quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Ano Novo

Mais um ano se passou.

Há cerca de uns três dias atrás fui entrevistado por uma emissora local sobre o que eu achava que faltava para termos um mundo melhor.

É legal pensar sobre isso. Pensei com o repórter em algumas possibilidades, por exemplo, na possibilidade da esperança. A esperança é espera e isso meus caros, temos quase pós doc. Como brasileiros e como pessoas somos PHD em esperar.

Esperamos nas filas, esperamos notícias, esperamos para nascer, esperamos por um mundo melhor. A esperança já está meio que implícita em nós.

Pensei em desejar então a paz. Não precisei pensar muito para refutar meu meu desejo. A paz é muito mais um estado, um sentimento de não perturbação que é conquistado com muito suor, muita luta, muita atividade. Quase me faz lembrar a aposentadoria de algumas pessoas que depois de muito tempo embora aposentados continuam trabalhando mas em outras coisas. Escrevem um livro, cuidam da casa, fazem um ou outro curso que sempre sonharam. A paz é fruto de uma vida de atitudes e que no fim serve para um gozo maior da vida que resta.

Acho que a palavra que nos deveria marcar para este ano novo (ao menos para mim) seja a palavra caridade. Não estou pensando aqui na forma de dar aos mais pobres o que tenho sobrando. Estou pensando na palavra caridade com o sentido mais bíblico. O sentido da palavra caridade aos católicos é um sentido bem simples: Dar ao outro o que não se tem.

É muito simples este conceito de dar o que não se tem. O verbo ter nos remete à atitude de possuir algo, coisa que é contraditória ao cristianismo primitivo. Ter é diferente de ser, pois quem tem precisa possuir algo externo para uma "completude", possuir no entanto não garante ser aquilo que possui, mas garante apenas que aquilo que possui passa a fazer parte do todo que é o possuidor.

O cristianismo podemos dizer que é a liberdade em atitudes, a caridade é justamente reconhecer-se como não possuidor, mas como apenas um administrador que goza do que o patrão lhe permite gozar e não possuir. Isso traz uma responsabilidade maior, mas também um desprendimento visto que o patrão no caso do cristianismo é Bom.

Explico enfim a caridade.

Caridade no sentido de não possuir nada e ter atitudes frente às pessoas que necessitam de minha pessoa para administrar os bens da vida.

Caridade em um sorriso, em um abraço, em meus trabalhos, em meus estudos, em minhas relações. Pensando sempre que se eu não possuo nada, posso distribuir estes bens a quem me interessar sem necessariamente me desfazer do que realmente é meu. 

"Deus é caridade".

Neste ano que começa sejamos mais como Deus, façamos o que o menino Deus fez, passemos aos outros a esperança de que podem contar conosco e a paz de poder encontrar em nós um porto seguro.

FELIZ 2011

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