terça-feira, 11 de outubro de 2011

"La única diferencia entre un loco y yo, es que yo no estoy loco..." Salvador Dalí

Porque não???

Porque os barcos não podem ter velas de flores?

Porque conspiraram contra a imaginação e agora conspiram contra a infãncia?

Temos jovens aprendizes, jovens infratores, jovens administratores, jovens adoradores, jovens lutadores, jovens empreendedores, jovens, tantos jonens, mas onde estão os sonhadores?

Será que a vida destruiu toda a infância?

Li uma obra interessante de uma garotinha que era estuprada por seu padrasto, ela desenvolveu personalidades multiplas. Dizia que era outra pessoa ali deitada na cama, e que ela mesma ia para outro lugar. 

Quisemos proteger as crianças e sinto que cada vez mais, colocamos elas em outro lugar. 

Protegemos tanto a infância que ela foi parar onde ninguém mais a encontra. No coração dos jovens adultos. Os útlimos que brincaram de verdade, que aprenderam a contar separando burquinhas, bolinhas de gude ou tatuzinhos de jardim. Separando e dividindo.

Protegemos tanto a infância que destruímos as crianças...

Não se aprende mais biologia e ética, respeito com a própria vida, com o dia a dia.

Aprendi que os passarinhos eram bons e não me machucariam quando uma pombinha quebrou as asa e eu meus amigos de infância, lá por volta de meus 8 anos cuidamos dela, aprendemos a dar agua, e descobrimos que os passaros não piavam por causa do bico, o som vinha da gargantinha que tremulava. 

Aprendiamos com a infância, na infância, com nosso jeito de ser criança. Imaginávamos, pulávamos brincavamos. 

Em um dia de chuvas, em uma fazenda que eu estava visitando com meus pais, fomos eu e o filho caseiro na represa que haviam secado. Lá só tinha lama e umas poucas poças d'agua por causa da chuva. Fizemos grandes castelos de barro, no melhor estilo barroco, rsrsrs.

Hoje o que as crianças precisam para imaginar? 

Lembro-me que sonhava com a soltura do passarinho, quando ele melhorasse a asinha... Nunca o soltamos, ele simplesmente desapareceu. O que importa se um gato comeu, ou se alguém fez a pombinha a passarinho? O que importava é que a gente continuava imaginando que ela estava bem, voando por ai, tomando agua e cantarolando como fazia em nossas mãos.

Poxa, uma garotinha que foi abusada por um padrasto conseguiu sair de si para sobrevier. Resguardados as devidas proporções, as crianças hoje nada sabem sequer sobre si, não sobrevivem, ao contrário, a impressão que se tem é a de que justamente, precisam morrer para entrar na verdadeira vida de adulto.

Nada, absolutamente nada justifica o que estamos fazendo com nossas crianças. De uns tempos pra ca temos contato com TDAH, e agora pra piorar tudo existe um diagnóstico precoce de BIPOLARIDADE. O que aconteceu com a fantasia?

Crianças recebem diagnósticos, até mesmo de bons psicólogos, psiquiatras, médicos, que querem fazer para o bem estar da criança, mas acabam retirando delas toda a expontaneidade, toda infância, todo perigo, aventura, desventuras, e tudo o mais que era ser criança.

Retiram o pânico de ficar sem papai ou sem mamãe, utilizando-se de medicamentos, ou de terapias que de nada valhem apenas servem para ganhar tempo. Claro que eles tem um efeito, mas sou a favor de um outro tipo de efeito. Winnicott em suas consultas terapeuticas, tinha resultados riquíssimos, mesmo com pouco tempo de atendimento. Bastava ouvir a criança, contar uma historinha e mostrar aos pais o que podia ser feito. 

Hoje as crianças são levadas aos médicos como gado ao matadouro. Uma a uma vão sendo diagnosticadas e os pais não se dão conta de que diagnóstico psi, nem sempre quer dizer loucura, ao contrário, sempre quer dizer de uma relação desta criança com os adultos e sua dificuldade de entender, de fazer igual.

Dalí, parece que já nos apontava uma saída, façamos o contrário, ensinemos as nossas crianças a imaginar, a sonhar, coloquemos uma boa música, na qual as crianças possam imaginar, fechar os olhos e sonhar.

Por favor, façamos alguma coisa o quanto ainda temos tempo.

Aqui em Londrina em uma escola tradicional já existe até os pequenos empreendedores. Isto de empreendedor é coisa para adultos, o ofício da criança é sonhar, imaginar brincar, seu trabalho é ser criança.

Desde Arriès, há uma vertente histórica que considera a infância como criação, como construção, como um produto histórico. Tudo bem, não vou negar, ou contradizer este pesnamento, nem pensar em outra coisa, mas gostaria apenas de nos perguntar, será que esta na hora de abandonarmos este nosso produto?

Será que o trabalho dos "gente grande" para garantir a infância, os estudos, um mundo melhor, para os "gente pequenas" quando eles crescerem deixou simplesmente de fazer sentido?

Chega, é preciso voltarmos um pouco como Dalí e permitir que nossa criança volte a sonhar, a acreditar que o relógio se derrete como o tempo. Não é o relógio que tem o tempo, mas o tempo quem o tem. 

Precisamos ver o sol nascer e se por mais vezes, e as vezes, acreditar que ele entrará no mar para banhar-se e voltará apenas amanha de manha. Precisamos deixar um pouco a loucura tomar conta de vez enquando.

Claro que não digo de um surto de loucura, mas uma loucura onde a imaginação possa fluir, sem narcóticos, bebidas, rezas, ou quaisquer outras coisas que não o som do sol sendo ouvindo à distância encostando nas águas e indo repousar.

Porque não?



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