terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Enquanto não chega quem vai chegando sou eu.

Enquanto não chega quem vai chegando sou eu.

Estou em véspera de uma seleção. Meu projeto inacabado está pronto já desde o fim de Novembro. Mas não está pronto como estava. Cada dia vou acrescentando alguma coisinha, vou retirando outras.
Li uma parte do texto de Freud sobre Leonardo da Vinci, fiquei impressionado com nossas semelhanças. Leonardo, segundo Freud e os autores que ele cita em seu texto, Tinha um desejo pelo conhecimento, pelo saber e este desejo muitas vezes o impossibilitava de terminar um trabalho.
Especialmente diante do afresco da "Última Ceia" Leonardo se mostrou mais uma vez como um homem ímpar. Não concluiu o trabalho, mas ia quase todos os dias visitar sua obra. Vez por outra acrescentava alguma coisa, corrigia um detalhe aqui e ali, e ia terminando para sempre, eternamente.
A sensação que tenho em alguns trabalhos, especialmente neste que tenho desenvolvido é exatamente esta. Eternamente inacabado, mesmo que pronto, mesmo que chegue no dia derradeiro da apresentação a conclusão que provavelmente irei chegar é a de que mesmo pronto por prazo, mesmo chegado o dia, o trabalho não está terminado.
E por acaso não é assim nossa vida? Nossa própria análise em clínica? Nosso desenvolvimento humano?
Parece-me que aprendi com Leonardo que a vida é um eterno fazer acontecer. Mesmo que com os planos todos traçados, com todos os pingos em seus devidos lugares, ainda há sempre espaço para mais um detalhe, mais uma surpresa que mostra a incompletude do ciclo.
Mesmo que fechado e concluído sempre haverá a chance de reeditar, de organizar a gaveta de forma diferente.
Não me lembro onde, mas ouvi dizer que a análise é como um reorganizar as gavetas onde se encontram as memórias. O problema é que vamos organizando por ordem alfabética, quando estamos quase terminando, assim, de repente, resolvemos que as gavetas seriam melhor organizadas por ordem de acontecimento, e depois quando á está no fim, por importância na vida. Sempre é tempo de fazer algo com o que se tem, sempre é o tempo do agora e o nunca é o tempo do concluído.
Concluo este post dizendo que mais do que nunca, o sempre, o eterno é em outras palavras o agora. Pois é no agora que nada está concluído, que sempre se pode fazer algo mais.

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