quarta-feira, 5 de agosto de 2009

"A extensão da pessoa jamais coincide com o limite de sua pele, mas inclui todos os objetos aos quais pode chamar "meus". Seu guarda-pó, seu consultório, sua oficina, seu banco, seus instrumentos de trabalho são parte da pessoa, tanto quanto sua família, sua escola, seu grupo de amigos, etc." (BOHOSLAVSK).

Este post é uma visão mais científica da pregação que eu fiz no Grupo de Oração Raio de Luz aqui de Londrina no ultimo domingo.

Fui lá falar sobre amizade, e acabei entrando em um território lindo, mas ao mesmo tempo muito dificil de ser tocado. Parece que as nossas relações com o outro sempre são de identificação e des identificação, em outras palavras, amor e ódio.

Não podemos imaginar o ser humano como tal sem um outro que o afirme como e quem ele é. Tentemos por exemplo saber quem é alguém que não conhecemos, apenas pelas por uma fotografia, ou pelo som de sua voz. Tente descrever a personalidade, seu jeito de ser, tente imaginar as coisas que ele gosta ou não gosta.

Agora, vamos passar para algo mais concreto "diga-me com quem andas que te direi quem és", diga-me o que ele faz para que eu possa chama-lo de Doutor, de Senhor, ou de Vossa Excelencia. Mostra-me o que ele tem de bom e de ruim, para que eu possa um dia quem sabe surpreende-lo elogiando ainda mais suas quelidades, ou ajudá-lo ante alguma dificuldade.

Aos poucos o cenário vai se formando, não necessariamente na presença da pessoa real que é o objeto das perguntas, mas é criada uma imagem virtual daquele sujeito através do conhecimento que um outro detém sobre ele.

Durante a descrição, eu descrevo o outro por situaçõe e particularidades que me são iguais ou diferentes, mas que em ambas, me sensibilizaram de alguma forma. Descrevo não a realidade do outro mas a minha realidade sobre o outro, o meu ponto de vista.

Nossas amizades também podem ser consideradas como particularidades de nós mesmos, pedaços de mim que estão nele e pedaços dele que está em mim. Eu o afirmo como pessoa, como sujeito não eu, e ele me afirma como sujeito não ele, me afirma como outro, como eu.

A perda de uma pessoa muitas vezes implica na perda de uma parte de mim, de um investimento de carinho, amor, de sentimentos que não tem mais um alvo específico para ser investido fora de mim mesmo. Perco uma parte do reconhecimento de mim mesmo naquele que se foi. Deixo de ser um pouco eu, deixo de ser um pouco ele, me torno outro sem eu nem ele.

Gostaria de responder agora brevemente uma pergunta que me fizeram após a palestra e que durante muito tempo eu me perguntei diante de meus lutos. E agora o que eu faço?

Como pessoa, digo-lhe que continue a amar aquele que se foi, continue a amar em você o que ficou dele. Não pense que perdeu alguém, mas comece a ver que aquela pessoa agora está como cristalizada em você. O amigo, o familiar, o objeto de amor ou ódio se foi, mas ainda acima de tudo, em você os traços daquele que ficou, do outro que é o novo eu.

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