segunda-feira, 7 de março de 2011

Esposa de Mentirinha: um filme supreendente

     A gente sente desde o começo do filme como ele vai terminar. Sim, não é um filme de grandes surpresas, mas é um filme sensacional onde podemos perceber a verdadeira graça da vida, o caminho que é feito para chegar ao final, ao objetivo, ao grande momento da trama.

     Surpreende pelos detalhes e pelos des-encontros no discurso de cada um. Quando na verdade conta a história de um amor, de um carinho, que está construído para além do sexo, uma amizade que simplesmente de tão íntima, nos faz refletir que tamanha dependencia não poderia ser outra coisa, é o amor.

     Em tese, ele nunca precisou dela, ela era apenas mais uma que poderia ser trocada a qualquer momento, e ela também, embora dependesse por causa de seu emprego, não passava disso. Os dois eram simplesmente o que eles eram, independentes um do outro.

     E por acaso esta é uma das características do amor, a independência do objeto amado. O objeto de desejo é simplesmente objeto de desejo para quem deseja, mas enquanto outro, ele é livre, e nisso reside o mistério da independência, afinal, depende daquele que é livre e não do que foi aprisionado no relacionamento.

     Sabem aquele famoso discurso que duas pessoas encontram-se apaixonam-se e mudam-se mutualmente? Depois de um tempo fica aquele mal-estar porque a paixão estava no outro livre e não no outro que acabou se tornando ao estar próximo demais. Ao ser aprisionado pelo amor.

     Este é um segredo que os casais bem sucedidos conseguem guardar (mesmo porque é inconsciente na maioria das vezes) o jeito de uma pessoa com todos, como ela fala, o tom de sua voz, seu perfume, sua forma de compreender e agir no mundo. Estas características pessoais é aquilo que fica evidente em determinada parte do filme. E são exatamente essas caracteríticas que fazem com que um possa desejar o outro. Desejo aqui tanto de tesão sexual, por possuir, mas também porque já foi possuído(a) por quem percebe-se amando.

     É minha gente, o filme retrata que em alguns dias (se não me engano são 4 dias) pode sim iniciar uma paixão, mas ela só dura porque houve toda uma caminhada anterior entre duas pessoas singulares que se desejam como são, e não como uma tentativa de consertar um ou outro (caso clássico dos amores adolescentes).

     Fica a sensação de que esse filme mostra todo um percurso que já ocorreu e que de repente só precisava de um catalisador para que pudesse chegar ao seu desfecho.

     Embora sintamos o que acontecerá no começo do filme, e antes da metade já tenhamos a certeza disso, vale boas gargalhadas e em especial uma reflexão sobre como o amor é percebido e encarnado. Muito diferente do que alguns dizem por aí, alardeando que o amor deve surgir. Creio que fica aquela sensação de que o amor já está sempre muito mais presente do que imaginamos e que de alguma forma, em algum momento, simplesmente nos damos conta de que ele está lá.

     O amor fica diferente da paixão. Enquanto um é abrir os olhos e ver o céu todo estrelado e deslumbrar-se com tantas estrelas e com sua imensidão. O amor é simplesmente perceber o céu desde o pôr do sol até o nascer do sol. É o tempo que passa. É a sensação de que nesse tempo algo muito bom está acontecendo, a certeza de que o objeto de nosso desejo, não é o deslumbramento do céu estrelado, nem a força do sol, nem a visão da estrela d´alva pela manha, mas é aquele(a) que está ali conosco em todos estes momentos.

     E para finalizar, a sensação durante todo o filme é simplesmente aquela de que uma risada atrás da outra nos permite ter:  "Que delícia, valeu meu ingresso"

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