segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O Estresse da Jornada Tripla Masculina - Por Sérgio Ruiz Luz

         Nem as encarnações modernas das feministas de Nelson Rodrigues, aquelas que querem reduzir as mulheres a um macho mal acabado, ousam mais colar na nossa testa aquela imagem de um ser pré-histórico paralisado frente à TV, com a bunda colada no sofá e uma latinha de cerveja na mão. De uns tempos pra cá, nós, homens, deixamos essa zona de conforto para equilibrar as tarefas dentro de casa. Sem sacrificar a jornada no escritório e deixar de trocar o pneu do carro quando necessário, a maioria hoje acompanha de perto a rotina dos filhos, incluindo o socorro em emergências como uma dor de dente e a ajuda nos deveres escolares. Além disso, somos capazes de fazer compras, administrar a empregada e, em alguns casos, até mesmo cozinhar para a família. Damos conta ainda de tarefas fundamentais, como o chope com os amigos e a força para o time na reta final do campeonato. E ai de um de nós se, em meio a tudo isso, esquecermos a "nossa música" ou não notarmos como a chapinha no cabelo dela ficou diferente.

          Entre os principais fatores que produziram essa mudança estão a solidariedade às mulheres e a vontade de participar mais da rotina da família. Provar à sociedade que damos conta de tudo isso satisfaz àquela porção masculina que acredita na existência de um super-herói dentrod e cada um de nós. Pensamos ser fortes, versáteis, indestrutíveis. É claro que não somos nada disso. A dificuldade de conciliar todos esses papéis é uma das grandes razões do estresse masculino. Para piorar as coisas, não temos sequer o consolo do reconhecimento da sociedade.

          Enquanto os esforços das mulheres para se desdobrar nas tarefas de profissional, mãe e esposa merecem até hoje análises e pesquisas extensas, a maior parte delas feita em tom de denúncia contra a brutal sobrecarga sobre os ombros delas, há um silêncio quase criminoso em relação à tripla jornada masculina. A avalanche provocada pelo movimento feminista nos deixou acuados e, até hoje, com a sensação de ainda estamos devendo alguma coisa. Por isso, corremos de forma insana para dar conta das tarefas de profissional, pai e homem. Chegou a hora de parar com tamanha bobagem. As responsabilidades entre homens e mulheres estão hoje muito mais bem equilibradas, ninguém ousa discordar disso. Não é um bom motivo para assinar de vez o armistício na guerra entre os sexos?

Sérgio Ruiz Luz é Redator Chefe de ALFA.

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