domingo, 27 de novembro de 2011

MAL-ESTAR E CONSTITUIÇÃO PSÍQUICA NA CONTEMPORANEIDADE.

"O Terapeuta" por Magritte.
RESUMO APRESENTADO À VI JORNADA DE SAÚDE MENTAL E PSICANÁLISE DA PUC-PR:

Este ensaio buscou aprofundar o conhecimento referente aos desdobramentos decorrentes da nova configuração da sociedade, no sentido de verificar, quais as conseqüências dessas mudanças na constituição e desenvolvimento do psiquismo humano. Focando principalmente nas relações humanas da contemporaneidade, o trabalho tenta compreender com maior profundidade, como estão às relações das pessoas consigo mesmas, com seus familiares e com a sociedade em geral. Também busca um esclarecimento sobre o que mudou nos papéis desempenhados pelos membros da família, e se, estas mudanças tem sua parcela de responsabilidade pelo mal-estar contemporâneo, a saber: fragilidade das relações interpessoais, despreparo frente à vida e também um profundo desamparo que tem levado cada vez mais pessoas para a medicalização excessiva em uma busca de um alívio que nunca se realiza. A escolha da relação familiar para esta empreender esta jornada de pesquisa com leitura e análise de casos clínicos, está embasada na teoria psicanalítica que compreende que a família é o centro da construção dos sujeitos humanos. Em primeiro lugar o bojo familiar deseja o bebê e depois é a própria família quem irá bordeá-lo, marcá-lo e constituí-lo como sujeito de determinada forma independente, porém, tudo isso ocorre em uma sociedade e a instituição familiar, como parte do social, não é um ambiente imutável e estagnado, pelo contrário, ela representa os efeitos das mudanças sociais de cada período histórico. A pesquisa foi realizada com a leitura e análise de obras de alguns autores que descrevem tanto a sociedade contemporânea quanto as relações dos sujeitos nesta sociedade. Como resultado da pesquisa, pode-se compreender que justamente as características sociais da contemporaneidade, na medida em que infiltram-se na família, ocorre uma constituição de pessoas cada vez mais desamparadas frente à vida, onde a angústia está entre o próprio desejo e o papel que elas desempenham e devem desempenhar para a sociedade. A conclusão que se chegou até agora, pois a pesquisa segue em andamento, é que parece que a sociedade está construindo sujeitos neuróticos, porém, revestidos de uma "capa" perversa para poder suportar o trabalho, os estudos e também a vida. Esta capa perversa, da realização do desejo a qualquer custo, traz a impressão de que o sujeito está sozinho, o que faz com que ele ainda busque, nas relações familiares, alguém para ampará-lo e sustentá-lo, dando uma idéia de que as relações humanas, na medida em que os vínculos vão estreitando-se, o bordeamento entre o eu e o outro vai enfraquecendo, aprisionando o sujeito em relações simbióticas seja com outra pessoa, com medicamentos, ou com objetos que permitem a ele um amparo frente ao sem sentido da existência. 

Este trabalho foi apresentado na mesa de discussão sobre o mal-estar na contemporaneidade. No dia 26 de novembro de 2011 na PUC-PR.

Agradeço a todos os presentes em minha apresentação pelo apoio, e pela participação no evento. Posso dizer que sai de Curitiba satisfeito e muito surpreso com a organização, com os temas, e também com o nível dos debates durante as apresentações. Toda a equipe está de parabéns pelo excelentíssimo nível alcançado.

Para quem se interessar pela temática, ou quiser receber o trabalho completo, favor entrar em contato clicando AQUI.
Grande abraço a todos.

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