segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

CONTINUANDO...

Como não temos acesso total ao outro que interage com a gente, temos sempre a oportunidade de escolher-mos sobre qual perspectivas queremos reviver uma cena que já aconteceu.

Diferentes correntes psicoterapeuticas utilizam esta base de pensamento para auxiliar a pessoa que procura o psicólogo demandando um auxílio, seja este auxílio um maior conhecimento sobre si mesmo, ou o alívio de uma angústia que sufoca, ou para qualquer outro que uma pessoa busca a terapia em si.

Na linha de Moreno que é considerado o pai do psicodrama, as pessoas são levadas a reviverem um "ato" como em um teatro as experiencias traumaticas do passado.

Seguindo esta linha, tenho um livro aqui em casa que se chama "A Volta do Filho Pródigo", em que o Autor (Pe Henri Nowen) faz uma análise da obra "O retorno do filho pródigo" de Rembrant. Durante a análise o autor escreve a mesma cena contando de diferentes perspectivas.

Primeiro a perspectiva do filho mais novo que retorna a casa, depois do filho mais velho, e assim por diante.

Nossa vida deve ser pautada de diferentes visões, não apenas aquela visão que temos de nossa história enquanto personagens, mas também a nossa história como se nós fossemos os expectadores dela, ou como se fossemos outro personagem qualquer na cena. Talvez seja nescessário muito dialogo com as pessoas que estiveram naqueles momentos traumáticos para saber relamente o que se passou em suas cabeças, mas talvez não.

Lembra que eu escrevi que embora somos iguais somos diferentes? Assim também nós podemos assumir papeis diferentes em nossas vidas, ver nossa história a partir de outras perspectivas e dar outros sentidos, outros significados aos acontecimentos.

Não quero aqui deixar vocês divagando sobre quais significados então devemos dar, mas quero que possamos tantar encontrar outros significados (fantasiosos sim, mas também reais), ou seja, é nescessário uma re-significação dos acontecimentos de nossa história. Re-significação tal que nos leve a um novo desfecho, a um desfecho real.

Como encontrar a realidade no passado fantasiado em nós?

Enfim chegamos ao ponto crucial sobre a fantasia do passado.

Como na ciência tentemos fazer o seguinte, quanto mais respostas verdadeiras obtivermos mais real será este novo "desfecho". Em outras palavras, quando nós olharmos para o fato e identificar-mos o maior numero de pontos comuns que as diversas perpectivas nos dão sobre determinado acontecimento, estes pontos comuns poderão ser descritos como realidade, como o que aconteceu.

Por exemplo o caso do Dom Bruno, o que aconteceu realmente foi que ele ajudou a lavar a louça e ninguém mais quis ajudar o irmão que não gostava dele. Ficar criando fantasias sobre o porque ninguém quis é fantasiar e dar significados que muitas vezes podem distorcer o que aconteceu.

Embora a realidade seja subjetiva, podemos encontrar nesta nossa subjetividade algo de real, quando verificamos os fatos pelos fatos.

Este pois é o passado, embora fantasia também real.

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