quarta-feira, 18 de setembro de 2013

A questão do inconsciente na psicanálise:


O que seria o inconsciente que aparece e tanto falam os psicanalistas clássicos? Seria uma forma de agir, de pensar, ou de falar?

Uma forma de funcionar, o inconsciente é todo um funcionamento que tem um objetivo único a satisfação. Desde meu relatório clínico (TCC) na faculdade, até o cartel a respeito do tema, e ainda hoje, no mestrado e nos estudos paralelos, além da prática, fica cada vez mais claro que o inconsciente é um funcionamento.

O inconsciente não é um lugar, como muitos pensam,  nem mesmo uma grande desculpa para nossos atos "fiz isso inconscientemente" como afirmam algumas pessoas. Freud deixou claro isso em seus textos, embora precisemos de um bom esforço e dedicação para compreender que o aparelho psíquico tem um funcionamento inconsciente.

Diferente do nosso coração batendo que sentimos ele pulsar quando queremos, ou de nossa respiração que paramos de respirar se nos der vontade, por exemplo para mergulhar em uma piscina. O funcionamento inconsciente de nosso aparelho psíquico esta muito ligado ao funcionamento de órgãos internos imperceptíveis, por exemplo, nosso pâncreas que produz a insulina.

Não percebemos seu funcionamento, mas o produto de seu funcionamento esta ali, imperceptível, mas sempre presente. Veja bem que o inconsciente não é como o órgão pâncreas, mas sim o seu funcionamento, silencioso, por trás de toda suspeita, e nem sempre notado. Este tipo de funcionamento podemos dizer que é um funcionamento inconsciente, ou seja, um funcionamento no qual o indivíduo não tem consciência do que se passa em si mesmo.

Temos no aparelho psíquico, desde a primeira tópica proposta por Freud, uma diferença clara entre consciente e inconsciente, na qual Freud afirma que o inconsciente é recalcado, ou ainda, atraído para longe da consciência. Sim, atraído, por algo que ele irá chamar de um recalcado primário. Um traço mnemônico, uma coisa, algo ali que não pode aparecer de forma alguma e que de tempos em tempos insiste em retornar à consciência, seja em sonhos, em atos falhos, naquelas famosas "piadas internas" onde apenas poucas pessoas sabem do que se trata.

Todo este movimento é inconsciente, não a coisa em si, a coisa esta em estado de inconsciente, mas ela não o é desde o princípio assim. O que ela tornou-se é parte de um mecanismo (aparelho psíquico) no qual produz efeitos (ou ainda Afetos) sem a consciência da própria pessoa.

Como por exemplo nos casos de transtorno do pânico, ansiedade generalizada, depressão, angústia, e muitas outras "doenças da alma". Há algo ali funcionamento inconscientemente que a primeira vista parece estar totalmente fora de contexto, mas que na verdade quer aparecer. Este é o trabalho do psicanalista, não apenas trazer isto a tona, mas além de revelar o que esta em estado de inconsciência e também seus efeitos, o psicanalista irá dar a oportunidade de fazer outra coisa com isso, transformando o mal-estar em um mínimo de bem estar. 

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