quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Amar é bem estar

"O antigo amor, porém, nunca fenece

e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.

Mais triste? Não. Ele venceu a dor,

e resplandece no seu canto obscuro,

tanto mais velho quanto mais amor."
 
Carlos Drummond de Andrade
 
 
Há nas revistas uma propaganda em circulação que acho que o nosso ex-ministro da saúde ficou um pouco aprisionado naquela falsa percepção do anúnico. O anúncio muito simples diz apenas isso: Sexo é vida.
 
Não, sexo não é vida. A vida é outra coisa, o sexdo é parte da vida, parte boa ou ruim, depende de como e com quem ele é exercido. Nunca pensei em discordar tanto de Freud quando ele afirma que tudo é sexo. Mas, em defesa dele, nunca concordei tanto com alguém quando ele afirma que "as vezes um charuto é só um charuto".
 
A vida é muito mais que o sexo, na verdade, sem a vida não há sexo, mas sem sexo existe sim a existência, existe a vida já posta, mas não a vida futura (pelo menos de uma forma natural, a ciência hojhe não precisa mais disso para criar vida).
 
Agora, pensemos na sexualidade, esse sim é principio da vida, o que é uma sexualidade evoluída pode ser condensada em dois pontos:
 
Ter prazer e dar prazer - Ainda melhor é quando a pessoa consegue ter prazer dando prazer ao outro. Isso é amor.
 
O amor enquanto irrealidade, enquanto estado, é tão indefinível quanto a morte, é a própria vida e se manifesta através da sexualidade. Não há um pensamento de um amor verdadeiro, um único amor, mas podemos pensar talvez em um amor melhor, um amor mais puro, mais livre, seria o amor melhor o ter prazer em dar prazer ao outro?
 
Não se resume a isso. O amor melhor é ter prazer percebendo que o outro está também amando, ou seja, é ter prazer porque o outro tem prazer, embora se for comigo, o amante, seria melhor ainda.

As diversas formas de amar, se pegarmos a teoria, são apenas formas de se relacionar com os objetos de desejo, com os objets de amor. Posso definir como objeto de amor aquilo que nos aprisiona de "n" formas e que me permite ser feliz?
Sim, é isso, amar é estar preso em uma liberdade.
 
Amar dá trabalho sim, como diz Carpinejar. Mas é sempre estar preso a liberdade de deixar de amar, de deixar de fazer, de encontrar outro objeto de amor. Lacan vai definir que não existe um único objeto que satisfaça plenamente o ser humano. Não há um único objeto amado que me faça completo, pelo contrário, introduzindo a idéia de satisfação parcial, uma pessoa, um trabalho, uma família, um amigo, uma poesia, etc, tudo isso que me apreende e me da a possibilidade de seguir adiante, sem tirar minha liberdade de movimento, são objetos de meu desejo, são amados por mim.
 
Posso trocar de mulher, de trabalho, de corpo (plásticas e mais plásticas), de casa, de amigos, mas vejam que não o faço porque tudo isso me faz bem.
 
Amar então em sua melhor forma é sentir-se bem.
 
Enquanto a paixão é estar algemado a um outro e perder as chaves da algema, amar é saber onde estão as chaves mas simplesmente não precisar usar.

Sentindo-se bem então, como diz o poeta, quanto mais velho, mais amor, mais amante, mais livre, mais estar bem.

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