem o que é Brasil, responderei que é um país de brasileiros dominado pelos políticos e oprimidos pela polícia, pelo tráfico, pelo medo, mas acima de tudo um país que tem um povo que tenta fazer a sua história dar certo.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Questão de Prova de Psicanálise e Processos Sociais

Avesso do Avesso

Eu nascia na surpresa, agora, na previsão;
Eu não saia de casa, agora vou para a creche;
Eu namorava alguém, agora vou ficando;
Eu decorava tudo, agora uso o Google;
Eu jantava na hora da família, agora, do microondas;
Eu fazia passeata, agora, nem serenata;
Eu escolhia uma faculdade, agora estudo em várias;
Eu queria ser doutor, agora, inventor;
Eu saía de casa cedo, agora sou canguru;
Eu casava lá pelos vinte, agora, quase aos quarenta;
Eu jamais me separava, agora só divorcio;
Eu me aposentava aos cinqüenta, agora mudo de profissão;
Eu morria aos setenta, agora tenho morte lenta.
E se alguém me perguntar o que eu vou fazer agora, antes
por favor me responda: - Afinal, que raios é a globalização?

Jorge Forbes, 9 de agosto de 2009

Resposta:

Um processo de desfronteiralização do sujeito onde ninguém mais é. Onde os desejos do sujeito são mesclados em tal profundidade que tudo o que o sujeito deseja é o que a sociedade oferece como desejo.
Resta porém um ultimo desejo que este é inato, o desejo de permanecer em um estado de "nirvana" em um estado tal em que não há nenhuma inquietação. Este estado após ser não alcançado leva a duas situações.
A primeira situação é a do reconhecimento da incompletude, da falta e com isso uma elaboração mais profunda do eu. Esta elaboração passa a dar um significado a vida do sujeito e com isso ele buscando a si mesmo encontra uma nova vida autonoma, uma vida na qual ele passa a ser o sujeito sujeitador de si mesmo.
A segunda opção é encontrar o estado de nirvana na morte, seja morrendo lentamente em uma depressão pela impossibilidade de alcançar o objeto de desejo ou seja ainda pondo cabo a própria vida.

domingo, 4 de outubro de 2009

Teoria na Pratica - Ato Falho

Bom gente, gostaria de agradecer as pessoas que frequentemente me falam sobre o blog, e agradecer também a todos que tem acompanhado as loucuras de minhas "Brain Storms".

O mais gostoso do Ato Falho é a surpresa e a vergonha com que ele nos acomete. É de repente, parece que sem nenhum sinal, a coisa sai antes mesmo de nos darmos conta.

O pior de tudo é exatamente que se ninguém comentar nada a respeito a vergonha da lugar a uma calma mais animadora. Porém, sempre ha alguém que comenta alguma coisa e o silencio se estabelece como forma de dizer. Vish (parafraseando a Karina do HU).

Bom, nada como após ser acometido do dito cujo, emendarmos um Xiste. Calma que explicarei melhor.

O Xiste é aquela típica piadinha que você faz de forma irônica e que normalmente as pessoas riem muuuuuuito. Um comentario sarcástico por exemplo sobre uma situação: A moça do check-in pergunta para o cliente de determinada comphania aérea:
- Bom dia. O senhor relamente viaja bastante conosco, o Sr gosta de andar de avião?"
Até aqui normal, mas o cliente logo responde em um tom meio baixo mas como aquela pessoa que está de saco cheio e não quer conversa:
- Olha, andar eu não sei não, afinal logo que ele começa a andar e levanta voô.

Está aí um exemplo de um Xiste. (Existem outros melhorezinhos nas obras de Freud)

O que ocorre é que após um ato falho os xistes divertem, protegem a pessoa do erro e levam todas as pessoas a esquecer o que foi falado, ou no mínimo de vergonhosa a situação acaba sendo muito comica.

Estava eu fazendo a supervisão de um caso no HU quando em meio ao meu discurso lendo minhas anotações, quando fui indagado sobre uma questão do paciente e eu falei:

- Então espera um pouco, deixa eu achar onde o paciente escreveu.

No meio de 4 psicólogos uma vira e me diz:

- O paciente escreveu?

Notem bem que o paciente não escreveu nada, quem escrevia era eu, e não ele, como algumas coisas do paciente tinha a ver comigo me senti um pouco confuso e depois olhei pra ela e disse em um tom assim, para por favor que eu não uero brincar de ser analisado.

- Não, minto, eu psicografei.

Risada geral na supervisão, continuamos por ali e tudo deu certo.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

"Não Minto"

O desejo ao ser expressado em um momento na qual não deveria, sugere que "alguém falou por mim".
Devemos compreender a diferença entre EU e MIM. Lacan traz um trabalho maravilhoso sobre estes dois aspectos no texto "O estádio do Espelho", onde aparece um eu como sujeito e um mim que parece ser um outro eu que deseja.
Na fala das crianças isso é muito comum "mim vai pra escola agora" parece que é uma outra pessoa que está indo para a escola. Não há ainda para a criança uma idéia clara de si mesmo como um EU. Ela pode ter e até em determinado momento acaba tendo consciencia de que ela é alguém, mas mesmo assim este mim continua aparecendo.
Não se trata apenas de errar o portugues mas antes, se trata de um aparecimento de um outro que embora esteja na criança não é a criança ainda.
Depois ao nos adaptarmos as regras (super-ego) lingüisticas, acabamos por colocar o mim de lado e tudo o que faço sou eu quem faço. Quanta responsabilidade agora, afinal de contas se eu errar sou eu quem erro, sou eu quem falo, sou eu quem minto.
Mas também sou eu quem deixa escapar uma verdade, um desejo que no momento não deveria aparecer, então logo recorro ao pensamento de que as vezes parece que este que falou embora sendo falado por MIM não representa o que EU quiz dizer.
Mas sempre o MIM acaba falando, isso é o que aparece como ATO FALHO.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

"Não, minto."

Quando dizemos "não, minto", o que nos parece?

Que mentimos da primeira vez, qu nos enganamos, que não conseguimos "lembrar" o que queriamos dizer.

Interessante analisar este tipo de expressão que comumumente se segue aos famosos atos falhos. Caso aconteceu com você fique livre para comentar sobre tal.

A palavra dita realmente é entendida como uma peripércia da nosso eu que eu ao discorrer sobre uma idéia teve um lapso, um corte na idéia e surgiu sem querer uma outra coisa que parecia que estava ali mas não deveria estar.

Retiremos a vírgula e teremos um lindo: "Não Minto". Digo então a verdade, mas que verdade é esta que aparece "do nada", que aparece deste lapso de consciencia?

É a verdade do desejo que aparece e com isso podemos dizer que ao não mentir fica o dito pelo não dito.

Esta troca entre o dito pelo não dito é muito engraçada as vezes, mas também muito sofrida e embaraçosa na maioria das vezes. Parece que dissemos algo que jamais poderíamos ter dito, pelo menos não naquela situação, não com aquele público.

Curioso que é o caso de um deputado que não desejava abrir uma sessão e disse ao iniciar a sabatina diária: "declaro fechada a reuniao de hoje", quando deveria declarar que estava aberta.

Freud compreendeu este movimento (e mais tarde Lacan explica melhor e um pouco mais dificil) como um movimento na qual o que eu desejo está suprimido pelas regras, pelo momento, pela moral, em outra palavra, pelo super-ego. Não podendo assim me expressar livremente me calo ou ainda, ("não, minto") minto para a sociedade porém não consigo mentir para este desejo que pulsa em mim.

CONTINUA...

domingo, 20 de setembro de 2009

Epidemiologista francês respalda Papa sobre preservativoRecorda que inclusive ONUSIDA lhe dá razão

PARIS, terça-feira, 15 de setembro de 2009 (ZENIT.org).- Para René Ecochard, professor de medicina, epidemiologista, chefe do serviço de bioestatística do Centro Hospitalar Universitário de Lyon, "as palavras de Bento XVI sobre o preservativo são simplesmente realistas".

Este é, de fato, o título de um documento que assinou em abril passado, após a viagem pontifícia à África (de 17 a 23 de março) e a polêmica lançada por meios de comunicação ocidentais sobre as declarações do Papa sobre o preservativo.

Entrevistado pelo jornal francês La Manche Libre, o professor Ecochard lamentou "a falta de realismo" que se dá "nesta questão que é prisioneira da ideologia". Parece algo como "se a opinião perdesse seus pontos de referência quando enfrenta as questões da sexualidade e da família".

René Ecochard considera que "se deu um erro de compreensão na opinião pública". "As pessoas acreditaram que o Papa falava da eficácia do plástico, do preservativo, quando na realidade falava das campanhas de difusão do preservativo. Isto é muito diferente".

"Da mesma forma que todo objeto tecnológico de prevenção, o preservativo tem uma eficácia quantificada", afirma. Mas, "o problema não está aí: todos os epidemiologistas concordam hoje em afirmar que as campanhas de difusão, nos países em que a proporção das pessoas afetadas é muito elevada, não funcionam".

"Se o preservativo funciona quatro de cada cinco vezes", isto pode ser suficiente "quando a Aids não está estendida". "Mas em um país em que 25% dos jovens de 25 anos estão afetados (Quênia, Malaui, Uganda, Zâmbia), isto não é suficiente". "O fracasso desta forma de prevenção é uma realidade epidemiológica".

"Rodeado de especialistas, bem informado pela Academia de Ciências de Roma, o Papa dominava perfeitamente esta questão antes de ir para a África", acrescenta.

Na entrevista, René Ecochard se detém em particular sobre o caso de Uganda, o único país "em que o número dos enfermos foi dividido por três na idade de 25 anos". "Além da campanha sobre o preservativo, este país realizou uma ampla campanha baseada no tríptico ABC (abstinência, fidelidade, castidade ou preservativo)".

"O casal presidencial, os grupos religiosos, as escolas, as empresas... todo mundo apoiou esta campanha, freando a Aids, que será combatida se cada um buscar ter atitudes sexuais conformes às tradições familiares", explicou.

"Pode ser que não seja fácil reproduzir isto de um país ao outro, mas hoje, é a única esperança", acrescenta o epidemiologista francês.

Hoje, "mais de 60% dos cientistas estão a favor das campanhas ABC", declarou, recordando que é a política adotada por ONUSIDA.

 
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