quarta-feira, 18 de maio de 2011

Escolhas - A dor de um passo a mais.

Cada passo que damos é uma escolha, um fim de um passo dado anteriormente e o início de outro que ainda virá. Cada passo tem a dor de milhares de células que morrem, desfalecem, capilares que explodem e implodem  gerando micro-hemorragias para que o movimento continue.

O preço pago já está imbutido na conta, o saldo do caminhar é o de sair daquele lugar, mudar de posição, ir para frente ou para traz, ter liberdade. A liberdade de movimentar-se tem um preço biologicamente já bem calculado, salvo quando as patologias orgânicas ou psíquicas interferem e colocam o preço muito acima do que pode ser pago, este movimento de um simples caminhar chega a ser até mesmo considerado natural, simples, cotidiano.

Assim também é o movimento que deveríamos ter em nossas vidas. Sempre permitindo-nos estar frente a frente com as possibilidades infinitas do ser. Deveríamos poder renunciar as mortes de pedaços de nós mesmos a cada escolha para sermos diferentes, nem mais felizes, mas também não mais tristes. Simplesmente diferentes e nessa diferença simplesmente ser.

As mudanças em nossas vidas são tão naturais, que podemos até dizer, que assim como no caminhar, no gesto do passo dado, não ficamos pensando e enlutados por cada célula que morre, por cada movimento que ao ser escolhido deixa a infinita possibilidade para trás, assim também deveríamos pensar nossas vidas. Não ficamos calculando passo a passo como mover nossos braços para pegar um objeto, e que ao pegar determinado objeto outros acabam sendo deixados de lado. Os bebês vivem muito isso em suas realidade quando querem tudo, pegam e pegam e pegam, até estarem cobertos e mesmo assim ainda querem, mas não podem ter, falta bebê para tantas coisas.


Por alguma razão a gente cresce e esquece de que falta "eu" para tantas escolhas, e que de certa forma, escolher entre uma e outra coisa é renucnciar a uma possibilidade diferente de ser, de existir, de compor-se. 
A dor não deveria ser do luto das escolhas perdidas, mas da dificuldade em manter esta escolha, da dificuldade que cada escolha nos traz, dificuldade esta que nos deixa duas opções: desistir ou lutar.


Assim como  bebê troca facilmente um brinquedo querido e menor por um novo e bem maior, mesmo sem conseguir (ainda) manipula-lo como deseja, aquele objeto que despertou sua atenção torna-se um desafio, e não importa o quanto tempo demore até que chegue o dia para ele usufruir de seu objeto de desejo tal como ele imaginou, ele irá ficar lá, tentando com o que tem, fazendo o que pode.

Um adolescente não se aguenta de ansiedade para completar 18 anos, tirar carteira, dirigir o carro, até que pode, e quando pode suas vontades são outras, muda de desejo porque aquilo ele já pode, já tem, pode partir novamente para as infinitas possibilidades e ainda mais que lhe foi possível pela conquista do direito de dirigir. O bebê depois que cresce pode ter até mais brinquedos (que eram gigantes) e manipulá-los todos com mestria, pode mais, e de alguma forma se nada impedir poderá possuir não só brinquedos, mas também livros, pilhas, até que um momento poderá até mesmo construir seus próprios brinquedos. 

Nossas escolhas também são como brinquedos, não podemos ficar pensando no que foi deixado para trás, mas pensar que depois de um passo dado, o passo que ficou para trás sempre nos deu uma passo a menos para chegar aos nossos objetivos. Acho que o pensamento deveria ser sempre de que ao invés de escolher algo para ser aquilo, de forma cristalizada e sem maiores opções, talvez, devessemos sempre escolher algo que me permita continuar escolhendo, que me permita construir meus brinquedos.

Na verdade nós somos nosso próprio brinquedo e contruir-se é o passo de cada dia, é a escolha que muitas vezes dói, mas que nem sempre se sente...

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