Primeiramente tive um sonho.
Eu no sonho caminhava ao lado de uma pessoa que me puxava e andava com outras pessoas, mas para meu espanto fui ficando para traz, minhas pernas já não aguentavam mais, não estavam doloridas, mas estavam estranhamente anestesiadas, aos poucos eu ia perdendo a força para caminhar, aos poucos ia ficando para traz enquanto aquela pessoa me puxava para adiante.
Alguns dias depois deste sonho, para meu espanto a mesma pessoa do sonho (*nota do escritor (sempre quiz fazer isto), só pude perceber quem era a pessoa após o ocorrido) me ligou me chamando para ir fazer-lhe uma visita. Pela pessoa ser especial para mim, uma pessoa muita cara e que eu queria continuar nossa amizade, eu disse que iria, mas...
Sim meus amigos, mas, minhas pernas ficaram como no sono, pesadas. A cada passo que eu dava em direção a sua casa minhas pernas pesavam mais e mais, um sono me abatia, um cansaço me consumia, mas por que? Eu queria ir, mas meu corpo aparentemente me dizia o contrario.
Aí está o conflito, embora eu quisesse ir, já estava cansado daquela pessoa me amolando, aquela amizade estava me desgastando muito mais do que eu pudera imaginar, e como eu não queria saber daquele sentimento "egoísta" meu desejo de não ir se manisfestava no meu corpo, no cansaço, na fadiga, nas pernas que pesavam.
Mais que resolver o conflito interno entre estar com aquela pessoa ou não, era nescessário que eu resolvesse a qualidade e a forma do meu estar. Não é simplesmente obedecer a uma outra voz que vem em minha cabeça (no caso a voz do não encontrar era sempre reprimida por mim mesmo antes mesmo de virar uma voz), mas muito além disso tudo, era eu na minha liberdade, consertar o relacimento com determinada pessoa para ser melhor para ambos.
Mas, de novo o mas, não é tão facil assim.
Para que chegasse ao ponto de um sintoma em mim, era porque a coisa já estava adiantada, muitos sentimentos estavam escondidos, de mim mesmo, e outros eu escondia da outra pessoa.
Desvendar por associação das metáforas que se formaram, desvendar o elo quebrado e perdido de uma corrente de idéias e sentimentos não é facil, é nescessário um tempo para nós mesmos se calar, se fechar em si e para si mesmo e assim reconstruir aquilo que está já construído.
Quando digo reconstruir não digo começar do zero, quebrar tudo, mas apenas rever tudo o que aconeteceu, parte por parte, acontecimento por acontecimento como uma terceira pessoa, um alguém de fora.
Lembrem-se quando haviam problemas de matematica e ao se constatar um erro na conta, era refeita parte por parte com a professora para verificar onde estava o erro? É mais ou menos assim.
Deve-se reviver sentimento por sentimento, acontecimento por acontecimento, diálogo e mais diálogo, até que uma hora se encontre o elo perdido, o elo escondido da corrente que é nossa vida, para aí então e a partir daí recomeçar.
Leva tempo, muitas vezes dói pois são feridas as vezes cheias de terra que haviamos enterrado a muito tempo, mas ao final do heroico trabalho podemos dizer que valeu a pena.
10:38 PM
Marco Correa Leite