As vendas dos antidepressivos nunca estiveram tão em alta. Só no Brasil,
no primeiro semestre de 2011, foram comercializados 34,6 milhões desses
remédios, um aumento de quase 50% em 4 anos, segundo a consultoria IMS
Health. A mesma fonte aponta que, nos EUA, 253 milhões de receitas foram
prescritas em 2010 — 22 milhões a mais que 3 anos antes. Na Inglaterra,
o serviço de saúde calcula que o consumo cresceu mais de 25% entre 2007
e 2010.
Os números vêm chamando a atenção dos pesquisadores. Nos últimos anos, diversos estudos científicos surgiram para investigar essa epidemia de depressão. Alguns são alarmantes. Para muitos especialistas, antidepressivos não são mágicos. Pelo contrário. Podem ser até menos eficazes que pílulas de farinha — os placebos.
Um dos principais nomes a defender isso é o psicólogo clínico Irving Kirsch, professor da Universidade de Hull e autor do livro The Emperor's New Drugs, exploding the antidepressant myth (“As novas drogas do imperador, explodindo o mito dos antidepressivos”, sem edição brasileira). Ele analisou 38 dos testes clínicos — publicados ou não — que foram enviados para o FDA, a agência de vigilância sanitária dos EUA, para aprovar os remédios Prozac, Effexor, Serzone e Paxil. Esses medicamentos, quando surgiram no mercado, foram vistos como revolucionários para o tratamento da depressão. O Prozac, por exemplo, entrou no mercado dos EUA em 1988 e, com agressiva campanha de marketing, em pouco tempo se tornou o líder do setor. Já o Efexor, lançado em 1993, ficou famoso por ter efeitos colaterais menos agressivos do que os outros antidepressivos, enquanto o Paxil se tornou conhecido por ter sido o primeiro medicamento aprovado nos EUA para tratamento de ataques de pânico — e mais tarde pelo efeito colateral de ganho de peso.
Vendo os testes desses medicamentos, Kirsch notou que só os resultados que envolviam pacientes severamente deprimidos foram publicados — apesar de, hoje, serem comercializados para qualquer intensidade. Nos mesmos documentos, viu que os efeitos desses medicamentos foram mínimos para casos de depressão média e leve (segundo a escala Hamilton de Depressão, a mais usada). E mais: depois de lançados os remédios no mercado, não encontrou mais nenhum estudo dos laboratórios sobre eles. As pesquisas posteriores sobre seus efeitos se resumiriam às feitas em universidades, como a publicada no final de 2010 pelo professor de psicologia da Universidade da Pensilvânia, Robert DeRubeis, que aponta semelhança entre antidepressivos e placebos.
No levantamento, DeRubeis avaliou 6 testes com 728 pacientes deprimidos e descobriu que a taxa de eficiência dos antidepressivos era praticamente igual à das pílulas de farinha no tratamento de depressão. No caso dos pacientes que receberam os placebos, a cura viria porque é comum que as pessoas se sintam melhores quando recebem tratamento, qualquer que seja ele. É o chamado “efeito placebo”, testado em todo medicamento antes de chegar ao mercado. Na conclusão do estudo, sem citar os dados exatos, o acadêmico diz: “a vantagem da medicação de antidepressivos sobre o placebo foi de inexistente a insignificante entre pacientes com sintomas de depressão leve, moderada ou até severa”.
Kirsch reúne dados similares sobre os testes dos 4 antidepressivos que analisou. Em seu livro afirma que “antidepressivos são drogas com pouquíssimo benefício terapêutico, mas com efeitos colaterais muito sérios”. Para ele, antidepressivos são similares aos placebos ativos — pílulas de farinha que provocam efeitos colaterais. Entre as consequências estariam náuseas, perda da libido e até dependência.
Os números vêm chamando a atenção dos pesquisadores. Nos últimos anos, diversos estudos científicos surgiram para investigar essa epidemia de depressão. Alguns são alarmantes. Para muitos especialistas, antidepressivos não são mágicos. Pelo contrário. Podem ser até menos eficazes que pílulas de farinha — os placebos.
Um dos principais nomes a defender isso é o psicólogo clínico Irving Kirsch, professor da Universidade de Hull e autor do livro The Emperor's New Drugs, exploding the antidepressant myth (“As novas drogas do imperador, explodindo o mito dos antidepressivos”, sem edição brasileira). Ele analisou 38 dos testes clínicos — publicados ou não — que foram enviados para o FDA, a agência de vigilância sanitária dos EUA, para aprovar os remédios Prozac, Effexor, Serzone e Paxil. Esses medicamentos, quando surgiram no mercado, foram vistos como revolucionários para o tratamento da depressão. O Prozac, por exemplo, entrou no mercado dos EUA em 1988 e, com agressiva campanha de marketing, em pouco tempo se tornou o líder do setor. Já o Efexor, lançado em 1993, ficou famoso por ter efeitos colaterais menos agressivos do que os outros antidepressivos, enquanto o Paxil se tornou conhecido por ter sido o primeiro medicamento aprovado nos EUA para tratamento de ataques de pânico — e mais tarde pelo efeito colateral de ganho de peso.
Vendo os testes desses medicamentos, Kirsch notou que só os resultados que envolviam pacientes severamente deprimidos foram publicados — apesar de, hoje, serem comercializados para qualquer intensidade. Nos mesmos documentos, viu que os efeitos desses medicamentos foram mínimos para casos de depressão média e leve (segundo a escala Hamilton de Depressão, a mais usada). E mais: depois de lançados os remédios no mercado, não encontrou mais nenhum estudo dos laboratórios sobre eles. As pesquisas posteriores sobre seus efeitos se resumiriam às feitas em universidades, como a publicada no final de 2010 pelo professor de psicologia da Universidade da Pensilvânia, Robert DeRubeis, que aponta semelhança entre antidepressivos e placebos.
No levantamento, DeRubeis avaliou 6 testes com 728 pacientes deprimidos e descobriu que a taxa de eficiência dos antidepressivos era praticamente igual à das pílulas de farinha no tratamento de depressão. No caso dos pacientes que receberam os placebos, a cura viria porque é comum que as pessoas se sintam melhores quando recebem tratamento, qualquer que seja ele. É o chamado “efeito placebo”, testado em todo medicamento antes de chegar ao mercado. Na conclusão do estudo, sem citar os dados exatos, o acadêmico diz: “a vantagem da medicação de antidepressivos sobre o placebo foi de inexistente a insignificante entre pacientes com sintomas de depressão leve, moderada ou até severa”.
Kirsch reúne dados similares sobre os testes dos 4 antidepressivos que analisou. Em seu livro afirma que “antidepressivos são drogas com pouquíssimo benefício terapêutico, mas com efeitos colaterais muito sérios”. Para ele, antidepressivos são similares aos placebos ativos — pílulas de farinha que provocam efeitos colaterais. Entre as consequências estariam náuseas, perda da libido e até dependência.
A influência do marketing
Muitos psicólogos questionam também o excesso de propaganda na adoção desses medicamentos. Um estudo que saiu no New England Journal of Medicine, assinado pelo professor de psicologia da Universidade da Califórnia Robert Rosenthal, mostra que, em 74 estudos registrados no FDA dos EUA, foram publicados em jornais científicos 37 com resultados positivos para os antidepressivos, enquanto 22 que tinham resultados negativos (ou seja, que não havia diferença significativa entre placebos e antidepressivos) ficaram na gaveta.
O artigo ressalta, ainda, que 11 estudos que tiveram resultados negativos foram publicados de modo que parecessem positivos. Rosenthal conclui que, ao se analisar apenas as pesquisas publicadas, os antidepressivos pareciam ter eficiência de 94% enquanto todos os estudos analisados apontavam para uma taxa bem menos expressiva: 51%.
Junto a isso, vieram críticas em relação à atuação de alguns psiquiatras. Eles foram acusados de envolvimento excessivo com a indústria farmacêutica, promovendo medicamentos de certas marcas e recebendo benefícios em troca. Desde pequenos presentes entregues pelos representantes da indústria, como ingressos para shows e telefones celulares, até pagamento de estadia em caros congressos. Outra queixa é que prefeririam receitar rapidamente um antidepressivo em vez de ouvir o paciente e tentar entender a sua história de vida. “Há uma motivação econômica: é possível atender muito mais gente receitando antidepressivos do que ouvindo um paciente”, disse Daniel Carlat, psiquiatra e autor do livro Unhinged, The Trouble with Psychiatry.
Muitos psicólogos questionam também o excesso de propaganda na adoção desses medicamentos. Um estudo que saiu no New England Journal of Medicine, assinado pelo professor de psicologia da Universidade da Califórnia Robert Rosenthal, mostra que, em 74 estudos registrados no FDA dos EUA, foram publicados em jornais científicos 37 com resultados positivos para os antidepressivos, enquanto 22 que tinham resultados negativos (ou seja, que não havia diferença significativa entre placebos e antidepressivos) ficaram na gaveta.
O artigo ressalta, ainda, que 11 estudos que tiveram resultados negativos foram publicados de modo que parecessem positivos. Rosenthal conclui que, ao se analisar apenas as pesquisas publicadas, os antidepressivos pareciam ter eficiência de 94% enquanto todos os estudos analisados apontavam para uma taxa bem menos expressiva: 51%.
Junto a isso, vieram críticas em relação à atuação de alguns psiquiatras. Eles foram acusados de envolvimento excessivo com a indústria farmacêutica, promovendo medicamentos de certas marcas e recebendo benefícios em troca. Desde pequenos presentes entregues pelos representantes da indústria, como ingressos para shows e telefones celulares, até pagamento de estadia em caros congressos. Outra queixa é que prefeririam receitar rapidamente um antidepressivo em vez de ouvir o paciente e tentar entender a sua história de vida. “Há uma motivação econômica: é possível atender muito mais gente receitando antidepressivos do que ouvindo um paciente”, disse Daniel Carlat, psiquiatra e autor do livro Unhinged, The Trouble with Psychiatry.
Revista Galileu: http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI291080-17933,00-ANTIDEPRESSIVOS+FUNCIONAM.html
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Não é de hoje que aqui no Blog as pessoas encontram críticas ao pensamento da medicalização, mas é preciso termos bom senso. Esta matéria publicada na revista Galileu no entanto não diz sobre as consequencias de deixar o pacientes "abandonado" sem nenhuma alternativa. Retirar muitas vezes o medicamento, ou ainda dizer ao paciente "Olha, temos este ou aquele, mas não existe comprovação científica de que o meciamento irá funcionar corretamente como esperamos".
Bom, não sou a favor da medicalização, mas temos que admitir que em alguns momentos, a terapia medicamentosa faz-se necessária. Bons psiquiatras trabalhando conjuntamente com bons Psicoterapeutas / Psicanalistas tem um resultado muito satisfatório seja com depressão, sindrome do panico, Trantornos compulsivos / obsessivos, entre outras manifestações de mal-estar psíquico.
O problema é o valor que é dado para a terapia medicamentosa, muito excessiva em relação a outras terapias. Como por exemplo a psicoterapia.
Alguns irão dizer:
Mas espere um pouco, é muito mais caro psicoterapia do que a medicalização-terapia.
Até pode ser que o psicólogo psicanalista cobre mais caro que uma cartelinha de medicamentos, mas após algum tempo, você poderá viver sem ele. Já com o medicamento sem o trabalho em conjunto com um psicólogo / psicanalista, me desculpe, acho que será quase impossível.
8:12 PM
Marco Correa Leite

5 Clique aqui para comentários: :
Ao ler esta pagina no seu blog eu fui pensando nos Cosméticos...explico: todos querem parecer Belos! Visivelmente, a propaganda e venda dos cosméticos e' uma questão de Comércio. Tem também aqueles que prometem e nao tem efeitos algum, outros quem sabe, pelo investimento e por acreditar a pessoa passa ate a acreditar que de fato as rugas estão desaparecendo e que a pele esta mais hidratada - mas, pare de usar o tal cosmético que vera que as rugas estão todas lá e o cosmético nada fez ou fez enquanto em uso. Estou falando por experiência própria! Hehehe. A medicação muitas vez nao cumpre o desejado, tem efeitos advesios desagradáveis, e como costumo dizer: nada e' sem consequências! Logicamente, e' muito necessário medicar em alguns casos, entretanto, para muitos médicos receitar nao parece uma questão tao seria. Outro dia questionei uma medica e amiga quanto ao ouvir o paciente e ela me disse: "olhe, os meus pacientinhos adoram remedios, eles saem felizes do consultorio com sua receitinha". Pensei: pacientinhos e receitinhas... Talvez isto e' que seja o problema, tudo muito "pequeno" e assim parece sem maiores consequências. Quem vai se responsabilizar e pelo que? O que o paciente espera e pretende com a medicação? O que o medico espera e pretende ao medicar? Precisa ser pensado nisto, afinal, quem pode prometer e se responsabilizar pela realização, alegria, gozo, angustia do outro? O que se pretende e se espera... Se a droga vem cumprir um papel em substituição da alegria, das realizações ela esta no campo do outro e entratanto e' um objeto...será que espera-se que a droga raciocine e se responsabilize pelas questões dos sujeitos pensantes? Dai a questão e' semelhante as toxicomanias, as drogadicoes, os viciados em drogas.
Pacientinos e receitinhas, me parece uma criança atras de docinhos... Ganhou o docinho, vai se acalmar, ficar feliz, curar aquela inquietação, a ansiedade de ter que se haver com outras coisas, principalmente, e em última instância, com a falta...
Acredito sim que a medicalização excessiva seja como você bem colocou, mais uma drogadição. Agora, temos que tomar atitude frente a isso de alguma forma, oferecer outra coisa melhor, oferecer a escuta e de vez enquando a falta, o desânimo, a verdade aos nossos pacientes...
Ao invés de oferecer uma droga, um medicamento, que assim como vc colocou muito bem, são como a maioria dos cosméticos, servem para mascarar uma face, apenas isso.
Adorno já fala sobre isso com seu conceito de máscara mortuária e também o Agabmem quando coloca a questão dos Musulmans nos campos de concentração...
Para quem se interessar posso encaminhar um seminário que apresentarei dia 13 / 03 no mestrado da UEM...
Grande Abraço Cissa e muito obrigado por sua maravilhosa contribuição.
Me interesso sim em ler seu artigo, me envie por gentileza. Abs
"Bom, não sou a favor da medicalização, mas temos que admitir que em alguns momentos, a terapia medicamentosa faz-se necessária."
Esta é sua opinião. Não é um fato. Ouvi de um professor de farmacologia de uma grande universidade que basicamente se conhece MUITO POUCO sobre TODOS os medicamentos que atuam no sistema nervoso central, ou seja, os psiquiatras REALMENTE não sabem o que estão medicando a seus pacientes.
Himmmm...apo´s 2 decadas e meia tomando akineton. entre outras...Fujindo do sistema CARCERARIO HOSPITALAR brasileiro e estando no Japao que acabou de sancionar a lei que reconhece os Tetapeutas oficialmente...ainda prefiro ficar por aqui....
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