sexta-feira, 25 de setembro de 2009

"Não, minto."

Quando dizemos "não, minto", o que nos parece?

Que mentimos da primeira vez, qu nos enganamos, que não conseguimos "lembrar" o que queriamos dizer.

Interessante analisar este tipo de expressão que comumumente se segue aos famosos atos falhos. Caso aconteceu com você fique livre para comentar sobre tal.

A palavra dita realmente é entendida como uma peripércia da nosso eu que eu ao discorrer sobre uma idéia teve um lapso, um corte na idéia e surgiu sem querer uma outra coisa que parecia que estava ali mas não deveria estar.

Retiremos a vírgula e teremos um lindo: "Não Minto". Digo então a verdade, mas que verdade é esta que aparece "do nada", que aparece deste lapso de consciencia?

É a verdade do desejo que aparece e com isso podemos dizer que ao não mentir fica o dito pelo não dito.

Esta troca entre o dito pelo não dito é muito engraçada as vezes, mas também muito sofrida e embaraçosa na maioria das vezes. Parece que dissemos algo que jamais poderíamos ter dito, pelo menos não naquela situação, não com aquele público.

Curioso que é o caso de um deputado que não desejava abrir uma sessão e disse ao iniciar a sabatina diária: "declaro fechada a reuniao de hoje", quando deveria declarar que estava aberta.

Freud compreendeu este movimento (e mais tarde Lacan explica melhor e um pouco mais dificil) como um movimento na qual o que eu desejo está suprimido pelas regras, pelo momento, pela moral, em outra palavra, pelo super-ego. Não podendo assim me expressar livremente me calo ou ainda, ("não, minto") minto para a sociedade porém não consigo mentir para este desejo que pulsa em mim.

CONTINUA...

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