sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O que é melhor?

Quem pode dizer o que é melhor ou pior?

Ser "normal" ou ser louco?

Ser neurótico ou psicótico?

Perverso ou melancólico?

Ser branco ou amarelo, azul, preto, bege??

Sol ou chuva?

Noite ou dia?

O que é melhor e o que é pior dentre as doenças mentais?

Doenças mentais?

Elas não existem.

De um tempo pra cá parei de escutar algumas pessoas que tem se agarrado firmemente a um padrão organizador e descritivo de sintomas. Para mim, a vida começou a um grande sintoma. A própria pessoa é um sintoma de várias doenças, a maior delas, sua própria existência.

Sintomas, do grgo Sin = Pedaços e Tomo = Junção. Ou seja, a junção dos pedaços, dos pedaços de uma vida, de uma existência, de uma tentaiva de ser.

A wikipédia traz muitas coisas inmteressantes sobre esta palavra, mas faltava uma coisa. 
Sempre falta, sempre, nunca, as vezes...

No quebra cabeças da vida a gente tem que se organizar de alguma forma. A GENTE e não um psicólogo, terapeuta, médico, adivinho, ou qualquer outra pessoa. Claro que eles podem nos ajudar, mas jamais terão poder supremo para tirar ou colocar peças, cores, ou formas em nossa fôrma de ser.

Não acredito mais em uma doença mental, afinal de contas, quando penso em uma estrutura, em uma organização, não posso sequer me atraver que aquilo ali está errado. Minha amiga Renata me disse várias vezes quando eu estava trabalhando com Penas Altenativas:

- Marco as pessoas são aquilo de melhor que elas conseguem ser.

Essa frase, quase uma oração, me pegava sempre de surpresa. Naquele momento não pude compreender, eu estava cego. Não um cego que se conforma com sua cegueira e procura outras formas de ver, eu estava cego e tantando enxergar. Acho que me encontrava naquela palavra de Cristo quando ele dizia que as pessoas que ouviam não podiam escutar, as que enxergavam não podiam ver...

Hoje já me vejo perdido em uma outra situação. Enfim descobri que sou cego, não posso colocar meu dedo na ferida do outro e depois de cutucar apenas com um sorriso garantir que aquilo tudo irá passar. Não posso, não porque não possa de fato falar, mas porque minha potência se limita a ser humano.

Ser humano e de alguma forma desfrutar da vida assim como eu consigo, da melhor forma possível.

Acho que isso faz uma diferença danada na hora de pensar as questões referentes a constituição dos sujeitos na contemporaneidade. A impressão que temos é que as pessoas estão perdidas e não sabem que estão perdidas. Não porque eu sei que estão perdidas, mas porque procuram em vão coisas que nunca irão encontrar. Buscam por entre caminhos que muitas vezes não levam a lugar nenhum. 

Acho que tudo isso é apenas impressão. As pessoas hoje em dia sabem muito bem o caminho que estão trilhando, o que buscam e o que não vão encontrar. Apenas escolhem a impressão de poderem enxergar quando estão na verdade cegos. Apenas se cobrem com ideais e idéias, sonhos, fantasias, sabem sim, mas preferem não saber.

Algumas pessoas devem estar ligando esta parte do texto com o "saber não sabido" de Freud, ou em outras palavras, um saber que a pessoa insiste em não saber. 

Cegos guiando cegos.

A análise não é e nunca foi uma tentativa de curar os olhos para que deixem de ser cegos. Ao contrário, permitem às pessoas se dar conta de sua cegueira. Nunca ensina a pessoa a tatear, ou tenta treinar a contagem de passos e a memorização. ao contrário disso, apenas permite que a pessoa possa escolher e aprender, da forma como melhor lhe apraz, sua própria forma de caminhar, de sentir, de ver o mundo.

A análise apenas nos lembra que somos muito mais do que enxergamos, e que mesmo de frente ao espelho, há uma costas que não somos capazes de enxergar.

No final das contas, nos damos conta que somos todos retirantes, como no quadro de Portinari. Somos todos iguais, a caminho, buscando um retiro, um descanso, até quem sabe, de nós mesmos.

Buscar o que não se pode ver no espelho é isso, sair um pouco do padrão, da ordem que foi estabelecida por um outro que está ali na minha frente e que por acaso é a minha imagem, sou eu mesmo. É encontrar um refúgio de si mesmo e por um segundo ser feliz.


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