terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Pura morte

O amor é fogo quer arde sem se ver, mas como o combustível dos carros de carrida, ele mesmo assim queima e deixa cicatrizes. Sentimos sua presença, seu calor, sua força. Deforma-nos a face original, antes pura, agora marcadas como amados. Uma vez na brasa do amor, para sempre marcados, em busca da chama que arde, que queima, que marca, mas que jamais explode.

Assim como a chama queima a vela, nos deixamos ser amados como a parafina se deixa ser queimada. Quando fogo e calor demais, a parafina se esgota muito antes da noite acabar. O fogo deve queimar na medida em que a parafina da conta de ser queimada.

Aquelas velas enormes nas igrejas, os Círios, queimam o ano inteiro. Na verdade queimam nas celebrações. Deveríamos queimar de amor apenas nos momentos corretos diriam os mais equilibrados. Mas de equilibrados o inferno e os hospícios estão cheios.

Permite que o amor queime em você e marque a todos quem você puder marcar. Um sorriso, um abraço, um perdão, e acima de tudo a compreensão, a misericórida a piedade. São Francisco de Assis diria que não se vive sem amar, sem ser amado. Deixa de ser a vela, a parafina para ser o fogo.

Acho que este é o segredo do amor que purifica, que ama na medida em que o outro suporta ser amado. Não mais parafinas, mas o próprio fogo, o próprio amor. Amar os pobres, as coisas, as criaturas, as crianças aos leprosos, aos odiados, aos que nos odeiam. Ora, o fogo não queima e marca apenas o que se pode queimar. Deixa sua marca também nas paredes mais frias de concreto sólido e intocável. Marcas que permitem a todos saber que o fogo passou por ali.

Mas há dois tipos de chama. A que purifica, queimando as impurezas, e a que destrói.

Poderíamos simplesmente pensar que existe uma hora pra cada coisa, pequeno engano nosso. Na verdade sinto que o fogo que purifica sempre é bom. Mas é visto como destruição para aqueles que não suportam os planos do Amor.

Quando queima-se uma floresta inteira, as vezes podemos imaginar que foi um pecado, uma destruição sem medida, uma total falta de consideração da natureza por ela mesma. Dois anos depois passamos e vemos a vida florescendo, vida nova, ressurgida das cinzas que ao queimar, conseguiu adubar o solo e com a chuva pode fazer germinar as sementes em terra ainda mais fértil que antes.

As sementes que jamais conseguiriam germinariam em uma floresta, pois a humidade, a sombra de arvores maiores e os animais que poderiam comer seus brotos, agora pode crescer e florescer em terreno seguro.

Assim são nossas virtudes. Uma vez que nossa alma é tocada pelo fogo do amor, e tornamo-nos nós mesmos a chama que queima e marca o outro como amados, poderemos ver florescer o novo, a novidade  vida nova em meio às cinzas.

Acredito firmemente que o fogo agora, apenas purifica. Porém também destrói. E assim é o amor, quando queima, arde sem se ver, mas depois de um tempo aparecem as marcas eternas da destruição de uma vida que passou, que foi sem marcas eternas e depois de mais um tempo, as marcas de uma vida eterna, marcas que tranformam a própria alma em fogo que purifique.

Tudo bem, o amor pode arder sem que se veja, mas suas marcas podem ser vistas nos olhos de quem foi muito amado, e hoje tornaram-se amantes, brilham com uma chama que não se apaga.

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