segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Apostar na consciência para uma vida melhor?

Auto-conhecimento realmente faz uma diferença efetiva na hora de pensarmos em qualidade de vida?

Nem sempre.

Muitas pessoas procuram testes, livros, terapias ou ainda inúmeros outros métodos para alcançar um auto-conhecimento, um conhecimento sobre si mesmo.

Algumas pessoas consegum depois de um tempo descobrir como funcionam, o que realmente gostam, o que realmente sentem e pensam. Isso é de fato muito produtivo no plano da consciência. Quando pensamos em um ser humano "ideal" que faz realmente apenas o que gosta e o que quer e ainda por cima consegue viver bem consigo mesmo, com suas escolhas, sucessos, decisões e também fracassos, acho que apenas o auto-conhecimento é suficiente e até mesmo muito salutar.

Este tipo de ser humano "ideal" e "feliz" nunca conheci. 

Há porém outro tipo de ser humano. É como se habitasse alguém dentro da gente, um outro eu, ou ainda como diria São Paulo, alguém que me leva a "fazer o mal, quando quero fazer o bem". Há uma parte em nós que não deve ser deixada de lado, a parte que nos faz sofrer com nossas escolhas, mesmo que elas estejam corretas. A parte que nos leva a pensar e repensar coisas simples da vida, como aceitar ou não um outro emprego, ir viajar para a praia ou outro lugar, ficar em casa no fim de semana ou ir ao cinema, coisas simples, do cotidiano, mas que geram algum desconforto, algum mal-estar.

Podemos pensar na radicalidade do pensamento de São Paulo e dizer de uma parte em nós pecaminosa, "degradada" e que nos leva a praticar o mal e até mesmo nos orgulhar de fazer algo que não queríamos de fato fazer.

Porém podemos pensar em outra coisa.

Freud contribui muito com o auto-connecimento dizendo que há uma parte em nós que não sabemos, não compreendemos e acima de tudo, não podemos pensar esta parte. É o inconsciente.

O inconsciente que nos move a realizar várias coisas que nunca imaginamos sermos capazes de fazer. Sejam elas boas ou ruins, ao contrário de nossa consciência que se move pela vontade pautada em certo/errado, pautada em uma moral constuída e que passa a ser constituinte de uma pessoa, o inconsciente se move na razão do desejo, pura e simplesmente buscando a sua satisfação.

É como se realmente houvesse um outro dsentro de nós que pulsa, que busca uma satisfação para além do que é certo ou errado, do que é prazeiroso ou desprazeroso a nível de consciência. Alguém dentro de nós que não pensa em puro ou impuro, mas que busca apenas aquilo que ele sabe fazer, que é satisfazer-se independente de como, ou com o que.

Não podemos pensar esta parte nossa, este "inconsciente" (não sabido) como algo mal, ou ruim. Na verdade o incosciente é bom por natureza, afinal de contas ele é apenas natureza. Seria como (mas não é somente isso) nossa parte corpórea com os buracos de nosso corpo que pulsam, buscando uma satisfação.

Sejam o alimento que passa pela boca, uma chupeta, uma mamadeira, um dedo, uma goma de mascar, uma bala, um cigarro, uma cerveja, ou até mesmo falar. Tudo isso satisfaz, o que chamamos em psicanálise, a pulsão oral. Podems extrapolar para várias outrras coisas mas o mais importante de saber é que a satisfação está relacionada não com aquilo que é ingerido, mas com o movimento da mucosa, da boca, bo buraco que é tamponado, mesmo que parcialmente e por pouco tempo.

Devido a esta característica do inconsciente de satisfazer-se com qualquer coisa, temos então uma infinita possibilidade para os seres humanos de dar um destino a esta energia, que nos move em busca de satisfação.

Aí é que mora o maior de todos os problemas.

Diferentemente dos animais, saber o que sacia a fome deixa de ser saber o nome de uma comida, de um prato, de uma refeição, mas passa a ser algo totalmente distinto do que realmente nosso organismo precisa. Os animais quando precisam de ferro, ou outros minerais, acabam comendo terra, ou grama. Nós vamos direto no sorvete, ou na macarronada. Nosso corpo muitas vezes padece justamente porque nossa "vontade" vai absolutamente contra tudo aquilo que ele necessita. Comemos demais, andamos demais, falamos demais, comemos de menos, comemos de mais e não andamos quase nada, os resultados quase sempre são muito prejudiciais ao nosso "bem estar".

Entramos em conflito quanto a uma coisa que realmente precisamos (como tomar uma injeção) e aquilo que queremos, que desejamos. Este é o ser humano "não-ideal", mas real.

Embora conheça sobre sí, mesmo assim ainda se pega de surpresa realizando coisas que nunca tinha imaginado fazer, ainda sim, consegue se surprender com pequenos prazeres, como olhar uma bela paisagem, ou ainda ver a mesma paisagem e de repente se admirar de algo que sempre foi tão comum. Ainda sim temos em nós alguém que não conhecemos e talvez conhecer este alguém só nos possa revelar uma única coisa: somos muito mais do que podemos sonhar em saber. 

No fundo, sabemos que somos o que por tanto tempo não nos sabemos, somos muito mais do que nossa consciência pode imaginar. Em outras palavras, "criados à imagem e semelhança de Deus", somos na verdade, inimagináveis, somos humanos.

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