terça-feira, 15 de março de 2011

Fibromialgia.

Acho que este post vai gerar muitos cliques aqui no Blog, rs. 

Espero que todos possam contribuir para esta discussão.

Primeiro por definição a fibromialgia é uma doença que "corre" pelo corpo, lembrando e muito o caso de deslocamento que os sintomas psíquicos estão sujeitos. Esta doença gera muitas dores para quem está vivendo nesta condição. Embora as dores sejam reais, os médicos as diagnosticam como de origem desconhecida, psicossomáticas, e muitos pacientes ficam furiosos ao passar pela cabeça que eles é quem "fizeram" e "fazem" isso consigo mesmos.

Diante da negação do quadro normalmente é receitado um antidepressivo que age aumentando o limiar da dor, ou seja, a dor é a mesma mas dessa vez passa a ser "menos sentida". A dcor está lá, ela não é removida, e a doença nunca é curada. Uma vez diagnmosticada a pessoa pode vir a sofrer pelo resto de sua vida dessa condição. Mas não precisa ser assim.

A dor que migra de um ponto a outro no corpo segue um discurso latente de uma vida tansa, cheia de emoções que não tem um lugar para ir, por isso passam para o corpo (soma em grego). Se pensarmos a própria palavra Psico (psiché - mente) e mais Soma (corpo) teremos aqui a famosa doença psicossomática. Mas o que vem a ser esta doença que desafia tanto a nossa razão?

Muito simples. Na verdade a dificuldade é em aceitar a condição e não em compreender. Freud e Groddeck, entre outros contemporâneos, estabeleceram uma ligação entre a mente e o corpo. De alguma forma a mente tem uma certa energia (libido) que moveria o corpo em direção uma atuação, a um comportamento para satisfazer o seu desejo. 

Por exemplo, se você tem sede e não toma água porque quer Coca Cola, seu desejo está voltado para a coca cola e não importa o tanto de água que você vai tomar, não é a mesma coisa, parece que seu corpo pede pela coca cola.

A psicossomática é uma condição desafiante justamente porque ela une uma mente saudável (a psicossomática não é uma condição de loucos, pelo contrário) a um problema específico, a um corpo que começa a adoecer. A Fibromialgia é diferente porque dói, mas diferente das Bronquites, Asmas, Rinites, Alergias, Coceiras, Gastrites, entre outras condições, ela não está associada a um órgão de choque. Ela é uma dor de certa forma livre, que uma hora dói em um local, outra hora em outro, não estando associada a nenhuma parte específica do corpo.

Estudos recentes sobre a Fibromialgia indicam que o cansaso físico, o estresse, a dificuldade em uma noite de sono de boa qualidade entre outros fatores são relatados junto com os portadores desta patologia.

Uma pessoa que trabalha em um ambiente doente, onde as pessoas exigem demais uns dos outros, onde a pressão psicológica é quase sempre extrema, e ainda por cima, vive em uma cultura onde há o predomínio de uma constante luta para ser "saudável", para ser bom, para ser perfeito, não sobra muito coisa para fazer que não seja adoecer.

O discurso comum de pessoas com esta doença pode ser identificado em seus "atos falhos" e costuma ter o significado mais ou menos assim: não posso sentir, não posso cansar, não posso descansar, não posso chorar, tenho que fazer, tenho, tenho, tenho. 

Os deveres do dia a a dia tranformam-se em uma carga pesada por demais. Dizeres como: Que delícia! Que gostoso! Que bom que esta aqui! acabam sendo sufocados no dia a dia e o corpo responde da maneira que ele sabe. 

A forma do corpo manifestar-se é o desconforto, é o desprazer. Quando fazemos um exercício por muito tempo acabamos perdendo as forças e no dia seguinte nos dói o músculo exercitado, esta patologia é uma dor generalizada de um corpo que está reclamando e dizendo: "ei meu amigo, manera aí, a gente também quer sentir prazer, a gente também tem direitos".

O problema é que muitas vezes as pessoas ao tomarem (acho que prefiro utilizar contraírem) os medicamentos e perceberem uma melhora elas pensam que podem suportar as dores ( e realmente podem), mas o problema em si mesmo continua ali, o dia a dia estressante quase sem nenhum prazer.

Identificar "o problema" não é facil, afinal, na psicanálise é compreendido que são vários problemas que repoetidamente geram um mal-estar, um sintoma. A psicoterapia tende a ajudar muito nestes casos, há pacientes que deixam, depois de um tempo, os medicamentos pois conseguem fazer uma compreensão do que está acontecendo e modificar o que estava exaurindo suas forças até o ponto de doer.

Como eu disse anteriormente, não precisa doer para sempre, não precisa morrer de dor e nem morrer com a dor.

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