quinta-feira, 14 de julho de 2011

Resignificar ou dar novo sentido???

Continuando o diálogo com a Luh, gostaria de colocar aqui minhas primeiras impressões estudando um pouco sobre o assunto da diferença entre resignificação X dar novo sentido...

Luh, encontrei algumas coisas aqui que são bem interessantes:

“A tarefa do psicanalista aí consiste [...] em oferecer ao sujeito uma
possibilidade de tematizar, ressignificar e elaborar sua ‘miséria’, até onde for
possível, para tomar uma outra posição frente a toda essa desgraça cotidiana [...]” (FIGUEIREDO 2001, p.111)

FIGUEIREDO, Ana Cristina. Os PPPÊS: profissionais "psi" nos serviços de saúde mental. In:
JACÓ-VILELA, Ana Maria; CEREZZO, Antônio Carlos; ROFRIGUES, Heliana B. Conde. CLIOPSYQUE
HOJE: fazeres e dizeres PSI na história do Brasil. Rio de Janeiro: Relume-Dumará
(FAPERJ), 2001. p. 103-115.

Basicamente a Análise é um processo de separação daquilo que está tudo misturado. Em nosso caso, o conteúdo ideativo recalcado que aparece como sintoma.

Estou particularmente estudando estes temas então tenho as idéias super confusas, mas aos poucos elas vão se clarificando. No texto do Freud "Três ensaios sobre a teoria da sexualidade" na Pag. 153-154, há uma breve explicação do que pode fazer a psicanálise.

Quero me deter a alguns termos nesta página. Peço que quem quiser acompanhar a discussão leiam antes para inteirar-se do aossunto, rsrsrs, pois aqui estarei sendo um pouco teórico demais.

Seguem os termos encontrados:

"Sintomas como substitutos" - sendo estes substitutos uma TRANSCRIÇÃO do que não pode aparecer na consciência.

As idéias inconscientes "Aspiram uma EXPRESSÃO apropriada"

A psicanálise promove uma RETRANSFORMAÇÃO destes conteúdos indecifráveis conscientemente para REPRESENTAÇÕES que podem atingir a consciência.


Lembrando nossa conversa anterior que não é um TRAUMA mas são ELEMENTOS TRAUMÁTICOS de alguma forma INTERLIGADOS que produzem o sintoma, o mal-estar, o adoecimento.


Continuando então...


O sintoma poderia se apresentar como um hieróglifo que apenas o corpo é capaz de ler. Por isso o corpo do histérico e do psicossomático responde diante dos conteúdos ideativos recalcados.


A impressão que tive até o momento (vou ter um grupo de discussão sobre este texto ainda no fim do mês, aí trago com mais certeza uma resposta) é que de alguma forma, essa transcrição, ou seja, a codificação, ou ainda, o sentido, o significado, já está lá no hieróglifo. A escrita já está feita, mas não conseguimos lê-la porque não temos a capacidade para tal.


Quando penso em RESSIGNIFICAR estou pesnando em dar o significado original, ou outro qualquer, a uma coisa, neste caso, à escrita ainda indecifrável. Mas se penso em dar um NOVO SENTIDO estou na verdade me alienando do sentido real, originário do problema. RESSIGNIFICAR então pode confundir no aspecto de que é dar um outro significado qualquer, mas isso é apenas uma jogada de palavras. Explico:


Quando pretendemos na psicanálise ressignificar a vida, ou os sintomas, não procuramos dar, pelo menos ao meu ver, um novo sentido, mas ao contrário, tentamos encontrar o sentido já existente, mas que está inconsciente. Parece ao sujeito que é um novo sentido, mas o sintoma só irá ceder se o sentido original vier a tona e aparecer ligado ao afeto.


Ocorre na verdade um retorno do recalcado, ou seja, o sentido originalmente recalcado retorna à consciência. Lembro-me de uma expressão que diz que o pcte não sabe que sabe. Dar um novo significado que apagaria o sintoma, ao meu ver, não tem nada de novo, mas o que existe é apenas um enfraquecimento da repressão permitindo que o que estava transcrito como uma marca que a consciência não decifrava, possa agora ser resignificada como aquilo que originalmente marcou o sujeito.


Agora, dizem que Lacan disse que na verdade esse objeto primeiro que marcou o sujeito, nunca existiu... Então teríamos novas explicações talvez, ou ainda um aprofundamento que não sou (ainda não) capaz de transmitir.


Espero ter ajudado...


Beijos


Marco Leite

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