quarta-feira, 1 de junho de 2011

Entra e fica um pouco mais...

No coração temos sempre que guardar um lugar para as visitas. 

Existem vários tipos de visitas que podemos de alguma forma "catalogar".







Visita de estranhos:

Aquele tipo de visita que temos no trabalho, no ônibus, no elevador. Com um garçom, com um pedinte, com uma criança, com alguém que não conhecemos, mas que de alguma forma passa por nós. Um sorriso, um bom dia, um olá, um trocadinho, um doce, um beijo, um aperto de mão, essas coisas da cordialidade costumam dar conta destes visitantes.

Neste caso, não temos muita expectativa, as vezes nenhuma, e costumamos nos surpreender com um sorriso, um olhar mais doce, ou até mesmo lágrimas. São o que mais me surpreendem pela espontaneidade, pela transitoriedade do momento, do contato.

Visita de pessoas queridas:

Esta visita é muito importante para nós. Não temos muito o que dizer a estas pessoas, mas parece que em nosso coração de alguma forma guardamos um sofazinho especial. Um jeito de ser um pouco diferente, onde do sofá estas pessoas conseguem ver partes da casa e ter acesso à cozinha, à varanda, à piscina (porque não?). Conseguem passar um tempo maior conosco e ficamos com a impressão de que sempre que passam deixam queremos que retornem em breve. 

Seja por discussões mal resolvidas, por brigas que não acabam, ou ainda e principalmente porque assim como nós os queremos bem, eles também nos colocam no sofazinho especial.

Não importa muito, falarmos de nós para estas pessoas, queremos na verdade é saber delas. Descobrir que estão bem, felizes, e saudáveis nos fazem com que fiquemos bem, tranqüilos. 

Este tipo de visita costuma demorar o tempo necessário, as pessoas costumam incomodar-se um pouco com a presença um do outro e logo logo se despedem, na esperança de aquele seja apenas mais um de muitos outros no futuro.

É na verdade a ausência que faz com que a presença seja sentida, e especialmente essas pessoas sempre demarcar qual lugar em nossas vidas elas ocupam. Deixam nossa existência mais leve, mais interessante e também muitas vezes, dão um outro sentido, nos possibilitando uma forma diferente de olhar as coisas, pessoas e tudo o que nos acontece. 

São presenças importantes de tempos em tempos, fazem falta no dia a dia e sempre que possível costumamos dar alô, seja por e-mail, telefone ou uma visitinha inesperada.

Agora vamos falar sério.

Visita dos que amamos e nos amam:

Se eu pudesse resumir em poucas palavras estas visitas, resumiria como casa da vovó.

Pelo menos para mim, não tem lugar melhor.

É de uma forma simples e sem muita importância que essas pessoas passam em nossos corações até, muitas vezes, desapercebidos. São nossos familiares, nossos amores, nossos melhores e mais queridos amigos. Passam desapercebidos porque sempre estão por perto, não nos deixam em paz, trazem movimento em nossas vidas e nos ajudam sempre a construir nossa rotina.

São essas pessoas que dão um significado em nossas vidas e custam em permitir que nós mesmos damos nosso significado. É impossível dizer que isso é bom, mas é exatamente o sentido que eles dão para nossa vida que nos faz viver e um dia, nos permite ao menos uma vez repensar nossos valores, nosso ser, nosso próprio sentido.

São essas pessoas que costumamos dizer, entra aqui e fica um pouco mais.

São essas pessoas que quando partem sofremos desesperadamente, mesmo sabendo que com elas não existe um adeus. Mesmo compreendendo no coração e na razão, que sempre, onde quer que estivermos eles estarão lá, em nós e conosco, seja com corpo e alma, seja apenas com a alma, seja com as orações, mas sempre presentes.

São essas pessoas que queremos partilhar as boas e também as nem tão boas notícias da vida.

Com estas pessoas as surpresas não são tão comuns, na verdade são raras. Sabemos sua forma de sorrir, de chorar, de lamentar, de agradecer, de desculpar, sabemos mais um menos sua forma de ser. E é gostoso que seja assim. É gostoso não porque é fácil, nem porque é cômodo, mas é justamente porque assim como na casa da vovó, é o único lugar que temos como referência e que não importa aonde formos e por onde passamos, com essas pessoas sempre encontraremos um quarto com a cama arrumada para repousar.





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