sexta-feira, 27 de maio de 2011

Ser ou não ser (TEORIA) - Eis a Questão (prática)

Continuação do post anterior - Ser ou não ser (teoria):

Recebemos então um nome ao nascer e com este nome todo um desejo de pessoas que nos geraram, ou ainda, que nos deram este nome.

É muito interessante saber da onde veio o nome de cada pessoa. Acho que ainda mais interessante é descobrir as lendas e mitos que explicam o porque, a história de nossos pais terem colocado este nome na gente. É no mínimo muito engraçado.

Alguns casais por exemplo, escolhem o nome muito antes de seus filhos sequer aparecerem enquanto zigoto. Antes mesmo de qualquer vontade de engravidar, o casal já vai escolhendo o nome dos filhos. Mesmo que os filhos demores mais de 10 anos para poderem existir. ´

O nome das pessoas ainda remete ao seu passado, mas também ao que é esperado dele para o futuro. Colocamos no nome um desejo e, a partir deste desejo, esperamos que tudo se realize. Como nos casos em que o casal escolhe o nome de Felipe porque lembra um amigo muito engraçado, ou espera que a criança seja sapeca.

A coisa do nome realmente me intriga e intriga muito. Na falta de um objeto real e da permissão para que aquela pessoa possa se desenvolver como sujeito, antes mesmo de qualquer indício de existência já existe um nome, já existe um desejo. Isso na teoria lacaniana chamamos de desejo materno, função materna, que é o desejo pela existência de um não existente ainda. Isto é extremamente importante para o início, para o desenvolvimento de cada pessoa, mas pode ficar complicado...

Responder sempre ao desejo do outro, ser exatamente sempre aquilo que esperam de você é destruidor da existência humana. Arrisco-me até mesmo a comparar esta total devoção e entrega ao que o outro quer de mim à inexistência de um sujeito, de alguém, de um ser.

Muitas pessoas reclamam que são isso ou aquilo, mas nada fazem para mudar. Ficam sempre na mesma posição, como se seu nome atingisse tal grau de identificação com as coisas que a pessoa representa, que poderíamos dizer que o nome de determinada pessoa virou até mesmo adjetivo, qualidade.

Perde-se justamente a dimensão do sujeito, da pessoa, para ser apenas aquilo que a pessoa é, e não tudo aquilo que ela também pode ser.

De alguma maneira a posição adotada pela pessoa em relação ao seu nome (aquilo que a representa) pode ser boa ou ruim. Podemos criar super heróis, como o Batman, que seu nome torna-se muito além da pessoa que ele é, assim como o homem torta (personagem do homer simpson) onde o herói acaba tornando-se alguém outro, o nome não pode ser identificado com ninguém. Mas temos também o lado dos vilões, como em Harry Potter em que o nome não pode nem ser pronunciado.

A questão real é que, ligado ao nome, existe toda uma história, todo um jogo de relações já estabelecidas e que não desaparecem simplesmente porque fulano mudou, ou porque fulano morreu. Justamente assim como as transformações pessoais demoram, levam tempo, não são fáceis, assim também são as mudanças que devem ocorrer diante dos outros. Algumas coisas mudam, outras não, até que um belo dia, depois de muito penar, muitos mal-estares e novas percepções, as pessoas percebem que algo mudou, está diferente e começam a verem uma nova pessoa para além do nome.

Na prática, "ser" está muito mais ligado com o outro do que consigo mesmo. O ser construído através do desejo do outro pode se concretizar, eliminando todo o sujeito (como na paixão), assim como pode abrir novas perspectivas de relações, de existência (como é o caso do amor). O que importa na verdade acaba sendo que entre o ser e o não ser ocorre um movimento, como que um vai e volta, como uma relação dialética e que, caso a pessoa esteja presa no ser, será aquilo, cristalizada, morta para sempre no desejo dela, ou de outra pessoa.

É apenas no não ser que se dá o movimento de ser algo a mais, de poder ser diferente do que se é, mesmo que seja parodoxal este pensamento, é apenas ainda não sendo o que tanto busco, que tenho o prazer de buscar, a possibilidade dde um dia ser o que tanto quero. Uma vez que se é, se é e pronto, mas devemos sempre lembrar que existem outras possibilidades de ser, existe sempre um algo a mais que nos movimenta para frente.

E então? Quem, ou o que, você quer ser? Não importa, simplesmente seja, exista, viva!!!

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