segunda-feira, 25 de julho de 2011

Loucura e arte

O fascínio das obras dos mais geniais e fantásticos artistas, cientistas, profetas, nos atingem de forma completa. É muito interessante parar em frente a uma escultura, ou a uma pintura, ou diante de um filme no cinema e ficar perplexo, sem respirar. Esta a sensação que a arte cria em nós.

O que tem na arte que nos move a um nível acima de nossa capacidade intelectual, psíquica, ou ainda, nos eleva a um grau acima de nossa existência, nos permite quase que transcender a própria existência e sair absolutamente mudados, pelo menos por alguns segundos após a experiência diante da arte?

Não sei bem o que é.

Alguns dizem que a arte comunica o mais belo, ao mesmo tempo que também nos mostra o mais horrendo da vida. Em alguns casos mostra-nos a vida, simples e pura, com tal clareza que chegamos a enxergar na própria demonstração da vida o desejo pela morte. A arte de Camille Cloudel por exemplo, ela representava a morte, segundo Rodin.

É através da arte viva que nos encontramos com a morte, com a nossa insignificância, com nossas fraquezas e nosso nada. É assim, um misto de inveja absurda, como Saliére ao ouvir Mozart, com uma inefável sensação de ser absorvido pela arte que tenho quando ouço uma música clássica, ou a simples melodia dos pássaros nos campos. Basta que estejamos com o humor certo, basta que estehamos em nós mesmos.

Sim, para compreender a arte e sua verdadeira força temos que estar em nós mesmos. Não é na correria do dia a dia que são feitas as obras mais explêndidas, como Guernica de Picasso, pelo contrário, é nos silêncio obscuro do ser. É naquele momento em que a própria existência se faz nula, aprentemente ficamos ao mesmo tempo que em nós mesmos, muito além de nós. O tempo para, o relógio continua, mas de alguma forma não se sente nem o sol cair pelas colinas, muito menos as necessidas fisiológicas de comer, beber, ou qualquer outra necessidade que, por ventura, um dia esteve presente.

A arte é o retrato mais frio, mais cru, mais carnal de um artista. Até podemos contemplar sua beleza estando a passar diante dela, mas isso meus amigos, é um desperdício do talento do artista. É necessário deixar a arte tocar nas nossas profundezas, ecoar em nosso vazio e nos elevar à dignidade de seres que ouvem a voz de Deus.

É isso mesmo minha gente, a arte da criação, a arte humana, a arte de uma colméia de abelhas, ou apenas uma flor. Tudo isso é tão absurdamente vivo, ao mesmo tempo que transmite a transitoriedade da vida.

Vejam Monaliza por exemplo. Por quanto tempo será que ela conseguiu ficar com aquele sorriso? Será que ela realmente sorriu assim? Será mesmo que La Gioconda, foi retratada, não sua forma, mas sua essência?

A arte é enlouquecedora e nos tira de nós mesmos, nem que seja por um ínfimo segundo. Aí esta sua magía. Para contemplar a arte é preciso esatr em si mesmo, justamente porque ela nos leva para fora. Para além de nós e se já estivermos fora, não há como realizar este percurso.

Loucura e arte, tudo se completa, os dois nos tiram do sério, nos levam além, acho que um é a manifestação do outro. Sim meus amigos, a Loucura é a manifestação da arte da vida.

4 Clique aqui para comentários: :

MARILENE disse...

Muitos considerados loucos deixaram trabalhos memoráveis, na pintura, na escrita, na música. Mas são as exceções. Não vejo arte e loucura como complemento. Uma obra pode nos levar, ou não, ao íntimo de seu criador. Camille se destruiu pelo amor que sentia pelo mestre Rodin. Mas nesse sentimento ou em nome dele, criou. A arte é, em meu entendimento, para ser saboreada, de forma individual. Nem todos as vemos com o mesmo olhar e com o mesmo prazer.

Bjs.

LuH disse...

Isso aqui é arte!!

Ehhhhh, Marco, tá inspirado!
:)

Poderia escolher uma palavra desse texto rico que vc escreveu: absorvido. Sim, absorvidos ficamos diante das obras que nos tocam; somos tanto da arte e ela é tanto de nós...Ela nos projeta tanto quanto nos faz melhorar,opsss, queria dizer mergulhar profundamente em nós mesmos.

Guri, vc tá a toda na escrita! Parabéns! Gostei de passar aqui
:)

Abç

Marco C. Leite disse...

Querida Marilene, seja bem vinda ao Blog, acho qu foi seu primeiro comentário por aqui... Acho, pois ultimamente estou em uma correria danada, rsrs...

Bom, A loucura não é complementar á arte, mas já parou para reparar que a arte costuma fugir da realidade? Mesmo nas obras mais realistas, ou do periodo naturalista, ainda assim, fogem e muito da realidade.

Mesmo as que retratam com maior fidelidade o cotidiano, é a ótica, a percepção do artista que a gente poderia chamar de louca, pois está muito além de um juízo normal.

A própria característica do Realismo, onde o eu tenta estar fora do retratado é a própria loucura, estar fora, como se aquilo não lhe fizesse parte, mas ao contrário do que se imagina, lhe faz parte sim, o retratado diz de quem retrata muito mais do que poderíamos imaginar.

Buscava-se um retrato fiel da realidade, quase como uma pureza científica. Isso também podemos pensar que é loucura de certo ponto de vista. Não há como retratar "uma" realidade. Parto do princípio que não existe esta tal de realidade.

O próprio "saborear de forma individual" nos retira do coletivo, nos coloca para dentro de nós mesmos. Por isso que algumas obras nos tocam mais que outras, nos fazm mais sentido, mas ao mesmo tempo nos remetem, como na experiencia do Sinistro de Freud, a uma sensação de estranhamento.

E por que não pensar que o próprio estranhamento de si mesmo não seria uma característica da loucura?

Mas vejamos bem, uma característica não quer dizer que o artista seja louco, mas apenas talvez, que todos nós podemos em algum momento enlouquecer... escrever... pintar... cantar... até mesmo quem sabe... Viver..]

Beijos

Mas no retrato, no quadro, na escultura encontra-se uma realidade, uma realidade que diz do artista, da comunidade, do social. Há maior loucura que obsrevar o social como estandop fora dele???

Bom, claro que peguei o realismo para demonstrar, o que até então pareceria incompatível com minha colocação e dar "meu ponto de vista" sobre isso. Claro que também é minha percepção.

NOEMI disse...

Tanto Sigmund Freud (1856-1939), como Jacques Lacan (1901-1980), olharam com profundo interesse para as artes e delas retiraram elementos importantes sobre os processos mentais. Organizar é a característica da arte para Lacan (1960). É o saber fazer (savoir faire) com o real. E esses movimentos levam os artistas a trabalhar em torno de denúncias de si e seu tempo.

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