terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Cotidiano - capacidade de pensar.

Foge-me no momento a capacidade de pensar em outra coisa que não seja as preocupações do dia.

Lembro-me dos dias que eu praticamente vivia para e pelo Blog. Agora que o ano começou (e começou muito bem), tenho dificuldades para pensar em outras coisas que não aquelas que meu dia me programa.

Penso sobre a vida, filosofando, imaginando, enquanto estou andando de ônibus, enquanto espero alguma coisa pra fazer, enquanto vou andando de um destino a outro na cidade com um objetivo muito bem resguardado na consciência.

O prazer de desfrutar o ócio e com ele construir um post, um único e mísero post que valha a pena postar aqui e colocar no facebook para divulgar, ou recomendar aos amigos para ler está se esvaindo. Não sei se os leitores antigos e mais assíduos perceberam isso tudo. Bom, agora estou escrevendo e se não percebiam vão começar a perceber.

Na verdade as mudanças realizadas aqui seguem as mudanças realizadas na cultura, na sociedade humana.

Primeiramente haviam os artesãos com seus produtos únicos, cada post era como uma obra prima. Pensado, repensado, corrigido, sentido, escrito, postado aqui no espaço. Agora, os post tem um caráter de manter a máquina andando, de publicar para não cair as visitas, para as pessoas entrarem e ver que ainda de vez enquando há algo que preste por aqui.

O blog ficou aparentemente mais comercial, perdeu um pouco do luxo que possuía antes, por exemplo, minha amiga Gisele disse que gostou da cara nova, mas que gostava tanto do relógio no antigo visual (amiga, eu juto que procurei, mas não achei nenhum relógio no antigo visual... acho que vc errou de blog, rsrsrsrsrsrs).

É meus amigos, pagamos um preço pela modernidade, pelo luxo de trabalhar a cada dia, pela vida de produção e de desfrute dos objetos que desejamos consumir. Pagamos um preço altíssimo pela sobrevivência. Cai a qualidade de vida, cai o ócio, e na mente que haviam idéias, reflexões e análises, cai também o desejo por pensar.

Meus dias tem sido ssimples até, trabalho no Murialdo com menores infratores por 20h semanais, no contraturno vou estudar e reorganizar o pré-projeto (aqui pode-se entender como: ler, ler, ler, ler e vez ou outra escrever alguma coisa). Tenho que comer, dar atenção aos meus pais, familiares, amigos, tomar banho, passar perfume (não vivo sem), ir e vir, e quando percebo, quem se foi, foi o dia...

Por isso cheguei a mais pura e ingênua conclusão que já tive em toda a minha vida e que, ainda assim, vou defendê-la com todas as forças que me sobram:

A vida de hoje está aípara ser morrida.

É minha gente, a gente morre um pouquinho em cada lugar e aos poucos quando chega a noite, quando vem o fim de semana, em vez de aproveitar e curtir acabamos deitados no sofá, sem conseguir fazer outra coisa senão morrer de tédio vendo faustão.

Toda a dinâmica do dia a dia, não importa se é ou não reforçador a criatividade, o que importa é que cansa, que desgasta, que consome. O dia a dia buscando pelo leitinho das crianças, aparelhos celulares novos, roupas recém lançadas no SPFW, óculos da coleção 2011 da F1, tudo isso custa muito caro, e ultimamente tenho sentido estranhamente que tem me custado a vida.

Cabe-nos contrabalancear, fazer algo de novo. Fazer??? Não, eu me recuso a esta palavra, cabe-nos o nada, cabe-nos enfim o ócio e todos os prazeres do pensar que vem com ele.

Então de coração, peço perdão aos frequentadores que percebram uma queda na qualidade do Blog. Ah, a revista chegou (Ufa, posso colocar alguma coisa aqui, rsrsrsrs) então esta semana teremos mais de Jorge Forbes, Rubem Alves, pesquisas recentes no campo da psicologia e neurologia, entre outras coisas...
Abraços e muito obrigado por manterem cerca de 50 visitas por dia aqui no nosso espaço.

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