terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Fora da realidade.

O que vem a ser a realidade?

Pequena porção de afetos que meus sentidos não conseguem apreender, ela é antes de tudo livre. A realidade é a liberdade por excelência, pois nos foge, sempre nos foge.

Foge de nossa capacidade de compreensão, foge de nossa capacidade de apreensão, foge de nossa capacidade de percepcão, foge de nossa capacidade de nomeação.

É sempre algo a mais, aquilo que sobra e que não pode ser unido à consciência simplesmente porque escapa.

Em um retiro no Mosteira da Resurreição em Ponta-Grossa, estava eu diante de uma árvore, com as mãos próximas a ela simplesmente pensando: Mas afinal o que é real disso tudo?

A resposta chegou surpreendentemente. Acho que ninguém poderia prever aquilo, a não ser o próprio Deus.

Ao encostar em algo que eu jurava ser a árvore, saiualguma coisa da árvore em direção a minha pessoa. E e com um sentimento de despreparo, medo e insegurança eu havia recuado com o coração disparado por aquele "algo" que me atravessara.

Ao retomar as rédeas da situação pude perceber que onde havia uma árvore na realidade estava uma grande mariposa, invisível, imperceptível.

A realidade sempre é aquilo que de uma forma ou de outra nos surpreender exatamente porque de alguma forma não conseguimos imaginar qual seria o próximo passo, qual a razão, qual o motivo do que aconteceu. A realidade em outras palavras é o afeto que escapa à palavra, ao significado, a nossa imaginação.

Jung dizia isso sobre os símbolos arquetípicos. O que é um simbolo na verdade seria uma marca, um objeto, ou qualquer outra coisa que nos remeta a outra, como nas obras de arte. Não importante o quanto de nomes que aquele simbolo receba, ele sempre será algo a mais que aquilo, embora vá perdendo sua capacidade de despertar em nós projeções, o símbolo continua sendo simbolo.

Aqui o objeto tem outro sentido, o sentido do vazio. Primeiro tomamos um acontecimento real para depois nomeá-lo, como as criancinhas fazem quando sentem algo que não conhecem e seu pai ou mãe ajudam a dar um nome para tirar a criança do estado de ansiedade. Fazemos a mesma coisa que as criancinhas.

Diante da realidade, nossos sentidos apreendem o máximo que podem e automaticamente vamos imaginando, ou seja ligando tudo aquilo que nos afeta, tudo aquilo que conseguimos perceber, com nossa história de vida.

Somente no caso de não haver um nome, de ficar um algo sem sentido, de encontrar alguma coisa que tenha a capacidade de nos afetar mas que não temos a capacidade de digerir o que que se porta diante de nós, podemos chamar isso de real.

A realidade é, em outras palavras, aquilo que está fora de nossa realidade, aquilo que não compreendemos, que não imaginamos e que se fosse de outra forma, não seria real.

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