sexta-feira, 20 de maio de 2011

Sobrou muita coisa depois de perder...


É gente, os sonhos são assim mesmo, a gente os têm e depois dá um trabalho danado para des-sonhá-los...




Estava fazendo o balanço e comecei a riscar uma por uma minhas vontades. Toma nota e vai riscando: 

Óculos de sol ferrari ou da rayban 
Barquinho para pescar com motor
viagem ao paraguay
filmadora hd da sony
pedir a namorada em casamento
comprar um carro
comprar coisas novas
comprar novos livros
viagem no fim do ano
viagem no começo do ano
pagar contas
ver apartamento para morar
voltar para terapia

Bom gente, tem muito mais coisas que não conseguirei mais tão cedo, mas tudo bem, pelo menos por enquanto. Agora eu estava percebendo neste movimento de riscar sonhos que todos eles se resumem a uma única coisa: Dinheiro.

As pessoas ao lerem este post podem estar pensando: "mas como assim? Eu não achava ele tão materialista como esse cara deste post riscado." É que percebi que o que foi riscado, os sonhos que me foram postergados, não era O sonho real. Este continua imutável, idealizado para um futuro incerto do qual talvez eu nem me de conta de sua inexistência. 

De fato, o que restou foi a essência de uma possibilidade que estava guardada por trás de todos estes bens de consumo. O sonho de passar no mestrado e continuar minha vida acadêmica escondia por trás um certo orgulho, mas também uma paixão, um tesão (não tão recalcado assim) de estudar mais e mais, de poder ganhar dinheiro com os estudos ao invés de apenas gastar, e também, lá no fundo, de ser uma pessoa melhor.

Vejam que parece que está intimamente associado o mestrado com todas essas condições que eu coloquei ali em cima. Mas por favor, não caiam no mesmo engano que eu. 

Não tem nada a ver isso tudo com passar ou não no mestrado, o que tem a ver, e ainda por cima porque eu quis que assim fosse, é simplesmente que eu colei estes meus ideais pessoais a um outro ideal social: o título acadêmico. 

Não é fácil reconhecer que errei. Não é fácil olhar-se no espelho e pensar que este lambari estava caminhando perigosamente no meio de tubarões. É que tubarões não comem lambaris, mas a arrogância do lambari, assim que fosse a um rio menor e encontrasse piranhas, iria passar pensando que é tubarão, não sobraria nada de mim.

É minha gente, não foi um erro tentar, mas pensando bem, foi erro achar que eu estava pronto para este desafio, este tão grande sonho que ficou para depois. Adiado indefinidamente, mas para um momento no qual eu de conta ao menos de mim mesmo.

É impressionante saber que mesmo com análise, amigos, espelhos em nossas casas, ainda colocamo-nos em um lugar que não diz de nós mesmos no hoje. Parece-me que quando se trata de sonhos, não saímos ainda do "estagio do espelho" como diria Lacan. Olhamos para o espelho e já nos vemos inteiros, nos percebemos dentro do sonho, mesmo sem ser aquilo tudo ainda.

Quebrar o espelho e ver-se em cacos, em pedaços, ver-se faltante, ver-se real, é aterrorizante para alguns. Para mim já foi muito mais do que é hoje. Afinal de contas, se me falta é porque ainda tenho muito para conquistar, muito para crescer, muitas coisas para fazer. E como gosto desta posição de não todo, de faltante de buscante (esse termo é meu hein gente, rsrsrsrs). 

Resumo da ópera, ao contrário do que algumas pessoas podem estar pensando, não estou triste, passei na prova, no mais difícil, mas não posso dizer que estou feliz por ter sido desclassificado, apenas estou olhando para o chão, revendo os pedaços que quero que fiquem e tentando de alguma forma reconstruir com os cacos um lindo mural, sem separar sonhos de realidade, mas montar dessa vez da forma como eu quiser, da forma como eu me vejo, ou ainda, como eu gostaria de ser.

Fazer arte, nos dois sentidos, porque afinal de contas o sonho não acabou e o artista de minha própria história e vida, com a ajuda de Deus, sou eu...

Daniel Toledo e o Homem Espelho

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