sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Direto de um e-mail - Imaginário X Real

Como nos enganamos!
 
Pensávamos que era inofensivo. Que nada! 
Estudos europeus revelaram os efeitos do álcool. Existe a evidência de que: 

Vodka + Gelo   =  fode os rins! 
Rum + Gelo      =  fode o fígado!
Whisky + Gelo =  fode o coração!  
Gin + Gelo        =  fode o cérebro!  
Pelo que parece esse filho da puta do gelo é que fode tudo! 


     Não consegui encontrar um exemplo mais simples do que essa equação acima para demonstrar o poder do pensamento, das idéias dos seres humanos.

     Aquela conversa do Leite com manga, também entra no registro do imaginário, dos significados que damos para as coisas que pensamos.

     Existe de fato um algo, um objeto, uma realidade, mas somente pode ser tocada através da utilização de nossos sentidos.

     Acreditar que de fato o gelo faz mal para a saúde como diz a equação acima é pensar cientificamente (culturalmente) utilizando para isso a ciência no plano da lógica. A lógica explica que se um e dois forem verdadeiros, poderíamos então como conclusão, considerar uma terceira premissa como também verdadeira.

    Tá certo, a filosofia da ciência não é exatamente isso, a ciência real baseia-se em fatos (que só ela pode ver pois esta equipada para tal) e através dos fatos elabora uma teoria que aos poucos vai se ajustando até bater com a realidade. Essa é a ciência acadêmica.

     Podemos dizer que a ciência acadêmica trabalha um conhecimento com objetos reais, enquanto as ciências da cultura, o conhecimento adquirido de povos distintos, é uma ciência que irá muito mais pelo lado do imaginário do que do real. Os seres humanos trabalham com o pensamento, fruto de uma série de percepções e que nem sempre são verdades academicamente científicas, mas são verdades culturais, por exemplo, o velho ditado de tomar chuva e ficar resfriado.

     Depende muito mais de outros fatores do que simplesmente da chuva em si mesma. A chuva por sinal, devria ser um ótimo acontecimento quando cai sobre os nossos corpos. Podemos sentir na pele, sentir o cheiro, o sabor, ver, ou seja, tomar chuva envolve todos os sentidos perceptuais, é ótimo para quem está com as defesas do organismo em dia.

     Agora além de uma ciência acadêmica (supostamente universal) e uma ciência cultural (de um grupo específico de pessoas - pode ser até de uma família específica) há também a ciência de cada um.

     A parte mais linda do ser humano é a sua capacidade de imaginar, de criar do nada, do vazio, do ócio, uma poesia, uma música, uma obra prima. Estas obras podemos dizer que fazem parte do imaginário pessoal, por exemplo no clássico livro de Cervantes - Dom Quixote - onde há um imaginário e a partir dele temos toda uma epopéia.

     Outro clássico é o famoso Dom Casmurro, onde é explorado este imaginário, este jogo científico de testes, hipóteses, evidências, em nome de um saber que fica desconhecido, um saber que por via das dúvidas é melhor não sabê-lo todo.

     Passando um pouco pra teoria prática das relações fantasmáticas de Lacan, podemos encontrar examatente aquela equação do gelo também nas relações que as pessoas exercem consigo mesmas e com outras. 

     Através de experiências perceptuais estabelecemos uma certa relação com o mundo, mas nem sempre estas relações de fato como nós a imaginamos, como nós percebemos que elas são. E na verdade, para o "relacionador" elas são daquela forma que ele enxerga sim e acabou.

     A terapia psicanalítica ajuda a compreender estas relações imaginadas, fantasmáticas que não são exatamente como nós as enxergamos, como nossa ciência individual comprova nos levando a um outro patamar. Passamos a ter uma visão quase que como se estivéssemos de fora de nossa vida e aos poucos fossemos revisitando cada cena para compreender melhor. Resignificação, resstruturação e revivência das experiências são de fato uma forma de dar outro sentido - aqui digo do sentir, uma forma de sentir de outro jeito - às relações fantasmáticas que estabelecemos com a gente, com nosso corpo, com as pessoas e até mesmo com a cultura.

     Existe então uma relação real, mas ela não é cientificamente acadêmica, ela é a experiência de cada envolvido e portanto, real para quem a experimenta, mesmo que seja loucura para quem ve de fora.

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