quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Silêncio

           Tantos blogs falando do silêncio, vou dizer da minha experiência, não o que é real, pesquisado, científico, do ponto de vista da ciência eu fujo do silêncio, mas das minhas experiências subjetivas seja bem vindo todos os silêncios.

            Estive no mosteiro beneditino em Ponta Grossa - PR por uma semana. Fui fazer uma caminhada um encontro vocacional. A vocação é uma palavra latina que significa vocare, em português, chamar ou chamado. Para ouvir alguém que chama, ou ainda, aquele que chama, é necessário o silêncio, para ouvir qualquer coisa, devemos silenciar nossa boca.

            A diferença é que para ouvir Àquele que nos chama intimamente, é necessário um silêncio íntimo. Como no post anterior, íntimo tem alguns significados, mas entre eles, gostaria de pensar em 2 específicos que acabam sendo uma coisa só.

            Íntimo de dentro, de uma qualidade daquilo que tenho em minhas entranhas, que está no meu íntimo, que está comigo.

            Íntimo de intimidade, de qualidade de uma relação ou de alguém que levo intimamente, que trago comigo em meu coração, nas profundezas de minha alma.

            Os dois falam da mesma coisa, embora o primeiro fale de uma noção egocêntrica, o outro diz de uma relação com um outro fora de mim.

            Para ouvir o que está dentro, é necessário calar por dentro, silenciar dentro. Este processo leva muito tempo, esforço, silêncio. É tão complicado quanto a busca pelo impossível, ou ainda a busca por Deus. No livro que inspirou São João da Cruz há um dizer que é mais ou menos assim "Se em um determinado momento encontrou Deus, Deus já não está mais ali, mas apenas o que você imagina que é Deus.". Posso dizer que na minha experiência isso também se dá diante do silêncio.

            Quando conseguimos tocar o silêncio, nossa alma se agita e então perdemos o silêncio, perdemos a paz, perdemos justamente o que havíamos encontrado e fica apenas o que pudemos sentir daquele momento, fica apenas a lembrança, mas nunca o real objeto de nossa busca.

            O silêncio é silêncio por si só. Não é a ausência de barulho que irá fazê-lo, mas uma paz indescritível, imperceptível, de qualidades que não conseguimos descrever, pois exatamente ao compreender (no sentido lacaniano que é trazer a experiência e apreende-la - de prender - de acordo com nossa história de vida) já não estamos mais falando do objeto real, mas do que significou aquele momento para nós, do que lembramos e lembrar, compreender, imaginar, tudo isso é de uma forma um tipo de falar; falando então eu, acabo por perder o silêncio.

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