quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Terapias: dos Medicamentos à Cura (Primeira Parte)

Retirado do Blog: http://psicologiadospsicologos.blogspot.com/


Recentemente algumas pesquisas vem apontando que os medicamentos tem um efeito, placebo, sobre nosso organismo que está alheio à eficácia real do medicamento no combate aos sintomas e à doença organica.

Nos últimos dias tenho publicado no Blog algumas entrevistas e matérias interessantes sobre a cultura da medicalização. Por um tempo, no entanto, venho publicando posts contra a medicalização excessiva de uma maneira geral. Desde um post sobre o TDAH, onde faço um link com o Dr. Jerusalinsky sobre o diagnóstico dos transtornos atualmente em evidência, trago aos leitores do blog uma outra perspectiva, a de que talvez exista uma outra possibilidade além daquela alardeada pelo mundo a fora.

Por muitas vezes entrei em assuntos polêmicos sobre a ciência, seus frutos (medicamentos) e a importância exagerada que eles tem na área da saúde mental. Mas hoje gostaria de extrapolar um pouco esta particularidade da saúde mental e partir para caminhos ainda não pisados por aqui.

Existe em nosso meio pessoas que tomam medicamentos para alergias incuráveis. Existe pessoas em nosso meio que utilizam a famosa "bombinha" para asma, bronquite, e outras doenças pulmonares crônicas. Existe pessoas em nosso meio que vira e meche estão com alguma infecção e precisam de antibióticos para sanar as infecções. Existe também um amplo espectro de pessoas com problemas de pressão alta, tomam medicamentos religiosamente todos os dias para não perder o controle da pressão. 

Bom, longe de dizer que estas doenças são "psicossomáticas", embora algumas manifestações possam ser, existe um fator real de um sintoma que se manifesta, um fenômeno real de uma infecção, de uma asma, de uma alergía respiratória, de uma alergía de pele, de uma pressão alta, e por que não colocarmos aqui também a dor da fibromialgia, as enxaquecas, as cólicas renais, entre tantas outras doenças psicossomáticas que dependem de medicação para a manutenção de um nível da dor, ou do sofrimento, em que seja possível ainda um mínimo de bem estar? Todas estas doenças embora diferentes em suas manifestações, incluindo muitas outras não citadas, tem um componente que a medicação seguramente deixa de lado. 

Quem toma os medicamentos? 

A resposta só poderia ser uma e única: VOCÊ.

Claro que é necessário, e quero deixar isso bem claro, a medicalização em muitos casos, mas dificilmente o médico irá olhar para sua história de vida e enxergar alguém por trás deste movimento de idas e vindas a lugares e mais lugares em busca de um alívio do sofrimento do corpo.

Escapa dos testes e pesquisas, em minha opinião, o principal componente do corpo, o próprio sujeito. A própria pessoa que com dois remédios idênticos, por exemplo os similares, um da resultado e o outro não chega nem a fazer "cosquinha", como costumo dizer. 

Bom, há um componente por aí que por algum motivo atrapalha ao medicamento de realizar seu efeito esperado. Inúmeras pesquisas (após Freud) tem apontado que a eficácia do tratamento medicamentoso dependente inclusive de uma boa relação do médico com o paciente. Um médico que não conversa, não explica, não dá atenção ao paciente seguramente verá seu paciente retornar ao consultório, ou ainda, ao pronto socorro. Um médico, ou qualquer curandeiro que não investe algum tempo para amparar aquele sofre, poderá curar as enfermidades, mas o sofrimento do doente, seguramente, não vai passar. 

Em alguns consultórios é normal a fala do médico de que, quando não encontra nada de errado com um paciente "poliqueixoso" (para utilizar o jargão da medicina) depois de um extenso check-up, eles dão uma receita de ansiolítico, ou antidepressivo, o que costuma resolver estes problemas.

Não foi feito no entanto nenhum diagnóstico PSI no paciente para saber se era ou não depressão. A medicação foi dada, o paciente sai do consultório "amparado" porque encontraram o problema e agora pode ir tranquilo porque aquilo tudo irá passar. 

No entanto, assim como na suposta depressão não houve um diagnóstico psi, apenas uma suspeita baseada nos sintomas, nos fenômenos apresentados pelas pessoas que procuraram o serviço, nas recorrentes alergias, nas recorrentes enxaquecas, nas recorrentes cólicas renais, nas recorrentes infecções, aí também poderiam ter pensado que por detrás de um corpo existe alguém que recorre aos serviços tradicionais para uma "cura", ou melhor dizendo, para um amparo frente aos dessabores da vida.

É sabido também, além da relação médico-paciente, que muitas pessoas que sofrem de determinadas enfermidades repetidamente, ao iniciarem o tratamento com psicotrópicos tem uma "abstinência" de doenças. Aparece na história da pessoa uma lacuna na repetição de sintomas e fenômenos que antes o fazia buscar outros tipos de tratamento, por exemplo, além dos Halpáticos (medicamentos tradicionais) a homeopatia, chás, terapias corporais, entre muitos outros que auxiliam na redução do sintoma. (Em novembro na PUC-PR estarei discutindo o assunto na VI Jornada de Saúde Mental e Psicanálise).

Existe então um paciente que ao ser "analgesiado" (ficou feio, mas não encontrei outra forma, visto que anestesiado tem a ver com anestesia, com o não seentir, e analgesia tem a ver com "retirar" a dor) pelo psicotrópico tem uma outra vida, diferente do que era antes, com caixas e mais caixas de medicamentos, o único que permanece consigo é o psicotrópico, que acaba ganhando propriedade para ser utilizado nas mais diversas situações.

Vamos pensar um pouco. Em uma situação de sofrimento intenso para a pessoa, o corpo reage. A pessoa sofre e o corpo padece. Durante todo o post algumas pessoas já devem ter percebido a ligação com o famoso ditado "Mente Sã, Corpo São". Sim caros leitores é bem por aí mesmo. Em uma situação em que há um sofrimento psíquico o corpo padece tanto quando o psíquico. Impressionante ver que pessoas com diabetes, transplantados, pacientes renais crônicos que precisam de diálise, portadores da AIDS (já manifestando a síndrome) costumam ter outra vida depois que encontram amparo seja no tratamento, seja na família, seja na relação médico-paciente, mas acima de tudo quando enfrenatm cara  a cara a possibilidade da morte iminente e reestruturam sua relação consigo mesmo. Outra vida porque são outras pessoas.

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