sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Sobre os nomes-do-Pai
por: Aurélio Souza


"A leitura que Lacan realizou de Freud abriu diferentes caminhos para a psicanálise. Num primeiro momento, quando esteve próximo ao estruturalismo desenvolveu a tese de que o “inconsciente se estruturava como uma linguagem”. Mais tarde, ao conceber a estrutura da linguagem a partir de uma função do Real, apresentou para a psicanálise a topologia da cadeia borromeana, que enriquecida pela fonologia se tornava um envelope sonoro capaz de produzir seus efeitos sobre o sujeito, antes mesmo que o vivente que passaria a sustentá-lo tivesse nascido; ou ainda, antes mesmo que ele tivesse sido engendrado. A estrutura da cadeia borromeana modificou os fundamentos da análise a partir do momento que Lacan pôde enunciar que o “inconsciente se inventa”. Quanto ao analista em sua prática, não só deve considerar um avanço em relação ao Tempo, onde o Momento de Concluir interfere no Tempo de Compreender e determinava o Instante de Ver, como deve procurar intervir com tolerância e prudência para que o analisante sob a função sujeito possa se servir dos nomes-do-Pai para se desembaraçar de seu sintoma. O analisante deve se fazer um artífice, deve fibrar diferentes “sementes do real” que passam a afetá-lo para que possa se-fazer-ser por suas obras, por seus adornos, por seus amores, deve se fazer um nome para que possa se distanciar desse gozo devastador que lhe é prometido por um Outro, que nem mesmo existe. Assim, o sujeito ao se-fazer-ser sai da apatia e da sonolência de um gozo do corpo que o deixa sempre preguiçoso e inserido na cena social sob a ilusão de uma normalidade. Uma condição que vem ser auxiliada na contemporaneidade pelos neurolépticos, ansiolíticos e antidepressivos, ou mesmo dessa acomodação produzida pela oferta maciça de gadjets, do consumo de drogas e, ainda, de um auxílio que pode ser dado pela magia e pelas religiões. A análise não se propõe a curar o sujeito de seu sintoma e de seu sofrimento, mas de retificá-lo, de recolocá-lo numa posição em que possa se proteger contra os efeitos do Real, possibilitando-o encontrar outra forma de se rehystoricizar, colocando limites no Real que causa seu sofrimento. Essa é a proposição de colocar a psicanálise como uma estética, diferente da erótica elaborada por Freud. Temas que deveremos discutir juntos."
O Psicanalista Aurélio Souza estará em Londrina e realizará um Seminário para a discussão do tema: "Os nomes-do-Pai:

Maiores Informações: mclmarco@hotmail.com

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