domingo, 1 de abril de 2012

Psicanálise e a Falta.

by: Orlando Pedroso
Quem já se aventurou em ler um pouco de Freud sabe o que significa esta imagem produzida por Orlando Pedroso.

Como diria o ditado clichê "uma imagem vale mais que mil palavras".

Fico me perguntando as vezes o que seria uma imagem que representasse de fato a psicanálise, em especial meu trabalho clínico.

É impressionante como as vezes as imagens não represntam a exatidão do que se deseja representar, talvez esta não seja a função delas, talvez seja exatamente de fazer como a própria psicanálise, ou ainda, como o próprio Freud o fez em seus textos, colocar questões.

Existe um algo ali a ser examinado, a ser crivado, a ser compreendido, mas que de alguma forma por mais que se fale sobre nunca se chega a UMA definição do incognoscível. A palavra de ordem aqui é FALTA. Faltam palavras na verdade. Faltam palavras que descrevam, falta tempo para pensar, falta dinheiro para pagar por sessões diárias no intuito de encontrar-se com aquilo que faz ALGO em minha vida, mas que não tenho nem idéia do que pode ser. O que pode ser tanto AQUILO que faz algo, quanto o ALGO que faz aquilo.

E literalmente faz a KILO, faz muito, pesa, sobrecarrega, e quem carrega todo este peso é o coitado do EU. Que não suporta, mas é suporte para o que se manifesta independente de sua vontade, de sua consciência, ou ainda, de si mesmo.

Uma resposta a uma pergunta e um incomodo como se ainda não fosse a resposta certa. O divã é como uma máquina do tempo onde as pessoa entram a dentro em seu passado para tentar explicar o que queriam ter dito. Queriam, mas pesou muito o Kilo daquilo que foi dito e novamente o analisando já está falando de outra coisa, incerto do resultado de sua explanação, mas esá tentando.

Pesa aqui, mede ali, a palavra vai ganhando status de objeto, vai representando de fato a coisa incognoscível, pela primeira vez (novamente) a coisa vai ganhando forma, vai se caracterizando, vai ganhando caráter de uma letra, como um caractere, algo real. De repente, após dizer tudo sobre aquilo, algo escapa, algo falta, uma pergunta vem a cabeça:

- E agora o que faço com isso?

O isso, deixa de ser aquilo, passa a ser algo conhecido, mas estranhamente, à lá "O Sinistro" de Freud, já era conhecido desde sempre. E se era conhecido desde sempre, não é de fato o que faltava saber.

E vamos nós de novo na próxima sessão com o mesmo método, tentar saber o que falta, e assim por diante até que o que falta deixa de ser importantante. Continua claro e evidentemente funcionando ali, incognoscivelmente, mas continua presente. 

O método passa a ser mais importante que a falta em si, pois frente a falta, descobriu-se um meio de lidar com isso, ou seja, falar sobre isso, falar sobre a coisa. Aos poucos falar sobre a coisa também deixa de ser importante, encontrá-la, conceituá-la, racionálizá-la, negá-la, encontrá-la deixa de ser o que o é buscado em analise.

A análise entra em outro tempo, o tempo de falar da falta. 

Falta AQUILO, falta a KILO, muita falta.

Falta, por isso o método analítico é importante, senão imprescindível, porque até hoje, mesmo com o avanço tecnólogico (que só avança porque algo falta), mesmo com as religiões (que buscam Aquele que falta), ou mesmo com a arte (que representam senão o que falta, ao menos mostram que ainda falta) TUDO tenta lidar com a FALTA mas só a análise permite àquele que se ve faltante, de fato ser faltante ser uma falta-atuante.

Então acho que cheguei à resposta que me perguntei no começo do texto, uma imagem que representasse de fato a psicanálise não existe, ainda falta.

2 Clique aqui para comentários: :

Postar um comentário

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Grants For Single Moms