segunda-feira, 30 de maio de 2011

O futuro que nos pertence...

Ter um desejo e mantê-lo, mas até quando?

Até quando um desejo é prazeroso e nos mantém em um reto caminho para que ao final nós enfim conseguimos conquistá-lo?

Até que ponto nossas atitudes, no presente, realmente irão nos garantir com alguma segurança um futuro no qual iremos gozar de nossa árdua labuta diária?

Qual é o método de segurança, cientificamente falando, que nos permita ter alguma segurança de que o que fazemos hoje realmente está sendo contado e no fim, validará nossos esforços com o prêmio almejado?

Essas perguntas permeiam nosso cotidiano de uma forma até que absurda. São tão fortes nos nossos afazeres diários, no nosso cotidiano, que se não estão em evidência, ao menos aparecem em alguns momentos de lapsos, quando as defesas caem, e no mercado, compramos dois pacotes de macarrão, um para hoje e outro para amanhã.

Nada me garante que estarei vivo amanha, como diz a Sagrada Escritura, mas não quero partir para este extremo. Quero antes de tudo deixar claro uma e tão somente única coisa. A única "coisa" que me garante algo é justamente a inexistência de garantias.

É na inexistência de garantias de um futuro que estudo, que trabalho, que me alimento um pouquinho mais e acabo engordando. Sempre engordamos pois nunca sabemos quando irá faltar. Este pensamento, mesmo que inconsciente, move nossa vida de alguma forma como uma marionete é movida. Compro um, dois livros, até três, pois preciso engordar as idéias, vai que um dia me falte. Compro duas lasanhas de caixinha, uma de cada sabor, vai que amanha me falte para comer.Vou na oficina arrumar o carro, limpa aqui, limpa ali, troca isso, aquilo, dá uma olhdinha ali também, nunca sei quando vou precisar/poder voltar.

Uma hora falta comida, outra hora falta informação, falta maiores explicações, nunca estarei 100% garantido, 100% sabido, 100% compreendido, sempre faltará alguma coisa, sempre haverá um espcinho para ser tamponado por alguma coisa. Sempre faltará, nunca completo, nunca finito, nunca satisfeito, nunca garantido.

Movemo-nos na construção de um futuro, baseando nosso presente em uma falta. Este movimento do desejo, da busca por uma completude, por uma suficiência é interessante e até que de certa forma muito necessário, porém existe um outro caminho.

Escrevo isso, caros leitores, como uma carta para mim, para você, para quem precisar sair um pouco da rotina do falta-me por isso busco, por isso faço, por isso e em função disso vivo.

Apresento um outro caminho, o caminho monástico das pedras.

Uma inversão radical, mas possível na forma como me compreendo e como desejo viver. Um ideal, e por isso mesmo uma constante busca, compreendendo que, como escrito anteriormete, só busco porque me falta esta forma de ser, esta forna de viver.

Vivo, por isso falta-me, por isso busco, por isso desejo.

Vivo, por isso faço de minha falta um desejo de caminhar. Não caminho porque me falta algo, ao contrário, me falta, por isso caminho.

Reconhecer que falta-me ser, que falta-me existir um pouco mais, que falta-me tentar outra vez, reconhecer em meu cotidiano, no presente que faço isso não em nome de um futuro, mas em nome de uma falta que busco com as minhas condições, não tamponar, mas de alguma forma suportá-la faz toda a diferença.

Suportar a falta, o buraco vazio, o sem sentido do sentido da vida, e com isso elaborar uma nova e radical forma de viver.

Parece simples tudo isso, mas não é.


Nos mosteiros beneditinos há uma forma serena de levar a vida. Não porque é fácil, mas porque lhes falta sempre alguma coisa, e nestas faltas há um movimento, não para conseguir algo, mas para reconhecê-la e aceitá-la com todo amor. A falta de Deus e esta falta eles buscam não completá-la com outras coisas, e nem com o próprio Deus, pois Ele está em outro plano, como no labirinto, em que a proximidade de seu fim ultimo e desejo, é na verdade o reconhecimento de um longo caminho ainda a percorrer.


Reconhecer a falta e poder estar em paz com ela, pois ela não é preenchida com coisas, e muitas vezes, muito menos com sentimentos, com afetos, é de uma falta real, falta de sentido, vazio.

Reconhecer que entre eu e meu desejo mais profundo, o de um futuro no qual eu esteja seguro na verdade não é um futuro possível, a segurança de ter nosso objeto de desejo só nos deixa em duas posições, a primeira como eu desejo e corro atrás para satifazer-me com o que posso. A segunda é a forma de vida mais filosoficamente ligada ao monges, aos cristãos primitivos. Existe uma falta, que eu não posso suprir, existem coisas outras que eu não posso dar conta, e aceitá-las é, de uma forma ou de outra, apenas viver o luto de uma ideologia em que eu poderia de certa forma ter tudo, de ser tudo, de ser todo.

Passo então de construidor de um futuro "enlatado" em meu desejo e correndo muitos riscos de frustrações desnecessárias para um luto de uma idéia, de uma forma de vida, de mim mesmo como alguém que quer construir algo em torno de uma falta, de um desejo, para uma outra pessoa, uma outra posição.

Esta nova posição me permite ver a falta, senti-la, e de alguma forma, construir não sobre ela, mas de um jeito independente dela. Ser faltante e compreender isso, mas não dar valor ao que falta, que por sinal é "invalorável" mas apenas ser um faltante a mais, e construir ao lado da falta, até mesmo com a falta uma nova vida.

E por acaso não é isso que fazemos quando nos damos conta que não temo dinheiro para pagar um Iate ou um Jatinho particular?


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