quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Minha humanidade ainda me mata...

Aquele humano que habita em mim ainda vai me desgraçar a vida. 

Humano, incontrolável, e muitas vezes impensável, irresistível, irremediável. Este habitante em mim me consome de uma forma inintrrupta. Mas posso dizer uma coisa, com certeza absolukta, ele não sou eu, ou ainda, melhor dizendo, ele é a parte humana de mim que insiste em me envergonhar, em me fazer chorar, em me fazer sentir, em me fazer sonhar.

Se tirássemos nossa humanidade, teríamos talvez total controle sobre nossos atos, nosso organismo funcionaria como o biológico ordena. Hora de excretar, seria hora de excretar, hora de dormir, seria hora de dormir, hora de morrer seria hora de morrer. Uma vida sem nossa humanidade, seria simples, mas ao mesmo tempo extremamente promissora.

Sem o desejo que, ao mesmo tempo que nos impulsiona, nos joga na cara inúmeros motivos pelos quais fracassaremos, seríamos respondentes de nossas necessidades. Precisaríamos de mais dinheiro, mas não haveria ganância, o que nos ajudaria muito para não trabalhar desmedidamente e deixar de lado tantas coisas cotidianas, como um sorriso, um bom dia ou ainda um momento em familia antes de deitar.

Sem nossa humanidade aproveitariamos muito mais coisas da vida, como por exemplo, comeríamos apenas o necessário, não haveriam obesos nem anoréxicos. Não haveriam alcólatras também, nem viciados em drogas, afinal, sabendo e sentido a destruição que tudo isso nos causa, nada mais orgânico do que ficar longe disso tudo. Experimentaríamos, e logo cairíamos fora, eu acredito. O organismo não teria tempo de se acostumar com a substância tornando-se dependente dela.

Sem nossa humanidade, jamais haveria saudade, ou ainda o luto. Perderíamos alguém, e assim como os animais, apenas olharíamos para a carcaça com uma certa indiferença, pois saberíamos com certeza que logo logo seríamos eu e você ali estirado no chão.

Ah, como a vida seria mais simples sem nossa humanidade.

Mas aí eu me pego pensando, que sem nossa humanidade não teríamos a solidariedade. Quem não pudesse trabalhar, não trabalharia, não teria dinheiro e morreria. Seríamos um grande exército de trabalhadores, seríamos na verdade como formigas, ou como os leões, ou como qualquer outro bando de animais. Não esperaríamos ao lado do doente cambaleante, não sofreríamos as dores daquele que partiu, mas que já dava sinais de que não chegaria muito mais longe. 

Sem nossa humanidade, seríamos qualquer outra coisa que se movesse simplesmente em virtude de si mesmo. Isolados do mundo, sem a concepção de narcisismo, afinal, seria apenas um egocentrismo respeitado e muito importante para a sobrevivência do animal. Seríamos o bicho homem.

Volto a dizer, que a minha humanidade ainda me mata, mas a dos meus amigos, sempre, há de me ressucitar.

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