terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Sublinhando a Leitura da Vida

            E no Blog... "Vem cá Luisa... me dá tua mão", estão sendo sorteados 2 livros "lidos-queridos-sublinhados".

            Fiquei pensando sobre estes queridos e sublinhados, peguei um livro que estou lendo e cheguei a conclusão de que sublinho as partes mais difíceis. Normalmente uma parte com significado ainda desconhecido ou que eu simplesmente "não captei a mensagem". Uma ou outra parte sublinhada na verdade acabam sendo referências do texto que estou lendo, um resuminho de tudo o que li que muitas vezes alguns autores colocam em seus textos. Uma explicação de um monte de coisa dita mas que na verdade quase nada, ou mesmo nadica de nada, foi de fácil compreensão.

            Mais do que sublinhar, às vezes também escrevo do lado do livro para ligar um ponto com outro, do mesmo capítulo, livro, ou ainda de outra coisa que estou estudando, ou que simplesmente vi em algum lugar.

            O interessante disso tudo é que as partes mais difíceis são revisitadas com maior frequência exaustivamente, quando na verdade a solução para aquele emaranhado de letras esta muitas vezes a alguns parágrafos (normalmente 2 ou 3 no máximo) a frente. Claro que existem suas variações, como nos textos de Lacan (ou aqueles que explicam Lacan) que estão na verdade a 2 ou 3 capítulos de distância.

            Em nossas vidas é mais ou menos isso que acontece. Temos uma leitura da vida de certa forma a nos fixar nas dificuldades quando poderíamos continuar e ir um pouco mais, além do que nos prende.

            Um sentimento, um ocorrido, uma pessoa, um passado. São sempre coisas que podem ser re-significados logo ali, a um ou dois dias de distância. Mas também há outras coisas que são lacanianas eu acho, demoram 2 ou 3 anos, até mesmo talvez muito mais, as vezes somente em outro livro, em uma outra fase de nossa vida para compreender o que se passou.

            O importante é uma leitura corrida, no sentido de não tentar entender muito o que se diz, mas sim, compreender a essência do que está vivendo, do que está lendo.

            Nossa vida passa como se fossem as páginas dos livros, e quando nos fixamos nas dificuldades ou nos tornamos fracassados ou nos tornamos heróis. O problema é que ser herói hoje em dia é quase impossível.

            Somente após a morte é que são reconhecidos os gênios, os heróis, os bons. Enquanto ainda está sendo escrito o livro, não podemos dizer com certeza de que se trata de um bom livro, ou uma vida digna de ser vivida.

            Então aos que se fixam nos problemas só restam as dores, as dificuldades, os obstáculos e isso deixa um sabor amargo nas páginas de nossas vidas. Amarga tanto que o livro acaba ficando como a pessoa, deixado de lado nas prateleiras de uma biblioteca qualquer.

            Aos sofrimentos e as dores, ao dia a dia, a cada palavra, a cada linha, a cada parágrafo, sigamos a sabedoria evangélica de que "Não vos inquieteis a pensar no amanhã; a cada dia basta a sua pena".

            Esta passagem é lindíssima pois Pena tem dois significados :

            Dor - Afinal não há um dia sequer que não tenhamos alguma dificuldade, sofrimento, nem que seja aquela batida do dedinho na quina mesa.
            Leveza - Porque a pena é leve, levada pelo vento, pelo sopro. É justamente ela que nos faz voar.

            Então pensando nesta dupla possibilidade de cada dia, não seria um dia perfeito sem receber o pão nosso das penas de cada dia.

            E uma vez passado o parágrafo, deixemos para depois revisitá-lo, pois seguindo com a leitura de nossas vidas mais conhecimento se acumula, e com ele o que era dor penosa se torna como a pena dos pássaros que nos possibilitam voar.


            Um grande abraço a todos.


            PS: a foto foi de um livro meu " Um mundo sem limites: Ensaio para uma clínica psicanalítica do social"  - Recomendadíssimo

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