terça-feira, 14 de junho de 2011

É que é dificíl ser diferente....

"Não sei não, é que as vezes é tão difícil ser diferente, ser eu mesmo, que sempre que tenho a idéia de mudar eu acabo desistindo..."

Essa é sentença de uma pessoa condenada a mesmice. Sentenciada e condenada por ela mesma, sempre a repetir um padrão esperado por ela mesma e pelos outros, sem nunca se arriscar a abrir a janela da vida e ficar sempre imaginando que ela é apenas mais um quadro na parede.

Essa sentença que damos a nós mesmos quando temos medo e não nos permitimos o sabor do arriscar. Muito mais do que conseguir uma mudança verdadeira nas atitudes e no fim ser totalmente diferente, como um objetivo a ser cumprido, arriscar uma chance, uma oportunidade e apaixonar-se pela chance, e não pelo resultado, acaba fazendo toda a diferença.

Não é o objetivo (como já foi visto aqui no Blog), que tem que mudar, e muitas vezes tentamos mudar nossa forma de existir, de ser, quando pensamos que existe uma essência para isso, quando pensamos que a existência está fadada a uma utilidade, a um destino natural, a um destino final. 

Parece que algumas pessoas, por suas histórias, suas filosofias de vida, seus encontros e desencontros, seus amores e desamores, acabaram perdendo esta característica de poder fazer diferente, de poder arriscar. 

Não é o ar que entra pela janela que é tão bom assim, mas é a chance de poder abrir a janela, fazer alguma coisa, e deixar a novidade fluir. É como a criança que busca esconder-se da mãe para experimentar a liberdade, não é o esconder-se objetivamente, mas é o sentimento de tentar e mesmo que no fracasso, saber que é possível, saber que ela pode.

Ontem assisti ao filme "Sobrevivendo com Lobos" ("Survrive avec les loups") e mostrava de forma um tanto quanto bela esta onipotência infantil. É o contar até 30 que a pequena Misha faz para que seu pai retorne de onde quer que ele esteja e venha buscá-la. Quando ela esconde-se para testar sua teoria e seu pai vai atrás dela aparecendo do nada e subindo as escadas ao seu encontro. 

É a possibilidade de fazer diferente, mas mesmo assim, alcançando o mesmo fim, que dá uma certa graça a nossa vida e nos faz com que a vida ainda tenha e nos traga muitas surpresas.

É justamente o poder fazer diferente e chegar ao mesmo resultado que poderíamos chamar de criatividade o que deveria ser o que temos de mais natural enquanto pessoas, enquanto seres vivos.

É poder contar até 30 e imaginar que seus pais chegarão sorridentes e estarão sempre ali, ou ainda, sair do trabalho e imaginar que a família estará em casa feliz e com saudade, podemos também pensar na comida em que nos deliciaremos num farto almoço ou jantar, tudo isso como objetivo. Mas cada um faz seu caminho para casa, uns contam até 30, outros até 40, outros contam em minutos, outros em horas dentro de um avião, ônibus ou carro. Alguns preferem o feijão, outros o arroz, mas todos comem satisfeitos quando tem o que comer.

É bom sermos diferentes dos outros, termos gostos diferentes, caminharmos diferentes e isso não impede que tenhamos o mesmo objetivo de sermos felizes

Aceitar a diferença do método, do caminho e compartilhar da mesma vitória ou derrota é que é por demais complicado. As vezes pensamos que só existe um caminho, uma forma, uma trilha. E quando caminhamos caminhamos sozinhos pela penosa trilha da vida e encontramos no destino outros tão felizes como nós, ou ainda amargurados com os mesmos problemas, ficamos nos perguntamos, onde estavam todos estes, afinal eu estive sozinho, parece que só eu quem seguia o caminho certo?

Acho que o medo da mudança muitas vezes vem daí, deste ponto específico. O medo de mudar não é o da mudança em sí, mas de que se der errado a escolha foi errada, o caminho escolhido deveria ter sido outro, o medo do arrependimento, do ter que se haver com suas escolhas, com suas diferenças e ter que bancar isso para si mesmo e também para todo o mundo.

E se o objetivo for a mudança? Aí a história muda, se pensarmos independentes do objetivo (imaginando que ele será alcançado) poderemos experimentar um pouco de fantasia ao abrir a janela da vida e deixar a novidade entrar.

Poderemos gozar do sucesso a cada passo dado e concretizado com muita alegria, porque afinal, o fim importa tanto quanto os meios e quanto mais diversos os meios, mais seguros eu posso estar de que dará certo, de que no final, serei feliz, basta que eu caminhe.

Caminhando e cantando e seguindo a canção, não importa o caminho, não importa o final dele, mas o que importa é a brisa no rosto promovida pelo movimento de cada passo, um atrás do outro, com sabor de sucesso, mesmo que o medo apareça, que nossas pernas cheguem a tremer, que nós precisemos em alguns momentos parar e descansar, mesmo que vacilemos quanto ao objetivo final, o objetivo de cada passo estará sendo alcançado, e a mudança já se tornara real.
No fim do caminho ao olhar pra trás, não veremos uma, ou muitas trilhas, mas um campo, em que o caminho escolhido apenas marcou a grama abaixo de nossos pés.

Se nosso objetivo é chegar lá em cima, então só temos que subir, seja de carro, de moto, de bicicleta ou a pé, seja correndo, andando, arrastando ou dando voltas. Pode ser de uma vez, parando, sozinho, descansando, ou em grupos com paradas até para um piquenique, ou apenas para apreciar a vista, o que importa é subir e uma hora a gente chega lá.

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