domingo, 13 de fevereiro de 2011

Tropa de Elite 2 - Cai o herói, nasce um deus.


            Filme Tropa de Elite 2 - O inimigo agora é outro.

            Que saudade do capitão nascimento lutando contra os bandidos, contra os maus, contra aqueles a quem se podia derrotar. Os assassinos, os ladrões, os traficantes, eram inimigos reais, podiam ser mortos, trucidados, e a paz tinha alguma chance de reinar, mesmo que na nossa esperança, ou na dele.

            A imagem que o primeiro filme passa é basicamente que há esperança, que existem heróis, que é possível alguém fazer a diferença.

            O segundo longa já deixa claro que não.

            O filme realmente mexeu muito comigo, nesta continuação (se é que se pode chamar de continuação) a dúvida que pairava no primeiro filme sobre quem era mocinho e quem era bandido cai por terra na pergunta que o capitão (agora coronel) não consegue responder em 21 anos de corporação.

            O capitão descobre o que nós também acabamos descobrindo apenas no finalzinho do filme, que o verdadeiro vilão não tem rosto, não tem face, não tem como ser destronado do poder.

            Não existe um ou outro vilão, certo ou errado, mocinho ou bandido, como aparece em um diálogo com  Napoleão Bonaparte no filme "O conde de Monte Cristo": 

            - Quem decide que são os heróis ou vilões são aqueles que ganham a guerra e                 escrevem a história.

            É mais ou menos por aí. Ficou um gosto de desesperança total, de luta contra um imaginário, contra uma onipotência exatamente porque o inexistente é todo poderoso, não pode ser derrotado aquele que não tem RG, Passaporte, Social Security, entre outros documentos em diversos países.

            O sistema pode ser combatido, mas nunca será derrotado. Pode-se tirar as pessoas do poder, mas o sistema em si mesmo encontra novas pessoas.

            É mais ou menos como o pensamento de controle e contra controle que a sociedade exerce sobre os cidadãos e estes exercem sobre a sociedade. Há uma relação dialética onde um combate o outro, mas sem um, não existiria o outro. Se as pessoas não controlassem não existiria o controle, não sendo necessário o contra controle.

            Percebo então ao final do filme que não foi o filme mais violento que já vi em termos de imagens, mas, há uma violência em relação aos ideais, ao imaginário de quem assiste. Cai a figura do herói vitorioso contra o marginal e nasce a figura de um justiceiro, um fora da lei que percebe-se como tal e que sai fora do sistema para enfim tentar acabar com ele.

            Afinal de contas, sair do sistema para destruí-lo é função paterna. Aquele que está fora, que é maior que todos, que pode tudo porque não pertence ao meio que os outros pertencem, este é o pai da horda encontrado no texto do Totem e Tabu de Freud.

            Somente alguém todo poderoso, onipotente como o mítico pai da ordem para destruir um outro todo poderoso como o sistema que engloba a todos e a tudo implantando uma idéia imaginária de realidade que foge do que realmente é a realidade.

            Estive me sentindo um pouco em Matrix nos minutos finais, afinal, o sistema é a grande mãe, englobando e iludindo a todos com sua sedução sendo o "tudo" para os homens e mulheres que dela dependem, mas o pai totêmico por sua vez, pode contra a palavra dela e a desautoriza tirando cada vez pessoas dos braços da grande mãe. Em outras palavras o capitão como todo poderoso retira o discurso da mãe de bom ou mau e introduz a castração onde os sujeitos não são necessariamente o que a sociedade diz que eles são, eles são mais do isso.

            Cai a figura de herói durante o percurso do segundo filme, mas no final, com a voz de Wagner Moura pairando sobre o céu de Braília, fica o sentimento da criação de um deus que tudo ve, que está além do sistema, que está fora. Quando morre afinal o pai totêmico, ele ganha mais força do que tinha ainda em vida.

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